VotenaWeb: política em um click

Para manter a população informada sobre tudo o que está acontecendo no Congresso Nacional, o portal VotenaWeb transcreve, em uma linguagem mais acessível, os Projetos de Lei que estão sendo votados e explica como eles podem interferir na nossa vida

Como uma forma de fazer nosso voto valer sempre, e não apenas nas eleições, um grupo de ativistas criou o portal VotenaWeb .O site busca transcrever todas as leis que estão no Congresso Nacional para que o cidadão possa entendê-las de forma objetiva – e saber como elas interferem em sua vida. O usuário ainda pode usar o mouse para dizer se concorda ou não com essas leis e fazer comentários sobre elas.

“Uma ferramenta que esboça um mapa do desejo do cidadão que pode ter, sim, uma força dentro do cenário político nacional”, diz Priscila Marcenes, coordenadora do projeto. Com o tempo, o usuário consegue fazer um comparativo sobre o que os politicos em quem ele votou estão fazendo e se vale votar neles novamente.
E, para saber quanto vale um político, a Bovap (Bolsa de Valores Políticos) usa a lógica do mercado de ações para negociar a imagem de deputados, governadores etc.

Você se cadastra no site e recebe 50000 UVPs (Unidades de Valor Político) para começar e investir nos valores politicos em que você acredita. Por isso, não espere mais quatro anos para participar e fazer valer sua opinião.

Veja também:

Como ser um cidadão ativo, via internet

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“Uma ferramenta que esboça um mapa do desejo do cidadão que pode ter, sim, uma força dentro do cenário político nacional”, diz Priscila Marcenes, coordenadora do projeto. Com o tempo, o usuário consegue fazer um comparativo sobre o que os politicos em quem ele votou estão fazendo e se vale votar neles novamente.
E, para saber quanto vale um político, a Bovap (Bolsa de Valores Políticos) usa a lógica do mercado de ações para negociar a imagem de deputados, governadores etc.

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USP ameaça fechar canil

Com mais de 100 animais, reitoria quer fechar estabelecimento mantido por voluntários

Foi uma barulhada só. De um lado, uma centena de protetores dos animais. Do outro, o coordenador do câmpus da Universidade de São Paulo, Antonio Marcos Massola, e o diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, José Antônio Visintin. Em questão, 110 cães sem dono de um abrigo localizado na Coordenadoria do Campus da Capital (Cocesp). Aberto em 2004, o canil amanheceu no último dia 26 com uma placa que informava sua desativação. Preocupados, defensores dos bichos começaram a se mobilizar. Na sexta (30), realizaram uma passeata pelas ruas da Cidade Universitária: com alguns totós na coleira, de rabinho abanando, mais de 100 pessoas caminharam rumo à reitoria. Chamaram pelo reitor aos uivos, deram um abraço simbólico no prédio da administração e — acredite — entoaram o Hino Nacional latindo.

Em comunicado oficial, a assessoria da universidade respondeu que o canil não seria desativado imediatamente. “Trata-se de um problema de saúde pública”, afirma Visintin. Em parceria com a Cocesp, o diretor reivindica o controle do espaço, até então mantido por voluntários do grupo Patinhas Online. De 2007 para cá, os protetores contabilizam 900 esterilizações e 300 doações de animais. Eles também monitoram e alimentam os 100 cachorros que vivem inexplicavelmente soltos na USP, causando risco para seus frequentadores. “Precisamos botar ordem na casa”, diz Visintin. “Panela em que todo mundo põe a mão, ou você come cru ou se queima.” Para ele, é preciso promover uma campanha educacional que abordaria desde a orientação contra a soltura dos cães até a adoção.

Um projeto com esses objetivos, o USP Convive, já existe há nove anos. “A ideia do canil surgiu daí”, afirma o atual coordenador do programa, Tibor Rabóczkay, professor do Instituto de Química. Criado para combater o problema crescente de animais abandonados nos domínios da universidade, o canil acabou esvaziado ao longo do tempo. “Houve falta de interesse dos participantes.” Foi então que entraram os voluntários, responsáveis por arrecadar 2 000 reais mensais para cobrir as despesas com veterinário. A ração é doada pela USP. “Não queremos ser excluídos”, diz Rafael Splichal, do Patinhas Online. Os apaixonados pelos bichos temem que, nas mãos de outras pessoas, cachorros idosos e doentes acabem sacrificados. “Quem deve dar esse diagnóstico é o médico veterinário, e não o protetor”, rebate Visintin. Vêm mais latidos por aí.

Veja também:
O trabalho de Marco Ciampi na Arca Brasil
Quer nos adotar?

Foi uma barulhada só. De um lado, uma centena de protetores dos animais. Do outro, o coordenador do câmpus da Universidade de São Paulo, Antonio Marcos Massola, e o diretor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, José Antônio Visintin. Em questão, 110 cães sem dono de um abrigo localizado na Coordenadoria do Campus da Capital (Cocesp). Aberto em 2004, o canil amanheceu no último dia 26 com uma placa que informava sua desativação. Preocupados, defensores dos bichos começaram a se mobilizar. Na sexta (30), realizaram uma passeata pelas ruas da Cidade Universitária: com alguns totós na coleira, de rabinho abanando, mais de 100 pessoas caminharam rumo à reitoria. Chamaram pelo reitor aos uivos, deram um abraço simbólico no prédio da administração e — acredite — entoaram o Hino Nacional latindo.

Em comunicado oficial, a assessoria da universidade respondeu que o canil não seria desativado imediatamente. “Trata-se de um problema de saúde pública”, afirma Visintin. Em parceria com a Cocesp, o diretor reivindica o controle do espaço, até então mantido por voluntários do grupo Patinhas Online. De 2007 para cá, os protetores contabilizam 900 esterilizações e 300 doações de animais. Eles também monitoram e alimentam os 100 cachorros que vivem inexplicavelmente soltos na USP, causando risco para seus frequentadores. “Precisamos botar ordem na casa”, diz Visintin. “Panela em que todo mundo põe a mão, ou você come cru ou se queima.” Para ele, é preciso promover uma campanha educacional que abordaria desde a orientação contra a soltura dos cães até a adoção.

Um projeto com esses objetivos, o USP Convive, já existe há nove anos. “A ideia do canil surgiu daí”, afirma o atual coordenador do programa, Tibor Rabóczkay, professor do Instituto de Química. Criado para combater o problema crescente de animais abandonados nos domínios da universidade, o canil acabou esvaziado ao longo do tempo. “Houve falta de interesse dos participantes.” Foi então que entraram os voluntários, responsáveis por arrecadar 2 000 reais mensais para cobrir as despesas com veterinário. A ração é doada pela USP. “Não queremos ser excluídos”, diz Rafael Splichal, do Patinhas Online. Os apaixonados pelos bichos temem que, nas mãos de outras pessoas, cachorros idosos e doentes acabem sacrificados. “Quem deve dar esse diagnóstico é o médico veterinário, e não o protetor”, rebate Visintin. Vêm mais latidos por aí.

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O problema é dos outros

Nós fazemos muito pouco pelo planeta por achar que cuidar dele é um problema dos governos e das empresas

Luiz Alberto Marinho
Vida Simples – 04/2010

Alguns anos atrás entrei em um supermercado na França e me espantei na hora de pagar as compras. Não pelos preços, mas pela ausência das sacolinhas plásticas, tão familiares para quem frequenta as lojas brasileiras. Naquela rede francesa, como em muitas outras no exterior, quem não levar sua própria sacola de casa precisa comprar uma na hora, feita de material reciclado e resistente o bastante para ser usada várias vezes.

Lembrei-me dessa história outro dia, ao ler os resultados de um estudo sobre o uso de sacolas plásticas pelo comércio nacional. Você sabia que no ano passado nós utilizamos cerca de 15 bilhões delas? Isso significa que em 2009 cada brasileiro consumiu cerca de 66 sacos plásticos por mês. E, como você deve saber, o plástico é altamente prejudicial ao meio ambiente, porque leva anos para se desintegrar.

A indústria do plástico se defende com pesquisas que mostram que 75% dos consumidores brasileiros reaproveitam sacolas plásticas para acondicionar lixo doméstico e 69% deles usam a embalagem para carregar outras compras. Tem ainda os que guardam sapatos, documentos e até os que recolhem fezes de animais com a ajuda das sacolinhas.

Da minha parte, estou convencido de que o esforço para estimular os consumidores brasileiros a reduzir o uso de sacos plásticos é inútil. E isso tem relação com o descaso com que tratamos o planeta. Até as pessoas mais bem informadas sobre o meio ambiente se esquecem de sair de casa preparadas para trazer as próprias compras. Eu mesmo, outro dia, apesar de carregar uma mochila nas costas, aceitei um saco plástico no caixa de uma livraria. Só depois de sair da loja percebi que poderia ter poupado o planeta de mais um pedaço de plástico.

Isso ocorre porque nós, seres humanos, não estamos dispostos a fazer a nossa parte para salvar a mãe natureza. A conveniência fala mais alto e pensamos que essa tarefa, afinal, deve ser encampada pelos governos e pelas empresas – não por nós. Essa atitude não aparece apenas nos supermercados.

Ano passado, pesquisa realizada pelo Ibope para saber o que os paulistanos pensavam sobre o Dia Mundial sem Carro revelou que apenas 45% deles estavam dispostos a apoiar a iniciativa. Outro estudo revelou que somente um terço dos cariocas participariam. O que se viu, entretanto, foi uma adesão ainda menor. As desculpas passam pela precariedade do transporte público, a insegurança das cidades e a pressa, entre outras.

Mas na verdade isso acontece porque estamos todos de acordo quando o assunto se refere ao que os outros precisam fazer. Mas, quando somos nós que temos que abrir mão de algum conforto, aí a coisa muda de figura.

