O problema é dos outros

Nós fazemos muito pouco pelo planeta por achar que cuidar dele é um problema dos governos e das empresas

Luiz Alberto Marinho
Vida Simples – 04/2010

Alguns anos atrás entrei em um supermercado na França e me espantei na hora de pagar as compras. Não pelos preços, mas pela ausência das sacolinhas plásticas, tão familiares para quem frequenta as lojas brasileiras. Naquela rede francesa, como em muitas outras no exterior, quem não levar sua própria sacola de casa precisa comprar uma na hora, feita de material reciclado e resistente o bastante para ser usada várias vezes.

Lembrei-me dessa história outro dia, ao ler os resultados de um estudo sobre o uso de sacolas plásticas pelo comércio nacional. Você sabia que no ano passado nós utilizamos cerca de 15 bilhões delas? Isso significa que em 2009 cada brasileiro consumiu cerca de 66 sacos plásticos por mês. E, como você deve saber, o plástico é altamente prejudicial ao meio ambiente, porque leva anos para se desintegrar.

A indústria do plástico se defende com pesquisas que mostram que 75% dos consumidores brasileiros reaproveitam sacolas plásticas para acondicionar lixo doméstico e 69% deles usam a embalagem para carregar outras compras. Tem ainda os que guardam sapatos, documentos e até os que recolhem fezes de animais com a ajuda das sacolinhas.

Da minha parte, estou convencido de que o esforço para estimular os consumidores brasileiros a reduzir o uso de sacos plásticos é inútil. E isso tem relação com o descaso com que tratamos o planeta. Até as pessoas mais bem informadas sobre o meio ambiente se esquecem de sair de casa preparadas para trazer as próprias compras. Eu mesmo, outro dia, apesar de carregar uma mochila nas costas, aceitei um saco plástico no caixa de uma livraria. Só depois de sair da loja percebi que poderia ter poupado o planeta de mais um pedaço de plástico.

Isso ocorre porque nós, seres humanos, não estamos dispostos a fazer a nossa parte para salvar a mãe natureza. A conveniência fala mais alto e pensamos que essa tarefa, afinal, deve ser encampada pelos governos e pelas empresas – não por nós. Essa atitude não aparece apenas nos supermercados.

Ano passado, pesquisa realizada pelo Ibope para saber o que os paulistanos pensavam sobre o Dia Mundial sem Carro revelou que apenas 45% deles estavam dispostos a apoiar a iniciativa. Outro estudo revelou que somente um terço dos cariocas participariam. O que se viu, entretanto, foi uma adesão ainda menor. As desculpas passam pela precariedade do transporte público, a insegurança das cidades e a pressa, entre outras.

Mas na verdade isso acontece porque estamos todos de acordo quando o assunto se refere ao que os outros precisam fazer. Mas, quando somos nós que temos que abrir mão de algum conforto, aí a coisa muda de figura.

Luiz Alberto Marinho não joga lixo nas ruas, vai para o trabalho a pé e usa sacolas recicláveis.

Famosos apoiam campanha pelos telhados brancos

Criada, em 2009, por Thassanee Wanick, presidente do Green Building Council Brasil, para ajudar a combater o aquecimento global, a campanha pelos telhados brancos – One Degree Less – entra em nova fase, com a adesão de personalidades da moda, da TV, da música e dos esportes

Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 23/04/2010

Enquanto um acordo internacional contra as mudanças climáticas não sai, o Green Building Council Brasil convida os brasileiros a participar da campanha One Degree Less, que incentiva a adoção de telhados brancos em casas, edifícios, lajes e galpões para ajudar a reduzir a temperatura do planeta em um grau. Ou seja, ajudar a combater o aquecimento global.

Lançada em 2009 por Thassanee Wanick, fundadora e presidente da ONG, a campanha recebeu o apoio do secretário de Energia dos Estados Unidos, Steven Chu, no exterior. Por aqui, teve a adesão de diversas empresas, como a Du Pont do Brasil, e também do secretário da Habitação de São Paulo e presidente da CDHU, Lair Krähenbühl, que assinou parceria para pintar os telhados de conjuntos habitacionais, em Ilhabela, que já oferecem soluções sustentáveis como aquecedores a luz solar e o uso de madeira certificada. Todo o esforço realizado até agora resultou na pintura de 450mil m2, o que equivale à retirada de 45 mil carros de circulação ou 45 mil toneladas de CO2*.

“Queremos que todos pensem sobre o problema do aquecimento global e percebam que não é possível ficar parado. Que é necessário agir já!”, salienta Thassanee. “Cientistas falam sobre o aquecimento do Oceano Atlântico sul há mais de uma década, mas somente agora estamos vendo tragédias como as que ocorreram no Rio de Janeiro, recentemente. Então, se quisermos deixar um mundo melhor para os nossos filhos, esse é o momento de fazer alguma coisa”, convida.

Agora, em nova fase – que visa disseminar mais amplamente os benefícios dessa prática e tem o slogan “Ajude a parar o aquecimento global. Pinte seu telhado de branco” – a campanha conquista a participação de personalidades de diversas áreas, como o ex-jogador de futebol Raí, os atores Cristiane Torloni, Sérgio Marone e Fernanda Paes Leme, a atleta Fernanda Murer, a modelo Caroline Bittencourt, o cantor Toni Garrido e a consultora de moda Costanza Pascolatto. Nas fotos de outra personalidade – o fotógrafo Maurício Nahas –, eles exibem a palma da mão pintada de branco e em sinal de Pare! Todos os profissionais envolvidos nessa campanha trabalharam gaciosamente, assim como a agência Moma Propaganda. E, para divulgar a mensagem da One Degree Less, o GBC Brasil também contará com o apoio da mídia.

A eficácia da campanha do GBC Brasil é sustentada por dados do Lawrence Berkeley National Laboratory, seu grande apoiador. Segundo o laboratório norte-americano, as superfícies pintadas de branco ajudam a diminuir os efeitos da incidência solar. “Estima-se que, para cada 100m2 de cobertura pintada com cor branca, são compensadas 10 toneladas de CO2 emitidas/ano”, explicaThassanee.

De acordo com o GBC Brasil, estes são os benefícios dos telhados brancos:
- diminuição das ilhas de calor de prédios e casas;
- diminuição da emissão de CO2;
- ajuda a refletir os raios solares de volta para o espaço;
- fácil aplicação e pouca manutenção (existem tintas e materiais autolimpantes que facilitam a manutenção e evitam que as superfícies precisem ser pintadas novamente, por muitos anos);
- resultado imediato e alto impacto;
- reduz custos com ar condicionado e ventilador e
- ação eficiente no combate ao aquecimento global.

Para obter informações sobre a campanha One Degree Less, procure o Green Building Council Brasil: (11) 4191-7805.

*Dados do GBC Brasil

Sustentáculos: sua história sustentável na TV

O programa sobre meio ambiente e sustentabilidade, Sustentáculos, que estreia na TV Brasil em abril, acaba de lançar um site para que a população possa sugerir pautas sobre sustentabilidade para o programa

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável – 01/02/2010

Três jovens viajantes saem pelo Brasil em busca de respostas para suas inquietações sobre os problemas do planeta. É assim que começará todas as edições do Sustentáculos, um programa sobre questões relacionadas ao meio ambiente e à sustentabilidade, que estreará na TV Brasil no meio do ano.

A ideia do programa é mapear projetos, ações e iniciativas sustentáveis implantadas em todos os cantos do país – por pessoas, comunidades, ONGs ou empresas. Para isso, nada melhor do que contar com a ajuda da própria população. O projeto acaba de lançar um hot site para receber, via internet, ideias de pauta de todo o Brasil.

Qualquer internauta que é personagem da uma ação que contribua para um mundo melhor ou que conhece alguém envolvido com temas como água, poluição, energia renovável, consumo, inclusão social, conservação da biodiversidade e muito outros pode contar sua história aqui.

Os cases enviados para o site serão checados e as melhores histórias farão parte do programa, a fim de incentivar os telespectadores a também adotarem hábitos sustentáveis. Além disso, para conscientizar a população, o Sustentáculos divulga diariamente informações e curiosidades sobre sustentabilidade no Twitter. Confira!

Quanto custa ser verde?

