Balanço do mercado cinematográfico em 2009

Acabei esquecendo de postar antes mas vale a pena sempre analisar os numeros!

Com 14,28% de participação de mercado, desempenho é o melhor dos últimos cinco anos


13/01/10
– O melhor desempenho do cinema brasileiro dos últimos cinco anos: este é o resultado do balanço do mercado cinematográfico em 2009, consolidado e divulgado pela ANCINE. Os números demonstram um crescimento significativo no público e na renda das salas de exibição, o que se deve em parte ao bom desempenho das produções nacionais.

Segundo Manoel Rangel, diretor-presidente da ANCINE, esses resultados positivos indicam que o cinema brasileiro está vivendo uma nova fase: “A produção nacional está ocupando o mercado de forma continuada e consistente, no que parece ser um ciclo sustentável de crescimento. A safra de filmes programados para 2010 nos permite acreditar na manutenção dos índices de ocupação alcançados em 2009 e apostar no crescimento desta participação”, avalia Rangel. “Isso é fruto do compromisso dos produtores brasileiros, distribuidores e exibidores, de uma política cultural atenta a todos os elos da cadeia econômica do setor, da parceria entre o Estado e as empresas privadas, enfim, planejamento.”

Em relação a 2008, o público de filmes brasileiros em 2009 cresceu 76%. A participação da produção nacional no público total das salas (“market share”) fechou o ano em 14,28%: foram 16.092.482 espectadores, com uma renda total de R$ 131.936.273, 88. Este foi o melhor desempenho dos últimos cinco anos. Em 2009 foram lançados comercialmente 84 filmes nacionais, sendo 45 de ficção, 38 documentários e uma animação, enquanto os lançamentos estrangeiros foram 235: 144 americanos e 91 de outras nacionalidades.

Diversos fatores têm levado a uma reaproximação entre o cinema brasileiro e seu público: a melhor qualidade técnica dos filmes, a maior organização dos agentes do setor e um calendário de lançamentos mais estratégico – mas, sobretudo, a realização de filmes que caem no gosto dos espectadores, em diferentes gêneros e faixas do mercado.

A seguir, outros dados consolidados pela ANCINE, incluindo um quadro comparativo de 2008 e 2009, com a evolução dos números de público, filmes, renda e participação do mercado do filme nacional:

•  2009 registrou um público total de 112.683.383 espectadores e renda de R$ 969.783.735, 77 nas salas de cinema. Trata-se do maior público dos últimos cinco anos, com um crescimento de 25, 26% no público e de 32, 93% na renda, em relação a 2008.

•  O filme ‘Se Eu Fosse Você 2′ vendeu 6.112.851 ingressos (5.786.844 em 2009, e o restante nas pré-estréias realizadas em dezembro de 2008) e arrecadou R$ 50.543.885, superando o recorde anterior da Retomada, que era de ‘Dois Filhos de Francisco’, lançado em 2005, com 5.319.677 espectadores.

O filme mais visto do ano foi ‘A Era do Gelo 3′, que alcançou 9.279.602 ingressos e arrecadou R$ 81.118.935, 00. É o segundo maior público dos últimos 20 anos, atrás apenas de TITANIC, lançado em 1998, com 16.377.228 espectadores.

COMPARATIVO DE PÚBLICO – 2008 X 2009
2008
2009
Variação %
2009/2008
Público total 89.960.164

112.683.383

25,26%

Renda total 729.522.782,41

969.783.735,77

32,93%

Público filmes nacionais 9.143.052

16.092.482

76,01%

Renda filmes nacionais

70.244.803,07

131.936.273,88

87,82%

Público filmes estrangeiros

80.817.112

96.590.901

19,52%

Renda filmes estrangeiros

659.277.979,34

837.847.461,89

27,09%

% de participação filmes nacionais

10,16%

14,28%

40,51%

Lançamentos nacionais

79

84

Lançamentos estrangeiros

244

235

Fonte:2008 – Dados compilados pela Ancine (Filme B , SDCMRJ e SADIS/Ancine)                                            2009 – SADIS/Ancine

Metologia: Os dados apresentados foram extraídos do Sistema de Acompanhamento da Distribuição em Salas de Exibição – SADIS e compilados pela equipe da Coordenação de Cinema e Vídeo – CCV da Superintendência de Acompanhamento de Mercado.

As análises foram feitas com base nas informações fornecidas até 7/1/2010 pelas empresas distribuidoras cadastradas na Agência Nacional do Cinema.

OS 10 FILMES BRASILEIROS MAIS VISTOS EM 2009
TÍTULO
DISTRIBUIDORA
PÚBLICO 2009
PÚBLICO TOTAL
RENDA 2009
SE EU FOSSE VOCÊ 2*
FOX 5786844 6112851
R$ 47622137
A MULHER INVISÍVEL
WARNER 2353136 2353136
R$ 20498576
OS NORMAIS 2
IMAGEM (WMIX) 2202640 2202640 R$ 18978259,88
DIVÃ
DOWNTOWN (FREESPIRIT) 1866235 1866235 R$ 16492461,11
O MENINO DA PORTEIRA
SONY E DISNEY (COLUMBIA) 666625 666625 R$ 4559799
BESOURO
SONY E DISNEY (COLUMBIA)
481381
481381
R$ 3769206,75
O GRILO FELIZ E OS INSETOS GIGANTES
FOX
361030
361030
R$ 1915058
SALVE GERAL
SONY E DISNEY (COLUMBIA)
316077
316077
R$ 2640159,02
JEAN CHARLES
IMAGEM (WMIX)
292471
292471
R$ 2448735,02
XUXA EM O MISTÉRIO DE FEIURINHA**
PLAYARTE
250109
250109
R$ 1766416,65

Fonte: ANCINE/SAM/CCV, baseado em dados do SADIS (Sistema de Acompanhamento de Distribuição)

* ‘Se eu Fosse Você 2′ é o único título da lista com pré-estréias no ano anterior. A renda total do filme foi: R$ 50.543.885

** Este filme continua sua carreira nas salas de cinema em 2010. Até o dia 10/01/2010, acumulava público de 605.653 pessoas e renda de R$ 4.278.126

Espaços Mais Cultura

MinC investe R$ 9 milhões para construir centros culturais

Edital contempla cidades com até 500 mil habitantes

O Ministério da Cultura vai investir R$ 9 milhões para construir 20 espaços culturais multiuso em municípios com até 500 mil habitantes. Os projetos foram selecionados pelo edital Espaços Mais Cultura e receberão R$ 450 mil cada. A ação tem como prioridade atender cidades com poucos ou nenhum equipamento cultural, como teatros e museus.

