Balanço do mercado cinematográfico em 2009

Acabei esquecendo de postar antes mas vale a pena sempre analisar os numeros!

Com 14,28% de participação de mercado, desempenho é o melhor dos últimos cinco anos


13/01/10
– O melhor desempenho do cinema brasileiro dos últimos cinco anos: este é o resultado do balanço do mercado cinematográfico em 2009, consolidado e divulgado pela ANCINE. Os números demonstram um crescimento significativo no público e na renda das salas de exibição, o que se deve em parte ao bom desempenho das produções nacionais.

Segundo Manoel Rangel, diretor-presidente da ANCINE, esses resultados positivos indicam que o cinema brasileiro está vivendo uma nova fase: “A produção nacional está ocupando o mercado de forma continuada e consistente, no que parece ser um ciclo sustentável de crescimento. A safra de filmes programados para 2010 nos permite acreditar na manutenção dos índices de ocupação alcançados em 2009 e apostar no crescimento desta participação”, avalia Rangel. “Isso é fruto do compromisso dos produtores brasileiros, distribuidores e exibidores, de uma política cultural atenta a todos os elos da cadeia econômica do setor, da parceria entre o Estado e as empresas privadas, enfim, planejamento.”

Em relação a 2008, o público de filmes brasileiros em 2009 cresceu 76%. A participação da produção nacional no público total das salas (“market share”) fechou o ano em 14,28%: foram 16.092.482 espectadores, com uma renda total de R$ 131.936.273, 88. Este foi o melhor desempenho dos últimos cinco anos. Em 2009 foram lançados comercialmente 84 filmes nacionais, sendo 45 de ficção, 38 documentários e uma animação, enquanto os lançamentos estrangeiros foram 235: 144 americanos e 91 de outras nacionalidades.

Diversos fatores têm levado a uma reaproximação entre o cinema brasileiro e seu público: a melhor qualidade técnica dos filmes, a maior organização dos agentes do setor e um calendário de lançamentos mais estratégico – mas, sobretudo, a realização de filmes que caem no gosto dos espectadores, em diferentes gêneros e faixas do mercado.

A seguir, outros dados consolidados pela ANCINE, incluindo um quadro comparativo de 2008 e 2009, com a evolução dos números de público, filmes, renda e participação do mercado do filme nacional:

•  2009 registrou um público total de 112.683.383 espectadores e renda de R$ 969.783.735, 77 nas salas de cinema. Trata-se do maior público dos últimos cinco anos, com um crescimento de 25, 26% no público e de 32, 93% na renda, em relação a 2008.

•  O filme ‘Se Eu Fosse Você 2′ vendeu 6.112.851 ingressos (5.786.844 em 2009, e o restante nas pré-estréias realizadas em dezembro de 2008) e arrecadou R$ 50.543.885, superando o recorde anterior da Retomada, que era de ‘Dois Filhos de Francisco’, lançado em 2005, com 5.319.677 espectadores.

O filme mais visto do ano foi ‘A Era do Gelo 3′, que alcançou 9.279.602 ingressos e arrecadou R$ 81.118.935, 00. É o segundo maior público dos últimos 20 anos, atrás apenas de TITANIC, lançado em 1998, com 16.377.228 espectadores.

COMPARATIVO DE PÚBLICO – 2008 X 2009
2008
2009
Variação %
2009/2008
Público total 89.960.164

112.683.383

25,26%

Renda total 729.522.782,41

969.783.735,77

32,93%

Público filmes nacionais 9.143.052

16.092.482

76,01%

Renda filmes nacionais

70.244.803,07

131.936.273,88

87,82%

Público filmes estrangeiros

80.817.112

96.590.901

19,52%

Renda filmes estrangeiros

659.277.979,34

837.847.461,89

27,09%

% de participação filmes nacionais

10,16%

14,28%

40,51%

Lançamentos nacionais

79

84

Lançamentos estrangeiros

244

235

Fonte:2008 – Dados compilados pela Ancine (Filme B , SDCMRJ e SADIS/Ancine)                                            2009 – SADIS/Ancine

Metologia: Os dados apresentados foram extraídos do Sistema de Acompanhamento da Distribuição em Salas de Exibição – SADIS e compilados pela equipe da Coordenação de Cinema e Vídeo – CCV da Superintendência de Acompanhamento de Mercado.

As análises foram feitas com base nas informações fornecidas até 7/1/2010 pelas empresas distribuidoras cadastradas na Agência Nacional do Cinema.

OS 10 FILMES BRASILEIROS MAIS VISTOS EM 2009
TÍTULO
DISTRIBUIDORA
PÚBLICO 2009
PÚBLICO TOTAL
RENDA 2009
SE EU FOSSE VOCÊ 2*
FOX 5786844 6112851
R$ 47622137
A MULHER INVISÍVEL
WARNER 2353136 2353136
R$ 20498576
OS NORMAIS 2
IMAGEM (WMIX) 2202640 2202640 R$ 18978259,88
DIVÃ
DOWNTOWN (FREESPIRIT) 1866235 1866235 R$ 16492461,11
O MENINO DA PORTEIRA
SONY E DISNEY (COLUMBIA) 666625 666625 R$ 4559799
BESOURO
SONY E DISNEY (COLUMBIA)
481381
481381
R$ 3769206,75
O GRILO FELIZ E OS INSETOS GIGANTES
FOX
361030
361030
R$ 1915058
SALVE GERAL
SONY E DISNEY (COLUMBIA)
316077
316077
R$ 2640159,02
JEAN CHARLES
IMAGEM (WMIX)
292471
292471
R$ 2448735,02
XUXA EM O MISTÉRIO DE FEIURINHA**
PLAYARTE
250109
250109
R$ 1766416,65

Fonte: ANCINE/SAM/CCV, baseado em dados do SADIS (Sistema de Acompanhamento de Distribuição)

* ‘Se eu Fosse Você 2′ é o único título da lista com pré-estréias no ano anterior. A renda total do filme foi: R$ 50.543.885

** Este filme continua sua carreira nas salas de cinema em 2010. Até o dia 10/01/2010, acumulava público de 605.653 pessoas e renda de R$ 4.278.126

Brasil e França renovam acordo de coprodução

O Globo, Segundo Caderno, em 13/05/2010

7 Minutos com Manoel Rangel

Na próxima terça-feira, Brasil e França vão ganhar um novo acordo bilateral de coprodução para o Audiovisual. O presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, e a presidente do Centre National du Cinéma et de l’Image Animée (CNC), Véronique Cayla, vão se encontrar durante o Festival de Cannes para assinar o documento. Pelo novo texto, os dois países poderão estender a participação de suas equipes para os parceiros do Mercosul e da União Europeia. Atualmente, o Brasil tem acordos bilaterais com Argentina, Alemanha, Canadá, Chile, Colômbia, Espanha, França, Itália, Portugal e Venezuela.

