O problema é dos outros

Nós fazemos muito pouco pelo planeta por achar que cuidar dele é um problema dos governos e das empresas

Luiz Alberto Marinho
Vida Simples – 04/2010

Alguns anos atrás entrei em um supermercado na França e me espantei na hora de pagar as compras. Não pelos preços, mas pela ausência das sacolinhas plásticas, tão familiares para quem frequenta as lojas brasileiras. Naquela rede francesa, como em muitas outras no exterior, quem não levar sua própria sacola de casa precisa comprar uma na hora, feita de material reciclado e resistente o bastante para ser usada várias vezes.

Lembrei-me dessa história outro dia, ao ler os resultados de um estudo sobre o uso de sacolas plásticas pelo comércio nacional. Você sabia que no ano passado nós utilizamos cerca de 15 bilhões delas? Isso significa que em 2009 cada brasileiro consumiu cerca de 66 sacos plásticos por mês. E, como você deve saber, o plástico é altamente prejudicial ao meio ambiente, porque leva anos para se desintegrar.

A indústria do plástico se defende com pesquisas que mostram que 75% dos consumidores brasileiros reaproveitam sacolas plásticas para acondicionar lixo doméstico e 69% deles usam a embalagem para carregar outras compras. Tem ainda os que guardam sapatos, documentos e até os que recolhem fezes de animais com a ajuda das sacolinhas.

Da minha parte, estou convencido de que o esforço para estimular os consumidores brasileiros a reduzir o uso de sacos plásticos é inútil. E isso tem relação com o descaso com que tratamos o planeta. Até as pessoas mais bem informadas sobre o meio ambiente se esquecem de sair de casa preparadas para trazer as próprias compras. Eu mesmo, outro dia, apesar de carregar uma mochila nas costas, aceitei um saco plástico no caixa de uma livraria. Só depois de sair da loja percebi que poderia ter poupado o planeta de mais um pedaço de plástico.

Isso ocorre porque nós, seres humanos, não estamos dispostos a fazer a nossa parte para salvar a mãe natureza. A conveniência fala mais alto e pensamos que essa tarefa, afinal, deve ser encampada pelos governos e pelas empresas – não por nós. Essa atitude não aparece apenas nos supermercados.

Ano passado, pesquisa realizada pelo Ibope para saber o que os paulistanos pensavam sobre o Dia Mundial sem Carro revelou que apenas 45% deles estavam dispostos a apoiar a iniciativa. Outro estudo revelou que somente um terço dos cariocas participariam. O que se viu, entretanto, foi uma adesão ainda menor. As desculpas passam pela precariedade do transporte público, a insegurança das cidades e a pressa, entre outras.

Mas na verdade isso acontece porque estamos todos de acordo quando o assunto se refere ao que os outros precisam fazer. Mas, quando somos nós que temos que abrir mão de algum conforto, aí a coisa muda de figura.

Luiz Alberto Marinho não joga lixo nas ruas, vai para o trabalho a pé e usa sacolas recicláveis.

Quanto custa ser verde?

Foi-se o tempo em que fazer compras era só abastecer a casa. A questão é qual o preço (em reais) dessas opções ambientalmente e socialmente sustentáveis

Por Tatiana Bonumá
Revista Bons Fluidos – 03/2008

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Hoje, consumir implica responsabilidade. Demonstra resistência ou apoio em relação ao fabricante e o conhecimento do impacto que a cadeia de produção causa. “Ter consciência de que se pode influenciar o mundo como consumidor é um dado importante e inevitável. O pós-moderno não se esquece das implicações do objeto comprado. Por exemplo, atualmente, quem vai querer um cinto feito de couro de crocodilo ou um diamante desencravado à custa do trabalho escravo? É essa postura que nos levará ao equilíbrio, evitando a barbárie consumista”, pondera o antropólogo Roberto DaMatta. Você pode endossar uma campanha, sabotar uma conduta ou ajudar a financiar uma causa, de acordo com as escolhas que faz. Nesta era, do consumo responsável, os alimentos orgânicos, os eletrodomésticos que economizam energia, os objetos de madeira com selo do FSC e muitos outros produtos sustentáveis estão em alta. Mas quanto custa fazer essa opção sempre e em todos os setores? Às vezes um produto com as características ecologicamente corretas pode sair 50% a mais do que o similar popular, e em outras, o mesmo tanto que um produto convencional. O importante é comparar e escolher de acordo com sua saúde financeira. Voltando ao supermercado, se não dá para ter tudo verde, pode-se ter metade de tudo verde ou apenas um
item. Como diz o próprio Roberto DaMatta, tudo bem com a preocupação sobre a sustentabilidade, mas não podemos nos esquecer de que antes precisamos salvar o homem.