Dos 20 municípios contemplados, a maioria é do Nordeste – Bahia (4), Alagoas (2), Pernambuco (2) e Ceará (1). As regiões Sudeste e Sul tiveram cinco projetos selecionados cada: Minas Gerais (4) e São Paulo (1) pelo Sudeste; Rio Grande do Sul (2), Santa Catarina (2) e Paraná (1) pelo Sul. O município de Novo Acordo (TO) foi o único escolhido da Região Norte.

As cidades selecionadas com maior população foram Ponta Grossa, no Paraná, e Caucaia, no Ceará, ambas com cerca de 330 mil habitantes. As menores foram Pedrão, na Bahia, com sete mil habitantes, e Novo Acordo, Tocantins, com apenas quatro mil.

De acordo com a coordenadora de Ações do Programa Mais Cultura, Mônica Monteiro, os critérios levados em conta para a seleção dos projetos foram às condições socioeconômicas das comunidades onde serão instalados os Espaços Mais Cultura, além da escassez de equipamentos culturais nesses locais.

Os espaços terão biblioteca, cineteatro, além de salas multiuso para exposições e oficinas. “Esta é a inauguração de um processo para viabilizar espaços físicos que permitam o acesso da população mais carente à cultura”, ressalta Mônica Monteiro.

Os projetos passaram por três etapas de avaliação, entre análise de documentos e avaliações técnicas, onde foram observadas questões relativas ao urbanismo – como facilidade de acesso da população ao local -, e um projeto arquitetônico que respeitasse as características culturais do município.

Os Espaços Mais Cultura tem como objetivo a construção, reparação ou adaptação de centros culturais que permitam às comunidades o acesso a um centro cultural e a participação nas atividades por meio de uma gestão compartilhada com as prefeituras. “O Espaço Mais Cultura vai além de um prédio construído: é uma mobilização social. A comunidade é chamada a participar da gestão do equipamento antes mesmo das obras terem início”, ressaltou Mônica.

Oficina

Representantes dos 20 municípios com projetos selecionados deverão comparecer na Oficina de Trabalho Espaços Mais Cultura, realizada nos dias 20 e 21 de maio em Brasília. Entre as atividades, estão previstas consultorias para o ajuste dos projetos com o programa afim de que eles possam ser qualificados e otimizados de acordo com as respectivas realidades locais.

Os representantes das prefeituras selecionadas receberão, ainda, instruções de como melhor promover a mobilização social, ou seja, como fazer com que a comunidade se aproprie do espaço.

(Comunicação, SAI/MinC)

Brasil e França renovam acordo de coprodução

O Globo, Segundo Caderno, em 13/05/2010

7 Minutos com Manoel Rangel

Na próxima terça-feira, Brasil e França vão ganhar um novo acordo bilateral de coprodução para o Audiovisual. O presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, e a presidente do Centre National du Cinéma et de l’Image Animée (CNC), Véronique Cayla, vão se encontrar durante o Festival de Cannes para assinar o documento. Pelo novo texto, os dois países poderão estender a participação de suas equipes para os parceiros do Mercosul e da União Europeia. Atualmente, o Brasil tem acordos bilaterais com Argentina, Alemanha, Canadá, Chile, Colômbia, Espanha, França, Itália, Portugal e Venezuela.

O GLOBO: Do que se trata este novo acordo?
MANOEL RANGEL: É uma renovação do acordo feito em 1969. Vamos fazer a formalização jurídica em Cannes. Basicamente, ele atualiza o acordo anterior em alguns pontos. Ele abaixa a participação do país que entrar com o capital minoritário, podendo chegar, em casos excepcionais, a até 10% do investimento total. Ele também vai permitir que profissionais da União Europeia possam ser contabilizados pelo lado francês como equipe da França, e que profissionais do Mercosul possam ser contabilizados como equipe brasileira pelo lado do Brasil. Tudo isso otimiza ainda mais a boa relação que já existia entre os dois países no campo do audiovisual.

Que vantagens o acordo traz para o Brasil?
RANGEL: Ele cria as condições para intensificar as coproduções.
Tivemos um encontro para estimular coproduções no ano passado e teremos outro este ano, no dia 4 de junho. Um acordo como este, por exemplo, possibilita que um filme brasileiro entre no mercado francês com as facilidades de mercado que um filme francês teria, e viceversa.

Quais serão os próximos acordos firmados pelo governo brasileiro?
RANGEL: Já temos acordos assinados com Israel e Índia, e só faltam alguns detalhes para que eles entrem em vigor. E estamos em negociação com Rússia e China.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Revista Cultural de Cinema do Brasil

O Globo, Segundo Caderno, por Ely Azeredo, em 27/04/2010

Ely Azeredo

“Filme Cultura” (1966-1988), que circulou com 48 números, ainda é a mais importante e, sem dúvida, a mais completa revista cultural de Cinema do Brasil. Digo que “é ainda” porque a maior parte de seu conteúdo tem interesse permanente.

Porque suas coleções não se perderam; porque abordou todo o universo da arte e da indústria; e porque me parece impossível estudar com abrangência o cinema brasileiro sem retorno às suas páginas.

A clássica “Cinearte”, que começou nos anos 1920, tendo como figura de proa o pioneiro Adhemar Gonzaga, deu amplos espaços à produção nacional.

Mas, para sobreviver, adotou um perfil próximo ao do padrão hollywoodiano de fan mags. A revista “Filme”, de 1949 (apenas dois números), criou um padrão informativo e ensaístico excelente. Surpreendentemente, embora fosse realizada por nacionalistas insuspeitos, como Vinicius de Moraes e Alex Viany, dedicou poucas linhas ao cinema da terra.

“Filme Cultura” surgiu por ideia do crítico e líder da classe cinematográfica paulista Flávio Tambellini (pai do cineasta Flávio R. Tambellini), quando dirigiu o Geicine (Grupo de Estudos da Indústria Cinematográfica), e, além de recursos desse órgão, contou com apoio do então Ministério da Educação e Cultura. Eu criei o projeto da revista – que se chamou “Filme & Cultura” na edição inaugural.

Exceto durante um pequeno interregno, fui o editor, em parceria com o crítico Carlos Fonseca, até 1974.

