O Matilha Cultural de Ricardo Costa

Apaixonado por cultura urbana, Ricardo Costa criou, no centro de São Paulo, o espaço Matilha Cultural, com área para performances artísticas, exposições e, ainda, exibições de teatro e cinema

De jeitão, Ricardo Costa é bem mano. Mas um mano descoladoe antenado com as manifestações culturais urbanas do planeta. Criado entre manobras de skate nas ruas de São Paulo, ao som do hip hop e na estética dos grafites, ele é um apaixonado pela cultura urbana. Seu olhar único também é fruto de uma educação diferenciada. Adolescente, abandonou a escola formal para se dedicar à filosofia: “Fazia todo e qualquer curso que pudesse, relacionado ao assunto, especialmente na Associação Palas Athena”, diz.

Mais tarde, apaixonou-se por cinema e, apoiado pelos pais, fez vários cursos aqui e nos Estados Unidos. Na volta, criou o Matilha Cultural, espaço para performances, galeria de arte, sala de teatro e cinema e café no centro de São Paulo. As paredes da galeria podem mostrar uma exposição de fotógrafos sobre como a guerra afeta a vida das pessoas comuns e o cinema vai de fi lme iraniano até documentários inéditos aqui.

E o Talking Boteco traz conversas comartistas de coletivos ou autores ainda pouco conhecidos. Tambémvale a pena participar de suas campanhas de meio ambiente ou de uso de vagas de estacionamento para atividades artísticas nos fi ns de semana.

Dê uma espiada: Matilha cultural

De jeitão, Ricardo Costa é bem mano. Mas um mano descoladoe antenado com as manifestações culturais urbanas do planeta. Criado entre manobras de skate nas ruas de São Paulo, ao som do hip hop e na estética dos grafites, ele é um apaixonado pela cultura urbana. Seu olhar único também é fruto de uma educação diferenciada. Adolescente, abandonou a escola formal para se dedicar à filosofia: “Fazia todo e qualquer curso que pudesse, relacionado ao assunto, especialmente na Associação Palas Athena”, diz.

Mais tarde, apaixonou-se por cinema e, apoiado pelos pais, fez vários cursos aqui e nos Estados Unidos. Na volta, criou o Matilha Cultural, espaço para performances, galeria de arte, sala de teatro e cinema e café no centro de São Paulo. As paredes da galeria podem mostrar uma exposição de fotógrafos sobre como a guerra afeta a vida das pessoas comuns e o cinema vai de fi lme iraniano até documentários inéditos aqui.

E o Talking Boteco traz conversas comartistas de coletivos ou autores ainda pouco conhecidos. Tambémvale a pena participar de suas campanhas de meio ambiente ou de uso de vagas de estacionamento para atividades artísticas nos fi ns de semana.

Dê uma espiada: Matilha cultural

Oficinas de Capacitação

SID/MinC realiza oficinas do Prêmio Culturas Ciganas em diversas cidades do país

A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC) em parceria com a Regional de Minas Gerais e a Pastoral dos Nômades do Brasil, realizou na última terça-feira (dia 27), em Belo Horizonte, mais uma oficina de capacitação do Prêmio Culturas Ciganas 2010.  As inscrições para o Concurso Público foram abertas no último dia 16 de abril e se encerram no dia 12 de julho de 2010. O Edital premiará 30 iniciativas que envolvam trabalhos, individuais ou coletivos, que fortaleçam as expressões culturais ciganas e contribuam para a continuidade e manutenção das identidades dos diferentes clãs e povos presentes no Brasil, que somam mais de meio milhão de pessoas.

A SID/MinC já realizou duas oficinas, uma em Goiânia e outra em Recife, e uma Videoconferência na Região Nordeste, com o objetivo de treinar gestores, técnicos e pessoas do segmento interessadas em participar do Prêmio. As oficinas, que serão realizadas em diversos estados brasileiros, contam com a participação dos parceiros da SID na realização do Prêmio e têm, como foco principal, dar esclarecimentos e orientações sobre o Edital.

Para o mês de maio já estão programadas mais nove oficinas que acontecerão nas três capitais da Região Sul (Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre), no Rio Grande do Norte (Natal e Seridó) dias 10 e 11, na Paraíba (Souza) dia 14, na Bahia (Porto Seguro) dia 20, e na capital do Rio de Janeiro dia 24. Também no dia 24 de maio, a SID/MinC realiza uma grande oficina em Brasília, quando pretende reunir os ciganos e gestores da Capital Federal, do Distrito Federal e de cidades do entorno. O encontro também terá a presença de mais 10 gestores de outros estados do país.

A nova edição do Prêmio Culturas Ciganas distribuirá R$ 300 mil em prêmios, sendo R$ 10 mil para cada iniciativa premiada e será realizado em parceria com o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa (SGEP); com a Secretaria Especial de Promoção de Políticas para a Igualdade Racial (SEPPIR) por meio da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais e da Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH);  e com a Pastoral dos Nômades do Brasil.

Calendário das Oficinas de Capacitação da Região Sul

Cidade: Porto Alegre (RS)
Data: 04 de maio, das 9h às 18h
Parcerias: Representação Regional Sul e Secretaria Municipal de Cultura
Local: Sala 400 da Usina do Gasômetro – Rua Presidente João Goulart, nº 551

Cidade: Florianópolis (SC)
Data: 05 de maio, das 9h às 18h
Parcerias: Representação Regional Sul e Fundação Catarinense de Cultura
Local: Museu Histórico de Santa Catarina  – Palácio Cruz e Sousa, Praça XV de Novembro, nº  227,  Centro

Cidade: Curitiba (PR)
Data: 06 de maio, das 9h às 18h
Parcerias: Representação Regional Sul e Fundação Cultural de Curitiba
Local: Teatro Universitário de Curitiba (TUC) – Galeria Julio Moreira, Largo da Ordem, Bairro São Francisco

As informações sobre as Oficinas da Região Sul podem ser obtidas pelo telefone: (51) 3311-5331, com Carla Ribeiro.

Veja mais informações sobre o Edital e confira os locais e data das próximas oficinas na página da SID/MinC www.cultura.gov.br/diversidade ou pelo endereço eletrônico premioculturacigana2010@cultura.gov.br.

Confira o Edital.

Acesse a Cartilha.

(Heli Espíndola- Comunicação/SID)

Fomento às artes – Chuva de editais irriga cultura do país

Diário de Pernambuco – PE, Caderno Viver, em 24/04/2010

São Paulo – Uma série de editais de fomento à cultura está irrigando fortemente a área neste semestre. A Funarte lançoiu esta semana 34 editais de fomento às áreas de teatro, dança, circo, artes visuais, fotografia, música, literatura, cultura popular e arte digital. São R$ 54 milhões (o orçamento da Funarte para 2010 é de R$ 101,6 milhões, sete vezes maior que o de 2003, e o maior em vinte anos de história da fundação). Serão concedidos mil prêmios e bolsas de até R$ 260 mil, para projetos de produção, formação de público, pesquisa, residências artísticas, apoio a festivais e produção crítica sobre arte. As inscrições estão abertas em todo o país. Os editais, fichas de inscrição e mais informações estão disponíveis em www.funarte gov.br.