Foi-se o tempo em que fazer compras era só abastecer a casa. A questão é qual o preço (em reais) dessas opções ambientalmente e socialmente sustentáveis

Por Tatiana Bonumá
Revista Bons Fluidos – 03/2008

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Hoje, consumir implica responsabilidade. Demonstra resistência ou apoio em relação ao fabricante e o conhecimento do impacto que a cadeia de produção causa. “Ter consciência de que se pode influenciar o mundo como consumidor é um dado importante e inevitável. O pós-moderno não se esquece das implicações do objeto comprado. Por exemplo, atualmente, quem vai querer um cinto feito de couro de crocodilo ou um diamante desencravado à custa do trabalho escravo? É essa postura que nos levará ao equilíbrio, evitando a barbárie consumista”, pondera o antropólogo Roberto DaMatta. Você pode endossar uma campanha, sabotar uma conduta ou ajudar a financiar uma causa, de acordo com as escolhas que faz. Nesta era, do consumo responsável, os alimentos orgânicos, os eletrodomésticos que economizam energia, os objetos de madeira com selo do FSC e muitos outros produtos sustentáveis estão em alta. Mas quanto custa fazer essa opção sempre e em todos os setores? Às vezes um produto com as características ecologicamente corretas pode sair 50% a mais do que o similar popular, e em outras, o mesmo tanto que um produto convencional. O importante é comparar e escolher de acordo com sua saúde financeira. Voltando ao supermercado, se não dá para ter tudo verde, pode-se ter metade de tudo verde ou apenas um
item. Como diz o próprio Roberto DaMatta, tudo bem com a preocupação sobre a sustentabilidade, mas não podemos nos esquecer de que antes precisamos salvar o homem.

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ISSO OU AQUILO?
“Na hora de escolher o que entra no orçamento, normalmente o consumidor fica com o produto que traz benefícios extras para a saúde. Essa é a motivação primordial para adquirir
produtos sustentáveis, mesmo que custem mais caro. Em segundo plano, o fator ambiental é considerado”, responde André Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Esse é o comportamento no Brasil e no restante do mundo. Numa escala de valores, alimentos saudáveis, como os orgânicos, são mais importantes do que o detergente biodegradável, o xampu com conceito ecológico e a madeira certificada. Os números comprovam: a venda de alimentos orgânicos cresce cerca de 30% a cada ano. Já o aumento da procura por produtos de madeira com selo do FSC, por exemplo, não chega a dois dígitos. “São duas consciências e posturas. Uma é centrada no interesse individual e visa o benefício imediato, enquanto a outra indica a preocupação com o todo, objetivando melhorias a médio e longo prazo para o meio ambiente
e para as pessoas”, explica André Carvalho.

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QUESTÃO FINANCEIRA
É verdade que muitas vezes não se trata de falta de consciência ecológica, mas de dinheiro. Ser um consumidor responsável sai mais caro? Sim e não. A escala de produção de um item com os critérios ambientais respeitados costuma ser reduzida (a demanda e a produção são menores, e os preços, maiores). Em São Paulo, uma caixa de morango sai por 6 reais*, contra 3 do produto similar, um detergente biodegradável custa de 4 a 6 reais, enquanto o convencional sai por cerca de 80 centavos. Um xampu básico pode ser comprado por 4 reais, e a versão ecologicamente correta pode custar 25 reais (os detergentes utilizados na formulação são biodegradáveis e 100% vegetais e, em geral, comprados de cooperativas que visam incrementar o comércio justo). Por outro lado, também é fato que o consumidor consciente adota atitudes econômicas. “Uma fruta orgânica não estraga na geladeira desse consumidor porque ele compra apenas o que sabe que vai comer. Não há desperdício”, responde Eliana Bussinger, consultora financeira, pesquisadora sobre economia sustentável e autora de A Dieta do Bolso (ed. Campus/Elsevier). Outra postura que esse consumidor assume é a de não comprar supérfluo. “Mesmo assim, evidentemente que, se ele não souber equilibrar o orçamento, poderá incorrer em custos maiores, mas geralmente a atitude responsável costuma pesar mais”, completa a consultora. Para reorganizar as finanças, consulte bons sites e livros (veja quadro), com orientação para as atitudes rotineiras. Afinal, é nas decisões do dia-a-dia que se define o futuro de nosso planeta. “Não dá para desassociar as finanças pessoais das preocupações políticas e ecológicas. A forma de consumir afeta o bolso, a saúde e o mundo. As conseqüências de seus atos moram no futuro e é bom cuidar
dele porque é para lá que você vai”, alerta Eliana Bussinger.

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NA MEDIDA DO POSSÍVEL

Dicas do consultor André Carvalho para um consumo responsável:

- Questione-se uma, duas, três vezes se realmente precisa consumir o produto.

- Avalie a embalagem. É exagerada? Possui materiais sintéticos e não orgânicos? É reciclável? Verifique se pode consumir um similar com embalagens menos impactantes (plástico biodegradável, por exemplo).

- Prefira itens que tenham selos relacionados a aspectos sociais e ambientais, como os selos de produção orgânica: IBD (Instituto BioDinâmico), Ecocert e AAO(Associação de Agricultura
Orgânica), os de manejo florestal, como o FSC e Cerflor (respectivamente selos de origem internacional e nacional), e o do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel e Conpet), que representam melhor desempenho energético e menor impacto ambiental.

- Sempre que possível, troque o supermercado pela feira, que não embala os produtos e oferece preços menores. Melhor ainda se descobrir feiras nas quais os agricultores vendem diretamente seus produtos, sem o adicional dos intermediários.

- Opte por itens da estação e pelos in natura, que garantem qualidade melhor e preços mais baixos.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS PREÇOS VERDES
Sabão em pó biodegradável
(R$ 7, contra R$ 5, do similar)*
Itens que elevam o preço:
• Matérias-primas nobres (de origem vegetal e certificadas por órgãos internacionais, como IBD, Ecocert, BDIH etc.). Não há o uso de substâncias derivadas do petróleo, de animais ou sintéticas.
• Embalagens 100% recicláveis. Não inclui nenhum material tóxico para o meio ambiente.
Alimentos orgânicos
Itens que elevam o preço:
• A escala de produção feita sem agrotóxico.
• Do cultivo ao armazenamento dos alimentos, regras rígidas precisam ser seguidas para o alimento receber o certificado.
• Embalagem diferenciada (uma maçã orgânica tem que vir com um selo de certificação, mas ele não pode estar diretamente sobre o produto. Para isso, é necessârio uma embalagem, bandeja, por exemplo, feita em material que não cause impacto ao meio ambiente).
E a madeira certificada?
Os móveis de madeira são um filão de mercado que está praticando preços aproximados de produtos com ou sem madeira com certificado. “A tendência, a médio prazo, é que ele puxe os outros mercados também”, diz André Carvalho, da GV. Nos últimos anos, a procura por produtos com o selo FSC aumentou. “Um fator decisivo para isso foi não apenas o comportamento dos consumidores individuais, mas também de empresas. Algumas começaram a exigir que os produtos tivessem o selo”, diz Ana Yang, secretária executiva do FSC-Brasil. “Quando se fala em móveis de madeira, o que eleva mais o preço é o design do arquiteto”, destaca Karla Aharonian, gerente de produtos ecológicos da Ecoleo.

CONSCIÊNCIA PESSOAL
Minha saúde em primeiro lugar “Há três anos, parei de comer carne vermelha e comecei a me preocupar com a alimentação. Tento comprar sempre orgânicos e hidropônicos. Mas preciso admitir: os preços são um impeditivo. Não consigo comprar na quantidade que eu gostaria. Portanto, oscilo. Em um mês, compro tomate orgânico, no outro, fico com o tradicional, mas compro o morango orgânico. Vou fazendo assim. Também tento economizar com outras coisas para poder gastar mais com a alimentação. Sempre que posso, faço compras na feira, que é mais barato, e deixo de fazer refeições na rua para comer em casa” – MARINA BUENO, 24 anos, estudante do curso de história

CONSCIÊNCIA TOTAL
Só gasto dinheiro com produtos responsáveis “Sou sensível a qualquer causa que defenda os animais. Então, decidi não comprar mais produtos que fazem testes em bichos. Não tenho enfrentado o problema dos preços altos, mas demoro muito mais para fazer compras, cerca de uma hora a mais, ou seja, o dobro do que eu demorava. Antes era um lance rápido. Eu entrava, pegava o que eu já costumava a consumir e pronto. Hoje não. Antes de comprar, tento saber mais sobre o fabricante. Entro no site, pergunto para as pessoas e acompanho as notícias sobre o assunto. Meu dinheiro só vai para quem tem uma atitude responsável com nosso mundo” – FABIANA BARBOSA, 32 anos, Bibliotecária

CONSCIÊNCIA DO FABRICANTE
Sobre a minha atuação nomundo “Há 15 anos, trabalhava numa camisaria e a quantidade de resíduos gerados me incomodava. Hoje, tenho minha confecção, que aproveita 100% dos tecidos. Com as sobras, fazemos jogos americanos e bolsas. Só usamos fibras orgânicas, que poluem menos. Reduzimos o tingimento das roupas, trabalhamos mais com o material
cru e rejeitamos acessórios metálicos, plásticos e sintéticos. O trabalho de renda, bordado e costura é feito por mulheres de dez cooperativas no Nordeste. O rendimento traz melhorias para elas e para as comunidades em que vivem. O retorno financeiro não é imediato, mas ele vem. O retorno para a sociedade está garantido” – MAGNA COELI, 48 anos, antropóloga e proprietária da confecção Refazenda