Luiz Alberto Marinho não joga lixo nas ruas, vai para o trabalho a pé e usa sacolas recicláveis.

Jaume Sanllorente arranca sorrisos em Bombaim

Em viagem à Índia, o jornalista catalão Jaume Sanllorente se surpreendeu com as condições precárias em que viviam as crianças da cidade de Bombaim e decidiu criar a ONG Sorrisos de Bombaim, para mudar essa realidade

Maria Fernanda Vomero
Revista Vida Simples – 04/2010

Poderia ter sido uma simples viagem de férias à Índia, país que nunca esteve entre seus favoritos e que, no início, até lhe causou certa repulsa. O jornalista catalão Jaume Sanllorente também poderia ter voltado daquela jornada apenas com histórias intrigantes para contar, além de algum estranhamento em retomar a gravata a fim de dar expediente na revista de economia em que trabalhava. Poderia. O fato é que, muito além da beleza do Taj Mahal, Jaume conseguiu enxergar uma Índia que lhe ecoou no coração e cuja síntese estava nas crianças paupérrimas de Mumbai (Bombaim), à mercê da prostituição, da mendicância e de doenças.

Na segunda viagem ao país, visitou um orfanato que se encontrava em vias de fechar. Os meninos corriam o risco de ser levados a algum bordel. Jaume não pestanejou: sentiu que seu destino estava indiscutivelmente atrelado ao daquelas crianças. Voltou a Barcelona decidido a conseguir fundos para manter o orfanato em funcionamento. Isso faz pouco mais de cinco anos: hoje, aos 33 anos, Jaume está à frente da ONG Sorrisos de Bombaim, diretamente responsável pela educação de mais de 2700 garotos. Desde 2004 mora na megalópole indiana e afirma que lá encontrou sua razão de viver: “Vamos dormir sabendo que ainda existe muita gente aí fora vivendo nas ruas e em situações de calamidade. Mas é certo que, a cada dia, se seguimos trabalhando duro, haverá, no mínimo, uma pessoa a menos nessas condições”.

Como a Índia real surgiu em seu caminho?
Cada pessoa é tocada por uma ou outra coisa de um lugar. A mim, a pobreza me impactou muito. E, por isso, explorar tão-somente museus e palácios de marajás (que são lindos e vale a pena visitar) me pareceu pouco. Assim, decidi ir além e ver com meus próprios olhos a realidade que me abalou. Constatei que Primeiro e Terceiro Mundo são um mesmo e nós todos, responsáveis por torná-lo melhor. Isso poderia ter me ocorrido em Nova York, visitando o Bronx; no Rio de Janeiro, conhecendo as favelas, ou em minha própria cidade, Barcelona, onde também há pessoas com necessidades. Mas o destino fez com que isso acontecesse em Mumbai… E aqui sigo.

O que você buscava em sua vida que veio a encontrar em Bombaim?
Não buscava absolutamente nada. Na verdade, não queria vir à Índia. Mas descobrir aquele pequeno orfanato que enfrentava uma má situação financeira e pensar em outros muitos centros indianos desse tipo que, por falta de fundos, acabam fechando foi o que me fez realmente partir para a ação.

Quais foram os casos que o emocionaram de modo especial?
Houve alguns muito dramáticos, especialmente nos primeiros tempos: meninas violentadas por todos os homens de sua família e posteriormente vendidas a bordéis, crianças de 5 e 6 anos de idade forçadas a entrar na prostituição… Ultimamente ampliamos os projetos e temos trabalhado com programas relacionados com a detecção e o tratamento da lepra.

Você esteve ameaçado pelas máfias indianas que aliciam crianças. Como se sentiu?
Foi um episódio concreto em minha vida que espero que não se repita. Faz um ano que ando sem escolta e sinto pouco perigo. Atribuo isso ao fato de que já não poderão impedir nada caso me machuquem. A entidade conta com mais de 5000 beneficiários em distintas zonas da cidade. Quem vai querer me fazer mal com 5000 guarda-costas espalhados por toda Bombaim?

Como você lida com o sistema de castas, já que a ONG acolhe os dalits ou intocáveis? Quais são os desafios?
Temos um duplo problema: por um lado, as castas, por outro, o fato de estar em Bombaim. O governo indiano, muito acertadamente, tem desenvolvido nos últimos anos programas que asseguram a justiça trabalhista para os intocáveis: postos obrigatórios nas empresas, direitos etc. Mas o que acontece com aqueles que não são intocáveis e que chegam a Bombaim na pobreza absoluta a fim de buscar um sonho? Não estão cobertos por programas governamentais e acabam por sofrer com a miséria a cada dia. Aqui na cidade, há outro tipo de sistema de castas muito perigoso ganhando forma: o do dinheiro.

Essa experiência na Índia provocou mudanças cruciais em seu jeito de ser?
Eu me vejo exatamente igual a quem era há cinco anos. E suponho que seja um dos motivos pelos quais meu caso despertou tanto interesse na Espanha: porque não sou um religioso ou um místico, nem alguém atado a uma crença religiosa ou a um grupo concreto. Sou um cara normal, totalmente comum. E espero que isso seja uma inspiração para outros. Não é preciso ter poderes especiais a fim de contribuir para a melhora do mundo, eu posso garantir.

E quais são os programas em ação atualmente da Sorrisos de Bombaim?
Atualmente trabalhamos lado a lado com entidades locais, com as quais desenvolvemos vários projetos. Nos últimos dois anos, colocamos em funcionamento mais de 100 creches espalhadas pelas favelas de Bombaim. Desse modo, quando as crianças chegam aos 6 ou 7 anos de idade, podem ser matriculadas em escolas, pois já sabem ler e escrever. Apoiamos também um colégio na zona norte da cidade, e temos levado adiante vários programas com pacientes com lepra.
Nesse caso, incentivamos que, uma vez curados, possam conseguir um trabalho regular e seus filhos sejam matriculados em escolas. Em muitas ocasiões, esses pacientes são rechaçados porque têm em seu corpo e rosto as marcas de uma “doença maldita”. É uma enfermidade que ainda hoje continua bastante estigmatizada. Por isso, batizamos tais programas com o nome de “Voltar à Vida”. Há também o “Cartão da Esperança”, inspirado em iniciativas do governo Lula (como o Bolsa-Escola), que proporciona benefícios médicos em troca da escolarização dos filhos; mas ainda é um projeto piloto.

Famosos apoiam campanha pelos telhados brancos

Criada, em 2009, por Thassanee Wanick, presidente do Green Building Council Brasil, para ajudar a combater o aquecimento global, a campanha pelos telhados brancos – One Degree Less – entra em nova fase, com a adesão de personalidades da moda, da TV, da música e dos esportes

Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 23/04/2010

Enquanto um acordo internacional contra as mudanças climáticas não sai, o Green Building Council Brasil convida os brasileiros a participar da campanha One Degree Less, que incentiva a adoção de telhados brancos em casas, edifícios, lajes e galpões para ajudar a reduzir a temperatura do planeta em um grau. Ou seja, ajudar a combater o aquecimento global.

Lançada em 2009 por Thassanee Wanick, fundadora e presidente da ONG, a campanha recebeu o apoio do secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, no exterior. Por aqui, teve a adesão de diversas empresas, como a Du Pont do Brasil, e também do secretário da Habitação de São Paulo e presidente da CDHU, Lair Krähenbühl, que assinou parceria para pintar os telhados de conjuntos habitacionais, em Ilhabela, que já oferecem soluções sustentáveis como aquecedores a luz solar e o uso de madeira certificada. Todo o esforço realizado até agora resultou na pintura de 450mil m2, o que equivale à retirada de 45 mil carros de circulação ou 45 mil toneladas de CO2*.

“Queremos que todos pensem sobre o problema do aquecimento global e percebam que não é possível ficar parado. Que é necessário agir já!”, salienta Thassanee. “Cientistas falam sobre o aquecimento do Oceano Atlântico sul há mais de uma década, mas somente agora estamos vendo tragédias como as que ocorreram no Rio de Janeiro, recentemente. Então, se quisermos deixar um mundo melhor para os nossos filhos, esse é o momento de fazer alguma coisa”, convida.

Agora, em nova fase – que visa disseminar mais amplamente os benefícios dessa prática e tem o slogan “Ajude a parar o aquecimento global. Pinte seu telhado de branco” – a campanha conquista a participação de personalidades de diversas áreas, como o ex-jogador de futebol Raí, os atores Cristiane Torloni, Sérgio Marone e Fernanda Paes Leme, a atleta Fernanda Murer, a modelo Caroline Bittencourt, o cantor Toni Garrido e a consultora de moda Costanza Pascolatto. Nas fotos de outra personalidade – o fotógrafo Maurício Nahas –, eles exibem a palma da mão pintada de branco e em sinal de Pare! Todos os profissionais envolvidos nessa campanha trabalharam gaciosamente, assim como a agência Moma Propaganda. E, para divulgar a mensagem da One Degree Less, o GBC Brasil também contará com o apoio da mídia.

A eficácia da campanha do GBC Brasil é sustentada por dados do Lawrence Berkeley National Laboratory, seu grande apoiador. Segundo o laboratório norte-americano, as superfícies pintadas de branco ajudam a diminuir os efeitos da incidência solar. “Estima-se que, para cada 100m2 de cobertura pintada com cor branca, são compensadas 10 toneladas de CO2 emitidas/ano”, explicaThassanee.

De acordo com o GBC Brasil, estes são os benefícios dos telhados brancos:
- diminuição das ilhas de calor de prédios e casas;
- diminuição da emissão de CO2;
- ajuda a refletir os raios solares de volta para o espaço;
- fácil aplicação e pouca manutenção (existem tintas e materiais autolimpantes que facilitam a manutenção e evitam que as superfícies precisem ser pintadas novamente, por muitos anos);
- resultado imediato e alto impacto;
- reduz custos com ar condicionado e ventilador e
- ação eficiente no combate ao aquecimento global.

