Imprensa e democracia

Artigo de Murillo de Aragão, na editoria Opinião, Brasil Econômico, em 12/05/2010

Quando a sociedade acorda de seu mutismo político, algo de importante acontece. De certa forma, foi assim com a CPMF. Sem a mobilização de setores organizados, a contribuição teria sido prorrogada. No caso do reajuste dos aposentados, a mesma coisa. Sem mobilização, o reajuste seria aquele proposto pelo governo (6,14%), e não o que foi aprovado pela Câmara (7,72%). Outro exemplo é o projeto Ficha Limpa. Desde o início, o projeto traz a marca da mobilização da sociedade. Foi apresentado com o apoio de mais de um milhão de assinaturas. O texto original foi proposto pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e recebeu apoio de entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Evidente que a derrota da CPMF deve ser creditada a vários fatores. Entre eles, a divisão da base aliada e o não cumprimento de promessas de apoio feitas ao governo. Uma pilotagem mais segura teria impedido a derrota por poucos votos. Eram necessários 49 votos no Senado, e a proposta de emenda constitucional teve 45. No caso do reajuste dos aposentados, além da mobilização, o fator eleitoral contribuiu para fragilizar a adesão da base governista e inflamar os ânimos da oposição. No caso do Ficha Limpa, o que ajudou também foi o sentimento de culpa de muitos com a imagem do mundo político.

Alguém poderia argumentar que a mobilização não teria sido o fator decisivo para o resultado. Não é verdade. Sem ela, a política fica isolada da sociedade e vira diálogo exclusivo entre players políticos, cujos interesses podem não ser os da sociedade. O mesmo vale para a imprensa. Sem uma imprensa livre, a democracia não se realiza. Assim, é mais do que oportuna a promoção de encontros e debates, como os ocorridos no Rio e em Brasília na semana passada por conta do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Em especial, em um continente onde a liberdade é bem escasso.

De acordo com relatório da organização Repórteres Sem Fronteira, na América Latina as quatro maiores fontes de ameaça e violência contra jornalistas continuam sendo os traficantes de drogas, a ditadura em Cuba, as Farc e grupos paramilitares. No Brasil, graças a Deus, não temos tais ameaças. No entanto, temos outras: o precário índice de leitura; as tiragens raquíticas frente ao tamanho da população e, ainda, o domínio que a publicidade do governo exerce sobre muitos setores da mídia. Além da precariedade do ensino e da falta de poder aquisitivo, faltam bibliotecas. O Ministério da Cultura divulgou em abril um censo sobre as bibliotecas públicas municipais em todo o Brasil. O estudo foi realizado em 2009 pela FGV, e constatou que 21% dos municípios não têm o serviço. A pesquisa revela ainda que 71% das bibliotecas municipais do país não disponibilizam acesso à internet.

A qualidade do futuro da política no Brasil reside nos dois aspectos mencionados aqui: a mobilização da sociedade e o pleno exercício da liberdade de expressão. Temas que devem ser objeto de nossa reflexão e ação diárias. A começar pela educação e pelo acesso à informação escrita, fator fundamental para o sucesso do Brasil.

*Murillo de Aragão, Cientista político, advogado, doutor em sociologia pela UnB e presidente da Arko Advice Pesquisas

Reproduzido conforme o original, com informações e opiniões de responsabilidade do veículo.

Como salvar o mundo sem fazer força

Para defender o meio ambiente, você não precisa se amarrar a uma árvore! Sugerimos ações para você ser amigo do planeta quase sem sair da cadeira

Bruno Favoretto e Nicole Jackson
Revista Men’s Health – 03/2008

Para preservar os recursos naturais do planeta e ainda ir à happy hour com a galera, basta uma poltrona, a internet e esta revista. Pequenos passos conduzem a grandes resultados (não cansamos de frisar isso na MH) e em nenhuma área isso é tão verdadeiro quanto na ambiental. Mudanças mínimas parecem insignificantes, mas multiplique-as por milhões de pessoas e avalie. A seguir, você tem o melhor guia de sustentabilidade feito para ecologistas de sofá.

A.
Gaste menos energia (principalmente a sua) – O que fazer? Invista em tralhas amigas do planeta

1. Troque a lâmpada.
Convidou a namorada para um jantarzinho íntimo? Prefira luz de velas. Mas, como não dá para viver como os Flintstones o tempo todo, compre lâmpadas certificadas pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (selo Procel), que oferecem boa iluminação com baixo consumo. Só para comparar, a Compacta Flúor da FLC, com apenas 9 watts, ilumina tanto quanto uma lâmpada sem selo de 40 watts. “Elas também reduzem o consumo de energia em até 80%”, acrescenta Miriam Duailibi, coordenadora do Instituto Ecoar, ONG paulistana que realiza projetos de educação ambiental pelo país afora.

2. Feche a torneira.
Como diz a canção Hágua, de Seu Jorge, “água doce, bebível, potável está acabando”. Além do desperdício, apenas 0,3% da água do planeta é doce. “Para economizar, instale no bico das torneiras um arejador de vazão constante, à venda nas lojas de material de construção. Ele reduz o consumo de 15 para 6 litros por minuto”, explica o engenheiro Carlos Lemos da Costa, consultor especialista em uso racional de água, de São Paulo.

2. Mude de privada.
O vaso sanitário do seu banheiro foi instalado antes de 2003? Então é hora de substituí-lo por um que tenha a inscrição 6 LPF (6 litros por função) e consuma apenas esse volume de água na descarga. Para gastar menos, coloque a válvula Duoflux, da Deca, que usa só metade (3 litros) se o objetivo é mandar embora apenas urina. “Bacias instaladas antes daquele ano chegam a gastar 15 litros por operação. A troca gera uma economia de 80%”, aponta Lemos da Costa. Assim você evita que seus netos vivam na seca, pois a água da descarga é tão pura e potável quanto a da torneira.

B. Vá para o tanque – O que fazer? Dê uma geral na área de serviço

1. Compre sabão ecológico.
Em Santo André (SP), o Instituto Triângulo é uma ONG que fabrica e vende sabão biodegradável produzido com óleo de cozinha reciclado (2,50 reais o quilo). “Ele evita a poluição provocada pelo óleo jogado na pia”, frisa Paulo Correia, diretor da organização. Em outras palavras, a química diabólica não vai transformar os filhos dos seus filhos em mutantes com três olhos.

2. Evite a secadora de roupas.
Como ela gasta muita energia, as usinas têm que detonar CO2 no ar para alimentá-la. Um levantamento da Organização de Renovação Ambiental, em São José dos Campos (SP), diz que trocar a secadora pelo varal durante meio ano pode reduzir até 317 quilos em emissões de CO2. Pendure a roupa e espie as calcinhas no varal de sua vizinha – desde que ela não seja a Dercy Gonçalves.

C. Emita menos gases – O que fazer? Maneire no repolho e não tenha uma vaca

Suas bufas contêm gás metano (CH4), 23 vezes pior para o efeito estufa que o dióxido de carbono (CO2). É científico! Mas não precisa segurar: seu bombardeio emite, em média, 700 mililitros de gases por dia e só 26 são metano. Uma quantidade irrisória para ferrar o meio ambiente, em comparação às vacas, que soltam 250 ml por peido. Especialistas crêem que o gado é o terceiro maior poluente do planeta.

D. Não vá ao banco – O que fazer? Pague as contas pelo computador

Use o banco online. Indo ao caixa eletrônico para pagar suas contas, você sai de casa, gasta combustível, perde tempo e paciência. Quite tudo pela internet. E não imprima o comprovante de pagamento da fatura do cartão (ele fica disponível online). Assim você contribui para diminuir a derrubada de florestas – só nos EUA os impressos bancários causam a morte de 16 milhões de árvores por ano. E gastam energia suficiente para abastecer durante um ano uma cidade do porte de Campinas (SP).