EDUQUE-SE FINANCEIRA E ECOLOGICAMENTE
Bons sites
WWF-BRASIL - www.wwf.org.br
GREENPEACE – www.greenpeace.org.br
INSTITUTO AKATU PARA O CONSUMO CONSCIENTE – www.akatu.org.br
CENTRO DE ESTUDOS EM SUSTENTABILIDADE DA FGV – www.ces.fgvsp.br
Bons livros
Biodiversidade: Para Comer, Vestir ou Passar no Cabelo?,Nurit Bensusan, ed. Fundação Peirópolis (leia resenha na Estante do Planeta Sustentável)
Desenvolvimento Sustentável – Desafio do Século XXI, José Eli da Veiga, ed. Garamond

pegada ecológica

O Dia “D” do Consumo

A cada ano que passa, o consumo da humanidade supera mais rapidamente a capacidade de regeneração do planeta

Do Instituto Akatu – 03/2008

Em 2007, no dia 6 de outubro, faltando quase três meses para o Reveillon, a humanidade já havia consumido todos os recursos naturais que o planeta seria capaz de repor naquele ano. Como estamos gastando cada vez mais rápido os recursos naturais, esse dia “D” acontece cada vez mais cedo. Em 1987, o ano do primeiro Ecological Debt Day, como é chamado o dia em que a humanidade passa a estar em débito em relação ao meio ambiente, ocorreu no meio de dezembro. Em 1995, ele pulou para o dia 21 de novembro. E no ano passado, chegou à marca histórica de 6 de outubro.

Essa diferença entre o que o planeta é capaz de regenerar e o consumo efetivo das populações humanas provoca um saldo ecológico negativo que vem se acumulando ano após ano, desde a década de 80, e compromete, no longo prazo, a capacidade de sobrevivência da humanidade e de manutenção da vida no planeta como a conhecemos hoje.

O cálculo é feito pela Ong internacional Global Footprint Network, que tem entre seus integrantes o ambientalista e conselheiro do Instituto Akatu, Fábio Feldman e o pesquisador William Rees, da universidade canadense de British Columbia. Ress é co-autor da ferramenta conhecida como Pegada Ecológica, que serve de base para a análise de impacto do consumo apresentada ao mundo pela Ong.

A pegada ecológica permite calcular qual é a área (em hectares) necessária para produzir tudo aquilo que consumimos e, ainda, absorver os resíduos desses processos, em um ano. A conta é feita considerando toda a quantidade de água e de espaço físico necessários para o plantio, pastagem, pesca etc.. Todo esse conjunto é chamado de “biocapacidade” do planeta, ou seja, a habilidade dos sistemas ecológicos de gerar recursos e absorver resíduos em um determinado período.*

Ao calcular o dia em a Pegada Ecológica total da Humanidade é igual à biocapacidade da Terra (ambos medidos em hectares por ano), os pesquisadores identificam em qual data a população da Terra atinge o seu limite de consumo para o período. De modo simples, esse é o dia em que começamos a usar mais recursos ambientais do que a Terra é capaz de renovar, em um ano. A partir desta data, o planeta funciona no vermelho.

JUROS
Os “juros” cobrados pela natureza devido ao excesso de consumo já são conhecidos. Eles podem ser percebidos na forma de perda de bens e serviços ambientais – como a manutenção do equilíbrio climático. Modificar o padrão de exploração dos recursos e passar a usar apenas o que a natureza é capaz de produzir é a resposta para saldar a dívida e resolver um problema que se agrava continuamente.

“A humanidade tem várias saídas para mudar esse quadro, mas se permanecermos na inércia a e não fizermos nada, já sabemos que as conseqüências serão gravíssimas”, analisa o Prof. Genebaldo Freire Dias, Doutor em Ecologia e autor de diversos livros sobre a Pegada Ecológica. Infelizmente, os dados indicam que as mudanças adotadas até hoje são tímidas para alterar o rumo dessa história. Pelo contrário, os impactos parecem ser cada vez maiores.

Em 1961, quando os cálculos da Pegada Ecológica começaram a ser realizados pela Global Footprint Network, a população humana já usava 70% da capacidade produtiva da Terra. Mas foi em 19 de dezembro de 1987, a primeira vez que consumimos mais recursos do que o planeta era capaz de renovar, em um ano.

Segundo os cálculos da pegada ecológica, feitos pela Global Footprint Network e publicados pelo WWF (World WildLife Fund) no relatório “Living Planet Report 2006″, em 2003 a população da Terra já consumia 25% a mais do que os sistemas biológicos poderiam renovar. Hoje, dados da mesma organização apontam um saldo negativo de 30%. Esse excedente de consumo (conhecido como “overshoot” pelos pesquisadores) significa que seriam necessários 1 ano e 110 dias -  475 dias – para que a Terra pudesse ser capaz de produzir novamente o que a população mundial consumiu no período de um ano, ou seja, em 365 dias. E, segundo a Global Footprint Network, o acúmulo desse consumo excedente ao longo dos anos acaba gerando um “déficit ecológico”, que compromete a integridade dos sistemas naturais.

Para entender a situação, na prática, imagine uma floresta, onde as árvores são cortadas mais rápido do que as novas mudas podem nascer e se desenvolver. Em algum tempo, o número total de árvores na floresta irá diminuir. Frutos, sombra, raízes etc. que ajudam a manter a qualidade do solo, a temperatura e a disponibilidade da água e alimentos também passarão a existir em menor quantidade, comprometendo a possibilidade da flora e fauna sobreviverem naquele ambiente. O mesmo pode acontecer com outros recursos, como as espécies de peixe comercialmente pescadas, as áreas agriculturáveis etc.

Se um processo semelhante ocorre em diversos locais da Terra continuamente, o que acontece é a diminuição dos recursos existentes no planeta assim como da capacidade da natureza de responder aos impactos e se recompor. Desse modo, é como se alguém gastasse muito mais dinheiro em um ano do que é capaz de ganhar. Com o passar do tempo, sua dívida ficaria tão grande que mesmo que trabalhasse muito e ganhasse mais dinheiro, seria difícil saldar o déficit. O risco é a exaustão da capacidade do sistema de gerar recursos, assim como das forças do trabalhador.

Em termos globais, hoje, precisaríamos de 1,3 planetas Terra para manter os atuais padrões de consumo, sem comprometer a capacidade de renovação da natureza. Naturalmente, o grande problema é que vamos continuar a ter apenas um, enquanto as demandas de consumo e a própria população não param de crescer.

No ano 2000, por exemplo, gastou-se no nosso planeta em compras de produtos ou serviços domésticos, mais de 20 trilhões de dólares, quatro vezes mais do que em 1960, quarenta anos antes. Porém, nesse mesmo período a população da Terra dobrou, o que significa que cada pessoa, em média, passou a consumir duas vezes mais.

Não é possível prever até que ponto a Terra será capaz de resistir aos avanços consumistas da humanidade, diz Brooking Gatewood, gerente da Global Footprint Network, responsável pelos cálculos da Pegada Ecológica da Humanidade. “Nós não temos uma estimativa de quanto tempo levará até um ‘colapso ecológico’ ou a exaustão da capacidade da Terra de regenerar os recursos. Isso é impossível dizer, mas nós podemos afirmar que nossas analises mostram que, se a humanidade continuar adotando o modelo de desenvolvimento e consumo atuais, nós precisaremos de 2 planetas Terra em 2050, para prover os recursos que demandaremos”, afirma Gatewood.

Na realidade, os cenários futuros traçados com base nos números da pegada ecológica mostram que há que se buscar, sem demora, um modo de consumir diferente,      que inclua a consciência dos impactos que causamos ao nosso redor, sob pena de transformar a crise ecológica num processo irreversível. “É necessário buscar uma mudança profunda de paradigma para efetivamente solucionar os problemas que estamos vivendo no momento. A compreensão pode vir pelo bolso, pela educação ou pelo sofrimento. Resta saber qual maneira a nossa sociedade vai escolher”, analisa o Prof. Freire.

Agindo para solucionar – Mas o que cada um de nós pode fazer individualmente para diminuir a pegada ecológica da humanidade? Em primeiro lugar tomar consciência do problema e procurar saber quais são os impactos do seu estilo de vida – na sociedade, na natureza e sobre si mesmo. Há muita coisa que se pode fazer, partindo do princípio de reavaliar o consumo, seja de bens materiais ou de recursos naturais, ao tomar consciência de que dependemos destes para sobreviver. “As pessoas hoje esquecem que existe uma base biológica de sustentação da vida. Principalmente nas grandes cidades, onde o consumo é maior e a distância da natureza é grande. Sem essa base (biológica), não tem carro novo, nem shopping center, nem viagem para o Caribe”, desabafa o professor Freire.

O Brasil tem uma pegada ecológica média de 2,1 hectares por habitante por ano, número superior à média mundial sugerida para que atingíssemos um padrão de consumo sustentável hoje, que seria de 1,8 (hectares/hab./ano), mas bastante próxima da média mundial per capta de 2,2.