O GLOBO: Do que se trata este novo acordo?
MANOEL RANGEL: É uma renovação do acordo feito em 1969. Vamos fazer a formalização jurídica em Cannes. Basicamente, ele atualiza o acordo anterior em alguns pontos. Ele abaixa a participação do país que entrar com o capital minoritário, podendo chegar, em casos excepcionais, a até 10% do investimento total. Ele também vai permitir que profissionais da União Europeia possam ser contabilizados pelo lado francês como equipe da França, e que profissionais do Mercosul possam ser contabilizados como equipe brasileira pelo lado do Brasil. Tudo isso otimiza ainda mais a boa relação que já existia entre os dois países no campo do audiovisual.

Que vantagens o acordo traz para o Brasil?
RANGEL: Ele cria as condições para intensificar as coproduções.
Tivemos um encontro para estimular coproduções no ano passado e teremos outro este ano, no dia 4 de junho. Um acordo como este, por exemplo, possibilita que um filme brasileiro entre no mercado francês com as facilidades de mercado que um filme francês teria, e viceversa.

Quais serão os próximos acordos firmados pelo governo brasileiro?
RANGEL: Já temos acordos assinados com Israel e Índia, e só faltam alguns detalhes para que eles entrem em vigor. E estamos em negociação com Rússia e China.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Condenado, Guilherme Fontes não será preso

O Globo, O País, em 28/04/2010

Segundo sentença, ator sonegou R$ 258 mil. Pena será pagamento de cestas e trabalho comunitário
O ator e diretor Guilherme Fontes foi condenado a três anos, um mês e seis dias de prisão por sonegação fiscal, em processo que corre desde junho de 2007, na 19 ª Vara Criminal do Rio. Graças a uma decisão judicial do início deste mês, porém, Fontes não será preso. Sua punição será o pagamento de 12 cestas básicas, de R$ 1 mil cada.

Metade delas será entregue ao Hospital Colônia de Curupaiti, em Jacarepaguá, e a outra metade à Fundação Colibri – Associação de Assistência ao Excepcional, na Lagoa. O ator prestará ainda serviços comunitários no mesmo período em que ficaria recluso, com carga de sete horas semanais. O ator entrou com recurso contra a sentença.

- Não houve sonegação, todos os impostos devidos foram pagos – disse o ator, afirmando que o filme já está pronto.

A ação refere-se ao período entre 1995 e 1997, quando Fontes iniciou a captação para o longa “Chatô – o rei do Brasil”, projeto abortado em 1999 pelo Ministério da Cultura, devido a suspeitas de uso indevido do dinheiro público. O filme foi orçado em R$ 12,5 milhões. Pela sentença, a empresa Guilherme Fontes Filmes Ltda deixou de pagar aos cofres públicos R$ 258.432,05, pois Fontes teria emitido notas fiscais em Guararema (SP), não no Rio, onde estava a sede da empresa, sem recolher ISS.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Teaser do filme JOGATINA

Justiça mantém cota para exibição de filmes brasileiros

O TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) suspendeu a decisão judicial que autorizou distribuidoras de cinema no Rio Grande do Sul a não respeitarem a chamada “cota de tela”, que estabelece uma reserva anual de salas para a exibição de filmes brasileiros. A decisão atendeu a um recurso na AGU (Advocacia Geral da União), que defendeu a norma regulamentada pela Ancine (Agência Nacional do Cinema).

O Sindicato das Empresas Cinematográficas no Estado do Rio Grande do Sul questionou na Justiça uma Medida Provisória (MP 2228-1/01), que obriga cinemas a exibir e locadoras a manter filmes brasileiros no acervo por 20 anos. Já o Decreto 4.945/03 fixou o período de mínimo de cartaz para filmes brasileiros em 60 dias por ano. A ação foi julgada procedente pela 5ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre.

Na decisão, os desembargadores entenderam que “não há qualquer inconstitucionalidade na determinação de exibição de filmes nacionais”, porque a própria Carta “eleva a princípio a promoção do patrimônio cultural brasileiro”. Segundo o relator do caso, “a exibição do cinema nacional em vários festivais evidencia a preocupação deste setor com a realidade social nacional”.

Em sua manifestação, a AGU defendeu que a política de reserva é imprescindível para o desenvolvimento do cinema nacional e comparou o setor com o crescimento econômico recente do país.

“A estagnação do crescimento brasileiro nas últimas décadas, ainda que tenha realizado importantes reformas econômicas, sociais e políticas, deu-se, em parte, pela resistência na adoção dessas políticas públicas, em razão da falta de mentalidade nacional de que o desenvolvimento é mais o resultado de um processo gradual de mudanças”, disse a apelação.

No recurso, argumentou ainda que na fixação do número de dias que devem ser exibidos obras brasileiras são ouvidas entidades representativas dos produtores, distribuidores e exibidores, de acordo com a determinação legal. Outros fatores também são considerados: número de filmes lançados, público e a renda obtida.

O cinema brasileiro cada vez mais perto do público

A Programadora Brasil lança no dia 24 de setembro, quinta-feira, mais 164 filmes em DVD. Com esse lançamento, o catálogo chega aos 494 títulos que contemplam a diversidade da produção audiovisual brasileira. São clássicos e contemporâneos, curtas, médias e longa-metragens de todos os gêneros (animação, documentário, experimental e ficção) que representam o melhor da produção nacional das últimas dez décadas. Além de sucessos recentes de bilheteria, a Programadora Brasil também está lançando filmes raros – mas não menos importantes – que tiveram pouca circulação pelas salas de cinema e que nunca foram lançados em DVD ou VHS.

Há filmes para todos os gostos: comédias populares dos anos 30; chanchadas; clássicos do cinema novo dirigidos por Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade; documentários sobre temas recentes e urgentes da história brasileira, como a ditadura e a violência urbana; e, ainda, filmes sobre e para as crianças. Mas não são só os futuros espectadores do cinema brasileiro que preocupam à Programadora Brasil. Por isso, ela inova e lança, agora, mais de 15 filmes com os recursos de audiodescrição e closed caption. Dessa forma, pessoas com deficiência visual e auditiva poderão frequentar salas de cinema e assistir filmes importantes da cinematografia brasileira.