A Caixa Econômica Federal também vai destinar R$ 33,1 milhões para quatro editais de patrocínio cultural em 2011. Os projetos englobam as áreas de teatro, dança, artesanato, artes plásticas e patrimônio. A presidente da instituição, Maria Fernanda Ramos, disse que os recursos da instituição financeira destinados à cultura em 2010 deverão totalizar R$ 53 milhões, mesmo montante do ano passado. Se somados a esse volume, os R$ 48 milhões que serão absorvidos na instalação de novos espaços Caixa Cultural em Fortaleza, Recife e Porto Alegre, os investimentos ultrapassam R$ 100 milhões este ano. O montante é exclusivo da Caixa, sem uso de incentivos fiscais.

Entre os editais para 2011, o Programa de Ocupação dos Espaços da Caixa Cultural investirá R$ 26 milhões na seleção de projetos para ocupação dos espaços em Brasília, Curitiba, Rio, Salvador e São Paulo. O valor máximo de patrocínio por projeto será de R$ 300 mil.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Inscrições de Projetos Culturais 2011 – Centro Cultural Banco do Brasil

pra quem ainda não se inscreveu, corre que dá tempo!

Inscrições até 01 de junho

O Banco do Brasil abre inscrições para programação 2011. Os projetos selecionados irão compor a grade de programação dos Centros Culturais Banco do Brasil Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, nas áreas de música (popular, erudita e instrumental), exposições (pintura, escultura, fotografia, gravura, instalação, multimídia e outros), artes cênicas (teatro, dança, performance, circo, ópera), cinema e vídeo (mostras e festivais), programa educativo (oficinas, cursos e visitas orientadas) e ideias (palestras, seminários e conferências).
As inscrições são gratuitas, vão de 1º de maio a 1º de junho de 2010 e estão abertas a pessoas físicas e jurídicas, de qualquer nacionalidade e região do País, sendo feitas exclusivamente pelo site www.bb.com.br/cultura.

Mais Informações: 61- 33107081 ou www.bb.com.br/cultura

Estados poderão ter repasse de 30% do Fundo Nacional de Cultura

ALERJ Notícias, em 11/05/2010

O Ministério da Cultura quer que estados e municípios tenham acesso a, pelo menos, 30% do Fundo Nacional de Cultura previsto para ser criado no projeto de lei 6.722/10, que tramita na Câmara dos Deputados e trata do fomento e incentivo ao setor cultural. O novo modelo, debatido durante audiência pública da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Rio, nesta terça-feira (11/05), prevê ainda maior participação das empresas privadas nos investimentos em projetos culturais e uma distribuição mais igualitária de incentivos. “A comissão vê com entusiasmo este projeto. É importante repensar o recurso repassado à cultura no Brasil e fazer um debate sobre a democratização do acesso a essas verbas após 18 anos de Lei Rouanet. Com este projeto, o dinheiro de um fundo voltado para a cultura vai ser muito maior do que é hoje e a diversidade cultural do País será protegida”, afirmou o presidente da comissão, deputado Alessandro Molon (PT).De acordo com o Ministério, por ano, aproximadamente R$ 1 bilhão dos recursos para o setor cultural provêm da renúncia fiscal. Destes, 80% são captados por apenas uma das cinco regiões brasileiras: a Sudeste. O anúncio de tornar a distribuição mais democrática, tanto por região quanto por atividades culturais, não preocupa a secretária de Estado de Cultura, Adriana Rattes. “Não fiz as contas para saber se o estado perde para que outros recebam mais. É normal que haja polos de cultura, como São Paulo e Rio, assim como existe com indústrias e outros setores. As diferenças continuarão a ser respeitadas, mas o projeto vai ‘atacar’ o excesso de investimento em determinados locais”, frisou. “Em relação a um repasse mais democrático dos recursos, a gente já pratica isto com o Ministério da Cultura e com os municípios através do Programa de Desenvolvimento da Cultura (Padec). Com os fundos setoriais previstos, isto ficará mais fácil”, destaca Adriana.

Para aumentar a eficiência da destinação dos recursos e assumir a diversidade de temas e linguagens na cultura, o projeto prevê a criação de oito fundos setoriais. Com a nova lei, nenhum fundo terá menos que 10% ou mais que 30% do total do Fundo Nacional de Cultura, gerando, de acordo com o Governo federal, um equilíbrio entre as áreas. Dentre os fundos criados estarão os de Artes Visuais, Artes Cênicas, Música, Acesso e Diversidade e Patrimônio e Memória. De acordo com Molon, a divisão destes recursos é “extremamente desigual”, pois 50% do que é captado destinam-se a apenas 3% das propostas apresentadas ao Ministério. O diretor teatral Aderbal Freire-Filho comemorou a possibilidade de mudança prevista no projeto de lei. “A concentração ocorre porque as empresas buscam patrocinar aqueles projetos que reforçam sua marca, mesmo valendo-se do dinheiro que é público, de imposto. Isto eu espero mesmo que mude porque a democratização é muito importante”, destacou.

O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Alfredo Manevy, que representou o ministro Juca Ferreira, explicou que o foco do projeto está em “criar um leque de alternativa para artistas e produtores em uma legislação de fomento à cultura, que possa contemplar todas as regiões do Brasil, artistas de vários segmentos e todo o conjunto da produção cultural”. “A Lei Rouanet é muito excludente e nossa preocupação é diversificar os mecanismos, em especial a criação de fundos setoriais públicos com dinheiro para apoio direto. Assim, no momento em que o projeto for aprovado no Ministério da Cultura, o artista já recebe o dinheiro, sem intermediação do mercado, já que é muito difícil o patrocínio”, destacou Manevy. “Hoje, a empresa privada não participa do processo. Quase 100% dos recursos vêm de dinheiro público. Queremos criar parcerias com o setor privado, já que a cultura dá um retorno tão importante de imagem para as empresas. Parece justo que 20%, ao menos, sejam investidos pelo setor privado”, frisou o secretário.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Ministério aumentará os recursos para a Cultura

Portal Exame, editoria Economia, em 11/05/2010

Rio de Janeiro – O Ministério da Cultura pretende dobrar o valor dos recursos de estímulo a projetos do setor no país. A proposta, segundo o secretário executivo do ministério, Alfredo Manevy, é atingir essa meta com a substituição da atual Lei Rouanet pelo Programa Nacional de Fomento à Cultura (Procultura).
Pelo projeto, ainda em tramitação no Congresso Nacional, as empresas que usam parte do dinheiro que deveriam pagar em tributos para o governo para investir em cultura terão de adicionar 20% a esse valor. A parcela adicional viria de recursos da própria empresa.Com essa mudança, o dinheiro destinado aos projetos culturais seria concentrado em um Fundo Nacional de Cultura. Os artistas e produtores que têm um projeto não precisarão mais recorrer às empresas para conseguir o dinheiro, como ocorre hoje. Manevy estima que 80% desses artistas não conseguem um patrocinador.

“Hoje, pela Lei Rouanet, as empresas colocam as marcas [nos cartazes dos espetáculos, por exemplo] mas não há um centavo de dinheiro privado no financiamento da cultura. O que está sendo criado é um fundo direto de apoio aos artistas e produtores. Assim que o projeto for aprovado pelo Ministério da Cultura, o artista já recebe o dinheiro sem precisar captar esses recursos”, explicou
Manevy.