Partimos da convicção de que é impossível desenvolver e enriquecer um cinema nacional sem oferecer uma visão universal. Por exemplo: na Itália do pré-guerra, a revista “Cinema” teve em seus quadros o teórico e cineasta Luigi Chiarini (”o filme é uma arte; o cinema, uma indústria”), e críticos exigentes como Antonioni.

Sem este periódico, o neo-realismo italiano não seria tão rico.

Na França, a Nouvelle Vague fez sua revolução tendo como QG os “Cahiers du Cinéma”, mensário nascido especialmente sob o impulso do crítico full-time André Bazin.

Inovadores do cinema brasileiro a partir dos anos 1950, como Luis Sérgio Person e Walter Hugo Khouri, não teriam sucesso de público sem o trabalho empreendido pelas colunas de crítica. E o movimento Cinema Novo não seria o mesmo sem leituras sobre o neorealismo e a Nouvelle Vague.

O primeiro número de “FC”, feito com poucos recursos, foi rico em ensaios e veiculou pela primeira vez no Brasil o teórico Siegfried Kracauer (”O espectador”).

A partir do número 2 (com capas inspiradas no design dos “Cahiers”) “Filme Cultura” se modernizou. Foi enriquecida com uma série de dossiês – sobre Fellini, Hitchcock, Kazan e outros. Criou uma “Enciclopédia” serializada de cineastas.

E Paulo Perdigão, autor de livro sobre “Shane”, trouxe dos EUA uma rica entrevista com George Stevens.

“FC” abordou praticamente tudo: dos filmes científicos ao complexo tema do “duplo” (personalidades divididas); de pesquisas sobre desconhecidos ciclos regionais brasileiros até o western; do mercado de capitais aos dilemas da exibição.

Entre os pontos altos da primeira fase: a revelação do desconhecido pioneiro José Medina; e estudos sobre lendas (então) vivas, como Gonzaga, o decano da crítica Pedro Lima e o mestre Humberto Mauro.

Ely Azeredo é crítico de cinema e autor do livro ”Olhar crítico: 50 anos de cinema brasileiro”

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Condenado, Guilherme Fontes não será preso

O Globo, O País, em 28/04/2010

Segundo sentença, ator sonegou R$ 258 mil. Pena será pagamento de cestas e trabalho comunitário
O ator e diretor Guilherme Fontes foi condenado a três anos, um mês e seis dias de prisão por sonegação fiscal, em processo que corre desde junho de 2007, na 19 ª Vara Criminal do Rio. Graças a uma decisão judicial do início deste mês, porém, Fontes não será preso. Sua punição será o pagamento de 12 cestas básicas, de R$ 1 mil cada.

Metade delas será entregue ao Hospital Colônia de Curupaiti, em Jacarepaguá, e a outra metade à Fundação Colibri – Associação de Assistência ao Excepcional, na Lagoa. O ator prestará ainda serviços comunitários no mesmo período em que ficaria recluso, com carga de sete horas semanais. O ator entrou com recurso contra a sentença.

- Não houve sonegação, todos os impostos devidos foram pagos – disse o ator, afirmando que o filme já está pronto.

A ação refere-se ao período entre 1995 e 1997, quando Fontes iniciou a captação para o longa “Chatô – o rei do Brasil”, projeto abortado em 1999 pelo Ministério da Cultura, devido a suspeitas de uso indevido do dinheiro público. O filme foi orçado em R$ 12,5 milhões. Pela sentença, a empresa Guilherme Fontes Filmes Ltda deixou de pagar aos cofres públicos R$ 258.432,05, pois Fontes teria emitido notas fiscais em Guararema (SP), não no Rio, onde estava a sede da empresa, sem recolher ISS.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Teaser do filme JOGATINA

Claro Curtas: inscrições abertas!!!!!!!!!

Claro Curtas – Festival Nacional de Curtíssima Metragem valoriza a produção audiovisual realizada em curtíssimos formatos feita a partir de celulares, webcams, câmeras digitais e outros dispositivos móveis. A democratização do audiovisual revelou uma nova geração de criadores que realizam e compartilham a sua produção de vídeos por meio das novas mídias digitais.

Com o enorme sucesso da primeira edição do Festival Claro Curtas em 2008, e alinhado com a proposta do Instituto Claro, oClaro Curtas 2009 propõe, a partir deste ano, ações que visam estímulo, democratização, difusão e valorização do audiovisual voltado para mídias móveis no Brasil.

Claro Curtas 2009 traz o tema SER DIGITAL – Aprendizado e Transformação na Sociedade do Conhecimento. A ideia é ampliar os debates sobre as possibilidades trazidas pelas novas tecnologias, suas formas de expressão e participação no mundo contemporâneo.

Neste ano, além de inscrever o seu curta no Festival, você pode aprimorar a produção dos seus vídeos com novos canais de aprendizado, reunidos em um Miniguia e em vídeos educativos. Olhar, pensar, fazer, compartilhar: o Claro Curtas quer inspirar novas criações, reflexões e pontos de vista.

Divirta-se assistindo aos vídeos educativos, baixe o Miniguia e descubra dicas e curiosidades que vão tornar seu curta ainda melhor.

O Festival reafirma a proposta inédita de incentivar a inclusão e a diversidade por meio da oferta de conteúdos audiovisuais acessíveis. A parceria com a ONG Mais Diferenças – que trabalha pela inclusão social e educacional de todos, prioritariamente das pessoas com deficiência – garante, ainda, a acessibilidade  em todas as ações desta edição do FestivalClaro Curtas, inclusive neste site.

Se você tem 16 anos ou mais, inscreva aqui o seu curta de 30 a 90 segundos e concorra a R$100 mil reais em prêmios!

O que é SER DIGITAL para você? Seu curta pode ganhar o mundo incentivando outras pessoas a expressar também suas ideias.

Comece já a produzir! Participe!

http://www.clarocurtas.com.br

Produção independente requer políticas para distribuição

Matéria publicada no site do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, no dia 02/10/2009

O Brasil possui uma produção audiovisual regional e independente bastante volumosa e qualificada. Distribuir esse material, no entanto, é a maior dificuldade enfrentada pelo setor. Propor políticas públicas que garantam o escoamento dessa produção será um dos desafios da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

Ainda que tenha atingido certo grau de maturidade, com produções de qualidade reconhecida, o mercado audiovisual brasileiro ainda encontra dificuldades para distribuir seu conteúdo. Construir políticas públicas que estimulem o setor é uma das tarefas que o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) propõe para a Confecom, cuja etapa final será realizada entre os dias 1º e 3 de dezembro, em Brasília.