Para obter informações sobre a campanha One Degree Less, procure o Green Building Council Brasil: (11) 4191-7805.

*Dados do GBC Brasil

Quanto custa ser verde?

Foi-se o tempo em que fazer compras era só abastecer a casa. A questão é qual o preço (em reais) dessas opções ambientalmente e socialmente sustentáveis

Por Tatiana Bonumá
Revista Bons Fluidos – 03/2008

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Hoje, consumir implica responsabilidade. Demonstra resistência ou apoio em relação ao fabricante e o conhecimento do impacto que a cadeia de produção causa. “Ter consciência de que se pode influenciar o mundo como consumidor é um dado importante e inevitável. O pós-moderno não se esquece das implicações do objeto comprado. Por exemplo, atualmente, quem vai querer um cinto feito de couro de crocodilo ou um diamante desencravado à custa do trabalho escravo? É essa postura que nos levará ao equilíbrio, evitando a barbárie consumista”, pondera o antropólogo Roberto DaMatta. Você pode endossar uma campanha, sabotar uma conduta ou ajudar a financiar uma causa, de acordo com as escolhas que faz. Nesta era, do consumo responsável, os alimentos orgânicos, os eletrodomésticos que economizam energia, os objetos de madeira com selo do FSC e muitos outros produtos sustentáveis estão em alta. Mas quanto custa fazer essa opção sempre e em todos os setores? Às vezes um produto com as características ecologicamente corretas pode sair 50% a mais do que o similar popular, e em outras, o mesmo tanto que um produto convencional. O importante é comparar e escolher de acordo com sua saúde financeira. Voltando ao supermercado, se não dá para ter tudo verde, pode-se ter metade de tudo verde ou apenas um
item. Como diz o próprio Roberto DaMatta, tudo bem com a preocupação sobre a sustentabilidade, mas não podemos nos esquecer de que antes precisamos salvar o homem.

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ISSO OU AQUILO?
“Na hora de escolher o que entra no orçamento, normalmente o consumidor fica com o produto que traz benefícios extras para a saúde. Essa é a motivação primordial para adquirir
produtos sustentáveis, mesmo que custem mais caro. Em segundo plano, o fator ambiental é considerado”, responde André Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Esse é o comportamento no Brasil e no restante do mundo. Numa escala de valores, alimentos saudáveis, como os orgânicos, são mais importantes do que o detergente biodegradável, o xampu com conceito ecológico e a madeira certificada. Os números comprovam: a venda de alimentos orgânicos cresce cerca de 30% a cada ano. Já o aumento da procura por produtos de madeira com selo do FSC, por exemplo, não chega a dois dígitos. “São duas consciências e posturas. Uma é centrada no interesse individual e visa o benefício imediato, enquanto a outra indica a preocupação com o todo, objetivando melhorias a médio e longo prazo para o meio ambiente
e para as pessoas”, explica André Carvalho.

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QUESTÃO FINANCEIRA
É verdade que muitas vezes não se trata de falta de consciência ecológica, mas de dinheiro. Ser um consumidor responsável sai mais caro? Sim e não. A escala de produção de um item com os critérios ambientais respeitados costuma ser reduzida (a demanda e a produção são menores, e os preços, maiores). Em São Paulo, uma caixa de morango sai por 6 reais*, contra 3 do produto similar, um detergente biodegradável custa de 4 a 6 reais, enquanto o convencional sai por cerca de 80 centavos. Um xampu básico pode ser comprado por 4 reais, e a versão ecologicamente correta pode custar 25 reais (os detergentes utilizados na formulação são biodegradáveis e 100% vegetais e, em geral, comprados de cooperativas que visam incrementar o comércio justo). Por outro lado, também é fato que o consumidor consciente adota atitudes econômicas. “Uma fruta orgânica não estraga na geladeira desse consumidor porque ele compra apenas o que sabe que vai comer. Não há desperdício”, responde Eliana Bussinger, consultora financeira, pesquisadora sobre economia sustentável e autora de A Dieta do Bolso (ed. Campus/Elsevier). Outra postura que esse consumidor assume é a de não comprar supérfluo. “Mesmo assim, evidentemente que, se ele não souber equilibrar o orçamento, poderá incorrer em custos maiores, mas geralmente a atitude responsável costuma pesar mais”, completa a consultora. Para reorganizar as finanças, consulte bons sites e livros (veja quadro), com orientação para as atitudes rotineiras. Afinal, é nas decisões do dia-a-dia que se define o futuro de nosso planeta. “Não dá para desassociar as finanças pessoais das preocupações políticas e ecológicas. A forma de consumir afeta o bolso, a saúde e o mundo. As conseqüências de seus atos moram no futuro e é bom cuidar
dele porque é para lá que você vai”, alerta Eliana Bussinger.

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NA MEDIDA DO POSSÍVEL

Dicas do consultor André Carvalho para um consumo responsável:

- Questione-se uma, duas, três vezes se realmente precisa consumir o produto.

- Avalie a embalagem. É exagerada? Possui materiais sintéticos e não orgânicos? É reciclável? Verifique se pode consumir um similar com embalagens menos impactantes (plástico biodegradável, por exemplo).

- Prefira itens que tenham selos relacionados a aspectos sociais e ambientais, como os selos de produção orgânica: IBD (Instituto BioDinâmico), Ecocert e AAO(Associação de Agricultura
Orgânica), os de manejo florestal, como o FSC e Cerflor (respectivamente selos de origem internacional e nacional), e o do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel e Conpet), que representam melhor desempenho energético e menor impacto ambiental.

- Sempre que possível, troque o supermercado pela feira, que não embala os produtos e oferece preços menores. Melhor ainda se descobrir feiras nas quais os agricultores vendem diretamente seus produtos, sem o adicional dos intermediários.

- Opte por itens da estação e pelos in natura, que garantem qualidade melhor e preços mais baixos.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS PREÇOS VERDES
Sabão em pó biodegradável
(R$ 7, contra R$ 5, do similar)*
Itens que elevam o preço:
• Matérias-primas nobres (de origem vegetal e certificadas por órgãos internacionais, como IBD, Ecocert, BDIH etc.). Não há o uso de substâncias derivadas do petróleo, de animais ou sintéticas.
• Embalagens 100% recicláveis. Não inclui nenhum material tóxico para o meio ambiente.
Alimentos orgânicos
Itens que elevam o preço:
• A escala de produção feita sem agrotóxico.
• Do cultivo ao armazenamento dos alimentos, regras rígidas precisam ser seguidas para o alimento receber o certificado.
• Embalagem diferenciada (uma maçã orgânica tem que vir com um selo de certificação, mas ele não pode estar diretamente sobre o produto. Para isso, é necessârio uma embalagem, bandeja, por exemplo, feita em material que não cause impacto ao meio ambiente).
E a madeira certificada?
Os móveis de madeira são um filão de mercado que está praticando preços aproximados de produtos com ou sem madeira com certificado. “A tendência, a médio prazo, é que ele puxe os outros mercados também”, diz André Carvalho, da GV. Nos últimos anos, a procura por produtos com o selo FSC aumentou. “Um fator decisivo para isso foi não apenas o comportamento dos consumidores individuais, mas também de empresas. Algumas começaram a exigir que os produtos tivessem o selo”, diz Ana Yang, secretária executiva do FSC-Brasil. “Quando se fala em móveis de madeira, o que eleva mais o preço é o design do arquiteto”, destaca Karla Aharonian, gerente de produtos ecológicos da Ecoleo.

CONSCIÊNCIA PESSOAL
Minha saúde em primeiro lugar “Há três anos, parei de comer carne vermelha e comecei a me preocupar com a alimentação. Tento comprar sempre orgânicos e hidropônicos. Mas preciso admitir: os preços são um impeditivo. Não consigo comprar na quantidade que eu gostaria. Portanto, oscilo. Em um mês, compro tomate orgânico, no outro, fico com o tradicional, mas compro o morango orgânico. Vou fazendo assim. Também tento economizar com outras coisas para poder gastar mais com a alimentação. Sempre que posso, faço compras na feira, que é mais barato, e deixo de fazer refeições na rua para comer em casa” – MARINA BUENO, 24 anos, estudante do curso de história

CONSCIÊNCIA TOTAL
Só gasto dinheiro com produtos responsáveis “Sou sensível a qualquer causa que defenda os animais. Então, decidi não comprar mais produtos que fazem testes em bichos. Não tenho enfrentado o problema dos preços altos, mas demoro muito mais para fazer compras, cerca de uma hora a mais, ou seja, o dobro do que eu demorava. Antes era um lance rápido. Eu entrava, pegava o que eu já costumava a consumir e pronto. Hoje não. Antes de comprar, tento saber mais sobre o fabricante. Entro no site, pergunto para as pessoas e acompanho as notícias sobre o assunto. Meu dinheiro só vai para quem tem uma atitude responsável com nosso mundo” – FABIANA BARBOSA, 32 anos, Bibliotecária

CONSCIÊNCIA DO FABRICANTE
Sobre a minha atuação nomundo “Há 15 anos, trabalhava numa camisaria e a quantidade de resíduos gerados me incomodava. Hoje, tenho minha confecção, que aproveita 100% dos tecidos. Com as sobras, fazemos jogos americanos e bolsas. Só usamos fibras orgânicas, que poluem menos. Reduzimos o tingimento das roupas, trabalhamos mais com o material
cru e rejeitamos acessórios metálicos, plásticos e sintéticos. O trabalho de renda, bordado e costura é feito por mulheres de dez cooperativas no Nordeste. O rendimento traz melhorias para elas e para as comunidades em que vivem. O retorno financeiro não é imediato, mas ele vem. O retorno para a sociedade está garantido” – MAGNA COELI, 48 anos, antropóloga e proprietária da confecção Refazenda