Realizada pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, por meio da Cinemateca Brasileira e do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Programadora Brasil trabalha para promover o encontro do público com o cinema brasileiro. Uma ação para formar platéias e incentivar o pensamento crítico em torno da produção nacional, através do estímulo à formação e ao fortalecimento de uma rede não-comercial de exibição. Os filmes podem ser adquiridos por pontos de cultura, escolas, universidades, ONGs, centros culturais, entre outros espaços de exibição audiovisual de circuitos não-comerciais a ela associados.

Clássicos que divertem

Preocupada em recuperar a magia do cinema, a Programadora Brasil está lançando filmes clássicos com forte viés de entretenimento. São produções que, na época de seu lançamento, levaram o grande público às salas de exibição – façanha que poucos filmes conseguem hoje – e que ainda são capazes de emocionar e divertir o espectador.

Entre eles está o longa-metragem O corintiano, de Milton Amaral. Mais do que uma obra sobre futebol, é um filme sobre paixões arrebatadoras. Estrelado pelo mito brasileiro do cinema popular, Amácio Mazzaropi (1912-1981), essa obra é uma joia a ser redescoberta pelo público. Na mesma categoria está O batedor de carteiras. Produzido em 1958, o filme tem como destaque a presença de Zé Trindade, estrelando o personagem que o fez célebre no cinema brasileiro e que está em todas as chanchadas da época: o malandro mulherengo que veio do nordeste e descobriu a fórmula de levar vantagem em quase tudo na então capital da República.

Outra produção desse rol é o curta-metragem Os óculos do vovô, que carrega as imagens preservadas do mais antigo filme brasileiro de ficção. No mesmo programa está o longa-metragem O jovem tataravô. Ele é considerado o primeiro filme brasileiro do gênero sobrenatural e foi produzido em parceria com a Cinédia, uma das produtoras pioneiras de cinema do Brasil, responsável por um avanço na produção de cinema brasileiro do qual até hoje somos devedores. Além de investir em equipamentos que não existiam por aqui, a produtora esforçou-se para fazer filmes inspirados no modelo Hollywoodiano, atraindo milhares de brasileiros para as salas de cinema. A Cinédia também tem parceria em outro longa-metragem que fez bastante público à época e que agora é lançado pela Programadora BrasilOnde estás felicidade?, dirigido por Mesquitinha, em 1939. O filme é uma deliciosa comédia de costumes, recheada de números musicais bem ao gosto da época.

História, Pensamento e Política na cinematografia nacional

Confiante no poder do cinema para fazer ver e pensar a história do país, a Programadora Brasil também está lançando nesta edição filmes que abordam a nossa história e a nossa política. Nesse grupo estão dois filmes de Glauber Rocha. Terra em transe, filme que já nasceu clássico, é uma poderosa alegoria do Brasil, seus políticos, empresários e intelectuais na época da ditatura e O dragão da maldade contra o Santo Guerreiro, que apresenta as estruturas de poder do Brasil agrário. Também bastante alegórico e misturando cordel com ópera e western, o filme, merecedor dos prêmios de melhor direção e da crítica internacional no Festival de Cannes de 1969, é considerado por muitos como a obra-prima de Glauber Rocha.

Na sua revisão crítica do cinema brasileiro, Glauber Rocha escreveu: “Se o cinema da Bahia não existisse, Roberto Pires o teria inventado.” Neste lançamento, a Programadora Brasil traz, de Pires, Tocaia no asfalto, um belo representante do ciclo de cinema da Bahia. Lançado em 1962, o filme é ainda hoje uma contundente crítica à corrupção e ao coronelismo que ditaram boa parte da política do estado da Bahia e talvez do Brasil. Com um elenco de primeira que inclui atores como Agildo Ribeiro, Othon Bastos e Antonio Pitanga, Pires cria um fantástico thriller que ainda hoje mantém sua atualidade.

Marcando os 30 anos das Greves de 1979, Redemocratização traz os curtas ABC Brasil, de Sérgio Péo, José Carlos Asbeg e Luiz Arnaldo Campos, Greve!, de João Batista de Andrade, e Greve de março, de Renato Tapajós. Os três filmes, ainda que realizados por diferentes diretores, tinham uma motivação comum: apresentar um importante momento da história brasileira, as greves do ABC paulista que, como se sabe, marcaram o inicio da redemocratização no Brasil.

Outro destaque desses novos programas é Vlado, trinta anos depois e Marimbás. Vladimir Herzog, homem do jornalismo, da televisão e do cinema, foi vítima da ditadura militar brasileira, iniciada com o golpe de 1964. Herzog morreu torturado nos porões da repressão em outubro de 1975. Neste programa, as duas obras são reunidas e possibilitam relembrar parte da história recente brasileira: Vlado, trinta anos depois, realizado por João Batista de Andrade, apresenta o pouco comentado jogo de poder por trás da morte de Herzog; eMarimbás, um dos primeiros documentários nacionais feitos com som direto e o único filme dirigido pelo próprio jornalista.

Um panorama da ocupação urbana desordenada de uma cidade pode ser visto em Rio de Janeiro: a cidade e o morro. O programa contém três curtas-metragens que discutem a relação entre a cidade do Rio de Janeiro e a favela ao longo do tempo. O clássico Couro de gato, de Joaquim Pedro de Andrade, mostra com rara delicadeza a relação de meninos do morro em busca de gatos para vender em pontos diversos da cidade nos anos 1960. Rocinha Brasil 1977, de Sérgio Péo, faz um retrato da maior favela da cidade em seus primeiros anos. E Sete Minutos, de Cavi Borges, Júlio Pecly e Paulo Silva, já traz a violência dos dias de hoje em um plano-sequência subjetivo de grande virtuosismo dramático. Completando o programa, o média-metragemTópicos urbanos, de Ivana Mendes, conta a história da urbanização carioca, com informações preciosas para um debate consistente sobre o tema.

A questão indígena, tão presente hoje na mídia está bem representada em Brasil Indigena, no qual se destaca Mato eles?, filme seminal de Sérgio Bianchi que revela sua ironia ácida e provocativa ao investigar as últimas etnias existentes no Paraná no final da década de 1970.