E. Desacelere e adote os 3 erres: reduzir, reutilizar, reciclar – O que fazer? Produza menos sujeira, leve sacolas ao supermercado e dê um bom fim aos celulares velhos

1. Reduzir.
Significa produzir menos lixo. Só em São Paulo são geradas todo dia 15 mil toneladas – 9 mil vêm das residências, segundo a prefeitura. É muita porcaria! Reduza o lixo, por exemplo, comprando frutas, verduras e legumes avulsos, em vez daqueles embalados em bandejas plásticas e filme transparente. Seu filho gosta das maçãs da Turma da Mônica, mas seja firme: é para o bem dos filhos dele.

2. Reutilizar.
Quarenta por cento das embalagens jogadas no lixo em São Paulo são de plástico, que demora dezenas de anos para se decompor. Ao levar uma mochila ou uma sacola ao supermercado para transportar as compras do churrascão de domingo, você evita a proliferação das sacolas plásticas, que provavelmente vão acabar entupindo um bueiro na próxima enchente ou asfixiando uma tartaruga marinha.

3. Reciclar.
Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), os níveis de gases causadores do efeito estufa podem triplicar até 2100. Um dos mais danosos é o níquel-cádmio das baterias de celular. Para dar um fim nelas, procure uma autorizada da Sony Ericsson, eleita pelo Greenpeace campeã mundial em descarte sustentável de baterias. Numa dessas você ainda vende aquela velharia sem Bluetooth que está na gaveta das cuecas. Se não vender, fique com a consciência limpa que a bateria será sepultada como merece.

F. Tome menos banho – O que fazer? Pegue uma ducha com sua namorada

1. Entre e saia do chuveiro.
Melhor ainda, ponha alguém lá dentro com você. E só abra a torneira quando necessário. O engenheiro Lemos da Costa afirma que quatro minutos é o período de banho ideal para evitar o apagão de energia elétrica e economizar nas contas de água e luz. O resto do tempo é para ensaboar (com o chuveiro desligado) e… você sabe.

2. Lave menos louça.
O ato usa 63 litros de água – e até absurdos 150 litros, com a torneira aberta -, enquanto uma lava-louças gasta 15 litros por ciclo. Preguiçoso como é, você já tem uma dessas, não?

G. Cole no seu camarada motorizado – O que fazer? Economize combustível e viaje pelo Brasil

1. Vá de carona.
A cada quilômetro rodado, um carro a gasolina despeja 27,7 gramas de CO2 no ar. Vai demorar até que todos adotem a bicicleta e pedalem rumo a um mundo mais verde (embora seja uma boa idéia para se livrar da barriga), mas há maneiras de reduzir o uso do carro. Organize um rodízio com os colegas. Você já tem que agüentá-los o dia inteiro, mas é para o bem dos pingüins da Patagônia.

2. Fique por aqui mesmo.
As viagens aéreas têm efeitos nefastos sobre as mudanças climáticas. Segundo o site inglês CO² Balance, um vôo de ida e volta entre Rio de Janeiro e Londres joga 2,04 toneladas de CO2 na atmosfera. Então pense em tirar férias no Brasil. Você não vai admirar as relíquias do British Museum, mas também não terá que ver a bunda branca das britânicas!

Câmara aprova PL que reenquadra produtoras no Simples

Sexta-feira, 09 de Outubro de 2009, 16h29
Foi aprovado na Câmara dos Deputados na quarta-feira, dia 7, o Projeto de Lei nº 468/09. Trata-se do PL que altera a tributação dos produtores culturais, reenquadrando-os no Supersimples. As beneficiadas são as empresas de produção artística e cultural e as produtoras cinematográficas e audiovisuais. O PL segue agora para a apreciação do Senado Federal. Se aprovado, a tributação destas empresas cai de 17,5% para índices que variam de 4,5% a 16,8%.

Vale lembrar, as produtoras se beneficiavam do Simples Nacional, recolhendo 7% de impostos, desde 2007. Contudo, foram retiradas do Simples pela Lei Complementar 128, de 19 de dezembro de 2008.

Da Redação Revista Tela Viva

Governo e cineastas se unem contra a pirataria no setor do audiovisual nacional

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Ministério da Justiça quer coibir a prática da pirataria no setor do audiovisual brasileiro e para isso promete colocar em ação, a partir do fim de outubro, várias iniciativas envolvendo o governo federal e a classe cinematográfica. Com esse objetivo, o presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNPC), Luiz  Paulo Barreto, reuniu-se hoje (28) com cineastas e produtores na sede da Agência Nacional de Cinema (Ancine), no Rio de Janeiro.

“O cinema nacional está em forte evolução nesse momento. Vários filmes estão sendo lançados. E a gente tem a preocupação de que a pirataria acabe por prejudicar esses filmes”, afirmou Barreto.

O trabalho envolverá a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Receita Federal, além de toda a indústria do cinema que será mobilizada. “Tanto os produtores como os distribuidores e exibidores, para tentarmos fazer uma contenção da pirataria, principalmente de filmes nacionais.”

Serão feitas ainda campanhas de sensibilização e educação sobre o tema pirataria para apopulação. As polícias estaduais também deverão ser recrutadas para participar de grandes operações de apreensão em feiras e camelôs em todo o Brasil.

A ideia é que medidas preventivas à pirataria já sejam tomadas desde o estúdio  onde o filme está sendo produzido. ” [As medidas devem começar] com o controle do acesso das cópias, começam também com o controle na hora de fazer a produção final, para que não vaze dentro da própria indústria, como  aconteceu com o [filmeTropa de Elite, que vazou dentro da linha de produção”, disse o presidente do CNCP.

Será feito também um trabalho com as salas de cinema. O objetivo é fazer com que a segurança seja mais rigorosa para impedir a entrada de câmeras de vídeo nas sessões. Luiz Paulo Barreto assegurou que boa parte das falsificações de filmes nacionais é feita dessa forma.

“A gente desconfia que algumas pessoas que fazem a exibição dos filmes podem estar facilitando que outras entrem fora do horário da sessão somente para gravar e depois jogar na pirataria. Essa é uma maneira também de pirataria que nós temos que conter.”

A produtora cinematográfica Paula Barreto, filha do cineasta Luís Carlos Barreto, elogiou a proposta de combate às falsificações no setor do audiovisual. “Está mais do que na hora de se fazer esse esforço conjunto, com comprometimento de todos os atores desse mercado, tanto do ministério, como a Polícia Federal e a Receita Federal, a Polícia Rodoviária, os exibidores, produtores, distribuidores. Se a gente não se unir em torno dessa questão, não vamos resolver.”

Ela acredita que, agora, com o envolvimento de todos, serão estabelecidos critérios e ações conjuntas para diminuir a pirataria. Segundo ela, os filmes nacionais vendiam anteriormente entre 400 mil a 500 mil DVDs. Hoje, não chegam a vender 25 mil cópias.

A produtora acrescentou que o mercado de falsificações gera perdas na arrecadação de impostos para o governo que chegam a R$ 30 bilhões. “São 2 milhões de empregos que se perdem para a pirataria”, disse a produtora. Ela está apostando, contudo, na eficácia das novas medidas para coibir esse crime. “Vamos estabelecer as ações e botar pra quebrar.”

Na próxima semana, o grupo técnico, formado por representantes do CNCP e da Ancine, voltará a se reunir, em Brasília, com produtores, exibidores e distribuidores de filmes para definir o plano de ação. “Vamos ver se com essas medidas, a gente consegue reduzir e até evitar a pirataria de filmes nacionais”, disse Luiz Paulo Barreto.