Com o novo formato, o governo federal pretende também desconcentrar os incentivos culturais que hoje predominam no eixo Rio-São Paulo, ampliando o benefício para todas as regiões do país e todos os segmentos culturais.

Apesar das promessas de melhoria, o programa ainda divide opiniões. Algumas empresas e representantes da classe artística temem que a proposta acabe tendo efeito contrário e reduza o volume de dinheiro para o setor. Manevy disse que as empresas estatais e as grandes empresas privadas que já estão incluídas na Lei Rouanet divulgaram nota oficial garantindo que vão manter e até aumentar os investimentos.

“Hoje a cultura é uma economia poderosa que dá um enorme retorno de imagem para bancos e empresas que financiam a cultura. A resistência vem de uma minoria que conhece o caminho das pedras e parece que não quer pensar o conjunto dos artistas do Brasil, quer manter a situação como está, mesmo sabendo que a maioria dos artistas tem dificuldade e não têm alternativa alguma”, disse Manevy.

O Procultura, apresentado nesta terça-feira (11) no Rio de Janeiro, ainda será levado pelo Ministério da Cultura para apresentação em Belém, Belo Horizonte, Campo Grande e Brasília. O governo quer aproveitar o período de análise pelos parlamentares para levantar sugestões e reclamações e levantar o apoio à proposta.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Imprensa e democracia

Artigo de Murillo de Aragão, na editoria Opinião, Brasil Econômico, em 12/05/2010

Quando a sociedade acorda de seu mutismo político, algo de importante acontece. De certa forma, foi assim com a CPMF. Sem a mobilização de setores organizados, a contribuição teria sido prorrogada. No caso do reajuste dos aposentados, a mesma coisa. Sem mobilização, o reajuste seria aquele proposto pelo governo (6,14%), e não o que foi aprovado pela Câmara (7,72%). Outro exemplo é o projeto Ficha Limpa. Desde o início, o projeto traz a marca da mobilização da sociedade. Foi apresentado com o apoio de mais de um milhão de assinaturas. O texto original foi proposto pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e recebeu apoio de entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Evidente que a derrota da CPMF deve ser creditada a vários fatores. Entre eles, a divisão da base aliada e o não cumprimento de promessas de apoio feitas ao governo. Uma pilotagem mais segura teria impedido a derrota por poucos votos. Eram necessários 49 votos no Senado, e a proposta de emenda constitucional teve 45. No caso do reajuste dos aposentados, além da mobilização, o fator eleitoral contribuiu para fragilizar a adesão da base governista e inflamar os ânimos da oposição. No caso do Ficha Limpa, o que ajudou também foi o sentimento de culpa de muitos com a imagem do mundo político.

Alguém poderia argumentar que a mobilização não teria sido o fator decisivo para o resultado. Não é verdade. Sem ela, a política fica isolada da sociedade e vira diálogo exclusivo entre players políticos, cujos interesses podem não ser os da sociedade. O mesmo vale para a imprensa. Sem uma imprensa livre, a democracia não se realiza. Assim, é mais do que oportuna a promoção de encontros e debates, como os ocorridos no Rio e em Brasília na semana passada por conta do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Em especial, em um continente onde a liberdade é bem escasso.

De acordo com relatório da organização Repórteres Sem Fronteira, na América Latina as quatro maiores fontes de ameaça e violência contra jornalistas continuam sendo os traficantes de drogas, a ditadura em Cuba, as Farc e grupos paramilitares. No Brasil, graças a Deus, não temos tais ameaças. No entanto, temos outras: o precário índice de leitura; as tiragens raquíticas frente ao tamanho da população e, ainda, o domínio que a publicidade do governo exerce sobre muitos setores da mídia. Além da precariedade do ensino e da falta de poder aquisitivo, faltam bibliotecas. O Ministério da Cultura divulgou em abril um censo sobre as bibliotecas públicas municipais em todo o Brasil. O estudo foi realizado em 2009 pela FGV, e constatou que 21% dos municípios não têm o serviço. A pesquisa revela ainda que 71% das bibliotecas municipais do país não disponibilizam acesso à internet.

A qualidade do futuro da política no Brasil reside nos dois aspectos mencionados aqui: a mobilização da sociedade e o pleno exercício da liberdade de expressão. Temas que devem ser objeto de nossa reflexão e ação diárias. A começar pela educação e pelo acesso à informação escrita, fator fundamental para o sucesso do Brasil.

*Murillo de Aragão, Cientista político, advogado, doutor em sociologia pela UnB e presidente da Arko Advice Pesquisas

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Dinheiro para fazer arte

Diário Catarinense, caderno Variedades, por Renê Müller, em 13/05/2010

Funarte lança editais de fomento para distribuir R$ 56,8 milhões às áreas de produção do setor. Presidente da entidade, Sérgio Mamberti, fala dessas ações

RENÊ MÜLLER

Aos 71 anos, Sérgio Mamberti está à frente do que pode ser considerado seu maior desafio. Para um ator que participou de montagens teatrais como Navalha na Carne, de Plínio Marcos, e filmes como O Bandido da Luz Vermelha, e dezenas de novelas, isso não é pouco. Como presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte), ele lidera uma das maiores mobilizações públicas de fomento à atividade artística.

Com investimento total de R$ 56,8 milhões, a Funarte e o Ministério da Cultura acabam de lançar 34 editais de fomento. São em áreas das mais diversas: teatro, dança, circo, artes visuais, fotografia, música, literatura, cultura popular e arte digital. Serão concedidos mil prêmios e bolsas de até R$ 260 mil, para projetos de produção, formação de público, pesquisa, residências artísticas, apoio a festivais e produção crítica sobre arte.

- Esses editais já espelham um pouco as diretrizes definidas pelos colegiados setoriais, dentro do Plano Nacional de Cultura. Estamos abrindo um espaço grande para fotografia, literatura e também arte digital. As residências artísticas, que tem tido um papel importante no país, também receberão atenção – explica.

Foram lançadas as novas edições dos prêmios Myriam Muniz (teatro), Klauss Vianna (dança) e Carequinha (circo) e da Rede Nacional Artes Visuais – que estão entre as principais políticas públicas para as artes no Brasil. O apoio à literatura, à criação em música erudita e à circulação de música popular também está mantido.

Pela primeira vez, foram lançados editais para seleção de festivais. Há prêmios para artes cênicas na rua e o apoio a residências artísticas no Brasil e no exterior. A instituição investe na composição de música erudita, em concertos didáticos na rede pública de ensino e na gravação de CDs de música popular.

Orçamento recorde na pasta beneficia projetos Nas artes visuais, a Funarte volta a apoiar festivais e salões regionais, além de viabilizar projetos de pesquisa e reflexão crítica sobre artes contemporânea. A fotografia será tratada como categoria à parte, com o Prêmio Marc Ferrez (veja box).

Outras novidades: bolsa para criação literária, e apoio a 60 trabalhos de reflexão crítica e teórica na internet – estes, além dos 30 de reflexão crítica e teórica da cultura brasileira.