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ISSO OU AQUILO?
“Na hora de escolher o que entra no orçamento, normalmente o consumidor fica com o produto que traz benefícios extras para a saúde. Essa é a motivação primordial para adquirir
produtos sustentáveis, mesmo que custem mais caro. Em segundo plano, o fator ambiental é considerado”, responde André Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Esse é o comportamento no Brasil e no restante do mundo. Numa escala de valores, alimentos saudáveis, como os orgânicos, são mais importantes do que o detergente biodegradável, o xampu com conceito ecológico e a madeira certificada. Os números comprovam: a venda de alimentos orgânicos cresce cerca de 30% a cada ano. Já o aumento da procura por produtos de madeira com selo do FSC, por exemplo, não chega a dois dígitos. “São duas consciências e posturas. Uma é centrada no interesse individual e visa o benefício imediato, enquanto a outra indica a preocupação com o todo, objetivando melhorias a médio e longo prazo para o meio ambiente
e para as pessoas”, explica André Carvalho.

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QUESTÃO FINANCEIRA
É verdade que muitas vezes não se trata de falta de consciência ecológica, mas de dinheiro. Ser um consumidor responsável sai mais caro? Sim e não. A escala de produção de um item com os critérios ambientais respeitados costuma ser reduzida (a demanda e a produção são menores, e os preços, maiores). Em São Paulo, uma caixa de morango sai por 6 reais*, contra 3 do produto similar, um detergente biodegradável custa de 4 a 6 reais, enquanto o convencional sai por cerca de 80 centavos. Um xampu básico pode ser comprado por 4 reais, e a versão ecologicamente correta pode custar 25 reais (os detergentes utilizados na formulação são biodegradáveis e 100% vegetais e, em geral, comprados de cooperativas que visam incrementar o comércio justo). Por outro lado, também é fato que o consumidor consciente adota atitudes econômicas. “Uma fruta orgânica não estraga na geladeira desse consumidor porque ele compra apenas o que sabe que vai comer. Não há desperdício”, responde Eliana Bussinger, consultora financeira, pesquisadora sobre economia sustentável e autora de A Dieta do Bolso (ed. Campus/Elsevier). Outra postura que esse consumidor assume é a de não comprar supérfluo. “Mesmo assim, evidentemente que, se ele não souber equilibrar o orçamento, poderá incorrer em custos maiores, mas geralmente a atitude responsável costuma pesar mais”, completa a consultora. Para reorganizar as finanças, consulte bons sites e livros (veja quadro), com orientação para as atitudes rotineiras. Afinal, é nas decisões do dia-a-dia que se define o futuro de nosso planeta. “Não dá para desassociar as finanças pessoais das preocupações políticas e ecológicas. A forma de consumir afeta o bolso, a saúde e o mundo. As conseqüências de seus atos moram no futuro e é bom cuidar
dele porque é para lá que você vai”, alerta Eliana Bussinger.

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NA MEDIDA DO POSSÍVEL

Dicas do consultor André Carvalho para um consumo responsável:

- Questione-se uma, duas, três vezes se realmente precisa consumir o produto.

- Avalie a embalagem. É exagerada? Possui materiais sintéticos e não orgânicos? É reciclável? Verifique se pode consumir um similar com embalagens menos impactantes (plástico biodegradável, por exemplo).

- Prefira itens que tenham selos relacionados a aspectos sociais e ambientais, como os selos de produção orgânica: IBD (Instituto BioDinâmico), Ecocert e AAO(Associação de Agricultura
Orgânica), os de manejo florestal, como o FSC e Cerflor (respectivamente selos de origem internacional e nacional), e o do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel e Conpet), que representam melhor desempenho energético e menor impacto ambiental.

- Sempre que possível, troque o supermercado pela feira, que não embala os produtos e oferece preços menores. Melhor ainda se descobrir feiras nas quais os agricultores vendem diretamente seus produtos, sem o adicional dos intermediários.