Diversão e arte

Marcando o seu caráter diverso, o novo pacote de programas não deixa de contemplar conteúdos voltados ao público infantil e os chamados filmes para toda a família, demandas contínuas dos pontos de exibição audiovisual associados à Programadora Brasil. Para o público infantil, há programas com animações e ficções que revelam a cultura de diversas partes do Brasil, como em Curta Crianças 2Curtas Infantis 3. EmAnimações para crianças que todos adoram, são destaques os primeiros trabalhos de animação dos diretores Otto Guerra e Cao Hamburger: Natal do burrinho e Frankstein Punk.

O já clássico Castelo Rá-tim-bum o filme também está nesse pacote da Programadora Brasil. Um filme para e sobre adolescentes foi resgatado e está sendo lançado: Marcelo Zona Sul. O longa-metragem é de 1970 e marca a estréia de Stepan Nercesian, cunhado do diretor que, na época, com apenas 16 anos e passando férias no Rio de Janeiro, fez o teste para o filme.

O novo acervo contempla ainda programas sobre artes plásticas, poesia, literatura, cinema e música. Dentre eles, vale destacar: Tim Maia, de Flávio Tambellini; Pixinguinha e a velha guarda do samba, de Thomas Farkas e Ricardo Dias; Ver, ouvir, de Antônio Carlos Fontoura; e O Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade.

E não poderiam faltar programas de filmes dedicados à arte do futebol, seus jogadores e torcedores. Prova de que no Brasil se fazem filmes do gênero tão bem quanto se joga está nos programas Futebol, Paixão NacionalBoleiros, era uma vez o futebol e Uma história de futebol.

Acessibilidade

A Programadora Brasil entende que tornar o cinema brasileiro acessível a toda a população vai além da formação de público e da disponibilização de títulos. Democratizar o acesso ao cinema brasileiro passa pela adoção de recursos que garantam que todos possam acompanhar os filmes. Por isso, neste novo pacote, traz pela primeira vez programas acessíveis a pessoas com deficiência visual e auditiva. São dez programas que contam com recursos da audiodescrição (AD) e do closed caption (legenda oculta ou CC).

closed caption é um recurso por meio de legendas que garante a pessoas com deficiências auditivas acompanhar exibições de filmes, programas de TV e espetáculos, principalmente nacionais, em que não costuma haver nenhum tipo de legenda. Já a audiodescrição é a narração das cenas exibidas, facilitando o acesso para pessoas com deficiências visuais. Pode ser feita por audiodescritores (ao vivo ou pré-gravada em estúdios) ou automática, também com o uso de softwares especializados.

Entre os filmes lançados com estes recursos estão: Os anos JK – Uma trajetória política, de Silvio Tendler; Eu me lembro, de Edgard Navarro; Iracema, uma transa amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna; e Vida de menina, de Helena Solberg; além de programas de curtas.

Catálogo para um circuito em construção

Para adquirir os filmes e vídeos do catálogo da Programadora Brasil, os pontos de exibição audiovisual de circuitos não-comerciais precisam estar associados à iniciativa. O processo de associação das unidades teve início em fevereiro de 2007, quando houve o lançamento do primeiro pacote de programas.

Em 2 anos e meio, escolas, universidades, prefeituras, cineclubes, pontos de cultura, centros culturais, fundações e outros espaços de exibição passaram a poder adquirir os programas. Hoje, 1006 pontos de exibição audiovisual, espalhados em mais de 400 municípios nos 27 estados brasileiros, já se associaram à iniciativa formando um circuito alternativo de exibição para o cinema brasileiro.

Associar um ponto de exibição audiovisual à Programadora Brasil é gratuito. As informações sobre os procedimentos para associação e os dados completos sobre as obras que compõem o catálogo de filmes e vídeos do projeto licenciadas para exibições públicas em todo o Brasil estão no sitewww.programadorabrasil.org.br.

Clássicos do Cinema Nacional

Cinemateca Brasileira irá digitalizar o acervo da extinta Companhia Atlântida Cinematográfica

Grande parte dos filmes estrelados por artistas brasileiros, consagrados na década de 50, como Oscarito, Grande Otelo, Zé Trindade e Dercy Gonçalves serão digitalizados e estarão à disposição do público até o final deste ano. A divulgação gratuita do material será possibilitada porque o Ministério da Cultura adquiriu todo o arquivo da extinta Companhia Atlântida Cinematográfica.

Entre o acervo estão filmes de longa e curta metragem, documentos de época, cinejornais e fotos. A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, instituição vinculada ao MinC, vai ficar responsável pela restauração, digitalização, preservação e divulgação do material.

“Essa aquisição vai garantir uma maior acessibilidade a elementos audiovisuais importantes para a história do cinema brasileiro”, afirmou a diretora adjunta da Cinemateca, Patrícia de Filippi. Ela também lembrou que a iniciativa faz parte de uma política inovadora do MinC que visa divulgar de maneira não comercial filmes e fotos desse período.

A Cinemateca Brasileira já possui o maior acervo de imagens em movimento da América Latina, são cerca de 200 mil rolos de filmes, que correspondem a 30 mil títulos. Com a aquisição do material da Companhia Atlântida a instituição pretende reforçar seu acervo e aumentar ainda mais a divulgação e o acesso aos conteúdos audiovisuais tipicamente brasileiros, afirmou a diretora adjunta.

O conteúdo, a ser digitalizado, será incluído no Programa Banco de Conteúdos Audiovisuais Brasileiros, que já foi iniciado e tem orçamento estimado de R$ 30 milhões para o período de 2008 a 2010. No ano de 2008, o MinC alocou R$ 5 milhões para o projeto.

Companhia Atlântida Cinematográfica – Produtora de cinema brasileira fundada em 1941 por Moacir Fenelon, Alinor Azevedo e José Carlos Burle. Estreou com Moleque Tião, filme que daria o tom das primeiras produções: temas nacionais. Logo, porém, predominou a chanchada – comédias de enredo primário, que exploravam a popularidade dos ídolos do rádio e atores do teatro de revista. Com baixo custo e grande apelo popular, filmes como Nem Sansão nem Dalila, Aviso aos navegantes, Aí vem o Barão e Carnaval Atlântida consagraram a Companhia. A chanchada dominou o mercado até meados da de 1950, promovendo comediantes como Oscarito, Zé Trindade, Grande Otelo e Dercy Gonçalves.

Conheça a Cinemateca Brasileira.