O orçamento da Funarte para 2010 é de R$ 101,6 milhões, sete vezes maior que o de 2003, e o maior em 20 anos de história da Fundação. Segundo Mamberti, isso foi resultado das conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

- Conseguimos chegar enfim a 1% do Orçamento nacional, que era um objetivo. Temos a possibilidade real de experimentar uma simulação dos fundos de cultura da nova Lei Rouanet – destaca Mamberti, que recebeu semana passada o título de Cidadão Paulistano.

Os projetos inscritos são analisados por comissões externas, contando sempre com representantes de todas as regiões brasileiras. As inscrições estão abertas em todo o país. Os editais, fichas de inscrição e mais informações estão disponíveis em www.funarte.gov.br. Atenção: alguns dos editais serão encerrados no final desse mês.

Novidades das artes visuais

Edital de Apoio a Festivais de Fotografia, Performances e Salões Regionais

Neste ano, a Funarte selecionará 15 projetos de pessoas jurídicas voltados para a promoção de salões regionais ou para a produção de festivais de fotografia e de performances. Cinco deles receberão R$ 260 mil e os outros 10 ganharão R$ 95 mil para desenvolver sua proposta.

Total em investimentos: R$ 2,4 milhões

Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2010 – Ocupação dos Espaços Funarte

Este edital possibilitará que artistas, coletivos ou empresas de natureza cultural realizem exposições gratuitas nos Espaços Funarte de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Quinze proponentes poderão produzir suas exposições com prêmios que variam entre R$ 40 mil e R$ 80 mil. Profissionais de variados segmentos das artes visuais e de diversas regiões do Brasil serão projetados publicamente com a exibição de seus trabalhos.

Total em investimentos: R$ 930 mil

Projeto 11º Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia

Através do Prêmio Marc Ferrez, a Funarte difunde e fomenta a reflexão e a produção artística no campo da fotografia. Em 2010, a premiação contemplará 36 pessoas físicas que queiram desenvolver projetos inéditos. Cada uma delas receberá até R$ 40 mil. As propostas devem estar relacionadas a uma das três categorias a seguir: pesquisa, experimentação e criação em linguagem fotográfica; documentação fotográfica ou registro das transformações do cotidiano na sociedade; produção de conhecimento por meio de apoio ao pensamento crítico e teórico.

Total em investimentos: R$ 1,08 milhão

Bolsa Funarte de Estímulo à Produção Crítica em Artes Visuais

Desenvolver a reflexão crítica e teórica acerca da atual arte brasileira é o objetivo desta bolsa. Através dela, a Funarte cria condições para a formação profissional e para a produção do conhecimento artístico. Neste ano, serão contemplados 10 projetos inéditos, que resultem em ações, obras e processos a serem apresentados ou expostos ao público. Todos os projetos devem ser propostos por pessoas físicas (artistas ou coletivos) e cada um deles receberá R$ 30 mil.

Total em investimentos: R$ 409,1 mil.

Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Artística em Artes visuais

Artistas ou coletivos interessados em produzir obras inéditas e de qualidade podem se candidatar a esta bolsa, que fomenta a pesquisa e a criação em âmbito nacional. Neste ano, dez projetos serão contemplados com R$ 30 mil. Ao fornecer condições materiais para a produção de novas obras, a Funarte amplia a qualificação e a difusão em artes visuais.

Total em investimentos: R$ 409,1 mil

Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais

O Programa Rede fomenta a reflexão e o debate sobre as artes visuais, investindo na capacitação de profissionais e na circulação do conhecimento. Em 2010, serão contemplados 40 projetos que promovam oficinas artísticas, palestras, atividades pedagógicas, atividades integradas, exposições, oficinas de qualificação e seminários. Dez pessoas jurídicas receberão R$ 30 mil e, para as 30 pessoas físicas selecionadas, o prêmio será de R$ 20 mil.

Total em investimentos: R$ 1,1 milhão.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Espaços Mais Cultura

MinC investe R$ 9 milhões para construir centros culturais

Edital contempla cidades com até 500 mil habitantes

O Ministério da Cultura vai investir R$ 9 milhões para construir 20 espaços culturais multiuso em municípios com até 500 mil habitantes. Os projetos foram selecionados pelo edital Espaços Mais Cultura e receberão R$ 450 mil cada. A ação tem como prioridade atender cidades com poucos ou nenhum equipamento cultural, como teatros e museus.

Dos 20 municípios contemplados, a maioria é do Nordeste – Bahia (4), Alagoas (2), Pernambuco (2) e Ceará (1). As regiões Sudeste e Sul tiveram cinco projetos selecionados cada: Minas Gerais (4) e São Paulo (1) pelo Sudeste; Rio Grande do Sul (2), Santa Catarina (2) e Paraná (1) pelo Sul. O município de Novo Acordo (TO) foi o único escolhido da Região Norte.

As cidades selecionadas com maior população foram Ponta Grossa, no Paraná, e Caucaia, no Ceará, ambas com cerca de 330 mil habitantes. As menores foram Pedrão, na Bahia, com sete mil habitantes, e Novo Acordo, Tocantins, com apenas quatro mil.

De acordo com a coordenadora de Ações do Programa Mais Cultura, Mônica Monteiro, os critérios levados em conta para a seleção dos projetos foram às condições socioeconômicas das comunidades onde serão instalados os Espaços Mais Cultura, além da escassez de equipamentos culturais nesses locais.

Os espaços terão biblioteca, cineteatro, além de salas multiuso para exposições e oficinas. “Esta é a inauguração de um processo para viabilizar espaços físicos que permitam o acesso da população mais carente à cultura”, ressalta Mônica Monteiro.

Os projetos passaram por três etapas de avaliação, entre análise de documentos e avaliações técnicas, onde foram observadas questões relativas ao urbanismo – como facilidade de acesso da população ao local -, e um projeto arquitetônico que respeitasse as características culturais do município.

Os Espaços Mais Cultura tem como objetivo a construção, reparação ou adaptação de centros culturais que permitam às comunidades o acesso a um centro cultural e a participação nas atividades por meio de uma gestão compartilhada com as prefeituras. “O Espaço Mais Cultura vai além de um prédio construído: é uma mobilização social. A comunidade é chamada a participar da gestão do equipamento antes mesmo das obras terem início”, ressaltou Mônica.

Oficina

Representantes dos 20 municípios com projetos selecionados deverão comparecer na Oficina de Trabalho Espaços Mais Cultura, realizada nos dias 20 e 21 de maio em Brasília. Entre as atividades, estão previstas consultorias para o ajuste dos projetos com o programa afim de que eles possam ser qualificados e otimizados de acordo com as respectivas realidades locais.

Os representantes das prefeituras selecionadas receberão, ainda, instruções de como melhor promover a mobilização social, ou seja, como fazer com que a comunidade se aproprie do espaço.