Embora o artigo 221 da Constituição Federal brasileira estabeleça a regionalização da produção cultural e a distribuição do conteúdo na programação das emissoras de rádio e televisão, a sua não-regulamentação é uma das barreiras ao setor. “Regulamentar esse artigo é um passo importante. Precisamos fazer valer a determinação e estimular a produção independente, estabelecendo, com base em discussões públicas, os percentuais de regionalização, medida já prevista na CF”, avalia o Secretário de Políticas Culturais (SPC) do Ministério da Cultura, José Luiz Herencia.

O Brasil possui políticas para financiar a produção. Contudo, faltam canais e regras para que esses conteúdos cheguem até o mercado de maneira efetiva, afirma o professor de Economia do Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF), Alex Patez. “Mesmo necessitando de ajustes, temos um amplo leque de possibilidades de fomento à produção independente e regional mesmo para a televisão. O que é preciso é garantir mercado”, aponta.

Para o cineasta e sócio da Casa de Cinema de Porto Alegre, Carlos Gerbase, isso se dará a partir de uma estrutura de exibição consistente. “No Brasil, só vamos conseguir ter uma produção independente forte, quando tivermos uma estrutura de financiamento e de exibição se apoiando mutuamente. Isso só se consegue com por meio de uma legislação. O audiovisual brasileiro vai ser mais forte se tiver gente fazendo cinema, TV, no Nordeste, no Norte, no Centro-oeste, no Sul”, reflete o cineasta.

Concentração impede o desenvolvimento

No Brasil, há 2.098 salas de cinema, de acordo com o levantamento feito pelo Ministério da Cultura, publicado no Anuário de Estatísticas Culturais do País 2009 (veja o material completo aqui). Do total de salas, 1.244 estão localizadas na região Sudeste. A pesquisa, realizada em nove capitais, mostrou que somente 15% da população dessas cidades têm o hábito de frequentar cinemas ao menos uma vez por mês. Os filmes mais vistos são os “hollywoodianos” (19%).

Na avaliação do presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, Antônio Claudino de Jesus, a cadeia produtiva exige maior complexidade. “Nosso mercado é completamente dominado e dirigido pelas majors. A distribuição, e consequentemente a exibição, está sob o comando de empresas como a Motion Pictures”, explica. Para ele, a concentração das salas de cinema no sudeste do país reflete a carência de políticas mais abrangentes para o setor audiovisual.

A concentração dos cinemas comerciais nos shopping centers, distantes da maioria do público, dificulta o acesso, avalia Claudino. Mais de 90% das cidades brasileiras não têm sequer uma sala de cinema. “A produção fica comprometida e dependente do investimento de recursos públicos. E aí, não há distinção entre o cinema regional e independente ou o cinema dito comercial”, assinala.

O Coordenador Geral de TV e Plataformas Digitais do Minc, Octavio Penna Pieranti, acredita que só o aumento do número de salas de cinema não assegura o espaço necessário para a produção regional e independente. É preciso discutir também o espaço da produção regional e independente na televisão brasileira, na radiodifusão e na TV por assinatura. “Isso também é papel das emissoras do campo público, tentando em cada um dos Estados trazer a produção regional para a sua grade”, pontua.

Outros veículos

Gerbase reflete que a concentração das salas nos shoppings acabou afastando as classes C e D do cinema. “Quem asssitia à chanchada, na década de 50, quem via os filmes populares, sempre foram as classes mais populares. Nós temos que, de alguma maneira, resgatar esse público, sem perder as outras classes, obviamente. É uma tarefa difícil”, pondera o cineasta. Ele destaca, porém, que ser “independente” no Brasil nunca foi bom negócio. “Sempre foi muito melhor estar vinculado a uma emissora de TV, que já tem a grade e a gente já sabe onde vai o produto, então pode pensar mais a longo prazo. Só que, daí, tu tens que trabalhar dentro da emissora”, explica.

A relação da produção audiovisual com a televisão – e atualmente ainda com outros meios de comunicação – também deve ser levada em conta em futuras políticas para o setor. “Para quem quer fazer cinema como nós, essa relação é muito importante. Eu não conheço nenhuma produtora de cinema independente no Brasil que viva de cinema. As pessoas estão fazendo televisão aberta, televisão a cabo, produzindo para celular, para a internet ou fazendo publicidade”, afirma Gerbase.

Para a cineasta Berenice Mendes, representante da Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (Aneate) na Coordenação Executiva do FNDC, é preciso garantir essa regionalização em todos os sistemas de TV. “Não é porque está sendo formado um sistema público como a EBC, que vai se desobrigar o sistema comercial de cumprir a lei”, aponta Berenice, destacando que o incentivo também deve ser feito para as TVs e rádios comunitárias. “Essas emissoras, criadas legalmente, não possuem um projeto de sustentabilidade, o que acaba as fragilizando”, complementa a cineasta.

Políticas Públicas

Paetz destaca a instituição de cotas à produção independente e regional como possibilidade para o setor. “Países com uma democracia avançada que quiseram desenvolver uma indústria audiovisual não tiveram outra opção a não ser estabelecer uma política de cotas”, expõe. O professor cita como exemplo os países europeus, onde na televisão aberta ou por assinatura, 50% dos conteúdos têm de ser regionais. Além disso, os canais devem ser programados a partir do continente. “O Canadá tem regras semelhantes para fazer contraponto à indústria audiovisual norte-americana, da mesma forma, a Austrália tem cotas na televisão aberta e por assinatura”, assinala.

Para Paetz, porém, estipular cotas para a produção no Brasil poderia criar uma demanda potencial de conteúdos independentes na televisão e mais produções cinematográficas. “Havendo isso, eventualmente o Estado colocaria menos recursos públicos no fomento dessa produção – recursos esses que competem com a educação, com a saúde, porque o mercado poderia contribuir para financiar essa produção”, defende o professor.

Diante do processo de convergência digital, José Herencia sustenta a necessidade de costurar políticas intersetoriais para concretizar o potencial de diversificação. Segundo ele, outro ponto central é a capacitação. “Existe pouca disponibilidade de programas para a profissionalização na área”, afirma.

Um diagnóstico profundo do setor precisa ser realizado para então serem elaboradas políticas públicas referentes, afirma Berenice. Investir na articulação e criação de um circuito popular de exibição audiovisual e a introdução no currículo escolar de disciplinas destinadas à leitura crítica dos meios de comunicação e do conteúdo audiovisual são alternativas para estimular o setor.

