USP ameaça fechar canil

Com mais de 100 animais, reitoria quer fechar estabelecimento mantido por voluntários

Foi uma barulhada só. De um lado, uma centena de protetores dos animais. Do outro, o coordenador do câmpus da Universidade de São Paulo, Antonio Marcos Massola, e o diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, José Antônio Visintin. Em questão, 110 cães sem dono de um abrigo localizado na Coordenadoria do Campus da Capital (Cocesp). Aberto em 2004, o canil amanheceu no último dia 26 com uma placa que informava sua desativação. Preocupados, defensores dos bichos começaram a se mobilizar. Na sexta (30), realizaram uma passeata pelas ruas da Cidade Universitária: com alguns totós na coleira, de rabinho abanando, mais de 100 pessoas caminharam rumo à reitoria. Chamaram pelo reitor aos uivos, deram um abraço simbólico no prédio da administração e — acredite — entoaram o Hino Nacional latindo.

Em comunicado oficial, a assessoria da universidade respondeu que o canil não seria desativado imediatamente. “Trata-se de um problema de saúde pública”, afirma Visintin. Em parceria com a Cocesp, o diretor reivindica o controle do espaço, até então mantido por voluntários do grupo Patinhas Online. De 2007 para cá, os protetores contabilizam 900 esterilizações e 300 doações de animais. Eles também monitoram e alimentam os 100 cachorros que vivem inexplicavelmente soltos na USP, causando risco para seus frequentadores. “Precisamos botar ordem na casa”, diz Visintin. “Panela em que todo mundo põe a mão, ou você come cru ou se queima.” Para ele, é preciso promover uma campanha educacional que abordaria desde a orientação contra a soltura dos cães até a adoção.

Um projeto com esses objetivos, o USP Convive, já existe há nove anos. “A ideia do canil surgiu daí”, afirma o atual coordenador do programa, Tibor Rabóczkay, professor do Instituto de Química. Criado para combater o problema crescente de animais abandonados nos domínios da universidade, o canil acabou esvaziado ao longo do tempo. “Houve falta de interesse dos participantes.” Foi então que entraram os voluntários, responsáveis por arrecadar 2 000 reais mensais para cobrir as despesas com veterinário. A ração é doada pela USP. “Não queremos ser excluídos”, diz Rafael Splichal, do Patinhas Online. Os apaixonados pelos bichos temem que, nas mãos de outras pessoas, cachorros idosos e doentes acabem sacrificados. “Quem deve dar esse diagnóstico é o médico veterinário, e não o protetor”, rebate Visintin. Vêm mais latidos por aí.

Veja também:
O trabalho de Marco Ciampi na Arca Brasil
Quer nos adotar?

Foi uma barulhada só. De um lado, uma centena de protetores dos animais. Do outro, o coordenador do câmpus da Universidade de São Paulo, Antonio Marcos Massola, e o diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, José Antônio Visintin. Em questão, 110 cães sem dono de um abrigo localizado na Coordenadoria do Campus da Capital (Cocesp). Aberto em 2004, o canil amanheceu no último dia 26 com uma placa que informava sua desativação. Preocupados, defensores dos bichos começaram a se mobilizar. Na sexta (30), realizaram uma passeata pelas ruas da Cidade Universitária: com alguns totós na coleira, de rabinho abanando, mais de 100 pessoas caminharam rumo à reitoria. Chamaram pelo reitor aos uivos, deram um abraço simbólico no prédio da administração e — acredite — entoaram o Hino Nacional latindo.

Em comunicado oficial, a assessoria da universidade respondeu que o canil não seria desativado imediatamente. “Trata-se de um problema de saúde pública”, afirma Visintin. Em parceria com a Cocesp, o diretor reivindica o controle do espaço, até então mantido por voluntários do grupo Patinhas Online. De 2007 para cá, os protetores contabilizam 900 esterilizações e 300 doações de animais. Eles também monitoram e alimentam os 100 cachorros que vivem inexplicavelmente soltos na USP, causando risco para seus frequentadores. “Precisamos botar ordem na casa”, diz Visintin. “Panela em que todo mundo põe a mão, ou você come cru ou se queima.” Para ele, é preciso promover uma campanha educacional que abordaria desde a orientação contra a soltura dos cães até a adoção.

Um projeto com esses objetivos, o USP Convive, já existe há nove anos. “A ideia do canil surgiu daí”, afirma o atual coordenador do programa, Tibor Rabóczkay, professor do Instituto de Química. Criado para combater o problema crescente de animais abandonados nos domínios da universidade, o canil acabou esvaziado ao longo do tempo. “Houve falta de interesse dos participantes.” Foi então que entraram os voluntários, responsáveis por arrecadar 2 000 reais mensais para cobrir as despesas com veterinário. A ração é doada pela USP. “Não queremos ser excluídos”, diz Rafael Splichal, do Patinhas Online. Os apaixonados pelos bichos temem que, nas mãos de outras pessoas, cachorros idosos e doentes acabem sacrificados. “Quem deve dar esse diagnóstico é o médico veterinário, e não o protetor”, rebate Visintin. Vêm mais latidos por aí.

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O trabalho de Marco Ciampi na Arca Brasil
Quer nos adotar?

O problema é dos outros

Nós fazemos muito pouco pelo planeta por achar que cuidar dele é um problema dos governos e das empresas

Luiz Alberto Marinho
Vida Simples – 04/2010

Alguns anos atrás entrei em um supermercado na França e me espantei na hora de pagar as compras. Não pelos preços, mas pela ausência das sacolinhas plásticas, tão familiares para quem frequenta as lojas brasileiras. Naquela rede francesa, como em muitas outras no exterior, quem não levar sua própria sacola de casa precisa comprar uma na hora, feita de material reciclado e resistente o bastante para ser usada várias vezes.

Lembrei-me dessa história outro dia, ao ler os resultados de um estudo sobre o uso de sacolas plásticas pelo comércio nacional. Você sabia que no ano passado nós utilizamos cerca de 15 bilhões delas? Isso significa que em 2009 cada brasileiro consumiu cerca de 66 sacos plásticos por mês. E, como você deve saber, o plástico é altamente prejudicial ao meio ambiente, porque leva anos para se desintegrar.

A indústria do plástico se defende com pesquisas que mostram que 75% dos consumidores brasileiros reaproveitam sacolas plásticas para acondicionar lixo doméstico e 69% deles usam a embalagem para carregar outras compras. Tem ainda os que guardam sapatos, documentos e até os que recolhem fezes de animais com a ajuda das sacolinhas.

Da minha parte, estou convencido de que o esforço para estimular os consumidores brasileiros a reduzir o uso de sacos plásticos é inútil. E isso tem relação com o descaso com que tratamos o planeta. Até as pessoas mais bem informadas sobre o meio ambiente se esquecem de sair de casa preparadas para trazer as próprias compras. Eu mesmo, outro dia, apesar de carregar uma mochila nas costas, aceitei um saco plástico no caixa de uma livraria. Só depois de sair da loja percebi que poderia ter poupado o planeta de mais um pedaço de plástico.

Isso ocorre porque nós, seres humanos, não estamos dispostos a fazer a nossa parte para salvar a mãe natureza. A conveniência fala mais alto e pensamos que essa tarefa, afinal, deve ser encampada pelos governos e pelas empresas – não por nós. Essa atitude não aparece apenas nos supermercados.