Edição: Lílian Beraldo


Trabalho Decente e Juventude no Brasil

Estudo inédito da OIT mostra dificuldades dos jovens entre 15 e 24 anos no mercado de trabalho

BRASÍLIA (Notícias da OIT) – Uma parte significativa da juventude brasileira apresenta grandes dificuldades de conseguir uma inserção de boa qualidade no mercado de trabalho. Frequentemente esta inserção é marcada pela precariedade, o que torna difícil a construção de trajetórias de trabalho decente. Elevadas taxas de desemprego e de informalidade e os baixos níveis de rendimento e de proteção social evidenciam essa dificuldade. Em termos relativos, os jovens brasileiros apresentam taxas de desocupação e informalidade superiores à média e níveis de rendimentos inferiores.

Estas são algumas das principais conclusões do relatório “Trabalho Decente e Juventude no Brasil” que está sendo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e elaborado no contexto do Projeto de Promoção do Emprego de Jovens na América Latina (PREJAL/OIT). De acordo com o relatório, 67,5% dos jovens entre 15 e 24 anos estavam desempregados ou na informalidade em 2006.

Os dados – que têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 1992-2006 – apontam que o déficit era maior entre as mulheres jovens (70,1%) do que entre os homens jovens (65,6%). O índice também era mais acentuado entre jovens negros (74,7%) do que para jovens brancos (59,6%).

As jovens mulheres negras, portanto, viviam o que a OIT considera “situação de dupla discriminação” – de gênero e de raça. O desemprego e a informalidade alcançavam 77,9% das pessoas que pertenciam ao grupo.

Para a diretora do Escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo, os números podem se agravar ainda mais diante da crise financeira e econômica. Ela lembrou que o Brasil vive, atualmente, um processo de geração de empregos formais, mas em ritmo muito inferior ao que vinha sendo registrado nos últimos anos.

Segundo ela, os avanços na agenda de emprego para a juventude foram importantes, mas as desigualdades regionais, de gênero e de raça permanecem. Laís acredita que o desafio consiste não apenas em elevar os graus de escolaridade no país ,mas em melhorar a qualidade da educação.

A pesquisa indica que 7% dos jovens brancos tinham baixa escolaridade e que o número mais do que dobrava (16%) quando o recorte era para jovens negros. Em relação à jornada de trabalho praticada pelos 22 milhões de jovens economicamente ativos, 30% trabalhavam mais de 20 horas semanais, o que, em muitos casos, prejudicava o desempenho escolar.
“Há uma espécie de círculo vicioso: o jovem não entra no mercado porque não tem experiência, mas para ter experiência ele precisa estar dentro do mercado. Medidas de aprendizagem, por exemplo, são importantes para romper essa barreira de entrada”, avaliou Laís Abramo.

Para marcar a divulgação do relatório, a OIT, em conjunto com a Secretaria Nacional de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência da República e o Ministério do Trabalho e Emprego, está realizando a Oficina Técnica sobre Trabalho Decente para a Juventude, nos dias 01 e 02 de julho. O objetivo da Oficina é iniciar uma reflexão sobre a Agenda de Trabalho Decente para a Juventude. O coordenador do Projeto Regional de Promoção de Emprego de Jovens na América Latina (PREJAL), Javier Marquez, fez um apresentação sobre o tema. No Brasil, cerca de 1.000 jovens já foram beneficiados por programas desenvolvidos por diversas empresas que atuam no País.

A edição do Decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 4 de junho de 2009, que dispõe sobre a criação de um Comitê Executivo Interministerial para a construção do Plano Nacional de Trabalho Decente do Brasil e que institui um subcomitê para a elaboração da Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude.

A elaboração do documento foi discutida, ao longo dos últimos meses, em uma série de jornadas técnicas realizadas com representantes do governo, de organizações de empregadores e de trabalhadores e membros do Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE).

Link para o Estudo:

http://www.oit.org.br/topic/decent_work/doc/news_9.pdf

Após crise, escolas de negócios repensam seu papel e modelo de ensino

Quanta diferença um ano faz! Em 8 de abril de 2008, a Harvard Business School comemorou em grande estilo 100 anos triunfantes de MBA. Um ano depois, publicou um estudo questionando seu papel e iniciou um debate online intitulado “How to Fix Business Schools” (Como Consertar as Escolas de Negócios). Harvard não está sozinha ao reconhecer que alguma coisa está errada no mundo do ensino de administração.

Pontos de vista sobre a culpa das faculdades no derretimento econômico vão de um extremo ao outro, assim como as receitas de como reconquistar a confiança das empresas e dos estudantes.

Richard Cosier, reitor da Krannert School da Purdue University, diz que a ganância pessoal e as práticas de empréstimos antiéticas foram as causas do problema, e não as escolas de negócios. Para ele, dizer que as escolas não deveriam ensinar modelos financeiros complexos é um erro. “É como dizer que você não pode ensinar química porque pode fazer as coisas explodirem. As pessoas tomam suas próprias decisões.” Outros são mais prudentes. Santiago Iñiguez, reitor da IE Business School da Espanha, representa a opinião de muitos quando diz que “não aceitar parte da responsabilidade seria dizer que não somos parte do jogo.”

Harvard, historicamente lenta em agir, foi uma das primeiras a se movimentar desta vez, juntamente com a Insead, e lançou programas executivos que não oferecem diploma, voltados para os novos problemas das empresas. A maioria das escolas está redirecionando as questões do risco e dos modelos financeiros em seus cursos. Mas isso será suficiente?

Na Stanford Business School, Garth Saloner, professor experiente que ocupará o cargo de reitor da faculdade a partir de setembro, acredita que a pedagogia e o conteúdo precisam mudar. Saloner foi o principal engenheiro do MBA remodelado de Stanford, que exige que todos os novos alunos trabalhem em pequenos grupos de estudo para discutir várias questões empresariais. O objetivo, diz ele, é “equipar os alunos para que eles pensem de uma maneira crítica sobre os problemas que as empresas enfrentam.”

Outros acreditam que o problema é mais profundo e sistêmico. Dipak Jain, reitor da Kellogg School da Northwestern University, diz que os últimos 15 anos de crescimento econômico tiveram um custo. “Os alunos passaram a se concentrar mais em ganhar dinheiro do que em aprender. É preciso haver uma correção nos salários dos MBAs.”

Henry Mintzberg, professor de administração na McGill do Canadá e na Insead da França e de Cingapura, é um crítico de longa data do modelo tradicional de MBA praticado nos Estados Unidos. Ele não faz rodeios e afirma que a pegadogia e a estrutura dos programas de MBA americanos precisam mudar. “As escolas de negócios dos EUA continuam tentando arrumar o que fazem e não entendem que precisam mudar”, diz.

Ele afirma que o método de análise de casos, no qual Harvard foi pioneira e que é replicado na maioria das faculdades americanas, ensina tomadas de decisões inapropriadas para os alunos mais jovens – que representam cada vez mais a população de MBAs nas salas de aula dos EUA. Na turma de 2008 de Harvard, por exemplo, mais de dois terços dos alunos haviam conseguido diplomas de graduação nos quatro anos anteriores.

Peter Tufano, professor de finanças de Harvard, diz que o método de estudo de casos e seu papel no desenvolvimento de “alunos arrogantes” foi uma das preocupações levantadas pela faculdade quando ela iniciou seus meses de autocrítica. Considerada a melhor escola de negócios do mundo, a Harvard Business School é um alvo fácil para aqueles que sentem a necessidade de culpar as instituições e seus formandos em MBA pelo colapso financeiro. Mas até mesmo os aristocratas de Harvard devem ter ficado horrorizados com o número de alunos formados pela escola que foram peças-chave no desenrolar da crise: Hank Paulson, ex-secretário do Tesouro dos EUA, Christopher Cox, ex-presidente da Securities and Exchange Commission (SEC), Stan O´Neal e John Tahin, os dois últimos presidentes do Merrill Lynch, e na Europa Andy Hornby, ex-diretor-presidente do HBOS.