Cuidei Melhor dos Personagens do Que de Mim

Protagonista de três filmes lançados recentemente, Selton Mello se consolida como “o cara” do cinema brasileiro e admite que, nos últimos anos, deu mais atenção ao trabalho que à saúde

por Armando Antenore

revista Bravo! Julho 2009

Quando menino, Selton Mello não perdia os programas de auditório que abriam espaço para calouros mirins. Morria de inveja das crianças que se exibiam na televisão. Uma tarde, pediu à mãe: “Quero aparecer ali”. Logo a reivindicação se concretizou. Com 8 anos, de terninho bege e gravata, o garoto surgiu diante das câmeras entoando Lady Laura, de Roberto e Erasmo Carlos. Atravessou o resto da infância nos estúdios de TV. Antes dos 10, já fazia novelas. Nos bastidores das emissoras, conheceu figuras mitológicas do imaginário popular: o palhaço Bozo (que o cumprimentou tagarelando algo como “teretetéu!”), o apresentador Bolinha e a cantora Perla.

Atualmente, Selton não deseja mais “aparecer ali”. Ou, pelo menos, não deseja aparecer tanto. Há uma década, o ator de 36 anos participa apenas de projetos esporádicos na televisão. Afastou-se das novelas e dos contratos fixos. Transformou-se num homem de cinema. Entre curtas e longas-metragens, atuou em 26 filmes. Estreou ainda adolescente, como o Renan de Uma Escola Atrapalhada, infantil de 1990 que reunia Supla, Angélica e Os Trapalhões. Foi a partir de 2000, porém, que mergulhou de cabeça nos sets. Integrou o elenco de 20 produções, uma média respeitável. Dos personagens que encarnou, dois se tornaram célebres: o Chicó, de O Auto da Compadecida, e o João Estrella, de Meu Nome não É Johnny. Em 2008, com Feliz Natal, o ator se aventurou na direção e como roteirista.

Três longas protagonizados por ele, que chegaram recentemente às salas de projeção, demonstram o ecletismo do intérprete. A Mulher Invisível, comédia rasgada de Claudio Torres, traz Luana Piovani no principal papel feminino e atraiu mais de 1 milhão de espectadores até o fim de junho (leia ensaio clicando aqui). Jean Charles, drama de Henrique Goldman, reconstitui a trajetória do imigrante brasileiro que, confundido com um terrorista, acabou assassinado pela polícia britânica em 2005. A Erva do Rato, assinado por Julio Bressane, enquadra-se na categoria dos filmes herméticos, que fisgam exclusivamente a elite intelectual.

Mineiro de Passos, filho de um bancário e uma dona de casa, Selton é irmão do também ator Danton Mello. Ambos cresceram nos bairros paulistanos da Aclimação e do Brás. Depois, se mudaram para o Rio de Janeiro. Lá, num casarão do Alto da Gávea, Selton mora sozinho. Solteiro, diz que “há séculos” só cultiva “rolos, namoricos, casos, romances quase possíveis”. De passagem pela cidade de São Paulo, conversou com BRAVO!.

BRAVO!: Por que você resolveu priorizar a carreira cinematográfica?

Selton Mello: Por uma série de razões. Primeiro, andava insatisfeito com meu desempenho na TV. Temia virar um burocrata, aquele camarada que bate o cartão, executa o mínimo, pega o salário e pronto. Na televisão frequentemente é assim: você vai tocando sem muito preparo, sem maiores cuidados. Fica no piloto automático. Voo de cruzeiro, entende? Talvez, no passado, houvesse um produto mais autoral. Olhe as novelas. Apenas um cara as escrevia. Hoje são sete. Apenas um cara as dirigia. Hoje são seis. O negócio se diluiu barbaramente. Uma hora notei que não me sentia bem em trabalhar desse jeito. E refleti, preocupado: “Se não me sinto bem, o público acabará percebendo”. Pintou, então, a oportunidade de participar do Lavoura Arcaica, o filme do Luiz Fernando Carvalho [lançado em 2001]. Foi uma experiência incrível. Por cinco meses, o elenco se enfurnou numa fazenda de Minas Gerais. A gente viveu em função do longa. Esculpimos cada detalhe dos personagens, nos aprofundamos na história. Vislumbrei ali outros caminhos para a minha profissão. Saquei que o cinema poderia me desafiar, me colocar numa lógica menos industrial. Respirei fundo e decidi arriscar. “Vamos ver se aguento”, pensei — porque não é nada mau ter o salário caindo na conta mensalmente. Com o tempo, e para a minha surpresa, a publicidade prestou atenção em mim. O pessoal das agências se ligou que “o Selton só faz projetos de qualidade”. Comecei a protagonizar uma porção de comerciais. Descobri a pólvora! Não procurava a pólvora e, de repente, a descobri. Claro que existe o risco de o cenário mudar completamente. Moramos no Brasil, afinal. Também posso me cansar dos sets, concluir que o cinema não me mobiliza mais e pedir para retornar às novelas. Não desconsidero nenhuma hipótese.

Os ganhos com publicidade se aproximam do que você faturaria na televisão?

Creio que sim. Não arrumo comercial todo mês. Mas, quando arranjo, embolso o suficiente para me sustentar e, inclusive, rodar uns filmes quase de graça. Recebi cachês simbólicos em Árido Movie, Garotas do ABC, O Cheiro do Ralo… Na verdade, nunca imaginei me tornar milionário. Mantenho o foco. Não entro numas de querer casa de campo, carrão, cobertura em Nova York.

Só com o cinema, sem a publicidade, você conseguiria sobreviver?

Não. Teria de recorrer mais à TV, encarar umas peças de teatro. Necessitaria cavar outras fontes de renda.

Por que você faz pouco teatro?

Vou responder de maneira bem rasa: por preguiça! Fiz apenas oito ou nove peças. É realmente pouco. Teatro exige uma dedicação absurda! Ensaio, ensaio, ensaio. Curto preparar um personagem com calma, mas nem tanto. Ensaiar muito me desanima. Melhor o jogo que o treino. Lógico que admiro quem sua a camisa no palco. Respeito demais os atores que contam a mesma história de quinta a domingo. Um ótimo exemplo é o Wagner Moura. Ele está incorporando agora um Hamlet maravilhoso. Vi o homem em cena e pirei. O cara segura o tranco de um Lavoura Arcaica por noite!

Há algo que o desanime nas filmagens de um longa?