Você pode descobrir qual é a sua pegada ecológica no The Green Initiative. Vale a pena fazer uma visita, descobrir como anda o seu ritmo de consumo dos recursos naturais e ver se não está na hora de repensar os hábitos. Para ajudá-lo nessa missão, o Akatu confeccionou os 12 Princípios do Consumidor Consciente que estão disponíveis na home-page do Akatu na seção de Publicações/Manuais Práticos de Consumo Consciente.

SAIBA MAIS SOBRE A PEGADA ECOLÓGICA E MOBILIZE-SE
A Global Footprint Network e seus 85 parceiros internacionais realizam todos os anos uma campanha internacional de mídia para divulgar o Ecological Debt Day e a Earth Day Network organiza em abril a comemoração do Dia da Terra, em todo mundo.

Quem quiser participar das campanhas internacionais pode acessar o www.footprintnetwork.org ou www.earthday.net.

O relatório do WWF “Living Planet Report 2006″, que reúne informações gerais sobre a Pegada ecológica e os dados citados nessa reportagem pode ser encontrado na Global Footprint Network.

* O conceito foi desenvolvido pelos pesquisadores Mathis Wackernagel e Willian Hees e pode ser aplicado tanto para medir o impacto de um indivíduo de uma nação, ou até mesmo de toda a população humana sobre o planeta.

Akatu faz campanha para incentivar o consumo consciente

As peças publicitárias são veiculadas em diversos meios de comunicação para mostrar ao consumidor que suas ações podem tornar o mundo mais sustentável

Por Thiago Carrapatoso
Planeta Sustentável – 17/03/2008

O Instituto Akatu criou uma campanha para conscientizar a população sobre o impacto que o consumo tem, principalmente quando ele não é consciente. Chamada “Seu consumo transforma o mundo”, as peças publicitárias da campanha são veiculadas em diversos meios de comunicação, como a Rede Globo, a TV Minuto (que exibe programação dentro dos trens do Metrô) e a TV Trem (para os trens da CPTM).

As imagens publicitárias têm mensagens objetivas e criativas que demonstram que cada gesto de consumo tem poder transformador. A idéia é tornar o consumidor protagonista da mudança nos hábitos, tornando-o ciente de que com ações simples pode-se tornar o mundo mais sustentável.

Em uma delas, questiona-se a poluição que os automóveis expelem. Os dizeres “Não deixe o escapamento do seu carro aquecer ainda mais o planeta” chamam a atenção para uma imagem de uma cidade feita apenas de retalhos, dando a idéia de ser material reciclado.

Os temas são variados. Além da poluição, questiona-se também o aquecimento global, a educação, a saúde, a qualidade de vida e a pirataria. As peças foram produzidas pró-bono pelas agências Leo Burnett, parceira Institucional do Akatu, e Vetor Zero.

Para ver todas as peças, clique aqui e visite a galeria de imagens.

Como salvar o mundo sem fazer força

Para defender o meio ambiente, você não precisa se amarrar a uma árvore! Sugerimos ações para você ser amigo do planeta quase sem sair da cadeira

Bruno Favoretto e Nicole Jackson
Revista Men’s Health – 03/2008

Para preservar os recursos naturais do planeta e ainda ir à happy hour com a galera, basta uma poltrona, a internet e esta revista. Pequenos passos conduzem a grandes resultados (não cansamos de frisar isso na MH) e em nenhuma área isso é tão verdadeiro quanto na ambiental. Mudanças mínimas parecem insignificantes, mas multiplique-as por milhões de pessoas e avalie. A seguir, você tem o melhor guia de sustentabilidade feito para ecologistas de sofá.

A.
Gaste menos energia (principalmente a sua) – O que fazer? Invista em tralhas amigas do planeta

1. Troque a lâmpada.
Convidou a namorada para um jantarzinho íntimo? Prefira luz de velas. Mas, como não dá para viver como os Flintstones o tempo todo, compre lâmpadas certificadas pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (selo Procel), que oferecem boa iluminação com baixo consumo. Só para comparar, a Compacta Flúor da FLC, com apenas 9 watts, ilumina tanto quanto uma lâmpada sem selo de 40 watts. “Elas também reduzem o consumo de energia em até 80%”, acrescenta Miriam Duailibi, coordenadora do Instituto Ecoar, ONG paulistana que realiza projetos de educação ambiental pelo país afora.

2. Feche a torneira.
Como diz a canção Hágua, de Seu Jorge, “água doce, bebível, potável está acabando”. Além do desperdício, apenas 0,3% da água do planeta é doce. “Para economizar, instale no bico das torneiras um arejador de vazão constante, à venda nas lojas de material de construção. Ele reduz o consumo de 15 para 6 litros por minuto”, explica o engenheiro Carlos Lemos da Costa, consultor especialista em uso racional de água, de São Paulo.

2. Mude de privada.
O vaso sanitário do seu banheiro foi instalado antes de 2003? Então é hora de substituí-lo por um que tenha a inscrição 6 LPF (6 litros por função) e consuma apenas esse volume de água na descarga. Para gastar menos, coloque a válvula Duoflux, da Deca, que usa só metade (3 litros) se o objetivo é mandar embora apenas urina. “Bacias instaladas antes daquele ano chegam a gastar 15 litros por operação. A troca gera uma economia de 80%”, aponta Lemos da Costa. Assim você evita que seus netos vivam na seca, pois a água da descarga é tão pura e potável quanto a da torneira.

B. Vá para o tanque – O que fazer? Dê uma geral na área de serviço

1. Compre sabão ecológico.
Em Santo André (SP), o Instituto Triângulo é uma ONG que fabrica e vende sabão biodegradável produzido com óleo de cozinha reciclado (2,50 reais o quilo). “Ele evita a poluição provocada pelo óleo jogado na pia”, frisa Paulo Correia, diretor da organização. Em outras palavras, a química diabólica não vai transformar os filhos dos seus filhos em mutantes com três olhos.

2. Evite a secadora de roupas.
Como ela gasta muita energia, as usinas têm que detonar CO2 no ar para alimentá-la. Um levantamento da Organização de Renovação Ambiental, em São José dos Campos (SP), diz que trocar a secadora pelo varal durante meio ano pode reduzir até 317 quilos em emissões de CO2. Pendure a roupa e espie as calcinhas no varal de sua vizinha – desde que ela não seja a Dercy Gonçalves.

C. Emita menos gases – O que fazer? Maneire no repolho e não tenha uma vaca

Suas bufas contêm gás metano (CH4), 23 vezes pior para o efeito estufa que o dióxido de carbono (CO2). É científico! Mas não precisa segurar: seu bombardeio emite, em média, 700 mililitros de gases por dia e só 26 são metano. Uma quantidade irrisória para ferrar o meio ambiente, em comparação às vacas, que soltam 250 ml por peido. Especialistas crêem que o gado é o terceiro maior poluente do planeta.

D. Não vá ao banco – O que fazer? Pague as contas pelo computador

Use o banco online. Indo ao caixa eletrônico para pagar suas contas, você sai de casa, gasta combustível, perde tempo e paciência. Quite tudo pela internet. E não imprima o comprovante de pagamento da fatura do cartão (ele fica disponível online). Assim você contribui para diminuir a derrubada de florestas – só nos EUA os impressos bancários causam a morte de 16 milhões de árvores por ano. E gastam energia suficiente para abastecer durante um ano uma cidade do porte de Campinas (SP).

E. Desacelere e adote os 3 erres: reduzir, reutilizar, reciclar – O que fazer? Produza menos sujeira, leve sacolas ao supermercado e dê um bom fim aos celulares velhos

1. Reduzir.
Significa produzir menos lixo. Só em São Paulo são geradas todo dia 15 mil toneladas – 9 mil vêm das residências, segundo a prefeitura. É muita porcaria! Reduza o lixo, por exemplo, comprando frutas, verduras e legumes avulsos, em vez daqueles embalados em bandejas plásticas e filme transparente. Seu filho gosta das maçãs da Turma da Mônica, mas seja firme: é para o bem dos filhos dele.

2. Reutilizar.
Quarenta por cento das embalagens jogadas no lixo em São Paulo são de plástico, que demora dezenas de anos para se decompor. Ao levar uma mochila ou uma sacola ao supermercado para transportar as compras do churrascão de domingo, você evita a proliferação das sacolas plásticas, que provavelmente vão acabar entupindo um bueiro na próxima enchente ou asfixiando uma tartaruga marinha.

3. Reciclar.
Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), os níveis de gases causadores do efeito estufa podem triplicar até 2100. Um dos mais danosos é o níquel-cádmio das baterias de celular. Para dar um fim nelas, procure uma autorizada da Sony Ericsson, eleita pelo Greenpeace campeã mundial em descarte sustentável de baterias. Numa dessas você ainda vende aquela velharia sem Bluetooth que está na gaveta das cuecas. Se não vender, fique com a consciência limpa que a bateria será sepultada como merece.