O professor Mintzberg afirma que a inovação no ensino de administração não está mais sendo criada nos EUA, e sim na Europa. “As escolas de negócios americanas não criam administradores, elas criam orgulhosos arrogantes. Caso não corram o risco de quebrar, ou as inscrições não caiam para zero, elas não vão mudar.”


Della Bradshaw, Financial Times
Valor Online, 08/07/2009

A crise produz consciência

Valores como simplicidade, autenticidade e sustentabilidade estão tomando o lugar da ostentação, das novidades descartáveis e das celebridades instantâneas.

Luiz Alberto Marinho
Revista Vida Simples 

Assustados com a brusca freada da economia e com o desemprego galopante, os consumidores americanos simplesmente pararam de comprar. Por isso, em 2008 o comércio de lá amargou o pior Natal dos últimos 40 anos. Curiosamente, pesquisas recentes detectaram uma mudança no comportamento desse povo – mesmo as pessoas menos afetadas pela recessão passaram a enxergar o consumo de outra forma. Produtos mais simples de usar estão ganhando mercado nos Estados Unidos não apenas porque são mais baratos, mas principalmente porque ajudam a descomplicar uma vida que já anda complicada demais.

Em resumo, hoje o anseio dos consumidores vai além de promoções e descontos.
Eles querem também se refugiar em locais seguros e proteger as pessoas que amam. Isso significa que coisas como entretenimento doméstico, refeições prontas e semiprontas para comer em casa e lojas de vizinhança passaram a ser mais valorizados. Cuidar do planeta, a nossa grande casa, também ganhou mais importância. O luxo exorbitante está fora de moda e a palavra de ordem é cheap & chic (barato e chique), o que favorece quem vende roupas com design moderno por preços em conta. Porém aquelas pequenas indulgências irresistíveis, bem como produtos para atender às necessidades impostas pelo estilo de vida frenético e conectado das grandes cidades, continuarão na lista de compra dos americanos. Afinal, como alguém consegue viver no século 21, por exemplo, sem um smartphone?

Como disse o consultor de marketing Matt Thornhill: “As pessoas não vão comprar mais coisas. Vão, sim, tirar mais das coisas que compraram”. Mas será que esse raciocínio se aplica também ao Brasil? Eu diria que sim, mas somente em parte. A nova classe média, que constitui a imensa maioria dos nossos consumidores, ainda está no meio do processo de trocar eletrodomésticos antigos por outros mais modernos, de adquirir o primeiro carro, comprar uma casa nova, reformar a existente, colocar um computador na sala e os filhos na faculdade.

O alto nível de consumo das famílias bra sileiras, observado nos últimos anos, tem pouca relação com desperdício e ostentação. Por outro lado, pesquisas realizadas no nosso país mostram o início da gestação de um novo pensamento, que valoriza educação, relacionamentos, equilíbrio, sustentabilidade e responsabilidade social. Assim como nos EUA, também no Brasil começa a florescer a ideia de olhar menos para o umbigo e mais para a família, os amigos, o prédio e o bairro. Acredito que as dificuldades econômicas que provavelmente enfrentaremos neste início de 2009 apenas reforçarão essa disposição.

*Luiz Alberto Marinho é um consumidor consciente, mas também não vive sem o seu smartphone.
produtointerno@abril.com.br

Economia com pouco esforço

Surgiram aparelhos que prometem facilitar algo que as pessoas têm dificuldade em levar adiante no dia-a-dia: economizar nas contas do mês (especialmente as de água e luz)

Monica Weinberg*
Revista Veja

*Com reportagem de Camilla Costa e Daniela Mercier

Nem todas as tecnologias são recentes. Algumas existem há quase duas décadas em espaços públicos de grande circulação, como aeroportos, hotéis e shoppings. A novidade é que só agora elas começam a ser adaptadas para uso doméstico. O principal ajuste está no formato, mais funcional para a instalação em casas e apartamentos, e no design, mais bonito. Com a ajuda de especialistas, VEJA mensurou a economia (em dinheiro e para o meio ambiente) proporcionada por quatro desses aparelhos. O impacto financeiro nem sempre é relevante a curto prazo, mas o investimento compensa quando se considera um espaço maior de tempo.

PARA ECONOMIZAR ÁGUA Torneira de fechamento automático 

Como funciona: por meio de um mecanismo simples à base de molas, a água é cortada, automaticamente, depois de sete segundos, o que evita o desperdício. A economia também é resultado da presença de um regulador de vazão que vem instalado na torneira. Com ele, a água passa a cair a um ritmo de cerca de 6 litros por minuto (40% menos do que numa torneira tradicional), sem que isso faça muita diferença no uso
Ressalva: muita gente acaba acionando a torneira várias vezes seguidas. Nesse caso, o efeito é contrário ao esperado. Como não é possível interromper a vazão antes do tempo mínimo de sete segundos, o consumo tende a aumentar
Economia média de água: 150 litros por dia – 50% em relação à torneira comum – numa família de quatro pessoas
Economia na conta: 25 reais mensais
Indicação dos especialistas: Biopress (Fabrimar)
Preço*: 120 reais
Tempo para o retorno do investimento: cinco meses Ducha com controle de vazão 

Como funciona: permite escolher entre duas intensidades de água. Na opção mais baixa, libera 9 litros por minuto – metade do volume de uma ducha convencional. É recomendada para quem tem o objetivo de economizar mas não consegue se adaptar aos chuveiros com jatos mais fracos
Ressalva: embora a sensação no banho seja melhor do que a que se tem com um chuveiro elétrico comum, de onde a água cai com intensidade um terço menor, a diferença para uma ducha comum se faz sentir
Economia média de água: consome 50% do volume de água gasto em um banho de ducha convencional
Economia na conta: 60 reais por mês (numa casa com quatro pessoas e cada uma delas tomando um banho diário de dez minutos)
Indicação dos especialistas: Piccolo Light (Fabrimar)
Preço*: 80 reais
Retorno do investimento: menos de dois meses

PARA ECONOMIZAR LUZ
Chuveiro com regulador digital de potência
Como funciona: é a potência do chuveiro que determina a temperatura da água. Nesse caso, há dezesseis opções – e não apenas três, como na maioria dos modelos. O ajuste pode ser feito, a cada banho, por meio de controle remoto
Ressalva: comparado a uma ducha convencional, o chuveiro libera um volume de água até seis vezes menor. Economiza, sem dúvida – mas a sensação do banho não é a mesma
Economia de energia: pode chegar a 20% no verão
Economia média na conta: 10 reais por mês, para uma família de quatro pessoas
Indicação dos especialistas: Potenza Digital (Cardal)
Preço*: 580 reais
Retorno do investimento: cinco anos Lâmpadas LED 

Como funcionam: LED é a sigla em inglês para diodo emissor de luz, material semicondutor com o qual se fabricam tais lâmpadas. Quando uma corrente elétrica percorre o diodo, ele é capaz de emitir luz. A vantagem dessas lâmpadas em relação às demais é que consomem menos energia e duram mais tempo (veja o quadro abaixo)
Ressalva: como as melhores versões à venda são equivalentes às lâmpadas de 40 watts, seriam necessárias duas delas para substituir a iluminação principal de um quarto.

Fazenda legal

Descubra quais são as 5 questões essenciais para garantir um futuro próspero no campo e conheça o agricultor brasileiro que está driblando a crise econômica com muita ousadia.