Ano passado, pesquisa realizada pelo Ibope para saber o que os paulistanos pensavam sobre o Dia Mundial sem Carro revelou que apenas 45% deles estavam dispostos a apoiar a iniciativa. Outro estudo revelou que somente um terço dos cariocas participariam. O que se viu, entretanto, foi uma adesão ainda menor. As desculpas passam pela precariedade do transporte público, a insegurança das cidades e a pressa, entre outras.

Mas na verdade isso acontece porque estamos todos de acordo quando o assunto se refere ao que os outros precisam fazer. Mas, quando somos nós que temos que abrir mão de algum conforto, aí a coisa muda de figura.

Luiz Alberto Marinho não joga lixo nas ruas, vai para o trabalho a pé e usa sacolas recicláveis.

Famosos apoiam campanha pelos telhados brancos

Criada, em 2009, por Thassanee Wanick, presidente do Green Building Council Brasil, para ajudar a combater o aquecimento global, a campanha pelos telhados brancos – One Degree Less – entra em nova fase, com a adesão de personalidades da moda, da TV, da música e dos esportes

Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 23/04/2010

Enquanto um acordo internacional contra as mudanças climáticas não sai, o Green Building Council Brasil convida os brasileiros a participar da campanha One Degree Less, que incentiva a adoção de telhados brancos em casas, edifícios, lajes e galpões para ajudar a reduzir a temperatura do planeta em um grau. Ou seja, ajudar a combater o aquecimento global.

Lançada em 2009 por Thassanee Wanick, fundadora e presidente da ONG, a campanha recebeu o apoio do secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, no exterior. Por aqui, teve a adesão de diversas empresas, como a Du Pont do Brasil, e também do secretário da Habitação de São Paulo e presidente da CDHU, Lair Krähenbühl, que assinou parceria para pintar os telhados de conjuntos habitacionais, em Ilhabela, que já oferecem soluções sustentáveis como aquecedores a luz solar e o uso de madeira certificada. Todo o esforço realizado até agora resultou na pintura de 450mil m2, o que equivale à retirada de 45 mil carros de circulação ou 45 mil toneladas de CO2*.

“Queremos que todos pensem sobre o problema do aquecimento global e percebam que não é possível ficar parado. Que é necessário agir já!”, salienta Thassanee. “Cientistas falam sobre o aquecimento do Oceano Atlântico sul há mais de uma década, mas somente agora estamos vendo tragédias como as que ocorreram no Rio de Janeiro, recentemente. Então, se quisermos deixar um mundo melhor para os nossos filhos, esse é o momento de fazer alguma coisa”, convida.

Agora, em nova fase – que visa disseminar mais amplamente os benefícios dessa prática e tem o slogan “Ajude a parar o aquecimento global. Pinte seu telhado de branco” – a campanha conquista a participação de personalidades de diversas áreas, como o ex-jogador de futebol Raí, os atores Cristiane Torloni, Sérgio Marone e Fernanda Paes Leme, a atleta Fernanda Murer, a modelo Caroline Bittencourt, o cantor Toni Garrido e a consultora de moda Costanza Pascolatto. Nas fotos de outra personalidade – o fotógrafo Maurício Nahas –, eles exibem a palma da mão pintada de branco e em sinal de Pare! Todos os profissionais envolvidos nessa campanha trabalharam gaciosamente, assim como a agência Moma Propaganda. E, para divulgar a mensagem da One Degree Less, o GBC Brasil também contará com o apoio da mídia.

A eficácia da campanha do GBC Brasil é sustentada por dados do Lawrence Berkeley National Laboratory, seu grande apoiador. Segundo o laboratório norte-americano, as superfícies pintadas de branco ajudam a diminuir os efeitos da incidência solar. “Estima-se que, para cada 100m2 de cobertura pintada com cor branca, são compensadas 10 toneladas de CO2 emitidas/ano”, explicaThassanee.

De acordo com o GBC Brasil, estes são os benefícios dos telhados brancos:
- diminuição das ilhas de calor de prédios e casas;
- diminuição da emissão de CO2;
- ajuda a refletir os raios solares de volta para o espaço;
- fácil aplicação e pouca manutenção (existem tintas e materiais autolimpantes que facilitam a manutenção e evitam que as superfícies precisem ser pintadas novamente, por muitos anos);
- resultado imediato e alto impacto;
- reduz custos com ar condicionado e ventilador e
- ação eficiente no combate ao aquecimento global.

Para obter informações sobre a campanha One Degree Less, procure o Green Building Council Brasil: (11) 4191-7805.

*Dados do GBC Brasil

Quanto custa ser verde?

Foi-se o tempo em que fazer compras era só abastecer a casa. A questão é qual o preço (em reais) dessas opções ambientalmente e socialmente sustentáveis

Por Tatiana Bonumá
Revista Bons Fluidos – 03/2008

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Hoje, consumir implica responsabilidade. Demonstra resistência ou apoio em relação ao fabricante e o conhecimento do impacto que a cadeia de produção causa. “Ter consciência de que se pode influenciar o mundo como consumidor é um dado importante e inevitável. O pós-moderno não se esquece das implicações do objeto comprado. Por exemplo, atualmente, quem vai querer um cinto feito de couro de crocodilo ou um diamante desencravado à custa do trabalho escravo? É essa postura que nos levará ao equilíbrio, evitando a barbárie consumista”, pondera o antropólogo Roberto DaMatta. Você pode endossar uma campanha, sabotar uma conduta ou ajudar a financiar uma causa, de acordo com as escolhas que faz. Nesta era, do consumo responsável, os alimentos orgânicos, os eletrodomésticos que economizam energia, os objetos de madeira com selo do FSC e muitos outros produtos sustentáveis estão em alta. Mas quanto custa fazer essa opção sempre e em todos os setores? Às vezes um produto com as características ecologicamente corretas pode sair 50% a mais do que o similar popular, e em outras, o mesmo tanto que um produto convencional. O importante é comparar e escolher de acordo com sua saúde financeira. Voltando ao supermercado, se não dá para ter tudo verde, pode-se ter metade de tudo verde ou apenas um
item. Como diz o próprio Roberto DaMatta, tudo bem com a preocupação sobre a sustentabilidade, mas não podemos nos esquecer de que antes precisamos salvar o homem.

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ISSO OU AQUILO?
“Na hora de escolher o que entra no orçamento, normalmente o consumidor fica com o produto que traz benefícios extras para a saúde. Essa é a motivação primordial para adquirir
produtos sustentáveis, mesmo que custem mais caro. Em segundo plano, o fator ambiental é considerado”, responde André Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Esse é o comportamento no Brasil e no restante do mundo. Numa escala de valores, alimentos saudáveis, como os orgânicos, são mais importantes do que o detergente biodegradável, o xampu com conceito ecológico e a madeira certificada. Os números comprovam: a venda de alimentos orgânicos cresce cerca de 30% a cada ano. Já o aumento da procura por produtos de madeira com selo do FSC, por exemplo, não chega a dois dígitos. “São duas consciências e posturas. Uma é centrada no interesse individual e visa o benefício imediato, enquanto a outra indica a preocupação com o todo, objetivando melhorias a médio e longo prazo para o meio ambiente
e para as pessoas”, explica André Carvalho.