Para democratizar o mercado audiovisual, é preciso ainda incentivar a co-produção entre empresas de televisão e cinematográficas, nos diferentes estados e municípios da federação, fortalecendo assim o mercado interno. Iniciativas como essas são apontadas pelo Programa para a Democratização da Comunicação no Brasil, produzido pelo FNDC.

A população precisa ter amplo acesso ao conteúdo regional e independente, participar do processo cultural de forma a conhecer a diversidade brasileira e ser sujeito dela, sustenta Claudino. “O que importa, realmente, é o respeito aos direitos do público -em última instância, o grande e único investidor que sustenta tanto o mercado quanto às produções alternativas e sem fins lucrativos. Esta é a grande luta do movimento”, finaliza.

*Com a colaboração de Fabiana Reinholz

Delegação de produtores brasileiros vai a evento de animação no Canadá

Sexta-feira, 09 de Outubro de 2009, 16h11
Vinte e sete executivos de 20 produtoras participam da programação especial que o Brazilian TV Producers (BTVP) e o Consulado do Canadá preparam de 13 a 16 de outubro no Canadá. Além de participarem do Television Animation Conference, os brasileiros terão uma extensão do programa internacional de capacitação, o PIC Animação, em Ottawa e Montreal. Os finalistas do programa levarão seus projetos em busca de coprodução.

Além de visitas ao Mercury Filmworks e Pip Animation Services, estúdios que produzem séries exibidas no mundo inteiro como “Calliou” e “Meninas Superpoderosas”, a CASO (Computer Animation Studios of Ontario) organiza o painel “Nuts & Bolts of Animation Business in Ontario”, que reunirá seis estúdios locais para apresentar e discutir questões práticas da produção de animação. Os brasileiros também terão a oportunidade de mostrar seu trabalho no encontro ‘Meet the Brazilians’, com reuniões individuais pré-agendadas. A Embaixada Brasileira em Ottawa oferecerá uma recepção aos brasileiros. No Infocentre de la capitale, ocorre a Cerimônia de Assinatura da renovação do Acordo de Cooperação Audiovisual Brasil (SAV-MinC) & Canadá (NFB).

A delegação brasileira será formada pelas empresas 2DLab, 44 Toons, Amazing Graphics, AnimaTV, Belli Studio, Copa Studio, DayDreamLab, DGT Filmes, Digital Spirit, Flamma, HGN Produções, Lightstar, Magma Cultural, Martinelli Films, Mirabólica, Mr . Solo, Piloto TV, Split Filmes, Sumatra e TV Pinguim.

Da Redação Revista Tela Viva

Governo e cineastas se unem contra a pirataria no setor do audiovisual nacional

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Ministério da Justiça quer coibir a prática da pirataria no setor do audiovisual brasileiro e para isso promete colocar em ação, a partir do fim de outubro, várias iniciativas envolvendo o governo federal e a classe cinematográfica. Com esse objetivo, o presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNPC), Luiz  Paulo Barreto, reuniu-se hoje (28) com cineastas e produtores na sede da Agência Nacional de Cinema (Ancine), no Rio de Janeiro.

“O cinema nacional está em forte evolução nesse momento. Vários filmes estão sendo lançados. E a gente tem a preocupação de que a pirataria acabe por prejudicar esses filmes”, afirmou Barreto.

O trabalho envolverá a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Receita Federal, além de toda a indústria do cinema que será mobilizada. “Tanto os produtores como os distribuidores e exibidores, para tentarmos fazer uma contenção da pirataria, principalmente de filmes nacionais.”

Serão feitas ainda campanhas de sensibilização e educação sobre o tema pirataria para apopulação. As polícias estaduais também deverão ser recrutadas para participar de grandes operações de apreensão em feiras e camelôs em todo o Brasil.

A ideia é que medidas preventivas à pirataria já sejam tomadas desde o estúdio  onde o filme está sendo produzido. ” [As medidas devem começar] com o controle do acesso das cópias, começam também com o controle na hora de fazer a produção final, para que não vaze dentro da própria indústria, como  aconteceu com o [filmeTropa de Elite, que vazou dentro da linha de produção”, disse o presidente do CNCP.

Será feito também um trabalho com as salas de cinema. O objetivo é fazer com que a segurança seja mais rigorosa para impedir a entrada de câmeras de vídeo nas sessões. Luiz Paulo Barreto assegurou que boa parte das falsificações de filmes nacionais é feita dessa forma.

“A gente desconfia que algumas pessoas que fazem a exibição dos filmes podem estar facilitando que outras entrem fora do horário da sessão somente para gravar e depois jogar na pirataria. Essa é uma maneira também de pirataria que nós temos que conter.”

A produtora cinematográfica Paula Barreto, filha do cineasta Luís Carlos Barreto, elogiou a proposta de combate às falsificações no setor do audiovisual. “Está mais do que na hora de se fazer esse esforço conjunto, com comprometimento de todos os atores desse mercado, tanto do ministério, como a Polícia Federal e a Receita Federal, a Polícia Rodoviária, os exibidores, produtores, distribuidores. Se a gente não se unir em torno dessa questão, não vamos resolver.”

Ela acredita que, agora, com o envolvimento de todos, serão estabelecidos critérios e ações conjuntas para diminuir a pirataria. Segundo ela, os filmes nacionais vendiam anteriormente entre 400 mil a 500 mil DVDs. Hoje, não chegam a vender 25 mil cópias.

A produtora acrescentou que o mercado de falsificações gera perdas na arrecadação de impostos para o governo que chegam a R$ 30 bilhões. “São 2 milhões de empregos que se perdem para a pirataria”, disse a produtora. Ela está apostando, contudo, na eficácia das novas medidas para coibir esse crime. “Vamos estabelecer as ações e botar pra quebrar.”

Na próxima semana, o grupo técnico, formado por representantes do CNCP e da Ancine, voltará a se reunir, em Brasília, com produtores, exibidores e distribuidores de filmes para definir o plano de ação. “Vamos ver se com essas medidas, a gente consegue reduzir e até evitar a pirataria de filmes nacionais”, disse Luiz Paulo Barreto.

Edição: Lílian Beraldo


Campanella quer integração maior entre produtores da América Latina

da Efe, no Rio de Janeiro

O cineasta argentino Juan José Campanella defendeu nesta segunda-feira uma maior integração entre os produtores de cinema da América Latina e, para isso, considerou necessário que os povos aprendam mais sobre as diferentes culturas da região.