EDUQUE-SE FINANCEIRA E ECOLOGICAMENTE
Bons sites
WWF-BRASIL - www.wwf.org.br
GREENPEACE – www.greenpeace.org.br
INSTITUTO AKATU PARA O CONSUMO CONSCIENTE – www.akatu.org.br
CENTRO DE ESTUDOS EM SUSTENTABILIDADE DA FGV – www.ces.fgvsp.br
Bons livros
Biodiversidade: Para Comer, Vestir ou Passar no Cabelo?,Nurit Bensusan, ed. Fundação Peirópolis (leia resenha na Estante do Planeta Sustentável)
Desenvolvimento Sustentável – Desafio do Século XXI, José Eli da Veiga, ed. Garamond

pegada ecológica

O Dia “D” do Consumo

A cada ano que passa, o consumo da humanidade supera mais rapidamente a capacidade de regeneração do planeta

Do Instituto Akatu – 03/2008

Em 2007, no dia 6 de outubro, faltando quase três meses para o Reveillon, a humanidade já havia consumido todos os recursos naturais que o planeta seria capaz de repor naquele ano. Como estamos gastando cada vez mais rápido os recursos naturais, esse dia “D” acontece cada vez mais cedo. Em 1987, o ano do primeiro Ecological Debt Day, como é chamado o dia em que a humanidade passa a estar em débito em relação ao meio ambiente, ocorreu no meio de dezembro. Em 1995, ele pulou para o dia 21 de novembro. E no ano passado, chegou à marca histórica de 6 de outubro.

Essa diferença entre o que o planeta é capaz de regenerar e o consumo efetivo das populações humanas provoca um saldo ecológico negativo que vem se acumulando ano após ano, desde a década de 80, e compromete, no longo prazo, a capacidade de sobrevivência da humanidade e de manutenção da vida no planeta como a conhecemos hoje.

O cálculo é feito pela Ong internacional Global Footprint Network, que tem entre seus integrantes o ambientalista e conselheiro do Instituto Akatu, Fábio Feldman e o pesquisador William Rees, da universidade canadense de British Columbia. Ress é co-autor da ferramenta conhecida como Pegada Ecológica, que serve de base para a análise de impacto do consumo apresentada ao mundo pela Ong.

A pegada ecológica permite calcular qual é a área (em hectares) necessária para produzir tudo aquilo que consumimos e, ainda, absorver os resíduos desses processos, em um ano. A conta é feita considerando toda a quantidade de água e de espaço físico necessários para o plantio, pastagem, pesca etc.. Todo esse conjunto é chamado de “biocapacidade” do planeta, ou seja, a habilidade dos sistemas ecológicos de gerar recursos e absorver resíduos em um determinado período.*

Ao calcular o dia em a Pegada Ecológica total da Humanidade é igual à biocapacidade da Terra (ambos medidos em hectares por ano), os pesquisadores identificam em qual data a população da Terra atinge o seu limite de consumo para o período. De modo simples, esse é o dia em que começamos a usar mais recursos ambientais do que a Terra é capaz de renovar, em um ano. A partir desta data, o planeta funciona no vermelho.

JUROS
Os “juros” cobrados pela natureza devido ao excesso de consumo já são conhecidos. Eles podem ser percebidos na forma de perda de bens e serviços ambientais – como a manutenção do equilíbrio climático. Modificar o padrão de exploração dos recursos e passar a usar apenas o que a natureza é capaz de produzir é a resposta para saldar a dívida e resolver um problema que se agrava continuamente.

“A humanidade tem várias saídas para mudar esse quadro, mas se permanecermos na inércia a e não fizermos nada, já sabemos que as conseqüências serão gravíssimas”, analisa o Prof. Genebaldo Freire Dias, Doutor em Ecologia e autor de diversos livros sobre a Pegada Ecológica. Infelizmente, os dados indicam que as mudanças adotadas até hoje são tímidas para alterar o rumo dessa história. Pelo contrário, os impactos parecem ser cada vez maiores.

Em 1961, quando os cálculos da Pegada Ecológica começaram a ser realizados pela Global Footprint Network, a população humana já usava 70% da capacidade produtiva da Terra. Mas foi em 19 de dezembro de 1987, a primeira vez que consumimos mais recursos do que o planeta era capaz de renovar, em um ano.

Segundo os cálculos da pegada ecológica, feitos pela Global Footprint Network e publicados pelo WWF (World WildLife Fund) no relatório “Living Planet Report 2006″, em 2003 a população da Terra já consumia 25% a mais do que os sistemas biológicos poderiam renovar. Hoje, dados da mesma organização apontam um saldo negativo de 30%. Esse excedente de consumo (conhecido como “overshoot” pelos pesquisadores) significa que seriam necessários 1 ano e 110 dias -  475 dias – para que a Terra pudesse ser capaz de produzir novamente o que a população mundial consumiu no período de um ano, ou seja, em 365 dias. E, segundo a Global Footprint Network, o acúmulo desse consumo excedente ao longo dos anos acaba gerando um “déficit ecológico”, que compromete a integridade dos sistemas naturais.

Para entender a situação, na prática, imagine uma floresta, onde as árvores são cortadas mais rápido do que as novas mudas podem nascer e se desenvolver. Em algum tempo, o número total de árvores na floresta irá diminuir. Frutos, sombra, raízes etc. que ajudam a manter a qualidade do solo, a temperatura e a disponibilidade da água e alimentos também passarão a existir em menor quantidade, comprometendo a possibilidade da flora e fauna sobreviverem naquele ambiente. O mesmo pode acontecer com outros recursos, como as espécies de peixe comercialmente pescadas, as áreas agriculturáveis etc.

Se um processo semelhante ocorre em diversos locais da Terra continuamente, o que acontece é a diminuição dos recursos existentes no planeta assim como da capacidade da natureza de responder aos impactos e se recompor. Desse modo, é como se alguém gastasse muito mais dinheiro em um ano do que é capaz de ganhar. Com o passar do tempo, sua dívida ficaria tão grande que mesmo que trabalhasse muito e ganhasse mais dinheiro, seria difícil saldar o déficit. O risco é a exaustão da capacidade do sistema de gerar recursos, assim como das forças do trabalhador.

Em termos globais, hoje, precisaríamos de 1,3 planetas Terra para manter os atuais padrões de consumo, sem comprometer a capacidade de renovação da natureza. Naturalmente, o grande problema é que vamos continuar a ter apenas um, enquanto as demandas de consumo e a própria população não param de crescer.

No ano 2000, por exemplo, gastou-se no nosso planeta em compras de produtos ou serviços domésticos, mais de 20 trilhões de dólares, quatro vezes mais do que em 1960, quarenta anos antes. Porém, nesse mesmo período a população da Terra dobrou, o que significa que cada pessoa, em média, passou a consumir duas vezes mais.

Não é possível prever até que ponto a Terra será capaz de resistir aos avanços consumistas da humanidade, diz Brooking Gatewood, gerente da Global Footprint Network, responsável pelos cálculos da Pegada Ecológica da Humanidade. “Nós não temos uma estimativa de quanto tempo levará até um ‘colapso ecológico’ ou a exaustão da capacidade da Terra de regenerar os recursos. Isso é impossível dizer, mas nós podemos afirmar que nossas analises mostram que, se a humanidade continuar adotando o modelo de desenvolvimento e consumo atuais, nós precisaremos de 2 planetas Terra em 2050, para prover os recursos que demandaremos”, afirma Gatewood.

Na realidade, os cenários futuros traçados com base nos números da pegada ecológica mostram que há que se buscar, sem demora, um modo de consumir diferente,      que inclua a consciência dos impactos que causamos ao nosso redor, sob pena de transformar a crise ecológica num processo irreversível. “É necessário buscar uma mudança profunda de paradigma para efetivamente solucionar os problemas que estamos vivendo no momento. A compreensão pode vir pelo bolso, pela educação ou pelo sofrimento. Resta saber qual maneira a nossa sociedade vai escolher”, analisa o Prof. Freire.

Agindo para solucionar – Mas o que cada um de nós pode fazer individualmente para diminuir a pegada ecológica da humanidade? Em primeiro lugar tomar consciência do problema e procurar saber quais são os impactos do seu estilo de vida – na sociedade, na natureza e sobre si mesmo. Há muita coisa que se pode fazer, partindo do princípio de reavaliar o consumo, seja de bens materiais ou de recursos naturais, ao tomar consciência de que dependemos destes para sobreviver. “As pessoas hoje esquecem que existe uma base biológica de sustentação da vida. Principalmente nas grandes cidades, onde o consumo é maior e a distância da natureza é grande. Sem essa base (biológica), não tem carro novo, nem shopping center, nem viagem para o Caribe”, desabafa o professor Freire.

O Brasil tem uma pegada ecológica média de 2,1 hectares por habitante por ano, número superior à média mundial sugerida para que atingíssemos um padrão de consumo sustentável hoje, que seria de 1,8 (hectares/hab./ano), mas bastante próxima da média mundial per capta de 2,2.

Você pode descobrir qual é a sua pegada ecológica no The Green Initiative. Vale a pena fazer uma visita, descobrir como anda o seu ritmo de consumo dos recursos naturais e ver se não está na hora de repensar os hábitos. Para ajudá-lo nessa missão, o Akatu confeccionou os 12 Princípios do Consumidor Consciente que estão disponíveis na home-page do Akatu na seção de Publicações/Manuais Práticos de Consumo Consciente.