Xico Graziano
O Estado de São Paulo 

Fábio Jorge, pequeno agricultor, jovem, anda famoso na região de Valença (RJ). Ele tira 95 litros de leite por dia, ordenhando cinco vacas. Mais ainda, realiza o prodígio da produção com apenas 0,5 hectare de terra, tamanho de um campo de futebol. Um fenômeno.

Com apoio de José Rogério, médico veterinário, o ousado produtor revolucionou o sítio da família. Há um ano ele começou a participar de um projeto sobre gerenciamento de propriedades leiteiras, parceria carioca entre Embrapa, Federação da Agricultura e prefeitura local. Pois é, existe mais do que praia no Rio de Janeiro.

O exemplo ajuda na reflexão sobre como enfrentar a tremenda crise que se abate sobre a economia brasileira, atingindo fortemente o setor agrícola. Desde o ano passado, antes do plantio da atual safra, que começa a ser colhida, já se percebia o recuo do crédito rural comprimindo as aquisições de insumos agrícolas. Com menor uso de tecnologia, a estimativa mais recente do governo indica uma queda de 6,1% na safra brasileira de grãos.

A restrição do financiamento encontrou os produtores rurais apertados no caixa. O preço dos fertilizantes estourou quando o petróleo subiu para US$ 140 o barril. Para não falar do óleo diesel, do sal mineral, do arame de cerca, dos defensivos… tudo sobe com o petróleo. Curioso é que, agora, tendo o barril caído para US$ 40, pouco recuaram os preços na roça. A perversa lógica econômica vale na subida, nunca na descida. Estranho.

Por essas e outras aumenta o endividamento agrícola. O problema vem lá de trás, época inflacionária, quando o produtor rural financiava uma máquina e devia quatro. Os bancos deitaram e rolaram na chegada do Plano Real, engordando os débitos a receber. Sucessivas renegociações não obtiveram êxito, ainda mais considerando a ocorrência, mais recentemente, de três fortes secas, localizadas no Sul-Sudeste. Fora a malandragem daqueles que emprestam para nunca pagar, contando sempre com a prorrogação das dívidas no Congresso. Tudo somado, estima-se que a dívida rural, apenas com o sistema oficial de crédito, alcance R$ 85 bilhões. Somando a inadimplência com as tradings e com fornecedores, deve suplantar R$ 100 bilhões. Quase uma safra inteira.

A crise financeira mundial chega para encontrar fragilizada a agricultura nacional. Muitas incertezas rondam o campo. Frigoríficos solicitam concordata, derrubando a pecuária. Os preços internacionais estão fracos. Aparecem calotes nas exportações. Ninguém arrisca dizer como será o próximo plantio, com reflexos negativos em 2010.

Nesse turbulento cenário, olhando para a frente, pergunta-se: O que vai acontecer com o agricultor? Para muitos, certamente vai aumentar o desânimo, elevar o pessimismo. Alguns, desgraçadamente, vão quebrar, perdendo patrimônio. Outros, entretanto, na contra mão da desgraceira, se manterão altivos e otimistas. Passada a crise aguda, da qual ninguém escapará, irão progredir. Quem estará nessa?

Um roteiro do progresso começa com cinco questões básicas. Enfrentá-las será fundamental para superar a crise, preparando-se para prosperar no campo. Primeiro, escaparão da quebradeira aqueles agricultores que mantiverem atitude proativa, não se entregando ao fantasma da economia. Sabe-se que, por pior que sejam os problemas econômicos, as adversidades sempre criam novas oportunidades. Descobri-las será uma virtude.

Segundo, vai seguir em frente no campo quem tiver a humildade de aprender. As crises carregam boas lições. Nas épocas de elevada prosperidade, bons preços e mercado firme fica fácil lucrar na atividade. Com vacas gordas, a turma relaxa, gasta dinheiro à toa e descuida do negócio. Mas, quando as vacas emagrecem, sobrevive apenas quem tem competência. Hora de mostrar valor.

Em terceiro, esse apuro poderá ajudar a romper definitivamente com o individualismo, traço negativo da mentalidade rural. A dureza da situação impõe seguir a cartilha do associativismo e do cooperativismo. Grande parte dos agricultores, aliás, já descobriu que, sozinho, isolado, quebra a cara no mercado. Juntos, organizados, vingam mais fácil.

Em quarto lugar, cada momento difícil que afeta a agricultura ressalta a importância do profissionalismo. Acabou o tempo de ser amador, agricultor quebra-galho, gigolô da terra. Investir em tecnologia e melhorar a gestão da propriedade se torna obrigatório. A competição produtiva exige produtividade e qualidade.

Finalmente, vai prosperar no campo, passada a vicissitude da conjuntura, quem adotar práticas conservacionistas e trabalhar na agenda da sustentabilidade. Os agricultores de amanhã serão amigos, não adversários, do meio ambiente. Cuidarão de proteger as florestas, a água, o solo, a biodiversidade, a paisagem da natureza. Novas tecnologias, boas práticas agrícolas misturadas com gestão ambiental.

Fábio Jorge bem representa o novo agricultor brasileiro. Imagine ele enfrentando a crise com vaquinhas esfomeadas, cheias de carrapatos. Nem pensar. Sua atitude ousada, empreendedora e associativa o levou a entrar num projeto de melhoria tecnológica. A dificuldade do presente também vai afetá-lo, óbvio, pois o litro do leite hoje mal paga a conta do remédio do gado. Mas ele, com certeza, passado o momento atual, vai prosperar.

Tal possibilidade foi testemunhada dias atrás, em Barra do Piraí, pelos participantes do encontro da Fazenda Legal, um interessante programa conduzido pela Federação da Agricultura do Rio de Janeiro.

Enquanto a velha guarda vocifera as mazelas do campo, os jovens empreendedores rurais apostam no futuro. Em meio à perversa crise brota a esperança na roça.

Artigo publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo em 24/03/2009, na página A2.

O salvamento da crise e do clima

Por Carolina Derivi

Eu não sei quanto a vocês, mas eu já estou cansada de ouvir falar que a crise financeira e a crise climática precisam ser resolvidas em conjunto. Eu quero é mais resultado e menos discurso. Por isso adorei um infográfico do HSBC Centre for Climate Change que informa a porcentagem de “investimentos verdes” -tecnologias de baixo carbono- nos pacotes de enfretamento da crise em 12 países. (No Brasil, como vocês sabem, não tem pacote. Só marolinha…)

Não postei a imagem aqui porque o tamanho é muito reduzido, compromete a leitura.  Mas vocês podem conferir no site do The Guardian. A Coréia do Sul, quem diria, sai na frente com impressionantes 69% do total (US$ 38 bi) de investimentos, voltados para tecnologias limpas. Antes de ver o gráfico, eu tinha certeza que a liderança seria dos ponteiras de sempre, como Holanda e Inglaterra. Mas que nada… Por outro lado, é possível que o ranking não aponte necessariamente os países mais propensos ao desenvolvimento sustentável. Como Inglaterra e Holanda, entre outros, já vêm fazendo investimentos há muito tempo, pode ser que nesse pacote não tenha sido necessário incluir tanto a questão da sustentabilidade energética. Bom, isso é conjectura minha.

A China também é uma surpresa, com 34% de investimentos verdes em seu pacote. Não é pouca coisa, considerando o conselho recente de Sir. Nicholas Stern: fazer com que pelo menos 20% das tentativas globais de salvamento na crise sejam compostos de medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. A surpresa trágica é a Índia, que está coladinha no Brasil entre os países mais problemáticos para o clima, depois dos desenvolvidos, e tascou um redondo 0% de investimentos verdes em seu pacote de US$ 6.8 bi.