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QUESTÃO FINANCEIRA
É verdade que muitas vezes não se trata de falta de consciência ecológica, mas de dinheiro. Ser um consumidor responsável sai mais caro? Sim e não. A escala de produção de um item com os critérios ambientais respeitados costuma ser reduzida (a demanda e a produção são menores, e os preços, maiores). Em São Paulo, uma caixa de morango sai por 6 reais*, contra 3 do produto similar, um detergente biodegradável custa de 4 a 6 reais, enquanto o convencional sai por cerca de 80 centavos. Um xampu básico pode ser comprado por 4 reais, e a versão ecologicamente correta pode custar 25 reais (os detergentes utilizados na formulação são biodegradáveis e 100% vegetais e, em geral, comprados de cooperativas que visam incrementar o comércio justo). Por outro lado, também é fato que o consumidor consciente adota atitudes econômicas. “Uma fruta orgânica não estraga na geladeira desse consumidor porque ele compra apenas o que sabe que vai comer. Não há desperdício”, responde Eliana Bussinger, consultora financeira, pesquisadora sobre economia sustentável e autora de A Dieta do Bolso (ed. Campus/Elsevier). Outra postura que esse consumidor assume é a de não comprar supérfluo. “Mesmo assim, evidentemente que, se ele não souber equilibrar o orçamento, poderá incorrer em custos maiores, mas geralmente a atitude responsável costuma pesar mais”, completa a consultora. Para reorganizar as finanças, consulte bons sites e livros (veja quadro), com orientação para as atitudes rotineiras. Afinal, é nas decisões do dia-a-dia que se define o futuro de nosso planeta. “Não dá para desassociar as finanças pessoais das preocupações políticas e ecológicas. A forma de consumir afeta o bolso, a saúde e o mundo. As conseqüências de seus atos moram no futuro e é bom cuidar
dele porque é para lá que você vai”, alerta Eliana Bussinger.

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NA MEDIDA DO POSSÍVEL

Dicas do consultor André Carvalho para um consumo responsável:

- Questione-se uma, duas, três vezes se realmente precisa consumir o produto.

- Avalie a embalagem. É exagerada? Possui materiais sintéticos e não orgânicos? É reciclável? Verifique se pode consumir um similar com embalagens menos impactantes (plástico biodegradável, por exemplo).

- Prefira itens que tenham selos relacionados a aspectos sociais e ambientais, como os selos de produção orgânica: IBD (Instituto BioDinâmico), Ecocert e AAO(Associação de Agricultura
Orgânica), os de manejo florestal, como o FSC e Cerflor (respectivamente selos de origem internacional e nacional), e o do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel e Conpet), que representam melhor desempenho energético e menor impacto ambiental.

- Sempre que possível, troque o supermercado pela feira, que não embala os produtos e oferece preços menores. Melhor ainda se descobrir feiras nas quais os agricultores vendem diretamente seus produtos, sem o adicional dos intermediários.

- Opte por itens da estação e pelos in natura, que garantem qualidade melhor e preços mais baixos.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS PREÇOS VERDES
Sabão em pó biodegradável
(R$ 7, contra R$ 5, do similar)*
Itens que elevam o preço:
• Matérias-primas nobres (de origem vegetal e certificadas por órgãos internacionais, como IBD, Ecocert, BDIH etc.). Não há o uso de substâncias derivadas do petróleo, de animais ou sintéticas.
• Embalagens 100% recicláveis. Não inclui nenhum material tóxico para o meio ambiente.
Alimentos orgânicos
Itens que elevam o preço:
• A escala de produção feita sem agrotóxico.
• Do cultivo ao armazenamento dos alimentos, regras rígidas precisam ser seguidas para o alimento receber o certificado.
• Embalagem diferenciada (uma maçã orgânica tem que vir com um selo de certificação, mas ele não pode estar diretamente sobre o produto. Para isso, é necessârio uma embalagem, bandeja, por exemplo, feita em material que não cause impacto ao meio ambiente).
E a madeira certificada?
Os móveis de madeira são um filão de mercado que está praticando preços aproximados de produtos com ou sem madeira com certificado. “A tendência, a médio prazo, é que ele puxe os outros mercados também”, diz André Carvalho, da GV. Nos últimos anos, a procura por produtos com o selo FSC aumentou. “Um fator decisivo para isso foi não apenas o comportamento dos consumidores individuais, mas também de empresas. Algumas começaram a exigir que os produtos tivessem o selo”, diz Ana Yang, secretária executiva do FSC-Brasil. “Quando se fala em móveis de madeira, o que eleva mais o preço é o design do arquiteto”, destaca Karla Aharonian, gerente de produtos ecológicos da Ecoleo.

CONSCIÊNCIA PESSOAL
Minha saúde em primeiro lugar “Há três anos, parei de comer carne vermelha e comecei a me preocupar com a alimentação. Tento comprar sempre orgânicos e hidropônicos. Mas preciso admitir: os preços são um impeditivo. Não consigo comprar na quantidade que eu gostaria. Portanto, oscilo. Em um mês, compro tomate orgânico, no outro, fico com o tradicional, mas compro o morango orgânico. Vou fazendo assim. Também tento economizar com outras coisas para poder gastar mais com a alimentação. Sempre que posso, faço compras na feira, que é mais barato, e deixo de fazer refeições na rua para comer em casa” – MARINA BUENO, 24 anos, estudante do curso de história

CONSCIÊNCIA TOTAL
Só gasto dinheiro com produtos responsáveis “Sou sensível a qualquer causa que defenda os animais. Então, decidi não comprar mais produtos que fazem testes em bichos. Não tenho enfrentado o problema dos preços altos, mas demoro muito mais para fazer compras, cerca de uma hora a mais, ou seja, o dobro do que eu demorava. Antes era um lance rápido. Eu entrava, pegava o que eu já costumava a consumir e pronto. Hoje não. Antes de comprar, tento saber mais sobre o fabricante. Entro no site, pergunto para as pessoas e acompanho as notícias sobre o assunto. Meu dinheiro só vai para quem tem uma atitude responsável com nosso mundo” – FABIANA BARBOSA, 32 anos, Bibliotecária

CONSCIÊNCIA DO FABRICANTE
Sobre a minha atuação nomundo “Há 15 anos, trabalhava numa camisaria e a quantidade de resíduos gerados me incomodava. Hoje, tenho minha confecção, que aproveita 100% dos tecidos. Com as sobras, fazemos jogos americanos e bolsas. Só usamos fibras orgânicas, que poluem menos. Reduzimos o tingimento das roupas, trabalhamos mais com o material
cru e rejeitamos acessórios metálicos, plásticos e sintéticos. O trabalho de renda, bordado e costura é feito por mulheres de dez cooperativas no Nordeste. O rendimento traz melhorias para elas e para as comunidades em que vivem. O retorno financeiro não é imediato, mas ele vem. O retorno para a sociedade está garantido” – MAGNA COELI, 48 anos, antropóloga e proprietária da confecção Refazenda

EDUQUE-SE FINANCEIRA E ECOLOGICAMENTE
Bons sites
WWF-BRASIL - www.wwf.org.br
GREENPEACE – www.greenpeace.org.br
INSTITUTO AKATU PARA O CONSUMO CONSCIENTE – www.akatu.org.br
CENTRO DE ESTUDOS EM SUSTENTABILIDADE DA FGV – www.ces.fgvsp.br
Bons livros
Biodiversidade: Para Comer, Vestir ou Passar no Cabelo?,Nurit Bensusan, ed. Fundação Peirópolis (leia resenha na Estante do Planeta Sustentável)
Desenvolvimento Sustentável – Desafio do Século XXI, José Eli da Veiga, ed. Garamond

pegada ecológica

O Dia “D” do Consumo

A cada ano que passa, o consumo da humanidade supera mais rapidamente a capacidade de regeneração do planeta

Do Instituto Akatu – 03/2008

Em 2007, no dia 6 de outubro, faltando quase três meses para o Reveillon, a humanidade já havia consumido todos os recursos naturais que o planeta seria capaz de repor naquele ano. Como estamos gastando cada vez mais rápido os recursos naturais, esse dia “D” acontece cada vez mais cedo. Em 1987, o ano do primeiro Ecological Debt Day, como é chamado o dia em que a humanidade passa a estar em débito em relação ao meio ambiente, ocorreu no meio de dezembro. Em 1995, ele pulou para o dia 21 de novembro. E no ano passado, chegou à marca histórica de 6 de outubro.

