Famosos apoiam campanha pelos telhados brancos

Criada, em 2009, por Thassanee Wanick, presidente do Green Building Council Brasil, para ajudar a combater o aquecimento global, a campanha pelos telhados brancos – One Degree Less – entra em nova fase, com a adesão de personalidades da moda, da TV, da música e dos esportes

Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 23/04/2010

Enquanto um acordo internacional contra as mudanças climáticas não sai, o Green Building Council Brasil convida os brasileiros a participar da campanha One Degree Less, que incentiva a adoção de telhados brancos em casas, edifícios, lajes e galpões para ajudar a reduzir a temperatura do planeta em um grau. Ou seja, ajudar a combater o aquecimento global.

Lançada em 2009 por Thassanee Wanick, fundadora e presidente da ONG, a campanha recebeu o apoio do secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, no exterior. Por aqui, teve a adesão de diversas empresas, como a Du Pont do Brasil, e também do secretário da Habitação de São Paulo e presidente da CDHU, Lair Krähenbühl, que assinou parceria para pintar os telhados de conjuntos habitacionais, em Ilhabela, que já oferecem soluções sustentáveis como aquecedores a luz solar e o uso de madeira certificada. Todo o esforço realizado até agora resultou na pintura de 450mil m2, o que equivale à retirada de 45 mil carros de circulação ou 45 mil toneladas de CO2*.

“Queremos que todos pensem sobre o problema do aquecimento global e percebam que não é possível ficar parado. Que é necessário agir já!”, salienta Thassanee. “Cientistas falam sobre o aquecimento do Oceano Atlântico sul há mais de uma década, mas somente agora estamos vendo tragédias como as que ocorreram no Rio de Janeiro, recentemente. Então, se quisermos deixar um mundo melhor para os nossos filhos, esse é o momento de fazer alguma coisa”, convida.

Agora, em nova fase – que visa disseminar mais amplamente os benefícios dessa prática e tem o slogan “Ajude a parar o aquecimento global. Pinte seu telhado de branco” – a campanha conquista a participação de personalidades de diversas áreas, como o ex-jogador de futebol Raí, os atores Cristiane Torloni, Sérgio Marone e Fernanda Paes Leme, a atleta Fernanda Murer, a modelo Caroline Bittencourt, o cantor Toni Garrido e a consultora de moda Costanza Pascolatto. Nas fotos de outra personalidade – o fotógrafo Maurício Nahas –, eles exibem a palma da mão pintada de branco e em sinal de Pare! Todos os profissionais envolvidos nessa campanha trabalharam gaciosamente, assim como a agência Moma Propaganda. E, para divulgar a mensagem da One Degree Less, o GBC Brasil também contará com o apoio da mídia.

A eficácia da campanha do GBC Brasil é sustentada por dados do Lawrence Berkeley National Laboratory, seu grande apoiador. Segundo o laboratório norte-americano, as superfícies pintadas de branco ajudam a diminuir os efeitos da incidência solar. “Estima-se que, para cada 100m2 de cobertura pintada com cor branca, são compensadas 10 toneladas de CO2 emitidas/ano”, explicaThassanee.

De acordo com o GBC Brasil, estes são os benefícios dos telhados brancos:
- diminuição das ilhas de calor de prédios e casas;
- diminuição da emissão de CO2;
- ajuda a refletir os raios solares de volta para o espaço;
- fácil aplicação e pouca manutenção (existem tintas e materiais autolimpantes que facilitam a manutenção e evitam que as superfícies precisem ser pintadas novamente, por muitos anos);
- resultado imediato e alto impacto;
- reduz custos com ar condicionado e ventilador e
- ação eficiente no combate ao aquecimento global.

Para obter informações sobre a campanha One Degree Less, procure o Green Building Council Brasil: (11) 4191-7805.

*Dados do GBC Brasil

Tudo sobre o aquecimento global

O Instituto Ecoar e o Instituto Ecoclima promoverão o primeiro curso brasileiro de especialização em mudanças climáticas, sequestro e mercado de carbono. As aulas terão início no dia 28 de agosto, em São Paulo, e as inscrições para participar do curso já estão abertas

De acordo com a Pesquisa Global sobre Confiança do Consumidor, realizada pela Nielsen de março a abril deste ano, o aquecimento global é a primeira ou segunda maior preocupação de 9% dos brasileiros. O índice foi o mais alto entre todos os países consultados pela pesquisa, mas o que, de fato, é o aquecimento global?

Para explicar, mais profundamente, as causas e consequências do principal problema ambiental deste século, o Instituto Ecoar e o Instituto Ecoclima – que há mais de dez anos atuam na área climática – promoverão, a partir do final de agosto, o primeiro curso brasileiro de especialização em mudanças climáticas e sequestro e mercado de carbono.

Durante as aulas, serão abordados aspectos – tecnológicos, humanos, ambientais, jurídicos, políticos, culturais e econômicos – da nossa sociedade que sofrem, ou deveriam sofrer, constantes alterações devido ao aquecimento global.

Depois de oferecer uma base sólida aos alunos sobre as causas e consequências do problema, as aulas passarão para um segundo estágio, em que serão debatidos, de forma crítica, os atuais modelos de desenvolvimento, mecanismos institucionais e acordos globais sobre o assunto – como o Protocolo de Kyoto e as Convenções do Clima.

O curso, que contará com aulas presenciais e virtuais e terá duração de dez meses, tem um corpo docente formado por especialistas climáticos que atuam em entidades conceituadas do Brasil e do mundo, como o IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change, o MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia e, também, o MMA – Ministério do Meio Ambiente.

As inscrições para participar do curso já estão abertas, mas as vagas são limitadas. Para mais informações, clique aqui.