F. Tome menos banho – O que fazer? Pegue uma ducha com sua namorada

1. Entre e saia do chuveiro.
Melhor ainda, ponha alguém lá dentro com você. E só abra a torneira quando necessário. O engenheiro Lemos da Costa afirma que quatro minutos é o período de banho ideal para evitar o apagão de energia elétrica e economizar nas contas de água e luz. O resto do tempo é para ensaboar (com o chuveiro desligado) e… você sabe.

2. Lave menos louça.
O ato usa 63 litros de água – e até absurdos 150 litros, com a torneira aberta -, enquanto uma lava-louças gasta 15 litros por ciclo. Preguiçoso como é, você já tem uma dessas, não?

G. Cole no seu camarada motorizado – O que fazer? Economize combustível e viaje pelo Brasil

1. Vá de carona.
A cada quilômetro rodado, um carro a gasolina despeja 27,7 gramas de CO2 no ar. Vai demorar até que todos adotem a bicicleta e pedalem rumo a um mundo mais verde (embora seja uma boa idéia para se livrar da barriga), mas há maneiras de reduzir o uso do carro. Organize um rodízio com os colegas. Você já tem que agüentá-los o dia inteiro, mas é para o bem dos pingüins da Patagônia.

2. Fique por aqui mesmo.
As viagens aéreas têm efeitos nefastos sobre as mudanças climáticas. Segundo o site inglês CO² Balance, um vôo de ida e volta entre Rio de Janeiro e Londres joga 2,04 toneladas de CO2 na atmosfera. Então pense em tirar férias no Brasil. Você não vai admirar as relíquias do British Museum, mas também não terá que ver a bunda branca das britânicas!

Congresso na PUC-SP discute gestão da inovação e desenvolvimento sustentável

Evento, realizado pela primeira vez no continente americano, reunirá especialistas da China , Japão , Holanda e outros países para refletir sobre soluções criativas aos desafios do século XXI em particular em relação ao tema da Sustentabilidade.

 

A PUC-SP se une a instituições de ensino superior européias e asiáticas para discutir o pensamento atual e as tendências futuras na gestão da inovação, na economia do conhecimento e nos modelos de negócios emergentes, focados em particular na promoção do desenvolvimento sustentável. Entre os dias 8 e 10 de dezembro, especialistas de cerca de 30 países tratam desses assuntos na 6ª edição do International Conference on Innovation and Management (Congresso Internacional em Inovação e Gerenciamento, ICIM 2009), que será realizado no Tuca.

Será a primeira vez que o ICIM acontece no continente americano. O evento vem sendo promovido por um grupo de universidades anualmente, em vários países: de 2004 a 2006, o Congresso foi realizado na Wuhan University (China); em 2007, na Yamagushi University (Japão); e em 2008, na United Nations University-Merit (UNU-Merit, Holanda).

Para o professor Arnoldo de Hoyos Guevara (Núcleo de Estudos do Futuro, Pós em Administração da PUC-SP), presidente do Comitê Científico do evento, o ICIM 2009 facilitará o pensar coletivo sobre os desafios de transição encontrados no século XXI, estimulando o surgimento de soluções criativas. “A era do conhecimento está mergulhada num cenário global turbulento, alicerçado por uma crise econômica de alcance planetário, com riscos das mudanças climáticas, em meio a uma crise de valores no contexto da complexidade da governança global. Os cenários do amanhã serão marcados pelas resultantes da situação presente, e refletirão os resultados e contradições nascidos da alta competição entre os diversos atores que se voltam a mercados, e o sucesso ou fragilidades de políticas públicas ao nível local e global”, avalia.

“Nesse contexto, é importante a aproximação entre instituições cientificas e modelos de gestão empresarial nacionais, bem como o conhecimento de experiências de outras nações”, completa, enfatizando o objetivo do ICIM 2009 de promover o intercâmbio internacional, aglutinar os setores acadêmico, privado e público e ampliar as condições para o desenvolvimento e execução de pesquisas em Ciência e Tecnologia e em Pesquisa e Desenvolvimento.

A programação do Congresso, que terá palestras, workshops e apresentação de cases e papers, pode ser vista no site www.pucsp.br/icim. As inscrições devem ser feitas pela internet, na página do evento, até 30/11. Informações: icim@pucsp.br.

 

Serviço:

6º Congresso Internacional em Inovação e Gerenciamento

(International Conference on Innovation and Management, ICIM 2009)

 

– Tema central:

Gestão da Informação para o Desenvolvimento Sustentável

– Data:

Entre 8 e 10/12.

– Local:

Tuca (rua Monte Alegre, 984, Perdizes, São Paulo)

 

– Inscrições e programação:

www.pucsp.br/icim

 

– Informações:

icim@pucsp.br

 

– Organização:

PUC-SP (Núcleo de Estudos do Futuro, Pós em Administração)

 

– Co-organização:

Universidade de Tecnologia Wuhan (China)

Universidade de Yamaguchi (Japão)

Universidade das Nações Unidas-Merit (UNU-Merit, Holanda)

mais informações: http://www.pucsp.br/icim/portugues/index.html

Curso esclarece sobre o valor da sustentabilidade

Ministrado pelo especialista Ricardo Guimarães, no dia 28 de setembro, em São Paulo, o curso abordará a multidisciplinaridade do conceito de sustentabilidade e a importância de transformá-lo em uma cultura social.

A dinâmica da nossa sociedade e, sobretudo, o crescimento tecnológico colocaram o futuro do planeta em xeque e transformaram o conceito de sustentabilidade em uma premissa, que deve ser incorporada às atitudes de todas as pessoas e organizações.

Para isso, o especialista em branding sustentável Ricardo Guimarães – que também é membro do Conselho Deliberativo do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV – acredita que é necessário ampliar a visão da sociedade sobre o assunto e, para isso, com a ajuda da Escola São Paulo, ministrará o curso “O Valor da Sustentabilidade”.

No dia 28 de setembro, das 19h30 às 22h, Ricardo dividirá com todos os inscritos o conhecimento que adquiriu com seu trabalho no setor de gestão sustentável. Entre os temas que serão abordados está a multidisciplinaridade do conceito de sustentabilidade – imprescindível para que o planeta, de fato, apresente melhoras – e a importância da incorporação dessa filosofia em todos os setores da sociedade.

As inscrições para participar da aula já estão abertas, mas as vagas são limitadas. Mais informações sobre o curso e as reservas podem ser obtidas no site da Escola São Paulo ou pelo telefone (11) 3081-0364.

Curso “O Valor da Sustentabilidade”
Palestrante: Ricardo Guimarães
Data: 28 de setembro
Horário: das 19h30 às 22h
Valor: R$20,00
Local: Escola São Paulo
Endereço: Rua Augusta, nº 2239
Mais informações no site do espaço cultural ou pelo telefone (11) 3081-0364

TV Brasil faz pitching em busca de coprodutor independente

A TV Brasil anunciou seu primeiro pitching. O edital para produtores independentes é um busca de programas que abordem o tema “Meio Ambiente e Sustentabilidade”. A ideia é coproduzir com produtores independentes uma série de programas composta por 36 episódios de 36 min cada, que serão exibidos na rede da TV Brasil.

Em uma primeira etapa, serão escolhidos 10 projetos, que participarão da defesa oral. O resultado final será divulgado no dia 26 de outubro, com início da exibição da série escolhida em março de 2009.

Dificuldade

Vale lembrar, a TV Brasil, desde a sua criação, tem enfrentado dificuldade fazer a aquisição de programas de acordo com a Lei de Licitações 8.666. Os pitchings seriam uma forma de adequar a busca por conteúdo independente à regra.

As inscrições vão até o dia 2 de setembro. Da Redação

10ª edição do Prêmio von Martius de Sustentabilidade

As inscrições para a 10ª edição do Prêmio von Martius de Sustentabilidade, um dos mais importantes da área, já estão abertas. Promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha desde 2000, o Prêmio contempla trabalhos de empresas, organizações não-governamentais, indivíduos, governos e instituições nacionais em três categorias: Humanidade, Natureza e Tecnologia. Podem concorrer projetos concluídos ou em realização que promovam o desenvolvimento econômico, social e cultural alinhado ao conceito de desenvolvimento sustentável. As inscrições vão até 25 de setembro e podem ser feitas pelo site http://www.premiovonmartius.com.br.

Desde a primeira edição do Prêmio von Martius até hoje, 1.464 projetos foram inscritos, analisados e auditados nas três categorias, dos quais 82 foram premiados e 12 receberam menções honrosas.

Até 2006, a cerimônia de entrega do Prêmio era realizada exclusivamente em São Paulo. Com o objetivo de difundi-lo ainda mais, incentivando a participação de projetos de diversas localidades do País, a instituição organizadora decidiu, em 2007, levá-lo a outras capitais brasileiras, começando pelo Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna (MAM). Em 2008, a cerimônia aconteceu no Clube Concórdia, em Curitiba (PR). Este ano, São Paulo volta a sediar o evento em comemoração aos 10 anos do Prêmio von Martius de Sustentabilidade, no dia 24 de novembro.