Essa diferença entre o que o planeta é capaz de regenerar e o consumo efetivo das populações humanas provoca um saldo ecológico negativo que vem se acumulando ano após ano, desde a década de 80, e compromete, no longo prazo, a capacidade de sobrevivência da humanidade e de manutenção da vida no planeta como a conhecemos hoje.

O cálculo é feito pela Ong internacional Global Footprint Network, que tem entre seus integrantes o ambientalista e conselheiro do Instituto Akatu, Fábio Feldman e o pesquisador William Rees, da universidade canadense de British Columbia. Ress é co-autor da ferramenta conhecida como Pegada Ecológica, que serve de base para a análise de impacto do consumo apresentada ao mundo pela Ong.

A pegada ecológica permite calcular qual é a área (em hectares) necessária para produzir tudo aquilo que consumimos e, ainda, absorver os resíduos desses processos, em um ano. A conta é feita considerando toda a quantidade de água e de espaço físico necessários para o plantio, pastagem, pesca etc.. Todo esse conjunto é chamado de “biocapacidade” do planeta, ou seja, a habilidade dos sistemas ecológicos de gerar recursos e absorver resíduos em um determinado período.*

Ao calcular o dia em a Pegada Ecológica total da Humanidade é igual à biocapacidade da Terra (ambos medidos em hectares por ano), os pesquisadores identificam em qual data a população da Terra atinge o seu limite de consumo para o período. De modo simples, esse é o dia em que começamos a usar mais recursos ambientais do que a Terra é capaz de renovar, em um ano. A partir desta data, o planeta funciona no vermelho.

JUROS
Os “juros” cobrados pela natureza devido ao excesso de consumo já são conhecidos. Eles podem ser percebidos na forma de perda de bens e serviços ambientais – como a manutenção do equilíbrio climático. Modificar o padrão de exploração dos recursos e passar a usar apenas o que a natureza é capaz de produzir é a resposta para saldar a dívida e resolver um problema que se agrava continuamente.

“A humanidade tem várias saídas para mudar esse quadro, mas se permanecermos na inércia a e não fizermos nada, já sabemos que as conseqüências serão gravíssimas”, analisa o Prof. Genebaldo Freire Dias, Doutor em Ecologia e autor de diversos livros sobre a Pegada Ecológica. Infelizmente, os dados indicam que as mudanças adotadas até hoje são tímidas para alterar o rumo dessa história. Pelo contrário, os impactos parecem ser cada vez maiores.

Em 1961, quando os cálculos da Pegada Ecológica começaram a ser realizados pela Global Footprint Network, a população humana já usava 70% da capacidade produtiva da Terra. Mas foi em 19 de dezembro de 1987, a primeira vez que consumimos mais recursos do que o planeta era capaz de renovar, em um ano.

Segundo os cálculos da pegada ecológica, feitos pela Global Footprint Network e publicados pelo WWF (World WildLife Fund) no relatório “Living Planet Report 2006″, em 2003 a população da Terra já consumia 25% a mais do que os sistemas biológicos poderiam renovar. Hoje, dados da mesma organização apontam um saldo negativo de 30%. Esse excedente de consumo (conhecido como “overshoot” pelos pesquisadores) significa que seriam necessários 1 ano e 110 dias -  475 dias – para que a Terra pudesse ser capaz de produzir novamente o que a população mundial consumiu no período de um ano, ou seja, em 365 dias. E, segundo a Global Footprint Network, o acúmulo desse consumo excedente ao longo dos anos acaba gerando um “déficit ecológico”, que compromete a integridade dos sistemas naturais.

Para entender a situação, na prática, imagine uma floresta, onde as árvores são cortadas mais rápido do que as novas mudas podem nascer e se desenvolver. Em algum tempo, o número total de árvores na floresta irá diminuir. Frutos, sombra, raízes etc. que ajudam a manter a qualidade do solo, a temperatura e a disponibilidade da água e alimentos também passarão a existir em menor quantidade, comprometendo a possibilidade da flora e fauna sobreviverem naquele ambiente. O mesmo pode acontecer com outros recursos, como as espécies de peixe comercialmente pescadas, as áreas agriculturáveis etc.

Se um processo semelhante ocorre em diversos locais da Terra continuamente, o que acontece é a diminuição dos recursos existentes no planeta assim como da capacidade da natureza de responder aos impactos e se recompor. Desse modo, é como se alguém gastasse muito mais dinheiro em um ano do que é capaz de ganhar. Com o passar do tempo, sua dívida ficaria tão grande que mesmo que trabalhasse muito e ganhasse mais dinheiro, seria difícil saldar o déficit. O risco é a exaustão da capacidade do sistema de gerar recursos, assim como das forças do trabalhador.

Em termos globais, hoje, precisaríamos de 1,3 planetas Terra para manter os atuais padrões de consumo, sem comprometer a capacidade de renovação da natureza. Naturalmente, o grande problema é que vamos continuar a ter apenas um, enquanto as demandas de consumo e a própria população não param de crescer.

No ano 2000, por exemplo, gastou-se no nosso planeta em compras de produtos ou serviços domésticos, mais de 20 trilhões de dólares, quatro vezes mais do que em 1960, quarenta anos antes. Porém, nesse mesmo período a população da Terra dobrou, o que significa que cada pessoa, em média, passou a consumir duas vezes mais.

Não é possível prever até que ponto a Terra será capaz de resistir aos avanços consumistas da humanidade, diz Brooking Gatewood, gerente da Global Footprint Network, responsável pelos cálculos da Pegada Ecológica da Humanidade. “Nós não temos uma estimativa de quanto tempo levará até um ‘colapso ecológico’ ou a exaustão da capacidade da Terra de regenerar os recursos. Isso é impossível dizer, mas nós podemos afirmar que nossas analises mostram que, se a humanidade continuar adotando o modelo de desenvolvimento e consumo atuais, nós precisaremos de 2 planetas Terra em 2050, para prover os recursos que demandaremos”, afirma Gatewood.

Na realidade, os cenários futuros traçados com base nos números da pegada ecológica mostram que há que se buscar, sem demora, um modo de consumir diferente,      que inclua a consciência dos impactos que causamos ao nosso redor, sob pena de transformar a crise ecológica num processo irreversível. “É necessário buscar uma mudança profunda de paradigma para efetivamente solucionar os problemas que estamos vivendo no momento. A compreensão pode vir pelo bolso, pela educação ou pelo sofrimento. Resta saber qual maneira a nossa sociedade vai escolher”, analisa o Prof. Freire.