Curso de Especialização em Mudanças Climáticas e Sequestro de CO2
Início: 28 de agosto
Duração: 10 meses
Preço: 10 x R$ 600
Local: Instituto Ecoar
Endereço: Rua Rego Freitas, nº 454, Consolação – São Paulo/SP
Mais informações aqui ou pelo telefone (11) 3129-5765

Mudanças climáticas: brasileiros querem ajudar

Pesquisa, realizada por empresa global de consultoria, revela que países em desenvolvimento estão mais preocupados com as mudanças climáticas do que o resto do mundo.

Por Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

As economias emergentes se importam mais em reduzir as emissões de carbono do que as nações desenvolvidas e estão dispostas a mudar seu comportamento pelo bem do planeta. Foi essa a principal conclusão de uma pesquisa divulgada recentemente pela Accenture, empresa global de consultoria, que traçou o comportamento de 11 mil pessoas de 22 países diferentes com relação às mudanças climáticas que estão acontecendo no mundo. 

O Brasil se saiu bem. De acordo com a pesquisa, 100% dos brasileiros entrevistados estão, de alguma forma, preocupados com o assunto. Talvez porque 96% deste total acredite que as mudanças climáticas provavelmente ou certamente terão impacto direto em suas vidas. 

Para evitar futuras dores de cabeça, 97% dos entrevistados prometem trocar de fornecedor de energia para ajudar na redução de emissão de carbono. Embora animadora, a vontade de ajudar do brasileiro não é muito confiável. No ano passado, a mesma pesquisa revelou que 99% das pessoas afirmaram que mudariam de fornecedor, mas somente 13,4% realmente o fizeram. Embora acima da média global, que é de 9%, o número foi muito menor do que o esperado. 

Mas, de acordo com a pesquisa, o brasileiro pode fazer bem mais do que mudar de fornecedor de energia. 84% da população compra produtos feitos de material reciclado e 80% usa transporte público para diminuir a emissão de gases poluidores. Há ainda uma parcela de 49% dos brasileiros que se preocupa em adquirir produtos feitos com materiais biodegradáveis. 

Segundo o líder da pesquisa no Brasil, Miguel Zweig, atitudes como essas são muito importantes: “O poder dos consumidores pode fazer as companhias desenvolverem produtos que levem em conta a preocupação com as mudanças climáticas”, diz Zweig. Para ele, é necessário ainda que os governos apoiem essa transformação, com políticas claras e incentivos definidos. 

Mas o brasileiro parece tranquilo quanto a isso. Ainda baseado em dados da pesquisa, dos países que estão confiantes e otimistas na habilidade de seus políticos, sociedade e provedores de energia em encontrarem uma solução para as mudanças climáticas, o Brasil está bem colocado, em terceiro lugar, atrás apenas da Índia e China. 

E esse otimismo pode, mesmo, ter fundamento. “Os investimentos na redução da emissão de carbono serão feitos por economias e consumidores mais preocupados e ativistas, a partir da adoção de novas tecnologias e da utilização de políticas inovadoras. Já que as economias emergentes têm se destacado nesse assunto, elas podem sair ganhando com a atração de novos investimentos”, diz o líder da prática de consultoria de Estratégia da Accenture na América Latina, Marcelo Gil de Souza.

Vamos lá: tinta branca nos telhados!

Por Ana Luiza Herzog | 05/03/2009 – 17:34

Vi ontem de noite, no canal de TV GNT, a propaganda da campanha “One degree less” (Um grau a menos), do Green Building Council Brasil. Os comerciais começaram a ser veiculados há cerca de duas semanas e seu propósito é fazer com que as pessoas se convençam da importância de pintar os telhados de suas casas e prédios de branco. E antes que você me pergunte “a troco de quê”, eu vou explicar.

 

De acordo com muitos estudos, dentre eles um da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, cerca de 25% da superfície das grandes cidades é composta de telhados - que em sua imensa maioria são escuros e refletem apenas 20% da luz solar. E como refletem muito pouco daquilo que incide sobre elas, essas superfícies ficam quentes, muito quentes. Junte isso à quantidade absurda de concreto usado na pavimentação de ruas e avenidas - que também absorvem muito calor -, mais a escassez de grandes áreas verdes e tchan tchan tchan … temperaturas muito mais altas nos centros urbanos do que fora deles - um fenômeno que foi batizado de “ilhas de calor” (Urban Heat Island). 

 

Então, para evitar que vivamos numa ilha de calor cada vez mais quente (acabei de chegar da rua e lá fora os termômetros marcam 33 graus) e os prédios possam consumir menos energia para manter ar-condicionados a todo vapor, tinta branca nos telhados é o que há! O estudo de Berkeley monitorou cerca de 10 edifícios nos estados da Califórnia e da Flórida e constatou que o uso de tetos brancos - que também são chamados de frios - pode gerar para os proprietários dos imóveis entre 20% e 70% de economia de energia de resfriamento. Não é pouco não. E quanto ao carbono que deixa de ser emitido com a redução desse uso de energia? Cada 100 metros quadrados de teto pintados de branco compensam 10 toneladas de C02. O site da campanha dá mais detalhes sobre o estudo e explica direitinho como essa prática simples de pintar telhados e tetos pode dar uma resfriada no planeta. Vale a pena.

 

(A iniciativa “Um grau a menos” é brasileira, e foi idealizada por Thassanee Wanick, uma ambientalista que também é cônsul geral da Tailândia no Brasil e coordena as atividades do GBC aqui. A propósito: o GBC é uma ONG que tem a missão de disseminar conceitos de sustentabilidade para a indústria da construção civil. Ela nasceu nos Estados Unidos e é quem concede o LEED, o único selo verde para construções aceito internacionalmente). 

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