Recentemente, eu tive o prazer de conhecer o blog do Denis Russo – Sustentável é pouco. No post “o fim de uma era”, Denis diz que o ambientalismo como o conhecemos terminou no dia 17 de fevereiro, quando Obama anunciou “obscenos”  US$60 bi do seu famoso pacote de US$825 bi para o meio ambiente. O que ele quer dizer é que acabou o ambientalismo como projeto de esquerda, como contra-cultura, já que a ideia finalmente penetrou o mainstream.

Acho a observação interessante. Mas, não sei não, Denis… Desde “o fim da história” que a gente sabe que esses epitáfios raramente funcionam. O pacote nos EUA é um marco, sim. Mas se é para esquentar a mesa de apostas, eu só me atreveria a especular sobre o fim do ambientalismo depois de Copenhagen, quando todos os países signatários de Kyoto vão ter que se virar com medidas conjuntas bem revolucionárias para o clima.
Ou não. E daí voltaremos à estaca zero… 


A sensatez na crise

Por Carolina Derivi

Eu sei que já chamei de imperdível um monte de coisas recomendadas nesse blog, mas como diria uma cantora que gosto muito “dessa vez, é verdade”. O artigo de Sérgio Abranches – Da crise sairá a nova economia – é realmente imperdível. No momento em que cada um corre para salvar o seu e prepondera o comportamento de manada, sobra pouco espaço para o longo prazo. 

A maioria dos analistas sequer se arrisca a desenhar prognósticos econômicos para além de 2009. É bastante corajoso aproveitar o momento para pensar o que isso significa para a construção da sustentabilidade e de uma nova economia. E é isso que faz Abranches na sua coluna, no portal O Eco.

Em resumo, o jornalista vai muito além dos primeiros desdobramentos mais óbvios: 1 – com recessão, o crescimento diminuiu, com ele as emissões de carbono e o clima sofrerá menos. 2 – Por outro lado, diversas ações perpetradas pelo mercado, sobretudo aquelas ligadas a RSA (responsabilidade socioambiental das empresas) podem perder força. Em tempos de crise, o que se encara como “perfumaria” tende a minguar.

Mas num cenário mais amplo, argumenta Abranches, os investidores também tenderão a ficar mais cautelosos. Depois de recuperado o ambiente de investimento, é inevitável atentar para o custo-carbono, cada vez mais premente, seja pela ação taxadora de governos, seja pela demanda do próprio mercado.  

“Investir em uma termelétrica, por exemplo, será investir em um negócio que pode se tornar economicamente inviável em menos de uma década. O mesmo se pode dizer da siderurgia, da petroquímica e de tantos outros setores que dominaram a indústria “moderna” no século XX”, diz Abranches. É uma aposta, claro. Mas de tão sensata, dá até pra ensaiar a velha sabedoria de que há males que vem pra bem.

Sustentabilidade deve pautar mercado pós crise

Rodrigo Zavala

“Bem analisada, a crise que estamos sofrendo é precisamente uma crise de irresponsabilidade”. As palavras do professor consultor da Universidade de Stanford University (EUA), Antonio Vives, são parte de um consenso em voga, que entende a crise financeira internacional como uma lição de prudência e da necessidade de inclusão dos conceitos de sustentabilidade no núcleo dos negócios.

Essa lógica tem como fundamento a crença de que as empresas socialmente responsáveis estarão na linha de frente a partir de agora. “Cresce a exigência dos consumidores, dos investidores, dos trabalhadores e dos cidadãos com o setor privado. Essa cobrança social múltipla é um fenômeno objetivo e inevitavelmente crescente a partir da maturidade da sociedade e suas instituições”, afirma Vives.

No entanto, um dos questionamentos colocados pelo professor é justamente até que ponto esse otimismo é uma realidade ou um Valhalla teórico? Segundo Vives, muito se fala sobre responsabilidade social de empresas na América Latina, onde diz existir uma surpreendente proliferação de publicações, especialistas e fóruns sobre o tema.

“É um bom sintoma de maturidade. Porém, temo que seja uma conversa entre convencidos. Estamos com um excesso de oferta recomendações ante uma escassez de demanda. São as empresas e os consumidores aqueles que deveriam atuar, e, nesse ponto, falta muita consciência, com muito para fazer”, critica.

As questões levantadas pelo professor não são isoladas; de um acadêmico que, de fora, acena dando conselhos. Um bom exemplo de como o debate tem se dado vem do encontro “Perspectivas da Crise Econômica no Brasil”, realizado no último dia 22, em São Paulo. Enquanto o presidente do Instituto, Ricardo Young, afirmava que a crise é uma oportunidade para revelar quais são os empresários realmente comprometidos socialmente, a platéia patinava nas reflexões dos convidados.

Mediado pela jornalista Miriam Leitão, o encontro reuniu o professor titular do departamento de economia da FEA-USP, José Eli da Veiga, o economista-global do Banco Itaú, John Welch , o diretor de planejamento e especialista em crise do BNDES, João Carlos Ferraz e o professor da PUC-RJ Sérgio Besserman Vianna. Todos eles discutiram o evidente: ninguém tem, ainda, uma visão clara e sistêmica do desarranjo econômico que varre o planeta, apesar de pensá-lo como uma oportunidade.

Segundo José Eli da Veiga será preciso promover transformações profundas nas economias para se iniciar a recuperação. “Os mecanismos tradicionais para superar crises não vão dar resultados”, disse. Já o economista Sérgio Besserman, que atua na PUC-RJ e também pertence aos quadros do BNDES, acredita que vivemos um momento de inflexão da história. “Nada será como antes”, diz ele.

No site do Ethos, um texto sobre o evento diz “entre os palestrantes pareceu haver um consenso que antes só freqüentava mesas de ONGs e de militantes da esquerda: é uma insensatez acreditar que o mercado é capaz de se autoregular”. Assim, valores como ética e sustentabilidade, que são externos ao mercado, precisam ser impostos a ele.

Segundo Ricardo Young, presidente da organização, a idéia deste encontro com economistas foi fomentar o debate e plantar sementes de conhecimento que podem ajudar a inovar. Ele lembrou que é um bom momento para colocar a sustentabilidade, os novos paradigmas de produção e consumo, menos impactantes ambientalmente, socialmente mais responsáveis e economicamente menos predatórios como alternativa viável para a retomada do desenvolvimento.

Nesse contexto, Antonio Vives afirma que é preciso ser realista e não viver de ilusões. “Os promotores da responsabilidade social de empresas devem entrar mais em contato com a realidade empresarial para se interar de verdadeiros obstáculos e poder desenhar intervenções efetivas e sustentáveis”, crê.

Publicado em www.gife.org.br

Gordon Brown – Protecionismo é ruína

O primeiro-ministro britânico quer encontrar uma solução de consenso para a crise econômica e diz que todo mundo perde com o aumento de tarifas.

Duda Teixeira
Revista Veja 

“Quando os países atuam de forma unida, o impacto nos negócios e na confiança do consumidor é muito maior do que quando agem separadamente”

O primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown, foi um dos primeiros governantes a acusar a grandeza da crise econômica e carrega nos ombros a responsabilidade de ajudar a debelá-la. Ele é o articulador da Cúpula de Londres, que no próximo dia 2 reunirá os dirigentes das vinte maiores economias, representantes de 85% do PIB mundial. No encontro de um único dia, Brown pretende forjar uma ação conjunta para retomar o crescimento e a estabilidade econômica. Parlamentar trabalhista desde 1983, esse escocês de 58 anos assumiu o cargo de primeiro-ministro em junho de 2007, substituindo Tony Blair, de quem foi ministro das Finanças por dez anos. Enquanto se preparava para uma viagem a São Paulo, onde se encontrará com o presidente Lula, Brown deu a seguinte entrevista a VEJA.