O Prêmio von Martius é o único do gênero no País a obter o selo carbon free por fazer a compensação de todo o gás carbônico emitido desde o início de suas atividades até a cerimônia de premiação. Desde 2008, o evento tem conquistado também o selo Sustentax de sustentabilidade, reduzindo ao máximo os efeitos nocivos ao meio ambiente e à sociedade durante a o evento de entrega do Prêmio.

O Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2009 conta com o patrocínio da Henkel, Tetra Pak e Gráfica Bandeirantes, além do apoio das instituições: Ministério do Meio Ambiente do Brasil, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), WWF-Brasil, Centro de Competência Mercosul para Responsabilidade Social Empresarial e Grupo Sustentax. É o único concurso de projetos socioambientais do Brasil a dispor de compensação de carbono certificada pela BRTÜV.

A nova obsessão verde

Depois de calcular as emissões de carbono, agora as empresas correm para rastrear o uso de água em seus produtos desde a matéria-prima até o consumidor final

Nos últimos anos, a onda verde transformou uma expressão quase incompreensível em algo corriqueiro dentro de muitas empresas – a contagem de emissões de carbono. É comum hoje encontrar exemplos de cálculos meticulosos de gases de efeito estufa jogados na atmosfera até mesmo em atividades cotidianas, como viagens aéreas de executivos. Na busca para reduzir o próprio impacto ambiental, porém, já não basta diminuir (ou mesmo neutralizar) essas emissões. A nova obsessão das empresas é rastrear o consumo de água envolvido na produção de um bem. Como era de esperar em se tratando desse mercado, a tendência vem acompanhada de um conceito um tanto obscuro: água virtual. A nova bandeira dessa corrida sustentável foi levantada para valer em abril pela Raisio, fabricante de cereais finlandesa, com faturamento de 500 milhões de euros em 2008. A Raisio não apenas mediu o uso de água para a produção da linha Elovena – dos campos de aveia ao supermercado – como também se tornou a primeira companhia no mundo a estampar em sua embalagem o número de sua “pegada” (jargão que no mundinho verde significa o impacto ambiental de uma empresa). Segundo a Raisio, para fabricar 100 gramas de aveia em flocos são consumidos, ao longo de toda a cadeia de produção, 101 litros de água. “Boa parte dos consumidores ainda não entende o conceito”, disse a EXAME Pasi Lähdetie, vice-presidente de comércio de grãos da Raisio. “No futuro, porém, será algo tão compreendido como o carbono.”

O movimento feito pela Raisio começa a ser trilhado também por outras grandes companhias em todo o mundo. A americana Levi Strauss calculou que a fabricação de cada jeans do tradicional modelo 501 consome quase 2 000 litros de água. A Coca-Cola estimou que a fabricação de uma lata de 300 mililitros do refrigerante exija até 60 litros de água (quase 200 vezes o volume de uma latinha). A rede de cafeterias Starbucks anunciou que concluirá neste ano o primeiro rastreamento de consumo de água por toda a empresa – das lojas e escritórios até seus fornecedores de café. Todas seguem o conceito criado em 2002 pelo holandês Arjen Hoekstra, professor de gerenciamento de água da Universidade de Twente, na Holanda. Do ponto de vista ambiental, trata-se de um tema tão premente quanto o aquecimento global – tanto para empresas quanto para governos. Segundo o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês), em pouco mais de 15 anos dois terços da população mundial deverão enfrentar escassez de água. “Não estamos usando esse recurso de maneira sustentável”, afirma Hoekstra. “E rastrear a cadeia é o primeiro passo para tornar esse consumo mais racional.”

Para diminuir os rastros

A primeira dificuldade da empreitada é que, ao contrário das emissões de carbono, não há modelos prontos disponíveis para ser seguidos. Em dezembro, uma rede mundial de ONGs, cientistas e cerca de dez empresas criou a Water Footprint Network para discutir pela primeira vez uma metodologia única para a avaliação da água virtual. As companhias que já começaram a estimar a quantidade do recurso utilizado nas cadeias de produção, portanto, criaram os próprios métodos dentro de casa a partir do ponto zero. No caso da Raisio, o processo levou cerca de três meses e exigiu uma equipe de seis funcionários de áreas distintas (entre fábrica e relacionamento com fornecedores), além de um consultor externo, que já havia ajudado a empresa na determinação da pegada de carbono. Trata-se de uma tarefa complexa, sobretudo porque o levantamento considera informações que estão fora da empresa. Parte do trabalho incluiu visitas a produtores atrás de informações, como o tipo de fertilizante usado na preparação do solo. Por enquanto, a única medida prática tomada pela companhia finlandesa foi colocar a informação na embalagem dos produtos. “O próximo passo é reduzir nosso consumo”, afirma Lähdetie.

Eis aí uma etapa tão ou mais complexa que o cálculo do rastro ambiental. Os estudos da Levi Strauss, por exemplo, mostraram que apenas 6% do consumo de água estava associado aos processos industriais da empresa. A maior parte do recurso é consumida pela agricultura do algodão (49%) e pelo pós-consumo (45%) nas lavagens das roupas. “Percebemos que, para levar adiante o compromisso com a sustentabilidade, era preciso agir no ponto extremo da cadeia, sobretudo com agricultores, e não apenas no processo industrial, onde estávamos focados até então”, afirma Colleen Kohlsaat, gerente de sustentabilidade da Levi Strauss. “O desafio é que temos uma capacidade menor de influenciar esses extremos do que temos de agir em nossas próprias operações.” Na prática, a constatação levou a empresa a investir em parcerias com ONGs como a Better Cotton Initiative, que atua na educação de agricultores do setor algodoeiro, para adotar técnicas com menos impacto ambiental. A Coca-Cola tomou a mesma decisão ao incentivar métodos literalmente mais enxutos de produção de beterraba e cana-de-açúcar, usados como matéria-prima na composição dos refrigerantes.

Diferentemente do que ocorre com as emissões de carbono, que podem ser compensadas com a compra e a venda de créditos, num mercado já estruturado, o sistema de compensação da pegada de água ainda é nebuloso. Por isso, muitas empresas estão criando as próprias regras. Uma delas é a Pepsico. A companhia iniciou um projeto em lavouras de arroz da Índia, no qual substitui a tradicional irrigação por alagamento por uma técnica capaz de reduzir 30% do uso de água (o arroz é usado na fabricação de alguns salgadinhos). Segundo a empresa, se estendesse a área dedicada ao novo sistema de plantio dos atuais 400 hectares para 2 000 hectares, a economia gerada seria capaz de compensar toda a água usada pelas três fábricas da Pepsico na Índia. “Uma mudança pequena pode ter um impacto enorme”, diz Dan Bena, diretor de desenvolvimento sustentável da Pepsico. Os especialistas, no entanto, são mais céticos. “No caso da água, não há como compensar os danos”, afirma o professor Hoekstra. “A não ser que você reponha água na mesma qualidade, quantidade e exatamente no mesmo local, não existe como neutralizar seu impacto.”

Em alguns pontos do planeta, a falta de água já é um problema concreto para muitas empresas. Há dois anos, a fabricante de cerveja sul-africana SABMiller identificou que 30 de suas fábricas estavam em regiões que corriam risco iminente de falta de água. Uma das operações mais arriscadas era a da Tanzânia, onde o uso excessivo das reservas subterrâneas por indústrias locais estava reduzindo a quantidade e piorando a qualidade das fontes de água potável. A saída foi iniciar um programa de reutilização do recurso na unidade. Em novembro, a cervejaria anunciou a meta de cortar 25% de seu consumo de água em todas as suas 139 fábricas até 2015. A medida representará uma economia de 20 bilhões de litros de água por ano – e pode determinar a própria perpetuação de seu negócio.

A Natura superou a maior crise dos últimos tempos e – mais importante – as próprias limitações.

Cristiane Mano e Melina Costa
Revista Exame – 15/07/2009

Existem diversas formas de testar a popularidade de um executivo. Uma das mais radicais – e temidas – é misturá-lo a seus subordinados em um ambiente informal. Fora do escritório, a afinidade (ou o desconforto) com o chefe em geral se torna nítida. Por esse critério, pode-se dizer que Alessandro Carlucci, presidente da Natura, maior empresa de cosméticos do país, é quase um popstar corporativo. Um evento no dia 18 de junho deu provas dessa aura de celebridade. Naquela noite, a empresa reuniu 100 gerentes de relacionamento de diversas partes do Brasil em São Paulo, onde elas receberiam um prêmio por seu bom desempenho em 2008. Guardadas as devidas proporções, o clima era de entrega do Oscar, com mulheres usando vestidos de festa, salto alto e (obviamente) muita maquiagem. As gerentes, responsáveis pelo contato com as 742 000 vendedoras da Natura, ganharam um troféu e um pingente de topázio. Muitas, porém, demonstraram mais entusiasmo ao receber as boas-vindas de Carlucci, um cavalheiro de 43 anos, do que com o prêmio. Ele cumprimentou uma a uma enquanto as funcionárias aguardavam pacientemente em fila a oportunidade de beijá-lo e abraçá-lo. Antes da premiação, Alê – como era tratado por todas – circulou por rodinhas de mulheres num ambiente da mais pura tietagem. Algumas comentavam questões cotidianas, como conciliar o trabalho com a família. Outras só queriam levar para casa uma foto com o presidente. “Nós o admiramos”, afirma a carioca Elizabeth Cristina Bizzo, gerente de relacionamento da Natura há 14 anos e responsável por coordenar o trabalho de 860 consultoras em São Gonçalo, município na região metropolitana do Rio de Janeiro. “Ele é muito carinhoso e valoriza a nossa atividade porque passou por vários cargos dentro da empresa.”