No entanto, o diretor atribuiu essa responsabilidade não ao cinema, mas aos sistemas educacionais, que, segundo ele, poderiam dar mais atenção à herança comum latino-americana.

“Em vez de aprender tanto a história dos fenícios e dos persas na escola, poderíamos estudar mais sobre os países da América Latina e, a partir disso, começar a se interessar um pouquinho mais pelos que nos cercam”, disse Campanella em entrevista à Agência Efe, dentro do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.

Campanella visita o Brasil pela primeira vez e apresenta seu último filme, “O segredo dos seus olhos”, baseado no romance de Eduardo Sacheri. O longa fala sobre a reabertura de um caso judicial que, após 25 anos de investigação, ainda não foi resolvido.

Apesar do suspense da história policial, Campanella se mantém fiel a seu estilo e à sensibilidade com que trata a vida cotidiana, “com personagens críveis, de vidas muito comuns”, e com uma grande história de amor.

No longa, Campanella trabalha pela quarta vez com Ricardo Darín, que para ele é “um ator que maneja muito bem a passagem do drama à comédia” e que dá vida ao protagonista Benjamín, que decide reabrir o caso judicial com a esperança de fechar histórias de seu passado.

“É muito forte o que se fala sobre a memória, sobre o olhar para trás na vida de uma pessoa. Gosto que a motivação do personagem para reviver toda essa história seja se perguntar por que está só, e não encontrar um culpado”, explicou.

O passado está estampado nos filmes do diretor. Em “O filho da Noiva”, “O mesmo amor, a mesma chuva” e “Clube da Lua”, os personagens são prisioneiros de suas memórias e tentam se libertar delas.

Aos 50 anos, Campanella segue fazendo cinema com a esperança de que aproveite a grande tela para atingir gente que não conhece. “O cinema é comunicação. O Faço para que o povo veja, para contar uma história”, diz.

“Quando uma pessoa relaciona o filme com o que lhe acontece e até chega a acontecer uma mudança em sua vida por ver um filme meu, então isso é o melhor que pode acontecer”, confessa o cineasta.

O diretor, uma referência no cinema latino-americano, vê os prêmios de maneira prática: uma ferramenta para ajudar a divulgar os filmes e tornar possível que sejam vistos em locais onde não seriam normalmente exibidos.

Para ele, porém, o Oscar sim é “o prêmio”. Campanella tem esperança de que “O segredo dos seus olhos” possa ser escolhido pela Argentina para concorrer.

Enquanto vive a expectativa, Campanella se divide entre a direção de episódios de séries de televisão como “Law & Order” e “House”, e o cinema, que, como diz, se apresenta mais “em nível pessoal e interno”

Acordo de coprodução entre Brasil e Índia é regulamentado

da Agência Brasil

O Diário Oficial da União desta segunda-feira traz publicado o texto do acordo de coprodução audiovisual entre o Brasil e a Índia, celebrado em Nova Delhi em junho de 2007 e aprovado na última quarta-feira (23) pelo Congresso Nacional.

O acordo regulamenta o percentual de cotas de participação financeira na coprodução e a linguagem a ser usada na obra audiovisual. Também define as autoridades competentes encarregadas de sua implementação.

Um dos objetivos do acordo é facilitar a cooperação entre os produtores brasileiros e o setor audiovisual indiano. As obras realizadas em regime de coprodução serão consideradas nacionais nos dois países, o que abre oportunidades de ingresso dos filmes brasileiros no mercado indiano.

Justiça mantém cota para exibição de filmes brasileiros

O TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) suspendeu a decisão judicial que autorizou distribuidoras de cinema no Rio Grande do Sul a não respeitarem a chamada “cota de tela”, que estabelece uma reserva anual de salas para a exibição de filmes brasileiros. A decisão atendeu a um recurso na AGU (Advocacia Geral da União), que defendeu a norma regulamentada pela Ancine (Agência Nacional do Cinema).

O Sindicato das Empresas Cinematográficas no Estado do Rio Grande do Sul questionou na Justiça uma Medida Provisória (MP 2228-1/01), que obriga cinemas a exibir e locadoras a manter filmes brasileiros no acervo por 20 anos. Já o Decreto 4.945/03 fixou o período de mínimo de cartaz para filmes brasileiros em 60 dias por ano. A ação foi julgada procedente pela 5ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre.

Na decisão, os desembargadores entenderam que “não há qualquer inconstitucionalidade na determinação de exibição de filmes nacionais”, porque a própria Carta “eleva a princípio a promoção do patrimônio cultural brasileiro”. Segundo o relator do caso, “a exibição do cinema nacional em vários festivais evidencia a preocupação deste setor com a realidade social nacional”.

Em sua manifestação, a AGU defendeu que a política de reserva é imprescindível para o desenvolvimento do cinema nacional e comparou o setor com o crescimento econômico recente do país.

“A estagnação do crescimento brasileiro nas últimas décadas, ainda que tenha realizado importantes reformas econômicas, sociais e políticas, deu-se, em parte, pela resistência na adoção dessas políticas públicas, em razão da falta de mentalidade nacional de que o desenvolvimento é mais o resultado de um processo gradual de mudanças”, disse a apelação.

No recurso, argumentou ainda que na fixação do número de dias que devem ser exibidos obras brasileiras são ouvidas entidades representativas dos produtores, distribuidores e exibidores, de acordo com a determinação legal. Outros fatores também são considerados: número de filmes lançados, público e a renda obtida.

O cinema brasileiro cada vez mais perto do público

A Programadora Brasil lança no dia 24 de setembro, quinta-feira, mais 164 filmes em DVD. Com esse lançamento, o catálogo chega aos 494 títulos que contemplam a diversidade da produção audiovisual brasileira. São clássicos e contemporâneos, curtas, médias e longa-metragens de todos os gêneros (animação, documentário, experimental e ficção) que representam o melhor da produção nacional das últimas dez décadas. Além de sucessos recentes de bilheteria, a Programadora Brasil também está lançando filmes raros – mas não menos importantes – que tiveram pouca circulação pelas salas de cinema e que nunca foram lançados em DVD ou VHS.