SAIBA MAIS SOBRE A PEGADA ECOLÓGICA E MOBILIZE-SE
A Global Footprint Network e seus 85 parceiros internacionais realizam todos os anos uma campanha internacional de mídia para divulgar o Ecological Debt Day e a Earth Day Network organiza em abril a comemoração do Dia da Terra, em todo mundo.

Quem quiser participar das campanhas internacionais pode acessar o www.footprintnetwork.org ou www.earthday.net.

O relatório do WWF “Living Planet Report 2006″, que reúne informações gerais sobre a Pegada ecológica e os dados citados nessa reportagem pode ser encontrado na Global Footprint Network.

* O conceito foi desenvolvido pelos pesquisadores Mathis Wackernagel e Willian Hees e pode ser aplicado tanto para medir o impacto de um indivíduo de uma nação, ou até mesmo de toda a população humana sobre o planeta.

Akatu faz campanha para incentivar o consumo consciente

As peças publicitárias são veiculadas em diversos meios de comunicação para mostrar ao consumidor que suas ações podem tornar o mundo mais sustentável

Por Thiago Carrapatoso
Planeta Sustentável – 17/03/2008

O Instituto Akatu criou uma campanha para conscientizar a população sobre o impacto que o consumo tem, principalmente quando ele não é consciente. Chamada “Seu consumo transforma o mundo”, as peças publicitárias da campanha são veiculadas em diversos meios de comunicação, como a Rede Globo, a TV Minuto (que exibe programação dentro dos trens do Metrô) e a TV Trem (para os trens da CPTM).

As imagens publicitárias têm mensagens objetivas e criativas que demonstram que cada gesto de consumo tem poder transformador. A idéia é tornar o consumidor protagonista da mudança nos hábitos, tornando-o ciente de que com ações simples pode-se tornar o mundo mais sustentável.

Em uma delas, questiona-se a poluição que os automóveis expelem. Os dizeres “Não deixe o escapamento do seu carro aquecer ainda mais o planeta” chamam a atenção para uma imagem de uma cidade feita apenas de retalhos, dando a idéia de ser material reciclado.

Os temas são variados. Além da poluição, questiona-se também o aquecimento global, a educação, a saúde, a qualidade de vida e a pirataria. As peças foram produzidas pró-bono pelas agências Leo Burnett, parceira Institucional do Akatu, e Vetor Zero.

Para ver todas as peças, clique aqui e visite a galeria de imagens.

Como salvar o mundo sem fazer força

Para defender o meio ambiente, você não precisa se amarrar a uma árvore! Sugerimos ações para você ser amigo do planeta quase sem sair da cadeira

Bruno Favoretto e Nicole Jackson
Revista Men’s Health – 03/2008

Para preservar os recursos naturais do planeta e ainda ir à happy hour com a galera, basta uma poltrona, a internet e esta revista. Pequenos passos conduzem a grandes resultados (não cansamos de frisar isso na MH) e em nenhuma área isso é tão verdadeiro quanto na ambiental. Mudanças mínimas parecem insignificantes, mas multiplique-as por milhões de pessoas e avalie. A seguir, você tem o melhor guia de sustentabilidade feito para ecologistas de sofá.

A.
Gaste menos energia (principalmente a sua) – O que fazer? Invista em tralhas amigas do planeta

1. Troque a lâmpada.
Convidou a namorada para um jantarzinho íntimo? Prefira luz de velas. Mas, como não dá para viver como os Flintstones o tempo todo, compre lâmpadas certificadas pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (selo Procel), que oferecem boa iluminação com baixo consumo. Só para comparar, a Compacta Flúor da FLC, com apenas 9 watts, ilumina tanto quanto uma lâmpada sem selo de 40 watts. “Elas também reduzem o consumo de energia em até 80%”, acrescenta Miriam Duailibi, coordenadora do Instituto Ecoar, ONG paulistana que realiza projetos de educação ambiental pelo país afora.

2. Feche a torneira.
Como diz a canção Hágua, de Seu Jorge, “água doce, bebível, potável está acabando”. Além do desperdício, apenas 0,3% da água do planeta é doce. “Para economizar, instale no bico das torneiras um arejador de vazão constante, à venda nas lojas de material de construção. Ele reduz o consumo de 15 para 6 litros por minuto”, explica o engenheiro Carlos Lemos da Costa, consultor especialista em uso racional de água, de São Paulo.

2. Mude de privada.
O vaso sanitário do seu banheiro foi instalado antes de 2003? Então é hora de substituí-lo por um que tenha a inscrição 6 LPF (6 litros por função) e consuma apenas esse volume de água na descarga. Para gastar menos, coloque a válvula Duoflux, da Deca, que usa só metade (3 litros) se o objetivo é mandar embora apenas urina. “Bacias instaladas antes daquele ano chegam a gastar 15 litros por operação. A troca gera uma economia de 80%”, aponta Lemos da Costa. Assim você evita que seus netos vivam na seca, pois a água da descarga é tão pura e potável quanto a da torneira.

B. Vá para o tanque – O que fazer? Dê uma geral na área de serviço

1. Compre sabão ecológico.
Em Santo André (SP), o Instituto Triângulo é uma ONG que fabrica e vende sabão biodegradável produzido com óleo de cozinha reciclado (2,50 reais o quilo). “Ele evita a poluição provocada pelo óleo jogado na pia”, frisa Paulo Correia, diretor da organização. Em outras palavras, a química diabólica não vai transformar os filhos dos seus filhos em mutantes com três olhos.

2. Evite a secadora de roupas.
Como ela gasta muita energia, as usinas têm que detonar CO2 no ar para alimentá-la. Um levantamento da Organização de Renovação Ambiental, em São José dos Campos (SP), diz que trocar a secadora pelo varal durante meio ano pode reduzir até 317 quilos em emissões de CO2. Pendure a roupa e espie as calcinhas no varal de sua vizinha – desde que ela não seja a Dercy Gonçalves.

C. Emita menos gases – O que fazer? Maneire no repolho e não tenha uma vaca

Suas bufas contêm gás metano (CH4), 23 vezes pior para o efeito estufa que o dióxido de carbono (CO2). É científico! Mas não precisa segurar: seu bombardeio emite, em média, 700 mililitros de gases por dia e só 26 são metano. Uma quantidade irrisória para ferrar o meio ambiente, em comparação às vacas, que soltam 250 ml por peido. Especialistas crêem que o gado é o terceiro maior poluente do planeta.

D. Não vá ao banco – O que fazer? Pague as contas pelo computador

Use o banco online. Indo ao caixa eletrônico para pagar suas contas, você sai de casa, gasta combustível, perde tempo e paciência. Quite tudo pela internet. E não imprima o comprovante de pagamento da fatura do cartão (ele fica disponível online). Assim você contribui para diminuir a derrubada de florestas – só nos EUA os impressos bancários causam a morte de 16 milhões de árvores por ano. E gastam energia suficiente para abastecer durante um ano uma cidade do porte de Campinas (SP).

E. Desacelere e adote os 3 erres: reduzir, reutilizar, reciclar – O que fazer? Produza menos sujeira, leve sacolas ao supermercado e dê um bom fim aos celulares velhos

1. Reduzir.
Significa produzir menos lixo. Só em São Paulo são geradas todo dia 15 mil toneladas – 9 mil vêm das residências, segundo a prefeitura. É muita porcaria! Reduza o lixo, por exemplo, comprando frutas, verduras e legumes avulsos, em vez daqueles embalados em bandejas plásticas e filme transparente. Seu filho gosta das maçãs da Turma da Mônica, mas seja firme: é para o bem dos filhos dele.

2. Reutilizar.
Quarenta por cento das embalagens jogadas no lixo em São Paulo são de plástico, que demora dezenas de anos para se decompor. Ao levar uma mochila ou uma sacola ao supermercado para transportar as compras do churrascão de domingo, você evita a proliferação das sacolas plásticas, que provavelmente vão acabar entupindo um bueiro na próxima enchente ou asfixiando uma tartaruga marinha.

3. Reciclar.
Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), os níveis de gases causadores do efeito estufa podem triplicar até 2100. Um dos mais danosos é o níquel-cádmio das baterias de celular. Para dar um fim nelas, procure uma autorizada da Sony Ericsson, eleita pelo Greenpeace campeã mundial em descarte sustentável de baterias. Numa dessas você ainda vende aquela velharia sem Bluetooth que está na gaveta das cuecas. Se não vender, fique com a consciência limpa que a bateria será sepultada como merece.

F. Tome menos banho – O que fazer? Pegue uma ducha com sua namorada

1. Entre e saia do chuveiro.
Melhor ainda, ponha alguém lá dentro com você. E só abra a torneira quando necessário. O engenheiro Lemos da Costa afirma que quatro minutos é o período de banho ideal para evitar o apagão de energia elétrica e economizar nas contas de água e luz. O resto do tempo é para ensaboar (com o chuveiro desligado) e… você sabe.

2. Lave menos louça.
O ato usa 63 litros de água – e até absurdos 150 litros, com a torneira aberta -, enquanto uma lava-louças gasta 15 litros por ciclo. Preguiçoso como é, você já tem uma dessas, não?

G. Cole no seu camarada motorizado – O que fazer? Economize combustível e viaje pelo Brasil

1. Vá de carona.
A cada quilômetro rodado, um carro a gasolina despeja 27,7 gramas de CO2 no ar. Vai demorar até que todos adotem a bicicleta e pedalem rumo a um mundo mais verde (embora seja uma boa idéia para se livrar da barriga), mas há maneiras de reduzir o uso do carro. Organize um rodízio com os colegas. Você já tem que agüentá-los o dia inteiro, mas é para o bem dos pingüins da Patagônia.