O clima de festa explica-se em grande parte pelo bom momento vivido pela Natura. A empresa vem conseguindo se manter distante da crise global – num símbolo da resistência do mercado consumidor brasileiro – ao mesmo tempo que dá mostras de ter superado uma das fases mais críticas de sua trajetória de 40 anos. Os resultados financeiros atingidos em 2008, o desempenho espetacular no primeiro trimestre de 2009 e a história de superação das próprias limitações levaram a Natura a ser escolhida por EXAME a Empresa do Ano de Melhores e Maiores 2009. Maior fabricante de cosméticos do país, a Natura acelerou seu crescimento justamente na segunda metade de 2008, quando a crise se espalhou mundo afora. Somadas as vendas dentro e fora do país, o faturamento chegou a 4,9 bilhões de reais no ano passado, um crescimento de 14% em relação a 2007, e o lucro alcançou 542 milhões de reais. Quase 70% da receita veio de produtos lançados nos últimos dois anos – uma evidência de sua capacidade de inovação, apoiada sobretudo no ape o sustentável. Os números tornam-se ainda mais expressivos numa série histórica. Segundo os dados de Melhores e Maiores, o faturamento da Natura cresceu 49% em cinco anos, descontada a variação do IGP-M. Essa expansão se refletiu na Bovespa. Suas ações atingiram o ápice no dia 18 de maio – numa valorização de 390% desde o IPO, em maio de 2004. Trata-se da companhia de bens de consumo que mais valorizou nos últimos 12 meses na Bovespa. “A empresa passa pela melhor fase de sua história como companhia aberta”, afirma a analista Andrea Teixeira, do JPMorgan, em seu relatório mais recente.

Numa perspectiva mais abrangente, o desempenho da Natura ajuda a compor o cenário de um Brasil que resiste à crise mundial. Como 94% de suas receitas vêm do mercado interno, os números refletem de maneira direta a expansão do consumo no Brasil. Nos últimos quatro anos, cerca de 23 milhões de brasileiros ingressaram na classe C. É gente que passou a consumir mais, de maneira mais variada e que vê nas marcas um símbolo de elevação de status. Segundo dados da consultoria Tendências, o volume de vendas do varejo cresceu 9% em 2008 – e deve aumentar outros 2% até o final deste ano (enquanto a estimativa é que o PIB caia 0,6%). Paralelamente, a Natura se beneficia de outro fenômeno. Numa situação de dificuldade e insegurança em relação ao futuro – cenário típico de crises -, o consumidor pode adiar sonhos onerosos, como o de um carro novo, mas tende a comprar mais itens mais baratos que, de alguma forma, ajudam a elevar a autoestima. Esse mecanismo de compensação é tão claro no caso dos cosméticos que inspirou a criação do Índice Batom. Desenvolvido pela fabricante americana Estée Lauder durante a crise de 2001, o indicador relaciona recessões ao aumento no consumo de produtos de beleza. O desempenho recente do setor de cosméticos no Brasil mostra que a lógica do tal índice também se aplica por aqui. O mercado brasileiro é o que mais cresce entre os dez maiores do mundo – movimentou 28,7 bilhões de dólares em 2008, 27% mais em relação ao ano anterior. A consultoria Euromonitor prevê que o Brasil se torne o segundo maior consumidor mundial de cosméticos e produtos de higiene pessoal em 2011, atrás apenas dos Estados Unidos.

Mas a Natura não teria passado incólume pela crise sem antes resolver uma questão particular. Em 2007, o ano de maior euforia no consumo no Brasil da última década, a empresa – um dos exemplos mais bem-sucedidos do novo capitalismo brasileiro – perdeu rentabilidade e espaço. No quarto trimestre daquele ano, o faturamento líquido de sua principal concorrente no Brasil, a americana Avon, cresceu 40%. O da Natura, apenas 9%. Os investidores rapidamente reagiram. No dia da divulgação do resultado anual da companhia, em fevereiro de 2008, os papéis valiam 42% menos em comparação à cotação de janeiro de 2007. Acostumada a ser uma fonte aparentemente inesgotável de boas notícias, a Natura experimentou seu primeiro grande revés após a abertura de capital. Na época, a empresa se dedicava a um ousado plano de expansão internacional, cujo alvo eram Inglaterra, Rússia e Estados Unidos. Com o sobressalto, tudo foi suspenso. “Não frustramos só analistas e investidores. Ficamos abaixo de nossas próprias expectativas”, diz Carlucci.

Pela primeira vez desde sua fundação, em agosto de 1969, a Natura se viu obrigada a fazer uma grande e dolorosa reestruturação. A expansão acelerada provocara um efeito colateral – sua estrutura havia inchado e se tornado mais lenta. “Dores do crescimento existem em qualquer grande empresa. E aconteceu com a Natura”, afirma Guilherme Leal, um dos três controladores da companhia, ao lado de Antonio Luiz Seabra e Pedro Passos. Coube a Carlucci a tarefa de conduzir transformações que iam desde a organização das vendedoras até a vice-presidência. Ele próprio é um produto da Natura – condição que costuma tornar a identificação dos problemas e sua solução uma tarefa ainda mais complexa. Seus modos, a forma como trata funcionários e clientes, o vocabulário politicamente correto e a competitividade civilizada foram forjados durante os 19 anos de carreira na companhia, onde ingressou após se formar em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo. “Recebemos muita pressão de dentro e de fora da companhia”, diz Carlucci. “Esse processo resultou num salto. Mas não foi agradável.” O processo de transformação exigiu mais dedicação também de Seabra, Leal e Passos, que dividem a presidência do conselho de administração desde fevereiro de 2005, quando nomearam Carlucci presidente. Eles afirmam que no ano passado foram obrigados a deixar mais vezes o escritório da holding Janos, que controla outros investimentos dos sócios (como participações na Droga Raia e na Ideal Invest), para participar de reuniões na sede da Natura, um moderno edifício em Cajamar, na Grande São Paulo. O auge da reestruturação, em julho do ano passado, coincidiu com a volta de Seabra de uma temporada de três anos em Londres. “Nossa participação no processo foi passar a convicção de que a mudança aproximaria a empresa de seus fundamentos, com decisões mais rápidas”, diz ele.

A profundidade da reestruturação se tornou clara com a troca de todo o primeiro escalão (com exceção, claro, de Carlucci). Hoje, o veterano no comitê executivo, principal instância de decisões operacionais da companhia, tem um ano e meio de casa. É José Vicente Marino, que deixou a presidência da Johnson & Johnson no Brasil para se tornar vice-presidente de negócios da Natura, em fevereiro de 2008. Um mês depois, Marcelo Cardoso, ex-presidente da consultoria de recursos humanos DBM, assumiu a recém-criada vice-presidência de desenvolvimento organizacional e sustentabilidade. Em janeiro deste ano, Roberto Pedote, de finanças, chegou da Nokia. Entre os critérios de escolha dos três, segundo Carlucci, estavam a disposição para decisões por consenso – um dos tais fundamentos da Natura – e a capacidade de discutir o negócio em todas as suas dimensões, independentemente dos cargos que ocupam. Carlucci e os três novos vice-presidentes dividem a mesma sala. A empresa busca ainda outros dois vice-presidentes – um de logística e outro para liderar a área de inovação. Parte das substituições, segundo ele, explica-se pela necessidade de um novo perfil. (Para a vice-presidência de inovação, por exemplo, até o ano passado ocupada por Eduardo Luppi, a companhia procura, com a consultoria americana Spencer Stuart, um profissional com experiência internacional.) Outra razão para as mudanças na cúpula, de acordo com os controladores, é quase simbólica – fazer com que Carlucci escolha seu time. A diretoria anterior fora herdada dos controladores. “Percebemos que isso era importante para ele desenvolver uma sintonia fina com a própria equipe”, afirma Leal.