Agindo para solucionar – Mas o que cada um de nós pode fazer individualmente para diminuir a pegada ecológica da humanidade? Em primeiro lugar tomar consciência do problema e procurar saber quais são os impactos do seu estilo de vida – na sociedade, na natureza e sobre si mesmo. Há muita coisa que se pode fazer, partindo do princípio de reavaliar o consumo, seja de bens materiais ou de recursos naturais, ao tomar consciência de que dependemos destes para sobreviver. “As pessoas hoje esquecem que existe uma base biológica de sustentação da vida. Principalmente nas grandes cidades, onde o consumo é maior e a distância da natureza é grande. Sem essa base (biológica), não tem carro novo, nem shopping center, nem viagem para o Caribe”, desabafa o professor Freire.

O Brasil tem uma pegada ecológica média de 2,1 hectares por habitante por ano, número superior à média mundial sugerida para que atingíssemos um padrão de consumo sustentável hoje, que seria de 1,8 (hectares/hab./ano), mas bastante próxima da média mundial per capta de 2,2.

Você pode descobrir qual é a sua pegada ecológica no The Green Initiative. Vale a pena fazer uma visita, descobrir como anda o seu ritmo de consumo dos recursos naturais e ver se não está na hora de repensar os hábitos. Para ajudá-lo nessa missão, o Akatu confeccionou os 12 Princípios do Consumidor Consciente que estão disponíveis na home-page do Akatu na seção de Publicações/Manuais Práticos de Consumo Consciente.

SAIBA MAIS SOBRE A PEGADA ECOLÓGICA E MOBILIZE-SE
A Global Footprint Network e seus 85 parceiros internacionais realizam todos os anos uma campanha internacional de mídia para divulgar o Ecological Debt Day e a Earth Day Network organiza em abril a comemoração do Dia da Terra, em todo mundo.

Quem quiser participar das campanhas internacionais pode acessar o www.footprintnetwork.org ou www.earthday.net.

O relatório do WWF “Living Planet Report 2006″, que reúne informações gerais sobre a Pegada ecológica e os dados citados nessa reportagem pode ser encontrado na Global Footprint Network.

* O conceito foi desenvolvido pelos pesquisadores Mathis Wackernagel e Willian Hees e pode ser aplicado tanto para medir o impacto de um indivíduo de uma nação, ou até mesmo de toda a população humana sobre o planeta.

Como salvar o mundo sem fazer força

Para defender o meio ambiente, você não precisa se amarrar a uma árvore! Sugerimos ações para você ser amigo do planeta quase sem sair da cadeira

Bruno Favoretto e Nicole Jackson
Revista Men’s Health – 03/2008

Para preservar os recursos naturais do planeta e ainda ir à happy hour com a galera, basta uma poltrona, a internet e esta revista. Pequenos passos conduzem a grandes resultados (não cansamos de frisar isso na MH) e em nenhuma área isso é tão verdadeiro quanto na ambiental. Mudanças mínimas parecem insignificantes, mas multiplique-as por milhões de pessoas e avalie. A seguir, você tem o melhor guia de sustentabilidade feito para ecologistas de sofá.

A.
Gaste menos energia (principalmente a sua) – O que fazer? Invista em tralhas amigas do planeta

1. Troque a lâmpada.
Convidou a namorada para um jantarzinho íntimo? Prefira luz de velas. Mas, como não dá para viver como os Flintstones o tempo todo, compre lâmpadas certificadas pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (selo Procel), que oferecem boa iluminação com baixo consumo. Só para comparar, a Compacta Flúor da FLC, com apenas 9 watts, ilumina tanto quanto uma lâmpada sem selo de 40 watts. “Elas também reduzem o consumo de energia em até 80%”, acrescenta Miriam Duailibi, coordenadora do Instituto Ecoar, ONG paulistana que realiza projetos de educação ambiental pelo país afora.

2. Feche a torneira.
Como diz a canção Hágua, de Seu Jorge, “água doce, bebível, potável está acabando”. Além do desperdício, apenas 0,3% da água do planeta é doce. “Para economizar, instale no bico das torneiras um arejador de vazão constante, à venda nas lojas de material de construção. Ele reduz o consumo de 15 para 6 litros por minuto”, explica o engenheiro Carlos Lemos da Costa, consultor especialista em uso racional de água, de São Paulo.

2. Mude de privada.
O vaso sanitário do seu banheiro foi instalado antes de 2003? Então é hora de substituí-lo por um que tenha a inscrição 6 LPF (6 litros por função) e consuma apenas esse volume de água na descarga. Para gastar menos, coloque a válvula Duoflux, da Deca, que usa só metade (3 litros) se o objetivo é mandar embora apenas urina. “Bacias instaladas antes daquele ano chegam a gastar 15 litros por operação. A troca gera uma economia de 80%”, aponta Lemos da Costa. Assim você evita que seus netos vivam na seca, pois a água da descarga é tão pura e potável quanto a da torneira.

B. Vá para o tanque – O que fazer? Dê uma geral na área de serviço

1. Compre sabão ecológico.
Em Santo André (SP), o Instituto Triângulo é uma ONG que fabrica e vende sabão biodegradável produzido com óleo de cozinha reciclado (2,50 reais o quilo). “Ele evita a poluição provocada pelo óleo jogado na pia”, frisa Paulo Correia, diretor da organização. Em outras palavras, a química diabólica não vai transformar os filhos dos seus filhos em mutantes com três olhos.

2. Evite a secadora de roupas.
Como ela gasta muita energia, as usinas têm que detonar CO2 no ar para alimentá-la. Um levantamento da Organização de Renovação Ambiental, em São José dos Campos (SP), diz que trocar a secadora pelo varal durante meio ano pode reduzir até 317 quilos em emissões de CO2. Pendure a roupa e espie as calcinhas no varal de sua vizinha – desde que ela não seja a Dercy Gonçalves.

C. Emita menos gases – O que fazer? Maneire no repolho e não tenha uma vaca

Suas bufas contêm gás metano (CH4), 23 vezes pior para o efeito estufa que o dióxido de carbono (CO2). É científico! Mas não precisa segurar: seu bombardeio emite, em média, 700 mililitros de gases por dia e só 26 são metano. Uma quantidade irrisória para ferrar o meio ambiente, em comparação às vacas, que soltam 250 ml por peido. Especialistas crêem que o gado é o terceiro maior poluente do planeta.

D. Não vá ao banco – O que fazer? Pague as contas pelo computador

Use o banco online. Indo ao caixa eletrônico para pagar suas contas, você sai de casa, gasta combustível, perde tempo e paciência. Quite tudo pela internet. E não imprima o comprovante de pagamento da fatura do cartão (ele fica disponível online). Assim você contribui para diminuir a derrubada de florestas – só nos EUA os impressos bancários causam a morte de 16 milhões de árvores por ano. E gastam energia suficiente para abastecer durante um ano uma cidade do porte de Campinas (SP).

E. Desacelere e adote os 3 erres: reduzir, reutilizar, reciclar – O que fazer? Produza menos sujeira, leve sacolas ao supermercado e dê um bom fim aos celulares velhos

1. Reduzir.
Significa produzir menos lixo. Só em São Paulo são geradas todo dia 15 mil toneladas – 9 mil vêm das residências, segundo a prefeitura. É muita porcaria! Reduza o lixo, por exemplo, comprando frutas, verduras e legumes avulsos, em vez daqueles embalados em bandejas plásticas e filme transparente. Seu filho gosta das maçãs da Turma da Mônica, mas seja firme: é para o bem dos filhos dele.