(Comunicação, SAI/MinC)

Museus de grandes novidades

Jornal do Brasil, Revista Programa, por Bernardo Costa, em 14/05/2010

Você já ouviu falar na Semana Nacional de Museus? Pois ela se inicia na segunda-feira trazendo uma série de atividades em mais de 50 instituições cariocas que combinam diversão, conhecimento e cidadania

Bernardo Costa

Museu vive do passado – e também do presente e do futuro. Para ajudar o grande público a perceber os museus como instituições interativas e modernas, espaços de fortalecimento de nossa identidade cultural e social, onde, além de aprender, é possível e necessário se divertir, é hora de a Semana Nacional de Museus entrar em cena. Com o tema Museus para a Harmonia Social, a iniciativa (que contará com cerca de 1.700 eventos espalhados por 588 instituições no país) é a chance para o carioca (re)conhecer seus 56 museus; a programação especial abrange também vários dos centros culturais da cidade (confira nas próximas páginas o roteiro completo das atividades).

- Vamos ver se incutimos no público uma visão diferente dos museus. Queremos que as pessoas os vejam não como algo parado no tempo, mas como uma instituição dinâmica, com papel importante de coesão social – comenta José do Nascimento Júnior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), órgão vinculado ao Ministério da Cultura responsável pela coordenação nacional do evento.

Nascimento Junior aponta que o número de visitantes no Brasil todo tem crescido exponencialmente.

Ano passado tivemos 29 milhões de visitantes. Em 2003, por exemplo, este número era de 15 milhões. No Rio de Janeiro, a proposta de integração entre museu e sociedade tem levado educação e cidadania a regiões carentes da cidade, historicamente marginalizadas em relação a atividades culturais. A criação do Museu da Favela, formado a partir da integração de moradores das comunidades do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, e do Museu da Maré, que durante a Semana Nacional de Museus recebe, na segunda-feira, a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara Municipal, são exemplos.

- Os museus hoje são espaços de atividade e não de passividade – ressalta Marcia Bibiani, superintendente de Museus do Estado do Rio de Janeiro. – Deixaram de ser há muito tempo um espaço de contemplação apenas. Essas iniciativas nas favelas são muito importantes: não é porque a população carente está concentrada em regiões marginalizadas da cidade que ela não tem o direito de construção de sua memória. Na Maré, por exemplo, haverá contação de histórias sobre a comunidade. Temos que buscar a integração dessas pessoas, estimular o sentimento de cidadania delas, e os museus são essenciais neste processo.

Já no Museu da Favela, haverá uma grande feira cultural organizada nas lajes das casas, onde o público poderá ter contato com diversas manifestações culturais, como exposições e apresentações de música e capoeira.

- Em todos os museus rodeados por áreas carentes nós procuramos a integração com as comunidades, como acontece, por exemplo, em Niterói, com os museus Casa de Oliveira Vianna, Antonio Parreiras e do Ingá, onde haverá atividades voltadas para deficientes visuais e auditivos – informa Marcia Bibiani.

Também destacam-se os eventos programados no Museu Carmem Miranda, no Flamengo, e na Casa da Marquesa de Santos, em São Cristóvão: – Lá está sendo feito um trabalho muito importante com oficinas de artes plásticas para pacientes psiquiátricos. Em relação aos idosos, serão recolhidos relatos sobre a importância de Carmem Miranda em suas vidas. Esses depoimentos têm gerado um material muito rico. Já em São Cristóvão, os alunos das escolas locais e moradores das favelas do entorno serão convidados para visitas guiadas por pontos importantes do bairro no qual a família imperial se estabeleceu. É fundamental que eles conheçam esta história.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Investimento cultural privado

Para quem se interessa pelo assunto recomendo esse texto do Leonardo Brant:

http://www.culturaemercado.com.br/ideias/investimento-cultural-privado/

Boa leitura!

Brasil e França renovam acordo de coprodução

O Globo, Segundo Caderno, em 13/05/2010

7 Minutos com Manoel Rangel

Na próxima terça-feira, Brasil e França vão ganhar um novo acordo bilateral de coprodução para o Audiovisual. O presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, e a presidente do Centre National du Cinéma et de l’Image Animée (CNC), Véronique Cayla, vão se encontrar durante o Festival de Cannes para assinar o documento. Pelo novo texto, os dois países poderão estender a participação de suas equipes para os parceiros do Mercosul e da União Europeia. Atualmente, o Brasil tem acordos bilaterais com Argentina, Alemanha, Canadá, Chile, Colômbia, Espanha, França, Itália, Portugal e Venezuela.

O GLOBO: Do que se trata este novo acordo?
MANOEL RANGEL: É uma renovação do acordo feito em 1969. Vamos fazer a formalização jurídica em Cannes. Basicamente, ele atualiza o acordo anterior em alguns pontos. Ele abaixa a participação do país que entrar com o capital minoritário, podendo chegar, em casos excepcionais, a até 10% do investimento total. Ele também vai permitir que profissionais da União Europeia possam ser contabilizados pelo lado francês como equipe da França, e que profissionais do Mercosul possam ser contabilizados como equipe brasileira pelo lado do Brasil. Tudo isso otimiza ainda mais a boa relação que já existia entre os dois países no campo do audiovisual.

Que vantagens o acordo traz para o Brasil?
RANGEL: Ele cria as condições para intensificar as coproduções.
Tivemos um encontro para estimular coproduções no ano passado e teremos outro este ano, no dia 4 de junho. Um acordo como este, por exemplo, possibilita que um filme brasileiro entre no mercado francês com as facilidades de mercado que um filme francês teria, e viceversa.

Quais serão os próximos acordos firmados pelo governo brasileiro?
RANGEL: Já temos acordos assinados com Israel e Índia, e só faltam alguns detalhes para que eles entrem em vigor. E estamos em negociação com Rússia e China.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

“A qualidade da TV brasileira é muito baixa”

Revista Caros Amigos, ANO XIV – Nº 157 – ABRIL/2010

por Lúcia Rodrigues

Ex-presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, ex-militante do MR-8  no tempo da luta armada contra a ditadura militar, o atual ministro da Cultura, João Luiz Silva Ferreira, mais conhecido como Juca Ferreira, baiano de Salvador, chegou ao ministério pelas mãos de seu amigo Gilberto Gil. Assumiu o cargo com a saída do ex-ministro e tem dado continuidade ao trabalho de valorizar as manifestações culturais criadas pela comunidade, respeitando a diversidade dos mais diferentes pontos do território nacional. Os Pontos de Cultura cadastrados pelo ministério animam cerca de quatro mil grupos de produção cultural. Nesta entrevista exclusiva para Caros Amigos, Juca Ferreira fala da atuação do ministério, das atividades culturais e dos meios de  comunicação. Ele considera a televisão um “meio incrível”, e admite que “a qualidade da TV brasileira é muito baixa”.

Caros Amigos – Fale sobre a sua trajetória de vida e política. Como foi a chegada até o ministério da Cultura?

Juca Ferreira – Sou filho de uma família de classe media baiana. Meu pai era engenheiro construtor de estradas e minha mãe professora. A gente acompanhava meu pai, e ia morando onde a estrada ia abrindo e a estrada ia atrás. A partir de uma certa idade a gente era internado. Morei no interior da Bahia, do Sergipe, de Alagoas, Espírito Santo e depois fui interno no Rio de Janeiro. Estudei dos oito aos dez anos no Rio de Janeiro.

Por que interno?