Há filmes para todos os gostos: comédias populares dos anos 30; chanchadas; clássicos do cinema novo dirigidos por Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade; documentários sobre temas recentes e urgentes da história brasileira, como a ditadura e a violência urbana; e, ainda, filmes sobre e para as crianças. Mas não são só os futuros espectadores do cinema brasileiro que preocupam à Programadora Brasil. Por isso, ela inova e lança, agora, mais de 15 filmes com os recursos de audiodescrição e closed caption. Dessa forma, pessoas com deficiência visual e auditiva poderão frequentar salas de cinema e assistir filmes importantes da cinematografia brasileira.

Realizada pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, por meio da Cinemateca Brasileira e do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Programadora Brasil trabalha para promover o encontro do público com o cinema brasileiro. Uma ação para formar platéias e incentivar o pensamento crítico em torno da produção nacional, através do estímulo à formação e ao fortalecimento de uma rede não-comercial de exibição. Os filmes podem ser adquiridos por pontos de cultura, escolas, universidades, ONGs, centros culturais, entre outros espaços de exibição audiovisual de circuitos não-comerciais a ela associados.

Clássicos que divertem

Preocupada em recuperar a magia do cinema, a Programadora Brasil está lançando filmes clássicos com forte viés de entretenimento. São produções que, na época de seu lançamento, levaram o grande público às salas de exibição – façanha que poucos filmes conseguem hoje – e que ainda são capazes de emocionar e divertir o espectador.

Entre eles está o longa-metragem O corintiano, de Milton Amaral. Mais do que uma obra sobre futebol, é um filme sobre paixões arrebatadoras. Estrelado pelo mito brasileiro do cinema popular, Amácio Mazzaropi (1912-1981), essa obra é uma joia a ser redescoberta pelo público. Na mesma categoria está O batedor de carteiras. Produzido em 1958, o filme tem como destaque a presença de Zé Trindade, estrelando o personagem que o fez célebre no cinema brasileiro e que está em todas as chanchadas da época: o malandro mulherengo que veio do nordeste e descobriu a fórmula de levar vantagem em quase tudo na então capital da República.

Outra produção desse rol é o curta-metragem Os óculos do vovô, que carrega as imagens preservadas do mais antigo filme brasileiro de ficção. No mesmo programa está o longa-metragem O jovem tataravô. Ele é considerado o primeiro filme brasileiro do gênero sobrenatural e foi produzido em parceria com a Cinédia, uma das produtoras pioneiras de cinema do Brasil, responsável por um avanço na produção de cinema brasileiro do qual até hoje somos devedores. Além de investir em equipamentos que não existiam por aqui, a produtora esforçou-se para fazer filmes inspirados no modelo Hollywoodiano, atraindo milhares de brasileiros para as salas de cinema. A Cinédia também tem parceria em outro longa-metragem que fez bastante público à época e que agora é lançado pela Programadora BrasilOnde estás felicidade?, dirigido por Mesquitinha, em 1939. O filme é uma deliciosa comédia de costumes, recheada de números musicais bem ao gosto da época.

História, Pensamento e Política na cinematografia nacional

Confiante no poder do cinema para fazer ver e pensar a história do país, a Programadora Brasil também está lançando nesta edição filmes que abordam a nossa história e a nossa política. Nesse grupo estão dois filmes de Glauber Rocha. Terra em transe, filme que já nasceu clássico, é uma poderosa alegoria do Brasil, seus políticos, empresários e intelectuais na época da ditatura e O dragão da maldade contra o Santo Guerreiro, que apresenta as estruturas de poder do Brasil agrário. Também bastante alegórico e misturando cordel com ópera e western, o filme, merecedor dos prêmios de melhor direção e da crítica internacional no Festival de Cannes de 1969, é considerado por muitos como a obra-prima de Glauber Rocha.

Na sua revisão crítica do cinema brasileiro, Glauber Rocha escreveu: “Se o cinema da Bahia não existisse, Roberto Pires o teria inventado.” Neste lançamento, a Programadora Brasil traz, de Pires, Tocaia no asfalto, um belo representante do ciclo de cinema da Bahia. Lançado em 1962, o filme é ainda hoje uma contundente crítica à corrupção e ao coronelismo que ditaram boa parte da política do estado da Bahia e talvez do Brasil. Com um elenco de primeira que inclui atores como Agildo Ribeiro, Othon Bastos e Antonio Pitanga, Pires cria um fantástico thriller que ainda hoje mantém sua atualidade.

Marcando os 30 anos das Greves de 1979, Redemocratização traz os curtas ABC Brasil, de Sérgio Péo, José Carlos Asbeg e Luiz Arnaldo Campos, Greve!, de João Batista de Andrade, e Greve de março, de Renato Tapajós. Os três filmes, ainda que realizados por diferentes diretores, tinham uma motivação comum: apresentar um importante momento da história brasileira, as greves do ABC paulista que, como se sabe, marcaram o inicio da redemocratização no Brasil.

Outro destaque desses novos programas é Vlado, trinta anos depois e Marimbás. Vladimir Herzog, homem do jornalismo, da televisão e do cinema, foi vítima da ditadura militar brasileira, iniciada com o golpe de 1964. Herzog morreu torturado nos porões da repressão em outubro de 1975. Neste programa, as duas obras são reunidas e possibilitam relembrar parte da história recente brasileira: Vlado, trinta anos depois, realizado por João Batista de Andrade, apresenta o pouco comentado jogo de poder por trás da morte de Herzog; eMarimbás, um dos primeiros documentários nacionais feitos com som direto e o único filme dirigido pelo próprio jornalista.

Um panorama da ocupação urbana desordenada de uma cidade pode ser visto em Rio de Janeiro: a cidade e o morro. O programa contém três curtas-metragens que discutem a relação entre a cidade do Rio de Janeiro e a favela ao longo do tempo. O clássico Couro de gato, de Joaquim Pedro de Andrade, mostra com rara delicadeza a relação de meninos do morro em busca de gatos para vender em pontos diversos da cidade nos anos 1960. Rocinha Brasil 1977, de Sérgio Péo, faz um retrato da maior favela da cidade em seus primeiros anos. E Sete Minutos, de Cavi Borges, Júlio Pecly e Paulo Silva, já traz a violência dos dias de hoje em um plano-sequência subjetivo de grande virtuosismo dramático. Completando o programa, o média-metragemTópicos urbanos, de Ivana Mendes, conta a história da urbanização carioca, com informações preciosas para um debate consistente sobre o tema.

A questão indígena, tão presente hoje na mídia está bem representada em Brasil Indigena, no qual se destaca Mato eles?, filme seminal de Sérgio Bianchi que revela sua ironia ácida e provocativa ao investigar as últimas etnias existentes no Paraná no final da década de 1970.