2. Reutilizar.
Quarenta por cento das embalagens jogadas no lixo em São Paulo são de plástico, que demora dezenas de anos para se decompor. Ao levar uma mochila ou uma sacola ao supermercado para transportar as compras do churrascão de domingo, você evita a proliferação das sacolas plásticas, que provavelmente vão acabar entupindo um bueiro na próxima enchente ou asfixiando uma tartaruga marinha.

3. Reciclar.
Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), os níveis de gases causadores do efeito estufa podem triplicar até 2100. Um dos mais danosos é o níquel-cádmio das baterias de celular. Para dar um fim nelas, procure uma autorizada da Sony Ericsson, eleita pelo Greenpeace campeã mundial em descarte sustentável de baterias. Numa dessas você ainda vende aquela velharia sem Bluetooth que está na gaveta das cuecas. Se não vender, fique com a consciência limpa que a bateria será sepultada como merece.

F. Tome menos banho – O que fazer? Pegue uma ducha com sua namorada

1. Entre e saia do chuveiro.
Melhor ainda, ponha alguém lá dentro com você. E só abra a torneira quando necessário. O engenheiro Lemos da Costa afirma que quatro minutos é o período de banho ideal para evitar o apagão de energia elétrica e economizar nas contas de água e luz. O resto do tempo é para ensaboar (com o chuveiro desligado) e… você sabe.

2. Lave menos louça.
O ato usa 63 litros de água – e até absurdos 150 litros, com a torneira aberta -, enquanto uma lava-louças gasta 15 litros por ciclo. Preguiçoso como é, você já tem uma dessas, não?

G. Cole no seu camarada motorizado – O que fazer? Economize combustível e viaje pelo Brasil

1. Vá de carona.
A cada quilômetro rodado, um carro a gasolina despeja 27,7 gramas de CO2 no ar. Vai demorar até que todos adotem a bicicleta e pedalem rumo a um mundo mais verde (embora seja uma boa idéia para se livrar da barriga), mas há maneiras de reduzir o uso do carro. Organize um rodízio com os colegas. Você já tem que agüentá-los o dia inteiro, mas é para o bem dos pingüins da Patagônia.

2. Fique por aqui mesmo.
As viagens aéreas têm efeitos nefastos sobre as mudanças climáticas. Segundo o site inglês CO² Balance, um vôo de ida e volta entre Rio de Janeiro e Londres joga 2,04 toneladas de CO2 na atmosfera. Então pense em tirar férias no Brasil. Você não vai admirar as relíquias do British Museum, mas também não terá que ver a bunda branca das britânicas!

Novas versões do papel

Recicladas, fibras de papel compõem materiais leves e resistentes a calor, manchas, riscos e compressão

O papel não é normalmente associado à resistência. Apesar de o arquiteto japonês Shigeru Ban provar o contrário com suas casas, pontes e pavilhões de tubos de papelão (na foto, projeto para a Feira Internacional de Hannover em 2000), continuamos pensando nesse recurso e em seus derivados como frágeis e temporários. Novos materiais criados de fibras recicladas questionam esses preconceitos e proporcionam usos mais acessíveis, como em bancadas de cozinhas e banheiros, divisórias e revestimentos de paredes.

Um exemplo é o produto americano PaperStone, que emprega insumos sustentáveis, certificados pelo FSC e pela Rainforest Alliance. Seu miolo, de fibras de papel recicladas prensadas com resina, oferece grande resistência à pressão. Obtida do óleo de castanha-de-caju, a resina utilizada é livre de petróleo, extremamente dura, resistente a riscos, impermeável e suporta temperaturas superiores a 170 oC sem alterações.

DE ONDE VEIO
O PaperStone é uma versão verde dos revestimentos melamínicos porque substitui fibras de papel novas e componentes à base de petróleo por outros renováveis. Lançado em 2000 com 50% de papel reaproveitado, o produto incorporou a resina de castanha-de-caju em 2008 e passou a usar apenas pigmentos naturais.

PARA ONDE VAI
A busca por materiais sustentáveis tem feito surgir uma variedade de produtos semelhantes, como os também americanos X-Board, de papel reciclado, e o EcoTop, que mistura fibras de bambu, Madeira de demolição e papel reciclado.

Tintas saudáveis

Ainda não há regras ou certificações no Brasil para estimular a fabricação de tintas mais sustentáveis. Mas o mercado já sente a pressão por produtos menos poluentes e agressivos à saúde

Em fevereiro entrou em vigor a lei federal nº 11 762, que restringe o uso de chumbo em tintas imobiliárias para menos de 0,06% do peso do produto. Os fabricantes tiveram seis meses para se adaptar à norma e, hoje, nenhuma grande marca leva o metal em suas fórmulas. O próximo alvo, seguindo a tendência mundial, deverão ser os compostos orgânicos voláteis (COVs), substâncias tóxicas presentes, principalmente, em tintas à base de solvente.

“Elas são fontes de poluição atmosférica e, em ambientes internos, prejudicam a qualidade do ar”, explica Kai Loh Uemoto, professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Antecipando-se a uma futura lei, os cerca de 20 integrantes da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) deram início a uma autorregulamentação para reduzir o total de COVs nas fórmulas. “Tomamos a legislação europeia como referência e definimos prazos para as empresas se adequarem”, diz Gisele Bonfim, supervisora técnica da Abrafati.

DICAS PARA UMA ESCOLHA CONSCIENTE:
- Adquira produtos de empresas que estão na lista de conformidade do Programa Setorial da Qualidade, do Ministério das Cidades
- Privilegie os fabricantes integrantes da Abrafati. Eles participam do Coatings Care, programa internacional que incentiva a redução do consumo de energia e água no processo produtivo.
- Prefira tintas látex à base de água, terra ou pigmentos minerais, menos agressivas à saúde e ao ambiente do que aquelas que usam solvente.
- Argamassas pigmentadas e tintas à base de cal são boas opções porque duram mais e não contêm biocidas tóxicos.
- Verifique a durabilidade e o rendimento. Consumindo menos, você também diminuirá os impactos ambientais.

Quando a arte questiona o desperdício

Até 7 de setembro, o artista chinês Song Dong expõe os absurdos do consumo e do descarte no MoMa – Museu de Arte Moderna de Nova York, com objetos de sua própria mãe

Tania Menai, de Nova York
Planeta Sustentável – 20/07/2009

Ao caminhar pelo grande vão do segundo andar do MoMa – Museu de Arte Moderna de Nova York, os visitantes se deparam com… lixo! Ou melhor, objetos não-prerecíveis, que já tiveram seu uso e – como todos os outros – poderiam acabar em algum depósito de objetos esquecidos. Mas, desta vez, eles fazem parte do projeto “Waste Not” (Não disperdice), feito pelo artista chinês Song Dong, de 43 anos. O artista é famoso por trabalhar com videos, esculturas, fotografia e instalações que instigam os valores sociais. Esta exposição, que ocupa a área de maior prestígio do MoMA, faz parte de um projeto de artistas emergentes, que o museum promove.