Porque minha família estava no interior construindo estrada e minha mãe era professora. Éramos cinco e todos passaram pela experiência do internato. Aí, depois como a perspectiva era sempre voltar para Salvador, voltei para lá, fiz exame de admissão para o colégio militar, estudei sete anos no colégio militar. Fiz curso de formação de reservista e fui para o colégio central público para fazer política estudar para arquitetura. Em 67, estava no movimento estudantil, quando houve as grandes movimentações estudantis secundaristas na Bahia. Eram manifestações de manhã, de tarde e de noite, e eu acabei virando líder estudantil. Em 68, ao invés de eu ir fazer vestibular eu fui para a escola técnica, liderei uma greve, abri o grêmio, e no dia do Ato 5 eu fui eleito presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

O senhor fazia política estudantil já no movimento secundarista?

Sim, em 68 eu tinha 18 anos.

E qual a sua formação superior?

No dia do Ato 5, além de eu ser eleito presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, eu fui expulso da escola técnica. Aí eu fiz vestibular e passei para História, estudei dois anos, na Universidade Federal da Bahia. E aí eu já estava organizado na resistência clandestina.

O senhor participava de qual organização?

No final de 67 eu entrei para o Partido Comunista, em 68 eu saí com a Dissidência da Bahia e depois juntamos com o Rio de Janeiro e virou o MR-8.

O senhor participou da luta armada ou ficou só na resistência?

Eu participei depois. Fui preso, fiquei três meses e meio preso, fui solto e eles queriam  me pegar de novo. Fui para o Rio, onde já estava mais barra pesada, com aqueles  cartazes todos de ‘procura-se’ e depois em 71 eu fui para o exílio.

O senhor foi torturado?

A rigor fui torturado, mas diante das torturas não fui. Tomei uns ‘cachações’, fiquei dois dias sem comer, soltaram um cachorro na minha cela….

Foi para o pau de arara?

Não, eles estavam atrás de uma outra turma. Além do mais, o cara que comandava a tortura na Bahia tinha sido professor no colégio militar, e acho que isso ajudou a livrar a barra. Ele não era o torturador, era o que dirigia a repressão. A primeira ação política que eu fiz foi em 64, quando queimaram uma porção de livros. E aí a gente criou um grupo de leitura e íamos repondo os livros na biblioteca. No grupo de leitura tinha o filho do comandante do maior quartel do nordeste. Eu li Caio Prado, Nelson Werneck Sodré. Minha família era de esquerda, meus irmãos também, os mais velhos.

E a vida no exílio foi a partir de 71?

Eu fui para o Chile, pois comecei a defender a saída da luta armada porque estava fadada ao fracasso, ao isolamento. Já tinha morrido muita gente e sentíamos o cerco. Acabei secretário político do MR-8 e organizando a saída das pessoas. Eu ficando por último, mas fomos tirando todo mundo que estava em cartaz. Chegou minha vez de sair. Peguei o golpe de Pinochet. Morei um ano no Chile.

Como foi enfrentar um golpe de Estado no estrangeiro?

A insegurança era imensa, não só por ser exilado, mas no meu bairro a polícia matou muito jovem da juventude comunista, socialista, e eu fui salvo pelo vizinho. Nós morávamos numa ‘poblacion’, uma favela de lá, e éramos cinco, dois casais e um solteiro. Nossa casa era visitada por todos os meninos da favela, mas quando houve o golpe, a mãe de um deles disse ‘vocês tem que sair daqui’. Aí encontramos o escritório das Nações Unidas. Fomos parar no primeiro refúgio das Nações Unidas. Não tinha bandeira das Nações Unidas lá e de vez em quando o Pinochet entrava lá. Um dia a mulher mais bonita do refúgio, uma peruana, me disse “não sou peruana, sou cubana e Pinochet já sabe que eu estou aqui’. Ela disse que sabia quem eu era, sabia tudo. Aí eu liguei para o inglês que falou com o embaixador da Suécia, que estava cuidando dos negócios cubanos, um nobre socialista. Ele pegou a cubana e perguntou se ela queria ir para a Suécia, e aí fizemos um grupo de pessoas que foi todo para a Suécia.

Seu exílio todo foi na Suécia?

Sete anos na Suécia e quando eu vi que ia sair a anistia, fui para a França terminar meu curso universitário. Na Suécia eu estudei português, eu ia ser professor de português e cultura brasileira na Suécia. Na França, terminei meu curso num departamento da Sorbonne onde Fernando Henrique era professor, Bresser Pereira, Alain Touraine.

Da luta armada, da resistência à ditadura militar ao ministério da Cultura, como foi essa trajetória?

Na Suécia eu fui trabalhador braçal, auxiliar de cozinha de um hospital, pelava as batatas, lavava os pratos. Depois eu fui auxiliar de trânsito, estivador, baby sitter, depois eu trabalhei no maior jornal da Suécia.

Como jornalista?

Não, como faxineiro. Tomei curso de passar sinteco e foi legal para mim porque aqui no Brasil a classe média só quer saber do pescoço para cima, e lá eu fui trabalhador braçal, só queriam saber do pescoço para baixo. Foi quando eu tive a oportunidade de juntar as duas coisas. Foi positivo para mim. Eu vivi lá, estava havendo uma mudança cultural grande, os punks aparecendo.

Na Suécia o senhor tinha contato com o Gabeira?

Tinha sim, eu já tinha antes da clandestinidade, a gente se encontrou no Chile e na  Suécia. Ele é meu amigo. Hoje a gente está pensando um pouco diferente nesse momento, mas é uma pessoa que eu gosto, que eu convivi muito, é uma pessoa inteligente. Outro dia ele disse que a minha divergência com o PV era para manter o ‘empreguinho’, e eu achei deselegante da parte dele. As paixões políticas passam por essas coisas…

O senhor suspendeu a sua filiação ao PV?

Sim, por um ano. Eu acho que o PV está ficando careta, abandonando o seu programa.  Ele surgiu no Brasil com uma coragem imensa de colocar questões comportamentais na política, defendendo com muita ousadia uma política de drogas para a redução de danos, defendendo os direitos dos homossexuais. E agora está todo mundo meio aderindo a um comportamento tradicional de se apresentar como ursinho de pelúcia da política  brasileira, todos fofinhos, sem arestas, sem levantar nenhuma questão polêmica. Estão caretas, com uma escoliose para a direita, só querem alianças com o DEM. No Rio, o Gabeira está fazendo altos elogios e só quer aliança com o DEM, César Maia. Em São Paulo, há muito tempo tem alianças com DEM e PSDB e assim já em muitos Estados convivendo com o fisiologismo tradicional da política brasileira.

Como o ministério está atuando na sua gestão para preservar a cultura brasileira?

A cultura brasileira não precisa de uma política de preservação nesse sentido. Claro que há uma política de patrimômio, que é uma política de preservação em última instância, mas a estratégia é de desenvolvimento cultural. Eu penso mais em expansão e desenvolvimento do que proteção. A nossa cultura é de boa cepa e tem condições de se desenvolver nesse ambiente de contato e signos e conteúdos vindos de outros países. Acredito que se criarmos igualdade de condições a cultura brasileira se desenvolve.

Como o senhor define a TV brasileira hoje?