Em outubro, após cerca de seis meses de uma varredura realizada com a ajuda da consultoria Gradus, a Natura anunciou a extinção de 200 postos. Em quase todas as áreas, um nível hierárquico desapareceu. Um exemplo é a diretoria financeira, que coordenava áreas como controladoria e tesouraria. Com a extinção do cargo, as funções subordinadas passaram a se reportar diretamente ao vice-presidente Pedote. Nessa mesma época, 75 cargos foram criados. Boa parte deles na nova estrutura dos cinco escritórios regionais – que agora contam com equipes de profissionais que vão da área de vendas ao marketing. “A meta é aproximar a decisão da ponta do negócio”, diz Marino. “Esperamos, nos próximos anos, conseguir lançar produtos de acordo com o gosto local.”

A queda nos índices de produtividade das vendedoras levou a empresa a criar uma nova função: a consultora Natura orientadora (como quase tudo que se refere ao vocabulário da Natura, o cargo tem nome pomposo). Subordinadas às gerentes de relacionamento (funcionárias da empresa), elas passaram a comandar as 742 000 vendedoras autônomas espalhadas pelo país. Hoje, cada uma das 8 000 CNOs, como passaram a ser conhecidas, gerencia de 80 a 100 consultoras. “Sem as novas coordenadoras, as gerentes não conseguiam mais nem telefonar no aniversário das vendedoras”, diz Cardoso. Numa empresa qualquer, essa questão não teria a mesma relevância, mas a Natura acredita que o relacionamento pessoal no caso da força de vendas faz diferença. Até hoje o fundador Seabra participa de festas de premiação de funcionárias – ele estava no evento com as gerentes de relacionamento realizado em junho, por exemplo. Ele também mantém o hábito de telefonar no aniversário de algumas das mais antigas. Para estreitar ainda mais o relacionamento com as consultoras, a empresa abriu há poucas semanas três Casas Natura na Grande São Paulo e prepara a abertura de outras duas na mesma região ainda neste ano. O espaço destina-se sobretudo ao treinamento do pessoal.

Numa empresa cuja história é marcada por crescimento acelerado e poucos reveses, o corte de custos poderia parecer uma missão menos nobre. Durante a reestruturação, porém, ficou claro que a tarefa pouco glamourosa de reduzir despesas se tornara inevitável. Em 2008, a Natura economizou 94 milhões de reais com iniciativas simples, como a troca do papel e a redução no número de páginas do catálogo de vendas da marca – de 140 para 122. Com isso, ganhou fôlego para reforçar investimentos publicitários. Entre 2008 e 2010, a Natura deve investir 400 milhões de reais adicionais em marketing. O impulso será fundamental para fazer frente a concorrentes como a Avon, que aumentou em 40% seus investimentos em publicidade no país entre 2005 e 2008. “Os resultados do plano de ação da Natura devem continuar a impulsionar o crescimento das vendas pelos próximos dois anos”, diz Marianna Waltz, analista do Banco do Brasil.

Martinelli/Divulgação{txtalt}

Extração de castanhas na Amazônia: o apelo sustentável é um dos pilares da competitividade

No centro das atenções agora está também a expansão para a América Latina, considerada crucial para o crescimento futuro. A operação no Chile, por exemplo, foi estabelecida há 27 anos, mas até hoje a participação da Natura no mercado de cosméticos vendidos porta a porta não passa de 2,6% no país. “Para ganhar relevância, sabemos que é preciso ter produtos locais”, afirma Carlucci. Hoje a Natura leva os mesmos produtos vendidos no Brasil para esses países. Por vezes as marcas nem sequer são traduzidas, como no caso da linha de produtos Mamãe e Bebê, cujas embalagens mantêm o nome em português no Chile e na Argentina. A falta de apelo local afeta a competitividade diante de concorrentes consolidados. Um deles é a Belcorp, dona da marca L’Bel Paris e com sede no Peru. Com posicionamento de preço premium, similar à Natura, a L’Bel Paris está entre as líderes no Chile, na Colômbia e na Venezuela – três alvos da Natura. A maior rival, no entanto, dentro ou fora do país, é a Avon. A América Latina é a única região do mundo onde a multinacional cresceu a uma taxa de dois dígitos no primeiro trimestre deste ano. Para a Avon, o Brasil é o segundo maior mercado em vendas e o primeiro em crescimento e lucratividade – e, portanto, prioritário para a matriz. Outras estrangeiras também vêm investindo no país. A americana Estée Lauder, que já vende no varejo brasileiro marcas como Mac e Clinique, está estudando o modelo porta a porta. A francesa L’Oréal inaugurou, em 2008, seu primeiro laboratório no Brasil. A meta é atender às preferências locais para se tornar líder em cosméticos populares.

Graças ao crescimento do mercado brasileiro, já foram recorrentes rumores sobre uma eventual aquisição da Natura por companhias estrangeiras. “A compra da Natura hoje é muito improvável e cara”, afirma a analista Daniela Bretthauer, do banco Raymond James. Essa situação, porém, pode mudar. No dia 2 de julho, a companhia informou que estuda alterar sua rígida proteção contra uma oferta hostil. Até agora, o estatuto determina que, se um acionista ou grupo alcançar 15% das ações, deve lançar oferta para comprar os papéis dos demais investidores. Para analistas ouvidos por EXAME, a medida pode estar relacionada com a nova emissão de ações da companhia. A antiga regra poderia afastar alguns investidores interessados nos papéis. Atualmente, os controladores detêm 73% da companhia, cujo valor de mercado é 11 bilhões de reais. Especula-se que a emissão secundária, ainda sem data definida, levante entre 1,6 bilhão e 1,8 bilhão de reais. Nesse caso, Seabra, Leal e Passos continuariam majoritários, com algo como 58% das ações. Por determinação da CVM, eles não comentam a decisão. Apenas afirmam a intenção de manter o controle. “Nunca tivemos e não temos interesse em vender a Natura”, afirma Seabra, que pretende colocar na agenda o encontro com as gerentes de relacionamento no ano que vem.

Iniciativa estimula consciência socioambiental nos jovens

O programa Jovens Embaixadores Ambientais, desenvolvido em parceria com o Pnuma, premiará as melhores ações em prol do meio ambiente e da comunidade, realizadas por adolescentes de vários lugares do mundo. As inscrições para participar já estão abertas

Incentivar a realização de projetos que privilegiam a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável e disseminar inovações tecnológicas, práticas e estilos de vida coerentes com as questões socioambientais que existem, hoje, no mundo.

Esses são os objetivos principais da sexta edição do programa Jovens Embaixadores Ambientais, promovido pela Bayer a 11 anos, em parceria com o Pnuma – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A iniciativa, que começou na Tailândia, envolve atualmente adolescentes de 19 países do mundo, entre eles o Brasil.

Os jovens de 18 a 25 anos de idade, que são universitários ou estão regularmente matriculados no Ensino Médio, e possuem a autoria de algum estudo ou projeto socioambiental podem participar do Programa. As ações inscritas podem ser direcionadas a qualquer setor da sociedade, contanto que tragam melhorias ao meio ambiente ou à comunidade local ou mundial.

Como prêmio, os realizadores da iniciativa oferecerão aos ganhadores uma viagem à Alemanha. A ideia é promover um intercâmbio técnico-cultural entre adolescentes do mundo inteiro e, dessa forma, incentivar e disseminar projetos que privilegiem o desenvolvimento sustentável.

Os interessados em participar devem preencher a ficha de inscrição do Programa, que está disponível no site da Bayer, e enviá-la pelo correio até o dia 21 de agosto. Ao todo, quatro projetos brasileiros serão escolhidos – por um júri composto por jornalistas e representantes de universidades e ONGs, especialistas em meio ambiente – para representar o nosso país na Alemanha. Para acessar o regulamento do Programa, clique aqui.

Pneus inúteis recebem destino nobre

200 milhões de unidades foram coletadas pela Reciclanip – programa da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos – e encaminhadas para fins ecológicos adequados. Fiesp homenageou a iniciativa.

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

A meta atingida na coleta e destinação adequada de pneus inservíveis bateu recorde: 200 milhões de unidades encaminhadas para fins ambientalmente corretos. Para se ter uma ideia, o número equivale a quantidade de pneus necessária para equipar duas vezes toda a frota de automóveis do Brasil, que é estimada, hoje, em 25 milhões de carros. 

A iniciativa é da Reciclanip, entidade que pertence a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) e que é, atualmente, uma das maiores organizações da indústria brasileira na área de responsabilidade pós-consumo. Considerando a grande contribuição que a atividade tem dado ao meio-ambiente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) resolveu homenageá-la ontem, 23 de março, na própria sede da Fiesp. 

Os pneus coletados, que pesam cerca de um milhão de toneladas, receberam diversos destinos diferentes. Entre eles, a fabricação de pó de borracha para asfalto, a produção de combustível alternativo para a indústria de cimento e, ainda, a utilização da substância como matéria-prima para confeccionar solados de sapato e dutos fluviais. 

Além da contribuição ecológica, o reaproveitamento dos pneus estimula, também, a economia do país. A atividade gera empregos, impostos e, ainda, alimenta outras indústrias, caracterizando uma ótima oportunidade para o Brasil.

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