O senhor tem advertido que a adoção de medidas protecionistas seria contraproducente no combate à crise econômica. Por que ações que visam a preservar empregos e fortalecer o mercado consumidor doméstico atrapalhariam a recuperação da economia global?
Considero incompreensível que alguns países possam ceder à tentação de recorrer a políticas que põem em primeiro lugar o interesse de suas empresas nacionais, produtoras e exportadoras. Isso pode ser muito perigoso. Estima-se que um aumento na aplicação de tarifas em todo o planeta poderia encolher o mercado mundial em 728 bilhões de dólares. Restringir importações ou subsidiar a produção nacional acaba por elevar as despesas para os consumidores e para quem paga impostos. Isso deixa a população com menos dinheiro para gastar na compra de bens e serviços. Devemos manter nosso compromisso com o livre mercado e continuar a trabalhar para concluir a Rodada Doha das negociações sobre a liberação do comércio mundial. Também precisamos nos esforçar para que a Organização Mundial do Comércio tenha um papel maior em monitorar e fortalecer os compromissos com o mercado. Em tempos de dificuldade econômica, argumentos protecionistas sempre voltam à tona, mas não podemos nos deixar levar por eles.

“Uma ideia em discussão é criar normas para garantir que, em todo o mundo, os bancos administrem melhor seu capital. Os mercados devem ser livres, mas não podem ser livres de valores éticos”

A crise econômica pode pôr em risco a integridade da União Europeia?
A situação tem demonstrado que os membros da União Europeia podem trabalhar juntos para atuar em harmonia e com impacto real na vida dos trabalhadores europeus, de suas famílias e nos seus negócios. Uma política conjunta da União Europeia promoveria também maior transparência na regulação dos serviços financeiros europeus e mundiais. Essa é uma questão crucial, uma vez que estamos todos empenhados em não deixar que a crise financeira atual se repita no futuro.

O que a Europa está fazendo para sair da crise?
A União Europeia tem um papel-chave a desempenhar nos preparativos para a Cúpula de Londres. Três meses atrás, os 27 países-membros do grupo concordaram em dar uma resposta coordenada à crise, agindo com rapidez para aumentar os gastos e acelerar as reformas. Trata-se, sobretudo, de ações nas áreas de educação, emprego, eficiência energética e infraestrutura digital. Esse tipo de política é crucial. Quando os países atuam de forma unida, o impacto nos negócios e na confiança do consumidor é muito maior do que quando agem separadamente.

O governo britânico gastou bilhões de libras para salvar os bancos nacionais. Medidas com perfil estatizante como essa sinalizariam o fracasso do capitalismo e do livre mercado?
Acredito firmemente que as economias baseadas no livre mercado oferecem melhorias reais no padrão de vida das pessoas. Seria um erro grosseiro desistir desse modelo apenas por causa da crise econômica. Os problemas com que estamos lidando, porém, podem reforçar a necessidade de uma regulação mais efetiva dos mercados financeiros para que consigam funcionar adequadamente e produzir crescimento econômico. Os mercados devem ser livres, mas não podem ser livres de valores éticos. O governo britânico interveio no setor bancário para garantir que ele continue a apoiar as famílias e os empresários. Os bancos têm de prover as fundações para que a economia possa crescer no futuro. Isso é algo com que o presidente Lula e eu concordamos firmemente, e devemos conversar sobre o assunto durante minha visita.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que estava esquecido, deveria ganhar mais poderes para auxiliar economias à beira da falência?
Todos os países estão sentindo os impactos da crise, e é necessário que eles possam contar com o FMI para estabilizar suas economias em dificuldades. Não usar esse instrumento seria impingir sofrimento desnecessário a seus habitantes e também pôr a todos em risco, pois os problemas econômicos hoje facilmente transbordam pelas fronteiras. Defendo um aumento substancial dos recursos do FMI, para que essa instituição esteja apta a apoiar todos os países que precisem de socorro.

Os bancos brasileiros estão menos expostos aos riscos que arruinaram instituições ao redor do mundo. As leis que regulam o sistema bancário brasileiro poderiam servir de modelo para o sistema europeu?
Uma das ideias que estão sendo discutidas atualmente é a criação de normas para garantir que os bancos em todo o mundo administrem melhor seu capital. Caso essa sugestão seja acatada, as instituições terão mais dinheiro em caixa em momentos de crise e, desse modo, serão capazes de despejar aos poucos essas reservas no mercado. Seria possível, assim, prevenir desabamentos no setor financeiro. Quebras, como as que vimos, comprometem os interesses das pessoas e de suas famílias, que podem não conseguir pagar ou pedir empréstimos. O Brasil, por outro lado, tem um grande, moderno, lucrativo e bem capitalizado setor bancário. Os bancos brasileiros têm conseguido um desempenho muito bom nos últimos meses, e não há dúvida de que podemos tirar lições desse modelo. Essa é uma das razões pelas quais convidamos o Brasil e outros países emergentes a se tornar membros do Fórum de Estabilidade Financeira, um espaço criado em 1999 para que diretores de bancos centrais, ministros e autoridades de órgãos internacionais troquem informações.

Estabelecer laços mais fortes com o Brasil e com países como a China e a Índia pode ajudar a Inglaterra e a Europa a sair mais rapidamente dessa crise?
Os problemas atuais afetam a economia mundial como um todo, não apenas países ou regiões. À medida que a crise se aprofundou, seus impactos se espalharam e contaminaram os emergentes também. Nenhuma nação está totalmente isolada de suas consequências. Assim, todos devem fazer sua parte para reformar e melhorar os sistemas internacionais. Muitos países já agiram para minimizar os impactos, mas há também políticas coordenadas que podem ser tomadas em conjunto pelos bancos centrais em relação às taxas de juro. Todas as nações que estarão na Cúpula de Londres têm um papel substancial a desempenhar no soerguimento da economia global e no fortalecimento do aparato financeiro.

“Preocupar-se com as mudanças climáticas é uma necessidade, não um luxo. Não é algo que podemos adiar até que a economia melhore. O investimento em tecnologia verde será a garantia de uma recuperação sustentável”

Medidas para reduzir as emissões de carbono na atmosfera e diminuir os efeitos do aquecimento global não se tornariam um peso a mais para a economia mundial?
Não seria melhor adiar esse tipo de política até que o mundo se livrasse dessa crise? Preocupar-se com as mudanças climáticas é uma necessidade, não um luxo. Não é algo que possa ser adiado até que as previsões econômicas se mostrem otimistas. Investimentos em negócios e tecnologias verdes serão a garantia de uma recuperação resistente e sustentável, pois não correríamos o risco de um renascimento dos elevados preços de energia. Essas medidas podem ainda criar empregos a curto e médio prazo. É de nosso total interesse, portanto, que o mundo ingresse em uma trajetória mais limpa de crescimento. Um passo importante para isso é traçar um ambicioso acordo global sobre mudanças climáticas no encontro em Copenhague, capital da Dinamarca, em dezembro deste ano.

As ameaças terroristas na Inglaterra e nos Estados Unidos parecem ter diminuído, enquanto os ataques dão a impressão de ter se transferido para países periféricos, como o Paquistão. Isso deve levar a uma mudança na estratégia de combate ao terror?
Embora a Inglaterra e os Estados Unidos não tenham sofrido ataques recentes de terroristas internacionais, nossas agências de segurança e de inteligência continuam rastreando a pista de inúmeras ameaças. Os últimos ataques contra turistas em Mumbai, na Índia, e contra a equipe de críquete do Sri Lanka em Lahore, no Paquistão, demonstram que a ameaça é grande e é preciso manter a vigilância. Nossa abordagem para combater o terrorismo deve ser abrangente. Em seu cerne, tem de incluir uma estratégia baseada na cooperação internacional entre as polícias e as forças de segurança. Devemos fazer esforços de grande amplitude para combater os extremistas, sem para isso abrir mão do respeito pelos direitos humanos fundamentais.