A gente incorporou a TV como parte da política cultural. Não só a TV pública como a  TV privada também. A convergência digital, dos diversos suportes e mídias tem permitido que a gente pense para além da produção do cinema, que a gente pense a produção do audiovisual. Esses conteúdos migram de uma tela para outra, então é do nosso interesse, é talvez o meio mais popular, um dos mais importantes. Mas a qualidade da televisão brasileira é muito baixa. A nossa tradição é mais da TV de entretenimento, e não satisfaz as necessidades da população. Então é preciso contribuir para a elevação do padrão, seja através da TV pública seja através de estimular que as TVs privadas avancem sua programação, sua grade para coisas mais qualificadas.

Além do entretenimento, que o senhor ressalta, a gente observa o emburrecimento, o Big Brother é um programa que…

É, mas o mundo inteiro gosta. A humanidade tem vínculos com esse tipo de produção. É um voyeurismo. A banalidade exerce um fascínio enorme sobre as pessoas.

O senhor acha que é uma coisa a ficar, ou dá para reverter e entregar para a população um produto de qualidade?

É, mas eu sou a favor da liberdade de escolha por parte da população. Quem quer ver Big Brother que veja. Eu sou uma pessoa que gosta do meio televisão. Às vezes eu assisto coisas absolutamente banais, mas assisto me distanciando, como acredito que a maioria das pessoas faz. Ali é um pretexto para uma série de observações. Eu gosto desses programas de auditório. Se você me perguntar, eu diria que o padrão é baixo, mas tem alguma coisa que me interessa ali. Desde Chacrinha eu gostava.

O senhor assiste Silvio Santos, Faustão?

Eu zapeio muito, mas assisto, sim. Vejo Ratinho, tenho curiosidade. Acho a TV um meio incrível.

Mas o senhor não acha que são programas de baixa qualidade de conteúdo, que contribuem para um conservadorismo, como o caso do programa do Ratinho, que achincalhava as pessoas?

Achicalhando as pessoas, usando as aberrações.. É verdade isso. Mas os circos medievais faziam isso. A humanidade tem uma atração.

O senhor considera que a produção regional ainda está muito aquém do que poderia ser? O eixo Rio São Paulo concentra o maior número de emissoras A regionalização do conteúdo da comunicação não é uma saída?

Nenhum país democrático do mundo permite que os radiodifusores transmitam em cadeia nacional o tempo todo. A Suécia é um pouco maior do que Sergipe, tem três regiões culturais, e na época que eu morava lá se não me engano só podia transmitir em rede nacional 25% do total do tempo. O resto tinha que regionalizar para dar emprego, para permitir que a cultura nacional aparecesse. Isso num país de dimensões continentais como o Brasil é um absurdo funcionar o tempo inteiro em rede nacional. Nos Estados Unidos também tem limites, na Europa toda, aqui é que o regime militar achava que tinha que uniformizar culturalmente. Havia uma desconfiança com a diversidade cultural brasileira, que ela pudesse produzir uma dispersão, uma fragmentação do país, por isso que ela incentivou essa homogeneização.

E o que se pode fazer para conseguir avançar nesse sentido, se produzir mais regionalmente?

Acho que a regulação tem que avançar. O PL 29 que está tramitando vai regulamentar a TV a cabo, vai obrigar o percentual de produção brasileira, vai obrigar a produção independente. O Minc tem entrado aos poucos, mas cada vez mais como um fator de estímulo à melhoria tanto na regulamentação, como na área de estímulo à produção.

Tem um outro problema que é o conteúdo que vem de fora. Mesmo nas TVs a cabo, acontece um bombardeamento de programas e filmes que vem de fora. Como fazer para reverter essa situação?

Tem que ter percentuais mínimos para conteúdos brasileiros. Isso eu defendo, é necessário. O cinema brasileiro é quase estrangeiro nas salas de exibição e isso tem que mudar, tem que avançar. A gente faz o filme para quem vê, e se nas salas de exibição brasileira o cinema americano é soberano e na televisão também. A gente tem que ter um pouco de soberania no audiovisual brasileiro.

Como daria para fazer incentivo ao cinema nacional?

Uma parte a gente já tratou, que é abrir as salas de exibição para o conteúdo nacional. Temos que ter percentuais garantidos, de que quando um filme brasileiro esteja com um nível de público acima da média, o exibidor não tire para passar um filme estrangeiro, que muitas vezes tem um público menor do que aquele filme. Volta e meia acontece isso. O filme do Daniel Filho “Se eu fosse você” saiu antes de realizar sua missão comercial. O “Besouro” também estava acima da média de público quando foi tirado. Isso é um crime contra o cinema brasileiro. Os filmes que substituem essas produções brasileiras compram pacotes, é dumping, é proibido pela legislação brasileira.

A gente percebe que tem muito enlatado de péssima qualidade que vem para cá e fica aí…

Se fosse de péssima qualidade mas alta aceitação de público é um fato. Mas se é de péssima qualidade, baixo público e menor que o público brasileiro. Isso é o máximo do escândalo.

Mas o senhor não considera por exemplo, que tem uma aceitação do público porque é aquilo que é oferecido. Se você começa a oferecer um filme de qualidade nacional essa aceitação vem naturalmente?

Historicamente, o público do cinema brasileiro são as classes C, D e E. Com esse encolhimento dessa rede de exibição, o cinema brasileiro ficou sem seu público. Nas salas de shopping center que tem como seu público principal a classe média, a disputa é braba porque há um deslumbramento pelo cinema americano. Há toda uma indústria por detrás que promove esses filmes. Então, pelo nosso lado temos que aumentar o interesse aumentando a qualidade do cinema brasileiro, fazendo filmes que conquistem o público. Tem um problema de produção também. A gente saiu de pouco mais de 20 filmes ao ano, quando entramos no ministério, e estamos com quase cem filmes ano. Mas muitos desses filmes nem contribuem para o desenvolvimento da linguagem e nem para o aumento de público, que seriam os dois grandes critérios. O que o Ministério da Cultura pode fazer? Aumentar o padrão dos roteiristas, desenvolver linguagens cativantes e atraentes para um número cada vez maior de público. O papel do ministério é estimular isso, criar critérios na disponibilização dos recursos que levem à melhoria do padrão da  linguagem e para a conquista de parcelas do público.

E a Embrafilme não seria uma saída para isso?

A gente está disponibilizando mais dinheiro que a Embrafilme. É mais complexo do que  a Embrafilme. Precisamos recuperar o cinema popular no Brasil. Está começando aí. Tem vários filmes que tem bombado. Temos que aumentar a cota de filmes que tem capacidade de bombar e por outro lado financiar os filmes que mesmo com pouco público contribuam para o desenvolvimento da linguagem cinematográfica. Existe o problema da distribuição. Precisamos estimular a distribuição brasileira para que possa atuar também no exterior. O ministério tem investido nisso, em apoiar a venda do cinema brasileiro e dos conteúdos audiovisuais brasileiros no exterior. É um processo mais global. Uma distribuidora estatal poderia contribuir assim como o crescimento das distribuidoras privadas. Eu não me fixaria como única alternativa uma distribuidora pública.

Quanto que o ministério investe de recursos em cinema nacional?