Há, sim. Odeio as sessões intermináveis na sala dos maquiadores. Em O Coronel e o Lobisomem, precisava usar bigode, costeleta, barba. Um horror! Gastava horas na maquiagem. O Diogo Vilela também. Um dia, o coitado virou para mim e anunciou, meio na piada, meio seriamente: “Terminou! Minha carreira terminou aqui! Não aguento mais”. [risos]

Você começou garoto na TV. Depois, durante a adolescência, perdeu espaço — as emissoras deixaram de chamá-lo. Foi um trauma na época, não?

Imenso, imenso. Apareci na televisão entre os 8 e os 13 anos. De repente, o poço secou. Ninguém da Globo ou de outro canal se lembrou de mim por uns quatro anos. Eles gostavam do menino, não do adolescente.

Sua guinada para o cinema tem relação com aquele trauma? Seria uma tentativa de você não depender tanto do veículo que o descartou uma vez?

É possível… O Paulo Betti já me disse que entrei nessa roda-viva de atuar, escrever roteiros e dirigir porque receio o desemprego: “Você vai ocupando todas as brechas. Joga nas 11 posições. Se fecharem uma porta ali, você abriu outras acolá”. Ele pode estar certo, né? Vários aspectos de minha trajetória devem dialogar com o moleque rejeitado de antigamente.

E o fato de você não exibir o perfil típico do galã, influenciou na opção pelo cinema?

Foi uma ideia que passou por minha cabeça, sim. Se você não possui os atributos clássicos do galã, avança menos na televisão. Orbita em torno de um universo mais restrito. Onde um sujeito com inquietude criativa e sem uma beleza-padrão consegue transitar melhor? Onde descola papéis interessantes? No cinema.

Seu irmão caçula, Danton Mello, trilha um caminho bem diferente. Ele continua nas novelas…

Pois é. Sabe quando você descobre que envelheceu? Quando seu irmão caçula se torna o astro de uma novela em que você trabalhou na infância. Há 23 anos, fiz Sinhá Moça. Era o menino da trama original. Em 2006, a Globo regravou a história. Quem interpretou o principal personagem masculino? O Danton!

Ele, aliás, ascendeu justamente no período do seu ostracismo. Enquanto o primogênito voltava para casa, o caçula despontava em programas da Globo. Existe competição entre vocês?

Não, sinceramente não. Torço pelo Danton, e o Danton torce por mim. Convivemos bastante, trocamos impressões sobre as coisas, falamos de tudo. Só que agimos de modo oposto. Tempos atrás, me recordei de um episódio engraçado. Ainda moleque, costumava almoçar e jantar num daqueles pratos coloridos de criança. Eu tinha um e o Danton, outro. No fundo do meu, havia uma história em quadrinhos. Era a fábula da cigarra e da formiga. Minha mãe enchia o prato e, à medida que eu o raspava, a história aparecia. A cigarra se divertindo, e a formiga ralando. O gozo e a obrigação. Eu sou a formiga. O Danton, a cigarra.

Mas, quando perguntei sobre teatro, você se classificou de preguiçoso…

Velho, caí em contradição! Pretendo me contradizer mais 15 vezes ao longo da entrevista. Na realidade, meu sonho é conversar com você novamente daqui a cinco anos e desdizer cada frase que disse até agora. [risos]

Retomemos a fábula.

Então: sou mesmo a formiga. Trabalho como um doido, me angustio… Devia me chamar Selton Angústia Mello. Já o Danton aproveita a vida. É livre. Não aposta 100% das fichas na profissão. Ele tem mulher e duas filhas, gosta de comer bem, adora viajar. Morou na França e nos EUA. Estudou inglês. Eu, em compensação, só carreguei pedra. Um exagero… Agora sinto necessidade de tirar um sabático e abraçar os clichês: pedalar pelo Rio, beber chope com os amigos, apanhar sol — prazeres de que desfrutei muito pouco.

Em 2008, na estreia de Meu Nome não É Johnny, entrevistei você e ouvi algo semelhante: “Vou descansar”. Parece que você ainda não descansou…

Estou desacelerando. Devagarinho a gente chega lá. [risos] Pelo menos, já faço análise. Iniciei há seis meses.

Não consegue parar de trabalhar? É compulsivo?

O que acha? Fumo demais, por exemplo. [Observa o cinzeiro sujo em que depositou quatro bitucas de cigarro nos últimos 50 minutos.] Às vezes, penso que encontrei um método infalível contra o tabagismo. Basta exigir que os fumantes comam a inhaca do cinzeiro — a imundície que eles próprios deixaram ali. Neguinho certamente abandonaria o vício.

Você é compulsivo com comida?

Sou, por causa da angústia. Devoro um monte de porcaria: junkie food, pizza, hambúrguer. E doce! Chocolate… Formiga, velho! Maldito pratinho colorido da infância! [risos] Mas vou virar a chave. Vou mudar.

Quanto você pesa?

Tenho 1m81 de altura. Meu peso ideal é 80 quilos. Hoje estou com 90. Em 2008, quando filmei Jean Charles, beirava os 110. Engordei bastante na época porque interrompi os remédios que consumia para emagrecer. Funcionava assim: se ia rodar um longa em março, passava os três meses anteriores tomando os comprimidos. Perdia peso e, tão logo terminava o filme, largava os remédios. Em consequência, engordava de novo. Fiquei nessa gangorra por dez anos. Certo dia, me toquei de que precisava parar — as drogas cobram um preço abusivo, modificam o humor, o metabolismo. Com esforço, parei. Veio, então, a rebordosa. Uma depressão terrível, uma insegurança, uma paranoia. Fiz o Jean Charles me julgando péssimo, deslocado, cheio de travas físicas e psíquicas. Questionei tudo durante as filmagens, inclusive meu talento. “Sou uma farsa! Desaprendi o ofício!” Nem sei de que maneira suportei a barra… Filmamos em Londres. Eu, no entanto, não me enxergava lá. Sentia-me em outro lugar, náufrago, confuso. Participei do filme como um zumbi. O louco é que resultou num negócio bonito, delicado. O sofrimento do Selton escorreu para o Jean.

Você continua questionando seu talento?

Não. Sou de fato um ator. Melhor: sou um autor. Gosto de criar — não importa se à frente ou por trás das câmeras. Acontece que a tempestade emocional de 2008 realmente me assustou. Nunca vou esquecê-la. Percebi, em Londres, um troço fundamental: nos últimos anos, cuidei mais dos meus personagens que de mim. Pretendo agora inverter a equação. Se cuidar mais de mim, aposto que meus personagens também sairão ganhando.

Como você os constrói?