Diversão e arte

Marcando o seu caráter diverso, o novo pacote de programas não deixa de contemplar conteúdos voltados ao público infantil e os chamados filmes para toda a família, demandas contínuas dos pontos de exibição audiovisual associados à Programadora Brasil. Para o público infantil, há programas com animações e ficções que revelam a cultura de diversas partes do Brasil, como em Curta Crianças 2Curtas Infantis 3. EmAnimações para crianças que todos adoram, são destaques os primeiros trabalhos de animação dos diretores Otto Guerra e Cao Hamburger: Natal do burrinho e Frankstein Punk.

O já clássico Castelo Rá-tim-bum o filme também está nesse pacote da Programadora Brasil. Um filme para e sobre adolescentes foi resgatado e está sendo lançado: Marcelo Zona Sul. O longa-metragem é de 1970 e marca a estréia de Stepan Nercesian, cunhado do diretor que, na época, com apenas 16 anos e passando férias no Rio de Janeiro, fez o teste para o filme.

O novo acervo contempla ainda programas sobre artes plásticas, poesia, literatura, cinema e música. Dentre eles, vale destacar: Tim Maia, de Flávio Tambellini; Pixinguinha e a velha guarda do samba, de Thomas Farkas e Ricardo Dias; Ver, ouvir, de Antônio Carlos Fontoura; e O Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade.

E não poderiam faltar programas de filmes dedicados à arte do futebol, seus jogadores e torcedores. Prova de que no Brasil se fazem filmes do gênero tão bem quanto se joga está nos programas Futebol, Paixão NacionalBoleiros, era uma vez o futebol e Uma história de futebol.

Acessibilidade

A Programadora Brasil entende que tornar o cinema brasileiro acessível a toda a população vai além da formação de público e da disponibilização de títulos. Democratizar o acesso ao cinema brasileiro passa pela adoção de recursos que garantam que todos possam acompanhar os filmes. Por isso, neste novo pacote, traz pela primeira vez programas acessíveis a pessoas com deficiência visual e auditiva. São dez programas que contam com recursos da audiodescrição (AD) e do closed caption (legenda oculta ou CC).

closed caption é um recurso por meio de legendas que garante a pessoas com deficiências auditivas acompanhar exibições de filmes, programas de TV e espetáculos, principalmente nacionais, em que não costuma haver nenhum tipo de legenda. Já a audiodescrição é a narração das cenas exibidas, facilitando o acesso para pessoas com deficiências visuais. Pode ser feita por audiodescritores (ao vivo ou pré-gravada em estúdios) ou automática, também com o uso de softwares especializados.

Entre os filmes lançados com estes recursos estão: Os anos JK – Uma trajetória política, de Silvio Tendler; Eu me lembro, de Edgard Navarro; Iracema, uma transa amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna; e Vida de menina, de Helena Solberg; além de programas de curtas.

Catálogo para um circuito em construção

Para adquirir os filmes e vídeos do catálogo da Programadora Brasil, os pontos de exibição audiovisual de circuitos não-comerciais precisam estar associados à iniciativa. O processo de associação das unidades teve início em fevereiro de 2007, quando houve o lançamento do primeiro pacote de programas.

Em 2 anos e meio, escolas, universidades, prefeituras, cineclubes, pontos de cultura, centros culturais, fundações e outros espaços de exibição passaram a poder adquirir os programas. Hoje, 1006 pontos de exibição audiovisual, espalhados em mais de 400 municípios nos 27 estados brasileiros, já se associaram à iniciativa formando um circuito alternativo de exibição para o cinema brasileiro.

Associar um ponto de exibição audiovisual à Programadora Brasil é gratuito. As informações sobre os procedimentos para associação e os dados completos sobre as obras que compõem o catálogo de filmes e vídeos do projeto licenciadas para exibições públicas em todo o Brasil estão no sitewww.programadorabrasil.org.br.

Clássicos do Cinema Nacional

Cinemateca Brasileira irá digitalizar o acervo da extinta Companhia Atlântida Cinematográfica

Grande parte dos filmes estrelados por artistas brasileiros, consagrados na década de 50, como Oscarito, Grande Otelo, Zé Trindade e Dercy Gonçalves serão digitalizados e estarão à disposição do público até o final deste ano. A divulgação gratuita do material será possibilitada porque o Ministério da Cultura adquiriu todo o arquivo da extinta Companhia Atlântida Cinematográfica.

Entre o acervo estão filmes de longa e curta metragem, documentos de época, cinejornais e fotos. A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, instituição vinculada ao MinC, vai ficar responsável pela restauração, digitalização, preservação e divulgação do material.

“Essa aquisição vai garantir uma maior acessibilidade a elementos audiovisuais importantes para a história do cinema brasileiro”, afirmou a diretora adjunta da Cinemateca, Patrícia de Filippi. Ela também lembrou que a iniciativa faz parte de uma política inovadora do MinC que visa divulgar de maneira não comercial filmes e fotos desse período.

A Cinemateca Brasileira já possui o maior acervo de imagens em movimento da América Latina, são cerca de 200 mil rolos de filmes, que correspondem a 30 mil títulos. Com a aquisição do material da Companhia Atlântida a instituição pretende reforçar seu acervo e aumentar ainda mais a divulgação e o acesso aos conteúdos audiovisuais tipicamente brasileiros, afirmou a diretora adjunta.

O conteúdo, a ser digitalizado, será incluído no Programa Banco de Conteúdos Audiovisuais Brasileiros, que já foi iniciado e tem orçamento estimado de R$ 30 milhões para o período de 2008 a 2010. No ano de 2008, o MinC alocou R$ 5 milhões para o projeto.

Companhia Atlântida Cinematográfica – Produtora de cinema brasileira fundada em 1941 por Moacir Fenelon, Alinor Azevedo e José Carlos Burle. Estreou com Moleque Tião, filme que daria o tom das primeiras produções: temas nacionais. Logo, porém, predominou a chanchada – comédias de enredo primário, que exploravam a popularidade dos ídolos do rádio e atores do teatro de revista. Com baixo custo e grande apelo popular, filmes como Nem Sansão nem Dalila, Aviso aos navegantes, Aí vem o Barão e Carnaval Atlântida consagraram a Companhia. A chanchada dominou o mercado até meados da de 1950, promovendo comediantes como Oscarito, Zé Trindade, Grande Otelo e Dercy Gonçalves.

Conheça a Cinemateca Brasileira.

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