- Opte por itens da estação e pelos in natura, que garantem qualidade melhor e preços mais baixos.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS PREÇOS VERDES
Sabão em pó biodegradável
(R$ 7, contra R$ 5, do similar)*
Itens que elevam o preço:
• Matérias-primas nobres (de origem vegetal e certificadas por órgãos internacionais, como IBD, Ecocert, BDIH etc.). Não há o uso de substâncias derivadas do petróleo, de animais ou sintéticas.
• Embalagens 100% recicláveis. Não inclui nenhum material tóxico para o meio ambiente.
Alimentos orgânicos
Itens que elevam o preço:
• A escala de produção feita sem agrotóxico.
• Do cultivo ao armazenamento dos alimentos, regras rígidas precisam ser seguidas para o alimento receber o certificado.
• Embalagem diferenciada (uma maçã orgânica tem que vir com um selo de certificação, mas ele não pode estar diretamente sobre o produto. Para isso, é necessârio uma embalagem, bandeja, por exemplo, feita em material que não cause impacto ao meio ambiente).
E a madeira certificada?
Os móveis de madeira são um filão de mercado que está praticando preços aproximados de produtos com ou sem madeira com certificado. “A tendência, a médio prazo, é que ele puxe os outros mercados também”, diz André Carvalho, da GV. Nos últimos anos, a procura por produtos com o selo FSC aumentou. “Um fator decisivo para isso foi não apenas o comportamento dos consumidores individuais, mas também de empresas. Algumas começaram a exigir que os produtos tivessem o selo”, diz Ana Yang, secretária executiva do FSC-Brasil. “Quando se fala em móveis de madeira, o que eleva mais o preço é o design do arquiteto”, destaca Karla Aharonian, gerente de produtos ecológicos da Ecoleo.

CONSCIÊNCIA PESSOAL
Minha saúde em primeiro lugar “Há três anos, parei de comer carne vermelha e comecei a me preocupar com a alimentação. Tento comprar sempre orgânicos e hidropônicos. Mas preciso admitir: os preços são um impeditivo. Não consigo comprar na quantidade que eu gostaria. Portanto, oscilo. Em um mês, compro tomate orgânico, no outro, fico com o tradicional, mas compro o morango orgânico. Vou fazendo assim. Também tento economizar com outras coisas para poder gastar mais com a alimentação. Sempre que posso, faço compras na feira, que é mais barato, e deixo de fazer refeições na rua para comer em casa” – MARINA BUENO, 24 anos, estudante do curso de história

CONSCIÊNCIA TOTAL
Só gasto dinheiro com produtos responsáveis “Sou sensível a qualquer causa que defenda os animais. Então, decidi não comprar mais produtos que fazem testes em bichos. Não tenho enfrentado o problema dos preços altos, mas demoro muito mais para fazer compras, cerca de uma hora a mais, ou seja, o dobro do que eu demorava. Antes era um lance rápido. Eu entrava, pegava o que eu já costumava a consumir e pronto. Hoje não. Antes de comprar, tento saber mais sobre o fabricante. Entro no site, pergunto para as pessoas e acompanho as notícias sobre o assunto. Meu dinheiro só vai para quem tem uma atitude responsável com nosso mundo” – FABIANA BARBOSA, 32 anos, Bibliotecária

CONSCIÊNCIA DO FABRICANTE
Sobre a minha atuação nomundo “Há 15 anos, trabalhava numa camisaria e a quantidade de resíduos gerados me incomodava. Hoje, tenho minha confecção, que aproveita 100% dos tecidos. Com as sobras, fazemos jogos americanos e bolsas. Só usamos fibras orgânicas, que poluem menos. Reduzimos o tingimento das roupas, trabalhamos mais com o material
cru e rejeitamos acessórios metálicos, plásticos e sintéticos. O trabalho de renda, bordado e costura é feito por mulheres de dez cooperativas no Nordeste. O rendimento traz melhorias para elas e para as comunidades em que vivem. O retorno financeiro não é imediato, mas ele vem. O retorno para a sociedade está garantido” – MAGNA COELI, 48 anos, antropóloga e proprietária da confecção Refazenda

EDUQUE-SE FINANCEIRA E ECOLOGICAMENTE
Bons sites
WWF-BRASIL - www.wwf.org.br
GREENPEACE – www.greenpeace.org.br
INSTITUTO AKATU PARA O CONSUMO CONSCIENTE – www.akatu.org.br
CENTRO DE ESTUDOS EM SUSTENTABILIDADE DA FGV – www.ces.fgvsp.br
Bons livros
Biodiversidade: Para Comer, Vestir ou Passar no Cabelo?,Nurit Bensusan, ed. Fundação Peirópolis (leia resenha na Estante do Planeta Sustentável)
Desenvolvimento Sustentável – Desafio do Século XXI, José Eli da Veiga, ed. Garamond