2. Fique por aqui mesmo.
As viagens aéreas têm efeitos nefastos sobre as mudanças climáticas. Segundo o site inglês CO² Balance, um vôo de ida e volta entre Rio de Janeiro e Londres joga 2,04 toneladas de CO2 na atmosfera. Então pense em tirar férias no Brasil. Você não vai admirar as relíquias do British Museum, mas também não terá que ver a bunda branca das britânicas!

Generosidade para todos

Não é preciso ser Gandhi ou Madre Teresa para fazer o bem aos outros. As pequenas doações do dia a dia contam, e muito, para ajudar o próximo e fazer deste planeta um lugar melhor

O dia 22 de abril de 2009 tinha tudo para ser mais uma jornada comum na vida de Santiago Gori, taxista argentino de 49 anos. Por volta das 21h, ele pegou uma corrida de quatro quarteirões e deixou um casal de aposentados em seu destino, na cidade de La Plata, a 60 km de Buenos Aires. “Mais uma corrida ruim”, pensou ele. Em seguida, pegou outra passageira, que o avisou que havia uma mala no banco de trás. Após deixá-la em seu destino, Santiago abriu a maleta e viu um monte de dinheiro – mais precisamente, 130 mil pesos, o equivalente a 72 mil reais. “Mas isso não é meu”, disse. Seu próximo passo foi devolver a pequena fortuna aos verdadeiros donos, o casal que ele tinha transportado antes. Sensibilizados pela história de Santiago, que recebeu dos donos da mala, em retribuição, apenas um singelo “você é um santo”, dois publicitários criaram uma campanha para arrecadar para o taxista a mesma quantia devolvida por ele. A iniciativa foi um sucesso e Santiago, o taxista generoso, levou o equivalente a 130 mil pesos.

Santiago não é um homem rico, como Bill Gates. Não fundou, como o empresário, uma associação milionária para patrocinar avanços em saúde e educação. Também não é, como Madre Teresa ou Gandhi, um líder religioso, que dedica sua vida a cuidar dos desfavorecidos. Santiago é um homem comum, humilde, que teve uma oportunidade de fazer a coisa certa e a aproveitou. Em tempos de crise mundial, em que todos se preocupam com o futuro de suas finanças, ele poderia ter ficado com o dinheiro; poderia tê-lo usado para pagar o que faltava da licença de seu táxi, ou para comprar coisas bonitas para sua esposa ou seus filhos. Mas ele foi direto até os donos entregar o que tinham perdido.

A história de Santiago prova que não é necessário ter uma fortuna, índole de santo ou algum poder para fazer o bem. Também não é preciso esperar grandes tragédias se abaterem sobre a população, como as enchentes de Santa Catarina e o furacão Katrina. Oportunidades para praticar a generosidade aparecem para todos nós, todo dia. Muitas vezes as desperdiçamos, por achar que temos quase nada a oferecer. Valorizamos e exaltamos a generosidade, mas achamos que ela é para poucos, para aquelas pessoas iluminadas que nasceram para fazer o bem. Nada poderia ser mais equivocado. Como disse o filósofo e político irlandês Edmund Burke, “ninguém comete erro maior que não fazer nada porque só pode fazer um pouco”.

NOBREZA DE ALMA
Todos temos algo para dar. Pode ser dinheiro ou bens materiais, as associações mais comuns quando pensamos em generosidade. Mas também pode ser conhecimento, coisas que nós sabemos e que podem ajudar os outros. Pode ser um abraço, uma palavra de conforto, um carinho. Afinal, a generosidade é, antes de mais nada, uma inclinação do espírito para fazer o bem. A palavra vem do latim “generositas”, que significa “de origem nobre”. Com o tempo, passou a significar a nobreza não de nascimento, mas de espírito.

É esse espírito nobre, generoso, que encontramos em pessoas como dona Conchetta Viola. Aos 87 anos, ela é conhecida em sua vizinhança, no Rio de Janeiro, como uma pessoa de coração grande, que ajuda a quem precisa. Seja fazendo um bolo para um vizinho, seja fazendo um mapa astral de graça, enquanto outros astrólogos cobram os olhos da cara pela leitura. “Tenho boa vontade”, diz ela, quando pergunto sobre generosidade. Se alguém pede um favor, seja uma receita ou um bordado, dona Conchetta ajuda. Sempre sem cobrar nada. “Não tenho jeito de cobrar, o que vou fazer?”, diz ela, rindo. “Aprendi com mamãe desde cedo a não fazer nada por interesse.” Com a saúde frágil, tendo passado por algumas cirurgias, dona Conchetta diz que até precisaria de uma pensão melhor. Mas não se sente frustrada por ter ajudado a vida toda sem cobrar. “As pessoas me querem bem, tenho muitas amizades, meus filhos são muito carinhosos. A vida me retribuiu”, diz.

Nos dias de hoje, parece cada vez mais difícil encontrar pessoas como dona Conchetta, capazes de se dedicar aos outros sem esperar recompensa. Mas, apesar de ter se tornado artigo raro, a generosidade foi responsável pela sobrevivência do ser humano como espécie. Lá nos primórdios, quando o homem ainda morava nas cavernas e caçava para sobreviver, era essencial que o grupo se mantivesse unido. Quem dava sorte na caçada distribuía carne para quem não tinha conseguido nada. Mais para a frente, a situação se invertia e quem tinha sido ajudado da primeira vez retribuía o favor, e assim ninguém passava fome. Os espertinhos que só queriam saber de aproveitar da caça dos outros, sem retribuir, eram logo excluídos do grupo. Esse comportamento é conhecido na sociobiologia como “altruísmo recíproco” e foi descrito pelo pesquisador americano Robert Trivers nos anos 70.

Nesse ponto, é bom fazer uma distinção entre altruísmo e generosidade. Segundo o filósofo e educador Mario Sergio Cortella, as duas virtudes são boas, mas diferentes. Agir esperando alguma espécie de retribuição seria altruísmo, representado no lema “faça aos outros o que querem que façam contigo”. A generosidade seria a prática desinteressada, feita mesmo quando se sabe que não haverá recompensa, cujo mote é “faça o bem porque é bom fazer” Essa separação é útil do ponto de vista filosófico. Na prática, porém, de pouco serve. É desnecessário ficar pensando em quais foram suas motivações para ajudar o próximo. Ninguém precisa ficar se gabando porque doou dinheiro para uma entidade beneficente. Mas não é pecado se sentir bem depois de uma boa ação. Esse pensamento de que é errado sentir prazer ao doar serve para nos distanciar ainda mais da prática da generosidade. Sob esse ponto de vista, enquanto não tivermos razões 100% sinceras e desinteressadas para ajudar alguém, não vale a pena fazê-lo. E nossas razões nunca serão 100% puras, sinceras e desinteressadas, afinal, fazer o bem faz bem.

VIRTUDE CELEBRADA
Considerado o pai da filosofia e da matemática modernas, o pensador francês René Descartes também deu seus pitacos sobre a generosidade. Dela, dizia que é a consciência de ser livre e fazer bom uso dessa liberdade, ou seja, agir de forma virtuosa. Para ele, saber-se senhor dessa liberdade, e usá-la para ajudar os outros, fazia um bem danado para a pessoa, produzindo auto-estima. “E é por gostar de si próprio que o generoso passa a estimar também o outro, reconhecendo nele o mesmo potencial para a virtude”, diz o filósofo Jorge Quintas, que escreveu um trabalho acadêmico sobre a generosidade em Descartes. Um dos grandes psicanalistas da história, Donald Winnicott, foi ainda mais longe, afirmando que não conseguir doar pode fazer mal para a pessoa. Sem essa capacidade de se preocupar com o outro, ficamos desequilibrados, perdemos o sentido de viver.

“Clarice Lispector já disse: ‘Todos querem a liberdade, mas quem por ela trabalha?’”, diz o cientista político Leo­nardo Sakamoto, fundador da ONG Repórter Brasil, que defende os direitos humanos. A organização ajudou a libertar trabalhadores da escravidão, denunciou a prostituição infantil e abusos cometidos contra comunidades ribeirinhas, entre outras atividades. Leonardo, que também dá aulas praticamente de graça para membros da comunidade e alunos da USP, nunca ganhou por seu trabalho na ONG. Atualmente, vive da bolsa concedida pela Ashoca, entidade que financia empreendedores sociais do mundo todo. “Levo uma vida modesta. Não estou aqui para ter o carro do ano. Nada contra quem tem, só que eu optei por uma vida menos confortável, mas que me realiza plenamente”, diz ele.

Porém, a generosidade é uma virtude mais celebrada que praticada. “A generosidade só brilha, na maioria das vezes, por sua ausência”, escreveu o filósofo francês Comte-Sponville no livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.

Se a generosidade se tornou artigo raro, um pouco da culpa é da sociedade atual, calcada em valores como egoísmo e individualismo. “Pensamos muito em nosso próprio umbigo e pouco no dos outros”, diz Mario Sergio Cortella. Para ele, isso é ainda mais forte nas classes mais altas. “Na favela, se desaba um barraco, a vizinha acolhe os filhos da que perdeu a casa, dizendo ‘onde comem dez comem 15’. Na classe média, às vezes as pessoas nem sabem o que fazer com os pais idosos”, diz. Isso acontece porque, nas favelas, ainda impera o espírito de cooperação que guiou nossos antepassados na época das cavernas. Sem a ajuda do vizinho, não se sobrevive.

“Eu diria que o termo correto é disponível”, afirma a geógrafa paulistana Flora Medeiros Lahuerta, de 26 anos. Ela é aquela pessoa a quem todos recorrem em momentos de necessidade. Seja para desabafar as desilusões amorosas, seja para dar carona ou revisar um texto acadêmico. Certa vez, uma amiga saiu do Rio de Janeiro sem roupas apropriadas para enfrentar o frio cortante que fazia em São Paulo. Do meio da estrada, ligou para Flora, que saiu de uma festa para buscá-la na rodoviária, casaquinho e cachecol na mão. O grande desafio de Flora, agora, é calibrar melhor o tempo que dedica aos outros. Afinal, de tanto querer agradar a todos, acaba se atrapalhando e assumindo tarefas que não conseguirá cumprir. “Para mim não é um esforço ajudar”, diz. “Sinto satisfação ao ver que contribuí para que algo desse certo.”