Ele criou a mostra usando a tranqueira acumulada na casa da própria mãe durante um período de 50 anos. São baldes, bacias, sapatos, caixas de remédio, vidros, caixas, gaiolas, canetas, animais de pelúcia, bolsas, botões, tampinhas, camisetas. Tudo, tudo que não estraga com o tempo; e que nos faz questionar: se um ser humano usa tudo isso, imagina a humanidade toda. Será que precisamos mesmo de todas estas bugigangas? O mais incrível é que a mãe de Dong, morreu no começo de 2009, aos 71 anos.

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Tudo sobre o aquecimento global

O Instituto Ecoar e o Instituto Ecoclima promoverão o primeiro curso brasileiro de especialização em mudanças climáticas, sequestro e mercado de carbono. As aulas terão início no dia 28 de agosto, em São Paulo, e as inscrições para participar do curso já estão abertas

De acordo com a Pesquisa Global sobre Confiança do Consumidor, realizada pela Nielsen de março a abril deste ano, o aquecimento global é a primeira ou segunda maior preocupação de 9% dos brasileiros. O índice foi o mais alto entre todos os países consultados pela pesquisa, mas o que, de fato, é o aquecimento global?

Para explicar, mais profundamente, as causas e consequências do principal problema ambiental deste século, o Instituto Ecoar e o Instituto Ecoclima – que há mais de dez anos atuam na área climática – promoverão, a partir do final de agosto, o primeiro curso brasileiro de especialização em mudanças climáticas e sequestro e mercado de carbono.

Durante as aulas, serão abordados aspectos – tecnológicos, humanos, ambientais, jurídicos, políticos, culturais e econômicos – da nossa sociedade que sofrem, ou deveriam sofrer, constantes alterações devido ao aquecimento global.

Depois de oferecer uma base sólida aos alunos sobre as causas e consequências do problema, as aulas passarão para um segundo estágio, em que serão debatidos, de forma crítica, os atuais modelos de desenvolvimento, mecanismos institucionais e acordos globais sobre o assunto – como o Protocolo de Kyoto e as Convenções do Clima.

O curso, que contará com aulas presenciais e virtuais e terá duração de dez meses, tem um corpo docente formado por especialistas climáticos que atuam em entidades conceituadas do Brasil e do mundo, como o IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change, o MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia e, também, o MMA – Ministério do Meio Ambiente.

As inscrições para participar do curso já estão abertas, mas as vagas são limitadas. Para mais informações, clique aqui.

Curso de Especialização em Mudanças Climáticas e Sequestro de CO2
Início: 28 de agosto
Duração: 10 meses
Preço: 10 x R$ 600
Local: Instituto Ecoar
Endereço: Rua Rego Freitas, nº 454, Consolação – São Paulo/SP
Mais informações aqui ou pelo telefone (11) 3129-5765

O pai da cidade-poesia

José Eduardo Mendes de Camargo desenvolveu o projeto Entreversos, que procura transformar Dois Córregos, no interior paulista, numa cidade onde toda a população está ligada à poesia

Fred Itioka; Leandro Sarmatz; Liane Alves; Mariana Sgarioni; Rafael Tonon
Revista Vida Simples – 07/2009

Foto: Divulgação{txtalt}

A poesia pode trazer mudanças sociais?
Ler ou escrever poemas é algo intensamente transformador. Entrar em contato com o mais profundo da alma aguça o olhar das pessoas para o mundo e para os próprios sentimentos. E esse mergulho pode ser feito por meio dos versos. Dois Córregos é uma cidade de 20 mil habitantes numa zona de canaviais. Hoje temos empresas que reservam tempo e lugar para seus funcionários lerem poesias, as paredes da cadeia pública da cidade são cobertas de poemas feitos pelas presidiárias. E cortadores de cana são capazes de expressar sua realidade em rimas.

Como surgiu a ideia?
Vim de uma família de professores e gente ligada ao ensino. Mas foi um declamador de poesias da região, Deoclezio Rodolfo, que me deixou apaixonado por esse mundo de poetas. Ele declamava nas festas locais, nas cidades vizinhas, e foi tão famoso que até presidentes mandavam buscá-lo para recitar versos. Não havia quem não fi casse arrepiado ao ouvi-lo. Ele me estimulou a escrever, e arrisquei.
É uma experiência tão gratifi cante que resolvi criar, em 1996, o Instituto Usina dos Sonhos. O Entreversos é um dos projetos da entidade para estimular a cultura de paz na região.

O que muda na cidade com o projeto?
Hoje temos um festival nacional de poesia, um livro para ser lançado com os poemas feitos pela população, o ensino da poesia como matéria em escolas públicas e particulares. O projeto também foi reconhecido pelo PNUD, o programa das Nações Unidas para cultura e desenvolvimento. Ah, e Dois Córregos se transformou na cidade-poesia.

Saiba mais no site Usina dos sonhos

TV Brasil faz pitching em busca de coprodutor independente

A TV Brasil anunciou seu primeiro pitching. O edital para produtores independentes é um busca de programas que abordem o tema “Meio Ambiente e Sustentabilidade”. A ideia é coproduzir com produtores independentes uma série de programas composta por 36 episódios de 36 min cada, que serão exibidos na rede da TV Brasil.

Em uma primeira etapa, serão escolhidos 10 projetos, que participarão da defesa oral. O resultado final será divulgado no dia 26 de outubro, com início da exibição da série escolhida em março de 2009.

Dificuldade

Vale lembrar, a TV Brasil, desde a sua criação, tem enfrentado dificuldade fazer a aquisição de programas de acordo com a Lei de Licitações 8.666. Os pitchings seriam uma forma de adequar a busca por conteúdo independente à regra.

As inscrições vão até o dia 2 de setembro. Da Redação

Iniciativa estimula consciência socioambiental nos jovens

O programa Jovens Embaixadores Ambientais, desenvolvido em parceria com o Pnuma, premiará as melhores ações em prol do meio ambiente e da comunidade, realizadas por adolescentes de vários lugares do mundo. As inscrições para participar já estão abertas

Incentivar a realização de projetos que privilegiam a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável e disseminar inovações tecnológicas, práticas e estilos de vida coerentes com as questões socioambientais que existem, hoje, no mundo.

Esses são os objetivos principais da sexta edição do programa Jovens Embaixadores Ambientais, promovido pela Bayer a 11 anos, em parceria com o Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A iniciativa, que começou na Tailândia, envolve atualmente adolescentes de 19 países do mundo, entre eles o Brasil.

Os jovens de 18 a 25 anos de idade, que são universitários ou estão regularmente matriculados no Ensino Médio, e possuem a autoria de algum estudo ou projeto socioambiental podem participar do Programa. As ações inscritas podem ser direcionadas a qualquer setor da sociedade, contanto que tragam melhorias ao meio ambiente ou à comunidade local ou mundial.

Como prêmio, os realizadores da iniciativa oferecerão aos ganhadores uma viagem à Alemanha. A ideia é promover um intercâmbio técnico-cultural entre adolescentes do mundo inteiro e, dessa forma, incentivar e disseminar projetos que privilegiem o desenvolvimento sustentável.

Os interessados em participar devem preencher a ficha de inscrição do Programa, que está disponível no site da Bayer, e enviá-la pelo correio até o dia 21 de agosto. Ao todo, quatro projetos brasileiros serão escolhidos – por um júri composto por jornalistas e representantes de universidades e ONGs, especialistas em meio ambiente – para representar o nosso país na Alemanha. Para acessar o regulamento do Programa, clique aqui.