Akatu faz campanha para incentivar o consumo consciente

As peças publicitárias são veiculadas em diversos meios de comunicação para mostrar ao consumidor que suas ações podem tornar o mundo mais sustentável

Por Thiago Carrapatoso
Planeta Sustentável – 17/03/2008

O Instituto Akatu criou uma campanha para conscientizar a população sobre o impacto que o consumo tem, principalmente quando ele não é consciente. Chamada “Seu consumo transforma o mundo”, as peças publicitárias da campanha são veiculadas em diversos meios de comunicação, como a Rede Globo, a TV Minuto (que exibe programação dentro dos trens do Metrô) e a TV Trem (para os trens da CPTM).

As imagens publicitárias têm mensagens objetivas e criativas que demonstram que cada gesto de consumo tem poder transformador. A idéia é tornar o consumidor protagonista da mudança nos hábitos, tornando-o ciente de que com ações simples pode-se tornar o mundo mais sustentável.

Em uma delas, questiona-se a poluição que os automóveis expelem. Os dizeres “Não deixe o escapamento do seu carro aquecer ainda mais o planeta” chamam a atenção para uma imagem de uma cidade feita apenas de retalhos, dando a idéia de ser material reciclado.

Os temas são variados. Além da poluição, questiona-se também o aquecimento global, a educação, a saúde, a qualidade de vida e a pirataria. As peças foram produzidas pró-bono pelas agências Leo Burnett, parceira Institucional do Akatu, e Vetor Zero.

Para ver todas as peças, clique aqui e visite a galeria de imagens.

Como salvar o mundo sem fazer força

Para defender o meio ambiente, você não precisa se amarrar a uma árvore! Sugerimos ações para você ser amigo do planeta quase sem sair da cadeira

Bruno Favoretto e Nicole Jackson
Revista Men’s Health – 03/2008

Para preservar os recursos naturais do planeta e ainda ir à happy hour com a galera, basta uma poltrona, a internet e esta revista. Pequenos passos conduzem a grandes resultados (não cansamos de frisar isso na MH) e em nenhuma área isso é tão verdadeiro quanto na ambiental. Mudanças mínimas parecem insignificantes, mas multiplique-as por milhões de pessoas e avalie. A seguir, você tem o melhor guia de sustentabilidade feito para ecologistas de sofá.

A.
Gaste menos energia (principalmente a sua) – O que fazer? Invista em tralhas amigas do planeta

1. Troque a lâmpada.
Convidou a namorada para um jantarzinho íntimo? Prefira luz de velas. Mas, como não dá para viver como os Flintstones o tempo todo, compre lâmpadas certificadas pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (selo Procel), que oferecem boa iluminação com baixo consumo. Só para comparar, a Compacta Flúor da FLC, com apenas 9 watts, ilumina tanto quanto uma lâmpada sem selo de 40 watts. “Elas também reduzem o consumo de energia em até 80%”, acrescenta Miriam Duailibi, coordenadora do Instituto Ecoar, ONG paulistana que realiza projetos de educação ambiental pelo país afora.

2. Feche a torneira.
Como diz a canção Hágua, de Seu Jorge, “água doce, bebível, potável está acabando”. Além do desperdício, apenas 0,3% da água do planeta é doce. “Para economizar, instale no bico das torneiras um arejador de vazão constante, à venda nas lojas de material de construção. Ele reduz o consumo de 15 para 6 litros por minuto”, explica o engenheiro Carlos Lemos da Costa, consultor especialista em uso racional de água, de São Paulo.

2. Mude de privada.
O vaso sanitário do seu banheiro foi instalado antes de 2003? Então é hora de substituí-lo por um que tenha a inscrição 6 LPF (6 litros por função) e consuma apenas esse volume de água na descarga. Para gastar menos, coloque a válvula Duoflux, da Deca, que usa só metade (3 litros) se o objetivo é mandar embora apenas urina. “Bacias instaladas antes daquele ano chegam a gastar 15 litros por operação. A troca gera uma economia de 80%”, aponta Lemos da Costa. Assim você evita que seus netos vivam na seca, pois a água da descarga é tão pura e potável quanto a da torneira.

B. Vá para o tanque – O que fazer? Dê uma geral na área de serviço

1. Compre sabão ecológico.
Em Santo André (SP), o Instituto Triângulo é uma ONG que fabrica e vende sabão biodegradável produzido com óleo de cozinha reciclado (2,50 reais o quilo). “Ele evita a poluição provocada pelo óleo jogado na pia”, frisa Paulo Correia, diretor da organização. Em outras palavras, a química diabólica não vai transformar os filhos dos seus filhos em mutantes com três olhos.