EDUCAR PARA DIVIDIR
Um dos mecanismos que a sociedade sempre teve para educar para o bem foram as religiões. Como sempre foram preocupadas com a moral, as crenças em um poder superior costumam estimular virtudes como a generosidade, a solidariedade, a compaixão. “Ninguém nasce generoso”, diz o reverendo Alderi Sousa de Matos, professor de História da Igreja do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, da Universidade Mackenzie. “É preciso aprender.” No cristianismo, por exemplo, costumam-se contar as histórias de Cristo como inspiração para os fiéis. Uma das mais conhecidas é a do milagre da multiplicação de pães e peixes. “O que Cristo fez foi juntar o pouquinho que cada um tinha e repartir entre todos”, diz Cortella. Aí está a diferença entre dividir e repartir. “Quando se divide um bolo entre dez pessoas, cada uma fica com um pedaço. Quando se reparte o bolo, cada uma fica com o que precisa”, exemplifica. Para o budismo, exercitar todos os dias virtudes como a generosidade é uma forma de combater os vícios, como o egoísmo.

Como as religiões forçam o indivíduo a olhar para fora de seu próprio mundo, são uma forma de se educar para a generosidade. Mas não são as únicas. Existem práticas que podem ser feitas nas escolas, por exemplo, para estimular as crianças a ser solidárias. Um exemplo são os lanches compartilhados, em que cada aluno leva o seu e todos repartem. Existem também os jogos cooperativos, em que ninguém perde: em vez de competir, todos cooperam para a vitória do grupo.

SUBSTITUTO DO AMOR
“Em uma sociedade que pede apenas que você receba, nunca doe, a generosidade é um treino”, diz a terapeuta existencial e professora da PUC-SP Dulce Critelli. Para ela, o primeiro passo para a generosidade é sacar se somos, individualmente, capazes de oferecer. “O desafio é estar atento às necessidades da vida em comum, não só às nossas.” Para poder ajudar o outro, o primeiro passo é enxergá-lo, ouvi-lo, perceber suas necessidades.

Uma vez que percebemos, é hora de partir a ação. Porque ser generoso é, antes de tudo, uma escolha. É diferente, por exemplo, do amor. Quando amamos, seja um filho, seja um companheiro ou um amigo, somos capazes de grandes sacrifícios. Sem nem pensar duas vezes, uma mãe passa a noite na cabeceira do filho doente. Mas, se a criança em questão não for nosso filho, não somos capazes do mesmo gesto. Comte-Sponville pergunta: se o mendigo na rua fosse alguém que amamos, recusaríamos a ajuda que ele pede? A generosidade existe, então, como substituto do amor, para os casos em que não sentimos amor – afinal, não escolhemos senti-lo. Precisamos aprender a compartilhar com desconhecidos como fazemos com as pessoas que amamos.

Foi o que ocorreu com Sabrina Rondon Gahyva, de 24 anos, ao decidir fazer trabalho voluntário em Angola, em 2008. Jornalista, fazia trabalho parecido na periferia de Cuiabá (MT), onde mora, mas seu sonho era trabalhar com crianças carentes na África. Na internet, descobriu a ONG ADPP, com projetos no continente, e se inscreveu. Após seis meses de treinamento nos Estados Unidos, foi para Angola, onde passou nove meses. A cidade para onde iria dar aula para crianças, Cabinda, era palco de um conflito armado, então seus planos mudaram: foi para Benguela, onde lecionou geopolítica em um curso de formação para professores da área rural. Também atuou em projetos de prevenção do HIV e em estudos sobre a inserção das mulheres no sistema educacional angolano. “Penso que o planeta é uma família só, uma corrente mesmo. E estamos aqui para trocar.” Assim como os outros personagens desta reportagem, Sabrina hesita em usar o termo generosidade para falar de sua experiência. “Nisso tudo, quem mais ganhou fui eu.”

RESPONSABILIDADE SOCIAL
Sabrina encontrou a ONG que viabilizaria sua ida para Angola ao navegar na internet. Pois a web é uma das ferramentas que mais podem ajudar a prática da generosidade. À primeira vista, parece que as novas tecnologias contribuem para o isolamento das pessoas. No ônibus, por exemplo, é cada um no seu canto, com seu iPod, sem conversar com o vizinho. Aqui, porém, estamos falando de outra coisa: da natureza colaborativa da rede e da cultura de participação que ela cria.

Só na internet é possível um fenômeno como a Wikipédia, em que colaboradores anônimos atualizam verbetes sobre quase qualquer assunto, tornando o site uma enorme enciclopédia global. Quando cada um faz um pouco e colabora com o que sabe, todos ganham. Assim é também com os softwares livres. São programas que poderiam custar milhões, mas foram criados por programadores que os distribuem de graça porque acreditam que a informação deve circular livremente. Uma geração acostumada a compartilhar tudo tende a ser mais generosa. “A internet maximizou os incentivos sociais que se recebe ao fazer um trabalho”, diz o advogado Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas e diretor do Creative Commons no Brasil. “Nessa nova visão, não importa a gratificação econômica, mas a reputação entre os pares, a capacidade de estabelecer ligações com outras pessoas, muitas delas desconhecidas.”

Seja por meio da colaboração digital, seja pelas formas tradicionais de doação, o fato é que o mundo nunca precisou tanto de generosidade como nos dias de hoje. Não só com amigos, colegas, desconhecidos, mas com o próprio planeta. “Fazer o bem, hoje, é abrir mão do conforto e deixar o carro em casa de vez em quando, economizar água, reduzir o consumo”, diz Dulce Critelli. Nesse sentido, a generosidade se confunde, hoje, com a responsabilidade social. “Se não aprendermos a fazer isso mais rápido do que estamos fazendo, o tecido social vai se esfacelar”, diz Cortella. É preciso ser generoso com o planeta, assim como ele é conosco.

Para saber mais:
Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, André Comte-Sponville, Martins Fontes

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A nova obsessão verde

Depois de calcular as emissões de carbono, agora as empresas correm para rastrear o uso de água em seus produtos desde a matéria-prima até o consumidor final

Nos últimos anos, a onda verde transformou uma expressão quase incompreensível em algo corriqueiro dentro de muitas empresas – a contagem de emissões de carbono. É comum hoje encontrar exemplos de cálculos meticulosos de gases de efeito estufa jogados na atmosfera até mesmo em atividades cotidianas, como viagens aéreas de executivos. Na busca para reduzir o próprio impacto ambiental, porém, já não basta diminuir (ou mesmo neutralizar) essas emissões. A nova obsessão das empresas é rastrear o consumo de água envolvido na produção de um bem. Como era de esperar em se tratando desse mercado, a tendência vem acompanhada de um conceito um tanto obscuro: água virtual. A nova bandeira dessa corrida sustentável foi levantada para valer em abril pela Raisio, fabricante de cereais finlandesa, com faturamento de 500 milhões de euros em 2008. A Raisio não apenas mediu o uso de água para a produção da linha Elovena – dos campos de aveia ao supermercado – como também se tornou a primeira companhia no mundo a estampar em sua embalagem o número de sua “pegada” (jargão que no mundinho verde significa o impacto ambiental de uma empresa). Segundo a Raisio, para fabricar 100 gramas de aveia em flocos são consumidos, ao longo de toda a cadeia de produção, 101 litros de água. “Boa parte dos consumidores ainda não entende o conceito”, disse a EXAME Pasi Lähdetie, vice-presidente de comércio de grãos da Raisio. “No futuro, porém, será algo tão compreendido como o carbono.”

O movimento feito pela Raisio começa a ser trilhado também por outras grandes companhias em todo o mundo. A americana Levi Strauss calculou que a fabricação de cada jeans do tradicional modelo 501 consome quase 2 000 litros de água. A Coca-Cola estimou que a fabricação de uma lata de 300 mililitros do refrigerante exija até 60 litros de água (quase 200 vezes o volume de uma latinha). A rede de cafeterias Starbucks anunciou que concluirá neste ano o primeiro rastreamento de consumo de água por toda a empresa – das lojas e escritórios até seus fornecedores de café. Todas seguem o conceito criado em 2002 pelo holandês Arjen Hoekstra, professor de gerenciamento de água da Universidade de Twente, na Holanda. Do ponto de vista ambiental, trata-se de um tema tão premente quanto o aquecimento global – tanto para empresas quanto para governos. Segundo o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês), em pouco mais de 15 anos dois terços da população mundial deverão enfrentar escassez de água. “Não estamos usando esse recurso de maneira sustentável”, afirma Hoekstra. “E rastrear a cadeia é o primeiro passo para tornar esse consumo mais racional.”

Para diminuir os rastros

A primeira dificuldade da empreitada é que, ao contrário das emissões de carbono, não há modelos prontos disponíveis para ser seguidos. Em dezembro, uma rede mundial de ONGs, cientistas e cerca de dez empresas criou a Water Footprint Network para discutir pela primeira vez uma metodologia única para a avaliação da água virtual. As companhias que já começaram a estimar a quantidade do recurso utilizado nas cadeias de produção, portanto, criaram os próprios métodos dentro de casa a partir do ponto zero. No caso da Raisio, o processo levou cerca de três meses e exigiu uma equipe de seis funcionários de áreas distintas (entre fábrica e relacionamento com fornecedores), além de um consultor externo, que já havia ajudado a empresa na determinação da pegada de carbono. Trata-se de uma tarefa complexa, sobretudo porque o levantamento considera informações que estão fora da empresa. Parte do trabalho incluiu visitas a produtores atrás de informações, como o tipo de fertilizante usado na preparação do solo. Por enquanto, a única medida prática tomada pela companhia finlandesa foi colocar a informação na embalagem dos produtos. “O próximo passo é reduzir nosso consumo”, afirma Lähdetie.