De como viver perigosamente

Não chega a surpreender a falta de avanços concretos na reunião do G-8 realizada no início do mês em Áquila, na Itália. O mundo caminha como sonâmbulo em direção a desastres inevitáveis.

Washington Novaes*
O Estado de S. Paulo – 17/07/2009

Dada a repercussão que decisões sobre redução de emissões de gases terão nas economias dos países que as aceitarem – e na competitividade do comércio de cada nação -, é até previsível que os lances verdadeiros só serão dados no último momento, depois de pelo menos esboçada e conhecida a posição real de cada um. E isso só ocorrerá em Copenhague, em dezembro.

Chegou a parecer que haveria um avanço importante quando se anunciou que os 17 países que mais emitem concordavam em que, para a temperatura do planeta não ultrapassar 2 graus Celsius (já subiu 0,7 grau), até 2050 essas nações deveriam baixar suas emissões em 50% (sobre os níveis de 1990) – o que exigiria uma redução de 80% pelos países industrializados. Mas bastou que China, Índia, Rússia e Brasil não aceitassem compromissos formais de redução para que o comunicado final do encontro omitisse esses números e incluísse apenas a menção a um esforço para impedir o aumento da temperatura.

Na verdade, o próprio presidente Barack Obama, que parecia pôr seu país numa posição de vanguarda, adotou uma posição mais cautelosa, por temer que compromissos ambiciosos tenham impacto forte sobre a economia dos EUA, inclusive com a transferência de investimentos para nações que não se obriguem a reduzir emissões nem taxem empresas poluidoras. E nem chegou a discutir o assunto com o presidente Lula, que o evitou (Agência Estado, 10/7). O Brasil, segundo seus porta-vozes, quer “compromissos mais suaves para as economias emergentes, e sem metas quantitativas” (Estado, 10/7), por entender que “políticas públicas que ampliem a cidadania” podem significar aumento das emissões. De qualquer forma, o principal negociador brasileiro, o diplomata Luiz Alberto Figueiredo Machado, criticou o G-8 por não anunciar medidas mais fortes, apenas metas de longo prazo. A seu ver, só metas intermediárias muito claras dariam credibilidade à declaração final.

É um quadro inquietante dos dois ângulos – dos países industrializados e dos chamados emergentes. A Ásia, que triplicou suas emissões em 30 anos, pode emitir 40% do total dos poluentes até 2030, diz o Banco Asiático de Desenvolvimento (Reuters, 17/6) – embora os desastres climáticos possam levar a perdas de até 30% nas safras agrícolas das regiões centro e sul. A redução dos gelos nas montanhas poderá afetar gravemente 1,4 bilhão de pessoas em vários países.

“O mundo está caminhando como um sonâmbulo em direção a desastres evitáveis”, diz o subsecretário de Assuntos Humanitários da ONU, John Holmes. Não há como negar, diante de informações como as do Global Biogeochemical Cycle (Reuters, 1º/7), de que o estoque de carbono sob a camada de permafrost nas regiões geladas do norte “é o dobro do que havia sido estimado”; se apenas 10% forem liberados, a temperatura planetária subirá 0,7 grau. E o problema não é só lá. Como relatou Jamil Chade, correspondente deste jornal em Genebra, 12% do gelo das montanhas suíças desapareceu em uma década. No Monte Kilimanjaro, na África, pela primeira vez não houve neve no topo. Nos Andes peruanos, dizem outros estudos, o derretimento dos gelos acelera-se muito.

Na reunião de que participou há poucos dias na Groenlândia, o ministro brasileiro do Meio Ambiente mencionou como nosso objetivo principal e quase único nessa área a redução do desmatamento na Amazônia em 70%. Deveria ser repensado. Primeiro, porque o cálculo que toma por base a média do período 1995-2006, que foi de 19,5 mil km2, significa que o objetivo está praticamente alcançado nos 40% prometidos para a primeira etapa. Segundo, porque pretender chegar a 2017 com desmatamento ainda em milhares de quilômetros quadrados anuais significa falta de ambição e acreditar que o mundo continuará assistindo a tudo passivamente. Sem falar que se esquece o desmatamento no Cerrado, tão grave quanto o da Amazônia e que está na casa dos 22 mil km2 anuais.

A posição brasileira é frágil – é preciso insistir. Já estamos entre os maiores emissores do planeta, com mais de 1 bilhão de toneladas de carbono e mais de 10 milhões de toneladas anuais de metano, de acordo com o inventário de 1994. Segundo o ex-economista-chefe do Banco Mundial e consultor do governo britânico Nicholas Stern, elas dobraram, estão entre 11 e 12 toneladas por habitante/ano – o que significaria 2,12 bilhões de toneladas/ano, o dobro de 1994.

Brasil e outros países “emergentes” têm razão quando dizem que a responsabilidade primeira e maior pela redução de emissões deve ser dos países industrializados, que emitiram muito mais até aqui e há mais tempo. Mas não tem consistência o argumento de que reduzir as emissões dos “emergentes” pode prejudicar o seu desenvolvimento econômico. Tudo depende do desenvolvimento que se pratique. E não faz sentido um “desenvolvimento” predador de recursos naturais e gerador de mudanças climáticas. Por algum caminho teremos de sair dos impasses em que nos metemos. As convenções do clima e da diversidade biológica, aprovadas no Rio de Janeiro em 1992, ainda não saíram do papel, na prática. Os chamados Objetivos do Milênio, que deveriam ser alcançados em 2015, parecem longe disso.

“As políticas declaradas até agora não são suficientes. (…) É política e moralmente imperativo – e uma responsabilidade histórica dos líderes – trabalhar de acordo com as necessidades da maioria e com o futuro da humanidade”, afirmou, a propósito da reunião de Áquila, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Fazendo lembrar as advertências de seu antecessor, Kofi Annan, tantas vezes já citadas aqui: mudanças climáticas e consumo de recursos naturais além da capacidade de reposição do planeta são os problemas que ameaçam a sobrevivência da espécie humana. A isso se chama viver perigosamente.

*Washington Novaes é jornalista

Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo, na seção Espaço Aberto

Pneus inúteis recebem destino nobre

200 milhões de unidades foram coletadas pela Reciclanip – programa da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos – e encaminhadas para fins ecológicos adequados. Fiesp homenageou a iniciativa.

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

A meta atingida na coleta e destinação adequada de pneus inservíveis bateu recorde: 200 milhões de unidades encaminhadas para fins ambientalmente corretos. Para se ter uma ideia, o número equivale a quantidade de pneus necessária para equipar duas vezes toda a frota de automóveis do Brasil, que é estimada, hoje, em 25 milhões de carros. 

A iniciativa é da Reciclanip, entidade que pertence a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) e que é, atualmente, uma das maiores organizações da indústria brasileira na área de responsabilidade pós-consumo. Considerando a grande contribuição que a atividade tem dado ao meio-ambiente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) resolveu homenageá-la ontem, 23 de março, na própria sede da Fiesp. 

Os pneus coletados, que pesam cerca de um milhão de toneladas, receberam diversos destinos diferentes. Entre eles, a fabricação de pó de borracha para asfalto, a produção de combustível alternativo para a indústria de cimento e, ainda, a utilização da substância como matéria-prima para confeccionar solados de sapato e dutos fluviais. 

Além da contribuição ecológica, o reaproveitamento dos pneus estimula, também, a economia do país. A atividade gera empregos, impostos e, ainda, alimenta outras indústrias, caracterizando uma ótima oportunidade para o Brasil.

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