Não desenvolvi um jeito específico. Em alguns casos, pesquiso muito. Em outros, me guio apenas pelo feeling. Depende do enredo, do diretor, do meu pique. Para viver o Leléu em Lisbela e o Prisioneiro, uma comédia de feições nordestinas, visitei os subúrbios do Recife e as feiras populares, escutei músicas bregas e bati um papo com o Lirinha, vocalista do grupo Cordel do Fogo Encantado. Queria apreender o sotaque pernambucano dele. Em contrapartida, quando protagonizei Meu Nome não É Jonhny, confiei principalmente na intuição. Existe uma linha tênue entre o preparo adequado e o preparo excessivo. Um ator não deve se preparar demais para um papel. Convém que esteja levemente despreparado. Se o cara entra todo engessadinho no set, acaba não permitindo que a surpresa o contamine. A cena se converte em um monólogo. Abdica-se do diálogo com as circunstâncias.

Parte dos críticos afirma que você tem tiques de interpretação. Concorda?

Evidente que tenho. É complicado você se multiplicar — inventar máscaras distintas para cada situação. É quase impossível. Não conseguiria apontar um cacoete neste momento. Mas, revendo meus trabalhos, frequentemente me irrito: “Caramba! De novo aquele gesto, de novo aquela entonação!”.

Que atores você admira?

O maior ator do cinema brasileiro se chama José Dumont. Um monstro! Polivalente à beça. Na pele do sujeito, qualquer personagem cresce. O Wagner Moura é o melhor de minha geração.

Melhor que você?

Sim, claro. Outro veterano que admiro é o Paulo José. Uma vez ele me explicou de que modo resolveu uma cena dificílima. Seu personagem recebia uma caixa e, ao abri-la, deparava com a mão do próprio filho, decepada por um sequestrador. Como se comportar diante de tamanha atrocidade? Eu, se encarnasse o personagem, abriria a caixa e me descabelaria, gritaria, sofreria um colapso. O Paulo José, malandro, abriu a caixa sem esboçar grandes reações. Simplesmente a olhou e deixou o público imaginar o que um pai sentiria em meio àquele pesadelo. Gênio!

Entre os atores de fora, quais você destaca?

O Benicio del Toro e o Sean Penn. Nos meus tempos de dublador, dos 12 aos 20 anos, observei muito os estrangeiros. Foi uma tremenda escola vê-los atuar. Pequenas sacadas que pesquei nos filmes da época me influenciam ainda hoje. Em Picardias Estudantis, por exemplo, o Sean Penn interpreta um surfista lesadão. Sempre que o maluco desejava comprar algo, arrancava do bolso uma maçaroca de dinheiro, notinha fiscal, documento, tudo amassado. Em Meu Nome não É Jonhny, roubei aquilo.

Roubou?

Na cara de pau! Para indicar o quanto o protagonista do longa estava atrapalhado, não hesitei: fazia-o puxar do bolso uma maçaroca como a de Picardias Estudantis. Ladrão! No fundo, não passo de um ladrão! [risos]

Festival de Cinema de Gramado

37ª edição registrou recorde de inscritos em 2009

O 37º Festival de Cinema de Gramado, que acontecerá entre os dias 9 e 15 de agosto, no Rio Grande do Sul alcançou, este ano, o maior número de inscrições de filmes: 287 curtas nacionais (80% a mais que no ano passado), 56 na mostra gaúcha, 85 longas nacionais (aumento de 98% em relação a 2008) e 43 longas estrangeiros, um acréscimo de 259% ante a edição anterior.

O Festival é, de acordo com os organizadores, o maior evento cinematográfico da América Latina. Todos os anos reúne na serra gaúcha artistas, diretores e produtores para divulgar e debater o cinema nacional. O famoso tapete vermelho do Palácio dos Festivais é uma atração à parte na mostra, por ele desfilam astros e estrelas. Os vencedores da competição recebem o Troféu Kikito, um dos prêmios mais importantes do cinema brasileiro.

A 37ª edição do Festival contou com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet, por meio da qual poderá captar recursos para a realização do evento. A organização informou que, apenas pela exibição dos filmes, os selecionados brasileiros e estrangeiros de longa-metragem receberão R$ 3 mil cada. Para os curtas, será entregue o valor de R$ 500.

Haverá também a possibilidade de acompanhar partes do Festival através de uma TV online criada para o evento. Os internautas poderão conferir a chegada das celebridades, diretores e produtores no tapete vermelho, imagens das principais entrevistas coletivas e reportagens sobre as obras e seus autores. Os homenageados deste ano serão o ator Reginaldo Faria, os cineastas Ruy Guerra e Itacyr Rossi, e o diretor de fotografia Ivo Czamanski.

CATv – O Centro Técnico Audiovisual (CATv/MinC), que presta serviços aos realizadores de audiovisual de todo o país, apoiou dois filmes que foram selecionados para participar do festival. A Invasão de Alegrette, de Diego Muller, concorre ao prêmio de melhor curta nacional e teve apoio do CTAv com serviço de mixagem, e A Princesa e o Violinista, animação de Guto Bozzetti, faz parte da Mostra Gaúcha e teve apoio do CTAv no serviço de Transfer.

Lei mais sobre o Festival de Cinema de Gramado.

V.I.D.A. é o vencedor do Festival do Satyros!!!!!!

É com muito prazer que informamos que o curta-metragem ganhou os premios de:

MELHOR FILME

MELHOR DIREÇÃO

MELHOR ATRIZ PARA ANA MARIA SAAD (que dividiu o premio nessa categoria com a atriz Rosamaria Murtinho).

Agradecemos a organização do festival, aos jurados e todos que torceram por nossa vitória!

Ana Maria Saad é protagonista do filme Ressaca de Rene Brasil

Após a premiação do Festival Satyros fomos assistir a estreia do filme Ressaca do diretor Rene Brasil protagonizado pela atriz, vencedora da noite, Ana Maria Saad.

O filme é lindo e ficamos todos muito orgulhosos com o trabalho da atriz que além de ser idealizadora do projeto Pensamentos Filmados, junto com o também ator Geison Ferreira, é agenciada pela gestocult atores exclusivos!

Veja algumas cenas e fotos da atriz:

V.I.D.A. é indicado em 5 categorias para premio do Festival Satyros!

Hoje o dia será agitado para todos nós do projeto Pensamentos Filmados!

O primeiro curta-metragem do projeto V.I.D.A. foi indicado em diversas categorias no Festival Satyros.