Eis aí uma etapa tão ou mais complexa que o cálculo do rastro ambiental. Os estudos da Levi Strauss, por exemplo, mostraram que apenas 6% do consumo de água estava associado aos processos industriais da empresa. A maior parte do recurso é consumida pela agricultura do algodão (49%) e pelo pós-consumo (45%) nas lavagens das roupas. “Percebemos que, para levar adiante o compromisso com a sustentabilidade, era preciso agir no ponto extremo da cadeia, sobretudo com agricultores, e não apenas no processo industrial, onde estávamos focados até então”, afirma Colleen Kohlsaat, gerente de sustentabilidade da Levi Strauss. “O desafio é que temos uma capacidade menor de influenciar esses extremos do que temos de agir em nossas próprias operações.” Na prática, a constatação levou a empresa a investir em parcerias com ONGs como a Better Cotton Initiative, que atua na educação de agricultores do setor algodoeiro, para adotar técnicas com menos impacto ambiental. A Coca-Cola tomou a mesma decisão ao incentivar métodos literalmente mais enxutos de produção de beterraba e cana-de-açúcar, usados como matéria-prima na composição dos refrigerantes.

Diferentemente do que ocorre com as emissões de carbono, que podem ser compensadas com a compra e a venda de créditos, num mercado já estruturado, o sistema de compensação da pegada de água ainda é nebuloso. Por isso, muitas empresas estão criando as próprias regras. Uma delas é a Pepsico. A companhia iniciou um projeto em lavouras de arroz da Índia, no qual substitui a tradicional irrigação por alagamento por uma técnica capaz de reduzir 30% do uso de água (o arroz é usado na fabricação de alguns salgadinhos). Segundo a empresa, se estendesse a área dedicada ao novo sistema de plantio dos atuais 400 hectares para 2 000 hectares, a economia gerada seria capaz de compensar toda a água usada pelas três fábricas da Pepsico na Índia. “Uma mudança pequena pode ter um impacto enorme”, diz Dan Bena, diretor de desenvolvimento sustentável da Pepsico. Os especialistas, no entanto, são mais céticos. “No caso da água, não há como compensar os danos”, afirma o professor Hoekstra. “A não ser que você reponha água na mesma qualidade, quantidade e exatamente no mesmo local, não existe como neutralizar seu impacto.”

Em alguns pontos do planeta, a falta de água já é um problema concreto para muitas empresas. Há dois anos, a fabricante de cerveja sul-africana SABMiller identificou que 30 de suas fábricas estavam em regiões que corriam risco iminente de falta de água. Uma das operações mais arriscadas era a da Tanzânia, onde o uso excessivo das reservas subterrâneas por indústrias locais estava reduzindo a quantidade e piorando a qualidade das fontes de água potável. A saída foi iniciar um programa de reutilização do recurso na unidade. Em novembro, a cervejaria anunciou a meta de cortar 25% de seu consumo de água em todas as suas 139 fábricas até 2015. A medida representará uma economia de 20 bilhões de litros de água por ano – e pode determinar a própria perpetuação de seu negócio.

Mostra Fiesp – Inscrições abertas para apresentação de cases na área socioambiental

O Comitê de Responsabilidade Social (Cores) Fiesp realiza anualmente sua mostra, com data marcada para os dias 25, 26 e 27 de agosto, na sede da entidade, em São Paulo. Voltado para o setor empresarial e universitário, o evento conta com a parceria do Departamento de Meio Ambiente (DMA), Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP. Até o mês de julho poderão ser encaminhados cases para avaliação do Comitê e apresentação na III Mostra Sistema Fiesp de Responsabilidade Socioambiental.

Serão aceitos cases que se enquadrem nas seguintes categorias: meio ambiente, nova economia, sustentabilidade, cultura, inclusão de minorias, saúde, educação, qualidade de vida, responsabilidade social e diversidade e/ou gestão de pessoas.

O material, incluindo gráficos, tabelas, figuras e fotos, deverá ser enviado para o Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp aos cuidados de Juliana Avona, à Av. Paulista, 1313, 5º andar, São Paulo, SP, CEP 01311-923.

Os cases também podem ser encaminhados para o e-mail: cores@fiesp.org.br. Mais informações: tel. (11) 3549-4548.

Imagem das Empresas Socialmente Responsáveis

Ações institucionalizadas de Responsabilidade Social alavancam reputação das empresas

Doar alimentos a grupos carentes, financiar reformas em uma instituição escolar, patrocinar um evento comunitário ou esportivo, plantar mudas de árvores… Ações isoladas como essas, de engajamento comunitário e ambiental por parte das grandes empresas, têm definido durante muito tempo o entendimento de responsabilidade social corporativa. Algumas empresas até definem erroneamente tais empreendimentos, soltos como partes de algum programa empresarial de cidadania corporativa. Porém, o que o brasileiro hoje demanda – e, sobretudo, que define com força a respeitabilidade que sente pelas empresas – está muito mais próximo de iniciativas institucionalizadas de RSE do que medidas emergenciais ou práticas avulsas de sensibilidade socioambiental.

Pesquisa da Market Analysis nas nove principais capitais do país revela que a imagem das grandes empresas melhora, e muito, quando elas desenvolvem atividades institucionais de longo prazo, antes que emergenciais, tais como parcerias com organizações sociais, criação de fundações filantrópicas ou mesmo quando elas permitem que seus funcionários tirem dias de folga para realizar trabalhos voluntários.

Das três opções de institucionalização possíveis, a parceria com ONGs ou instituições de caridade é a que mais desperta empatia pela empresa por parte do consumidor médio: sete em cada dez respondem que a imagem da empresa que faz tais parcerias melhora muito. Quando se trata de viabilizar ações de voluntariado ou formalizar uma fundação própria, o impacto positivo de reputação dessas ações continua sendo majoritariamente positivo, mas não com a força das parcerias com entidades independentes da sociedade civil. Essas diferenças parecem apontar para uma preferência entre os consumidores por iniciativas validadas externamente e que reúnam atores autônomos (como as ONGs ou instituições de caridade), capazes inclusive de dar um aval objetivo tanto nas intenções como nos resultados concretos obtidos a partir do investimento social das corporações.

Quem reage mais favoravelmente a esta opção de RSE institucionalizada? Embora o apoio seja alto, nem todos os consumidores demonstram a mesma sensibilidade. Algumas características pessoais, como o grau de interesse por assuntos de cidadania corporativa ou o engajamento em conversas sobre a conduta das empresas, claramente apontam diferenças importantes. Assim, o efeito positivo de estabelecer parcerias é muito mais intenso entre aqueles que expressam alto interesse por RSE (72%) do que entre os que permanecem desinteressados (58%), e o mesmo ocorre entre aqueles que se envolvem muito freqüentemente em conversas sobre o comportamento das empresas (79%) e aqueles que permanecem apáticos (67%).

Mas não se trata apenas de quem já está predisposto culturalmente a dar valor a tais ações. Por exemplo, quem acha que o governo deveria intervir mais para estimular ações de sustentabilidade socioambiental das empresas está menos predisposto a transferir uma boa imagem para aquelas empresas parceiras de instituições da sociedade civil. Em outras palavras, desenvolver parcerias de sucesso com ONGs pode resultar, também, em uma estratégia que minimize incentivos para o governo intervir e regulamentar a esfera de atuação corporativa.

Ficha técnica
Entrevistas pessoais por amostragem probabilística realizadas com 805 adultos (18 a 69 anos) nas nove principais capitais do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Brasília e Goiânia. Dezembro, 2007. Margem de erro: ± 3,45%.

Um último dado relevante é que a opção de formar parcerias com ONGs redunda em benefícios de imagem, tanto para consumidores que trabalham em empresas de pequeno e médio portes, como para aqueles empregados de corporações com mil ou mais funcionários. É, nesse sentido, a alternativa que reúne o maior consenso sem importar o âmbito de trabalho do entrevistado (já as outras duas opções tendem a ser privilegiadas particularmente por aqueles que trabalham para as maiores corporações do país).

Naturalmente fica pendente a resposta sobre que tipo de parceria e quais ONGs e instituições de caridade emergem como as opções mais coerentes para uma determinada empresa ou setor. Empresas líderes da sustentabilidade em setores geralmente questionados pelo seu impacto ambiental, como o petroleiro e o químico, ou pelo seu baixo impacto social, como o bancário, têm sido capazes de resolver essa questão de maneira competente, consultando seus diferentes stakeholders e conhecendo os valores e objetivos priorizados pelas potenciais parceiras. Uma das conseqüências de tais decisões é que esses pioneiros da RSE conseguem capitalizar positivamente suas ações institucionalizadas em reputação corporativa, mesmo quando o setor como um todo é visto de modo crítico.

O quanto a sua impressão sobre
uma empresa melhora quando
você descobre que a empresa
Faz parcerias com ONGs ou com instituições de caridade
70%
Permite que funcionários tirem folga para realizar trabalho voluntário para instituições de caridade ou entidades comunitárias
59%
Criou sua própria fundação filantrópica
55%

 

Ficha técnica:
Entrevistas pessoais por amostragem probabilística realizadas com 805 adultos (18 a 69 anos) nas nove principais capitais do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Brasília e Goiânia.
Margem de erro: +-3,45%.
 Market Analysis
Fonte: Revista Filantropia – OnLine – nº180
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