Como o senhor se define ideologicamente?
Sempre fui um progressista. Um membro do governo deve se perguntar a todo momento o que ainda pode fazer para melhorar a vida das pessoas comuns. Temos a obrigação de promover prosperidade e crescimento econômico e ao mesmo tempo construir uma sociedade mais justa. Quando deparamos com uma crise econômica como a atual, essa postura fica mais importante do que nunca. Se olharmos para o passado, para os momentos de instabilidade, veremos que foram os pobres, os idosos e os trabalhadores comuns que sempre pagaram o preço mais alto pelas crises. Eles são sempre a parte mais vulnerável. Nessa ocasião, temos o dever de pôr esses grupos em primeiro lugar e protegê-los dos piores e mais prolongados efeitos da crise.

Qual será o foco de suas conversas em São Paulo?
O Brasil é a décima economia do mundo e será um dos participantes da Cúpula de Londres, no dia 2 de abril. Esse evento reunirá os governantes das vinte maiores economias, que representam 85% do PIB mundial. Nesse único dia, teremos uma oportunidade vital para elaborar uma ação internacional com o objetivo de restaurar o crescimento e a estabilidade da economia. Em minha visita ao Brasil, vou conversar com o presidente Lula sobre as respostas que brasileiros e britânicos estão dando à crise e trocar ideias sobre políticas prioritárias que poderão entrar na agenda da reunião em Londres. Outra meta da visita é ampliar as excelentes relações de negócios que meu país mantém com o Brasil. Nunca tivemos tantas companhias brasileiras e britânicas comprando e vendendo produtos e serviços entre si. O comércio bilateral está crescendo muito rapidamente, em um ritmo sem paralelo com outros períodos históricos. Apenas no ano passado, nossas exportações aumentaram mais de 50%.

O senhor acompanha o futebol brasileiro?
O Brasil ocupa um lugar especial no coração dos torcedores de todo o planeta. Sempre fui um grande fã, dos tempos de Pelé e Jairzinho, do grande time de 1970, aos grandes nomes que hoje atuam no campeonato inglês e na Copa dos Campeões da Europa. A primeira Copa do Mundo a que assisti ao vivo foi na Espanha, em 1982, quando o Brasil enfrentou a Escócia na primeira fase. Claro, o Brasil venceu por 4 a 1, e realmente deveria ter ganho a Copa do Mundo naquele ano. O time de Sócrates, Zico e Falcão era magnífico. Nunca me esquecerei de vê-los ao vivo. O Brasil sempre jogou do jeito que deve ser jogado. Os atletas brasileiros são o que há de especial no futebol.

A lengalenga do fim da sustentabilidade

Por Ana Luiza Herzog | 18/02/2009 – 15:50

A lengalenga de que a crise financeira deve jogar por terra as estratégias de sustentabilidade das empresas aparece, vai embora, aparece, vai embora… sorte é que, com bastante freqüência, aparecem também bons artigos explicando porque a sustentabilidade, a despeito da crise, e ainda mais depois da crise, tornou-se uma questão crucial para as empresas. Um deles saiu recentemente no Financial Times e é de autoria de Daniel Vermeer e Robert Clemen, dois professores da Duke University, nos Estados Unidos. Vou reproduzir aqui o que achei mais legal do que eles disseram sobre os princípios que devem sobreviver à crise - e de que maneira:

- A desaceleração na economia vai forçar as empresas a tornar seus esforços em prol da sustentabilidade mais robustos, estratégicos. Em contrapartida, ações de cunho mais filantrópico, ligados à responsabilidade corporativa mais tradicional irão mesmo perder fôlego

- A crise explicita ainda mais a necessidade das empresas fortalecerem suas estruturas de governança corporativa, uma vez que a imagem de muitas delas está queimada. E não se trata de simplesmente cumprir a lei. Segundo os autores, as empresas terão de incorporar procedimentos mais transparentes de tomada de decisão e de relato das mesmas - caso contrário, passarão a ter problemas com seus stakeholders
 
E quanto à ecoeficiência?

As empresas há muito perceberam que azeitar processos fabris para produzir mais, usando menos recursos e matérias-primas é sinônimo de economia e, consequentemente, de um balanço financeiro mais saudável. A questão é que, muitas vezes, essas melhorias nos processos produtivos demandam, sim, investimentos vultosos. E definitivamente … eles não serão feitos agora. Ou seja, empresas que não descobriram ainda as benesses da ecoeficiência têm tudo para entrar na onda agora e conseguir bons resultados sem grandes desembolsos, fazendo coisas simples … reaproveitando a água usada num processo nobre aqui num outro menos importante ali, vendendo um sub-produto que antes ia para o aterro sanitário para uma outra empresa, queimando um outro sub-produto para gerar energia … Já as empresas que abraçaram a causa há mais tempo e já fizeram o que descrevi acima e muito mais, não se mexerão agora para comprar aquela nova máquina que consome metade da energia que a atual. Esse salto terá de esperar. Além do quê, lembram os autores, sejamos realistas: com os preços de commodites como petróleo, carvão e gás natural em baixa, o sex appeal da ecoeficiência diminuiu bastante … infelizmente.

 

E os produtos verdes?

Os consumidores continuarão a se empolgar com eles. Menos, porém, com itens muito caros, como um carro híbrido, e mais com produtos mais baratos e que ofereçam benefícios mais imediatos, tais como uma lâmpada fluorescente ou um alimento orgânico. Isso significa que os grandes varejistas, tais como Wal-Mart e Tesco, não devem amenizar as pressões para que seus fornecedores fiquem verdes. Afinal, mesmo com a crise, não vamos parar de procurar por esses produtos nas prateleiras. 

Você consome mais entretenimento na crise? A indústria aposta que sim

Por Ana Paula Sousa

São todos ladeira abaixo os índices econômicos que nos chegam nestes tempos de crise mundial. Todos, não. Quase todos.

Começam a pipocar, aqui e ali, rojões em torno da crise. Muitos deles disparados pela indústria do entretenimento.

O New York Times noticiou que, desde que explodiu a crise nos Estados Unidos, a venda de games cresceu 20% no País.De acordo com o jornal, os jogos, pelas mil possibilidades que oferecem, estariam ocupando o espaço de outras formas de entretenimento mais dispendiosas – de parques de diversões a cinema.

Na Inglaterra, a onda é falar do sucesso da temporada dos musicais.

O Jornal Hoje, da Rede Globo, repercutiu ontem o assunto com uma reportagem que dizia estarem esgotados os ingressos para inúmeros espetáculos.

Priscila, a Rainha do Deserto, por exemplo, vendeu todos os ingressos da temporada antes mesmo de estrear.No Brasil, a crise também é a esperança para um negócio que, nos últimos dois anos, encolheu cerca de 40%: o aluguel de DVDs.

Em decorrência da pirataria, do download e da própria da Internet, que consome parte do tempo dedicado ao lazer, muitas locadoras viram os clientes sumir. Há quem aposte que, agora, uma parcela deles voltará.

A unir todos esses casos, estão algumas justificativas.

A crise, seja pelos efeitos psicológicos, seja pelos efeitos práticos, tende a fazer com que as pessoas cortem os gastos altos e supérfluos.

Pois, entre os mais abastados, no lugar de uma viagem no final de semana, entraria, por exemplo, uma ida ao teatro.

Entre os mais econômicos, uma saída para jantar poderia ceder lugar a uma pizza no sofá, acompanhada de um DVD.

Será mesmo?

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