Eu não lembro, mas é mais do que da época da Embrafilme. Quando chegamos ao ministério, os recursos orçamentários eram em média 280 e poucos milhões, correspondiam a 0,2 do total do orçamento do governo federal. Passamos esse ano de 2010 de 1% que é o mínimo recomendado pelas Nações Unidas, que corresponde a 2,5 bilhões. Além disso, quando chegamos, a renúncia fiscal era menos de 300 milhões, e agora está em 1 bilhão e meio. E estamos avançando nas regras de disponibilização de recursos. Criamos o fundo setorial do audiovisual, estamos lançando linhas de financiamento junto com o BNDES para financiar a ampliação das salas de exibição, estamos lançando o Vale Cultura, que vai injetar 7 bilhões da economia da cultura. São várias ações convergindo no Estado apoiar e incentivar o crescimento da arte e da cultura no país.

Como funciona o Vale Cultura?

É muito parecido com o Vale Refeição, mas um é para alimentar o estômago e outro para alimentar o espírito. É um cartão magnético que é disponibilizado para o trabalhador com um valor nominal de 50 reais para ele comprar livro, comprar CD, assistir espetáculo de dança, de música, para consumo cultural. Percebemos que não adiantava estimular a produção se o índice de acesso é muito pequeno. O Vale Cultura vai produzir efeitos colaterais muito positivos. Como o controle do uso vai ser muito grande. Vai estimular o consumo do CD legal. Vai estimular abertura de negócios culturais perto de onde os trabalhadores moram. É uma novidade que está sendo estudada até por outros países. Vai incluir 14 milhões de pessoas no consumo cultural.

Em que pé estão as discussões em torno da Lei Rouanet?

Eu rodei o Brasil defendendo a mudança da Lei Rouanet. As estatísticas provam que a lei esgotou o que podia dar de positivo e houve muitas distorções. 80% do dinheiro da lei vai para os Estados de Rio e São Paulo e 60% do dinheiro fica em duas cidades,

Rio e São Paulo. 3% dos proponentes ficam com mais da metade desse dinheiro. São sempre os mesmos. Tem estados que não recebem nem 0,0%, então a gente vai democratizar o acesso, disponibilizar o benefício da renúncia fiscal para todas as áreas da cultura, demandar de que os empresários entendam que essa é uma parceria público privada e que não pode ser 100% de renúncias. Se fosse assim, não precisaria de empresas. Nesses 19 anos de Lei Rouanet, foi só 5% de dinheiro privado, então a gente está exigindo um mínimo de 20% de dinheiro privado.

A crítica dos opositores da Lei é de que haverá muita centralização, como o senhor vê isso?

Isso é uma bobagem. Hoje, o ministério avalia as propostas, emite um parecer favorável ou contrário demandando o aperfeiçoamento, vai para a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, que é bipartite. Eles sacralizam ou não o parecer. E vai continuar a mesma coisa. E mais, a gente vai fortalecer o Fundo Nacional de Cultura, Fundo  Setorial da Música, da Dança, do Patrimônio.

Os recursos vão todos para esses fundos?

80% vão para os Fundos. Hoje 80% vai para renúncia sem critério o que dificulta muito o desenvolvimento cultural e reduz muito o papel do Estado no apoio à produção cultural brasileira. Permite essas distorções de concentração. Os ingleses estão visitando o Brasil são responsáveis pela política cultural do Reino Unido, disseram que Lei Rouanet jamais poderia acontecer na Inglaterra.

Por que?

Porque segundo eles, e eu concordo, cada centavo que é renunciado, é um centavo a menos a ser disponibilizado para a produção cultural. A visão deles é que mecenato é quando mecenas coloca a mão no próprio bolso para fazer uma benesse cultural. Não é meter a mão no bolso do Estado. O Estado tem a sua responsabilidade muitas vezes de estimular, financiar uma atividade que não é lucrativa e portanto não é atraente para a iniciativa privada. Nem retorno de imagem dá.

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo

Cultura em rede: o trabalho colaborativo do Coletivo Digital

O Coletivo Digital atua como Pontão de Cultura desde fevereiro de 2009. Saiba mais sobre o seu trabalho

Engajados na luta pela democratização da tecnologia e pela disseminação e desenvolvimento do software livre, Coletivo Digital atua como Pontão de Cultura desde fevereiro de 2009. A organização, que existe desde o fim de 2004, é fruto da experiência adquirida no projeto Telecentros da Prefeitura de São Paulo, no qual alguns membros do Coletivo tomaram à frente de 2001 a 2004.

O Pontão de Cultura é um articulador dos demais Pontos em relação à área em que atua. Dentro desse projeto, o Coletivo dá apoio tecnológico aos Pontos de Cultura, possibilitando-os a criação e o desenvolvimento de produtos digitais a partir de ferramentas livres: audiovisual, manipulação de imagens e uso de sistema operacional livre.

Para capacitar a população e possibilitar o acesso comunitário à internet, o Coletivo promove cursos gratuitos de capacitação em softwares digitais, línguas, música e outros. Raul Luiz, diretor administrativo do Pontão, explica que a ideia é incorporar as questões de inclusão digital nas discussões dos cursos. “Nós queremos levar às pessoas cursos de boa qualidade e compartilhar o que sabemos para trabalhar de forma colaborativa.”

No ano passado, foram oferecidas um total de 234 vagas de diferentes cursos, mas nem todas as vagas foram preenchidas. Para Raul, o maior desafio do Pontão é conseguir quórum para os cursos. “Como os cursos são gratuitos a vazão é muito grande. Daí a dificuldade em formar novos multiplicadores.”

O diretor administrativo ressalta a importância desses cursos para democratizar o acesso à tecnologia e promover a inclusão digital. “Nosso objetivo é ir além do que já se foi hoje, porque agora o jovem já tem acesso ao computador, sabe usar as ferramentas de comunicação, mas sente a necessidade de produzir seu conteúdo.”

Segundo ele, cada curso tem sua dinâmica própria. No curso de manipulação de imagens, o aluno produz individualmente, cabendo ao monitor explicar as ferramentas em grupo. Já nos cursos de áudio e vídeo, a produção é feita coletivamente, considerando a edição de cada um.

Na opinião do diretor, o convênio com o Ministério da Cultura foi fundamental para cumprir o projeto do Coletivo. “Nós apresentamos a nossa proposta e ela se encaixou perfeitamente no programa. Um dos nossos projetos só foi possível viabilizar com a parceria do MinC via Pontos de Cultura”, acrescenta.

O projeto a que se refere é a tradução de dois manuais de softwares de áudio. Uma delas, parceria com o MinC e da comunidade de software livre Estúdio Livre, foi a tradução manual do Ardour. A outra foi do programa de edição de música Rosegarden, de código aberto para o sistema operacional Linux. Os dois manuais estão disponíveis no site do Coletivo: http://www.coletivodigital.org.br/manuais.

Para Raul Luiz, a troca de experiências entre os Pontos de Cultura ligados ao Pontão Coletivo Digital é extremamente rica, e possibilita tornar mais plural o trabalho de todos. Dessa forma, o ideal de aprofundar a democracia se cumpre. O acesso ao conhecimento livre e a inclusão digital podem ser garantido a todos.

Conheça o trabalho do Coletivo Digital no seguinte endereço: http://www.coletivodigital.org.br

(Jaqueline Ogliari – RRSP/MinC)

Teaser do filme JOGATINA

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