As indicações são:

- MELHOR CURTA-METRAGEM

- MELHOR ROTEIRO (Ana Maria Saad, Geison Ferreira, Vinicius Zinn)

- MELHOR FOTOGRAFIA (Rafael Valese)

- MELHOR ATOR (Vinicius Zinn)

- MELHOR ATRIZ (Ana Maria Saad)

A entrega será realizada hoje (27/07) as 20 horas no Espaço dos Satyros 2 (Praça Roosevelt, 134 – consolação).
Entrada Franca.
E as 21:30 vai rolar a exibição do curta-metragem “RESSACA” do nosso amigo Rene Brasil. Protagonizado pela atriz Ana Maria Saad, o filme já está fazendo barulho em varios festivais e a exibição será no Espaço Unibanco.

Novo curta metragem da atriz Ana Maria Saad hoje!

Nós, da gestocult e Pensamentos Filmados convidamos a todos para assistir o novo curta metragem da atriz Ana Maria Saad, Ressaca, dirigido por Rene Brasil.

O filme foi baseado numa cena de Bosco Brasil.

Haverá ainda a projeção de mais outros dois curtas:

Até o Fim do Dia de Gustavo Brandão e  Tauri de Márcio Miranda.

Hoje 27/07 as 21h30.

divulgação

divulgação

Filme Brasileiro é premido pela Unesco

Menina Espantalho também ganha prêmio no Festival Internacional de Cinema Infantil de Montevidéu

Depois de ter conquistado o prêmio do júri popular no Festival de Curtas de Tóquio no mês passado, o filme A Menina Espantalho acaba de ganhar dois prêmios no Uruguai. O curta participou da mostra competitiva do Divercine – Festival Internacional de Cinema Infantil de Montevidéu, onde ganhou o prêmio de melhor curta de ficção, além do prêmio da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

Selecionado pelo Edital Curta Criança em 2007 – uma iniciativa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e da TV Brasil, o  filme tem 13 minutos de duração e conta a história de Luzia, uma menina que mora no campo com seu irmão Pedro e seus pais. Quando Pedro começa a frequentar a escola, Luzia manifesta vontade de acompanhar o irmão. O pai autoritário não respeita o desejo da filha e ainda a obriga a espantar os pássaros da plantação de arroz.  Mesmo vivendo essa adversidade, Luzia dá a volta por cima e aprende a ler no meio do arrozal.

Escrito e dirigido por Cássio Pereira dos Santos, o curta estreou no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em novembro de 2008, onde recebeu uma menção honrosa, prêmio de melhor roteiro e troféu da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

As cidades mineiras de Cruzeiro da Fortaleza e Brejo Bonito, na região do Alto Paranaíba, foram o cenário da história de Luzia. À exceção de Vinícius Ferreira, ator profissional de Brasília, todo o elenco foi formado por atores não profissionais de Cruzeiro da Fortaleza: Pâmela Silva, nove anos, protagonista do curta, Otávio Santiago, nove anos, no papel do seu irmão Pedro e Jane Silva, que interpreta a  mãe da protagonista.

Assista a um trecho do filme:www.vimeo.com/3971830

‘Estômago’ é eleito melhor filme do cinema nacional de 2008

G1 – Portal de Notícias da Globo, Da Redação, 15/04/2009

Academia Brasileira de Cinema premiou as produções nacionais. ‘Meu Nome Não é Johnny’ também se destacou com seis troféus

Os vencedores da maior premiação do cinema brasileiro em 2008 foram anunciados na noite desta terça-feira (14) no Rio de Janeiro, em uma disputa entre mais de cem filmes.

Tapete vermelho para receber os artistas que se destacaram nas telas de todo o país, na maior premiação do cinema nacional. “Vou encontrar os meus amigos, me diverti muito, levar alguns prêmios. É uma festa bonita, é nossa”, afirma o ator, Tony Ramos.

A atriz Marília Pêra e o diretor Daniel Filho foram os mestres de cerimônia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que escolheu vencedores em 25 categorias.

Os ganhadores levaram o troféu Grande Otelo e prêmios especiais, oferecidos pela Academia Brasileira de Cinema. “É inacreditável como tem gente boa fazendo cinema nesse país”, disse o presidente da Academia Brasileira de Cinema, Roberto Farias.

O homenageado desta edição do prêmio foi o cineasta Nelson Pereira dos Santos, um dos precursores do Cinema Novo, e reconhecido internacionalmente pelo clássico “Vidas Secas”, de 1963.

Cineastas, atores, técnicos. Ao todo, mais de mil profissionais foram indicados ao prêmio. Participaram da seleção todos os filmes lançados em 2008 mais de cem produções, entre longas-metragens nacionais de ficção, documentários e filmes estrangeiros.

Entre os finalistas, alguns tiveram até 14 indicações. Caso dos filmes “Estômago” e “Meu Nome Não é Johnny”. “Eu estou aproveitando bem as oportunidades e faço parte de uma geração que tem o cinema como uma fonte de expressão do artista”, disse o ator, Selton Mello. Logo no começo da premiação, “Meu Nome Não é Johnny” levou quatro troféus, melhor montagem, som, trilha sonora original e atriz coadjuvante, para Julia Lemmertz.

“Ensaio Sobre a Cegueira”, do diretor Fernando Meirelles, concorria a 13 troféus. E venceu principalmente em categorias técnicas como melhor direção de arte, fotografia, efeitos visuais e maquiagem. “É um filme falado em inglês, apesar de ser um filme brasileiro. Fotógrafo, diretor de arte, maquiador, música. Tudo brasileiro”, afirma o diretor.

Melhor filme

“Estômago”, dirigido por Marcos Jorge, levou o prêmio de melhor ator coadjuvante, para Babu Santana, e foi eleito o melhor filme pelo voto popular.
Os membros da Academia Brasileira de Cinema parece que seguiram o voto popular. Um dos campeões de indicações nesta noite, “Estômago”, levou os prêmios mais importantes: melhor longa-metragem de ficção e melhor diretor para Marcos Jorge.

“Meu Nome Não é Johnny ” foi o que levou mais prêmios. Seis ao todo, incluindo de melhor ator, para Selton Mello. Melhor atriz foi para Leandra Leal pelo filme “Nome Próprio” e melhor longa-metragem de documentário foi “O Mistério do Samba” , filme de Carolina Jabor e Lula Buarque de Holanda, produzido por Marisa Monte. O filme conta a história da velha guarda da Portela.

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