2. Evite a secadora de roupas.
Como ela gasta muita energia, as usinas têm que detonar CO2 no ar para alimentá-la. Um levantamento da Organização de Renovação Ambiental, em São José dos Campos (SP), diz que trocar a secadora pelo varal durante meio ano pode reduzir até 317 quilos em emissões de CO2. Pendure a roupa e espie as calcinhas no varal de sua vizinha – desde que ela não seja a Dercy Gonçalves.

C. Emita menos gases – O que fazer? Maneire no repolho e não tenha uma vaca

Suas bufas contêm gás metano (CH4), 23 vezes pior para o efeito estufa que o dióxido de carbono (CO2). É científico! Mas não precisa segurar: seu bombardeio emite, em média, 700 mililitros de gases por dia e só 26 são metano. Uma quantidade irrisória para ferrar o meio ambiente, em comparação às vacas, que soltam 250 ml por peido. Especialistas crêem que o gado é o terceiro maior poluente do planeta.

D. Não vá ao banco – O que fazer? Pague as contas pelo computador

Use o banco online. Indo ao caixa eletrônico para pagar suas contas, você sai de casa, gasta combustível, perde tempo e paciência. Quite tudo pela internet. E não imprima o comprovante de pagamento da fatura do cartão (ele fica disponível online). Assim você contribui para diminuir a derrubada de florestas – só nos EUA os impressos bancários causam a morte de 16 milhões de árvores por ano. E gastam energia suficiente para abastecer durante um ano uma cidade do porte de Campinas (SP).

E. Desacelere e adote os 3 erres: reduzir, reutilizar, reciclar – O que fazer? Produza menos sujeira, leve sacolas ao supermercado e dê um bom fim aos celulares velhos

1. Reduzir.
Significa produzir menos lixo. Só em São Paulo são geradas todo dia 15 mil toneladas – 9 mil vêm das residências, segundo a prefeitura. É muita porcaria! Reduza o lixo, por exemplo, comprando frutas, verduras e legumes avulsos, em vez daqueles embalados em bandejas plásticas e filme transparente. Seu filho gosta das maçãs da Turma da Mônica, mas seja firme: é para o bem dos filhos dele.

2. Reutilizar.
Quarenta por cento das embalagens jogadas no lixo em São Paulo são de plástico, que demora dezenas de anos para se decompor. Ao levar uma mochila ou uma sacola ao supermercado para transportar as compras do churrascão de domingo, você evita a proliferação das sacolas plásticas, que provavelmente vão acabar entupindo um bueiro na próxima enchente ou asfixiando uma tartaruga marinha.

3. Reciclar.
Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), os níveis de gases causadores do efeito estufa podem triplicar até 2100. Um dos mais danosos é o níquel-cádmio das baterias de celular. Para dar um fim nelas, procure uma autorizada da Sony Ericsson, eleita pelo Greenpeace campeã mundial em descarte sustentável de baterias. Numa dessas você ainda vende aquela velharia sem Bluetooth que está na gaveta das cuecas. Se não vender, fique com a consciência limpa que a bateria será sepultada como merece.

F. Tome menos banho – O que fazer? Pegue uma ducha com sua namorada

1. Entre e saia do chuveiro.
Melhor ainda, ponha alguém lá dentro com você. E só abra a torneira quando necessário. O engenheiro Lemos da Costa afirma que quatro minutos é o período de banho ideal para evitar o apagão de energia elétrica e economizar nas contas de água e luz. O resto do tempo é para ensaboar (com o chuveiro desligado) e… você sabe.

2. Lave menos louça.
O ato usa 63 litros de água – e até absurdos 150 litros, com a torneira aberta -, enquanto uma lava-louças gasta 15 litros por ciclo. Preguiçoso como é, você já tem uma dessas, não?

G. Cole no seu camarada motorizado – O que fazer? Economize combustível e viaje pelo Brasil

1. Vá de carona.
A cada quilômetro rodado, um carro a gasolina despeja 27,7 gramas de CO2 no ar. Vai demorar até que todos adotem a bicicleta e pedalem rumo a um mundo mais verde (embora seja uma boa idéia para se livrar da barriga), mas há maneiras de reduzir o uso do carro. Organize um rodízio com os colegas. Você já tem que agüentá-los o dia inteiro, mas é para o bem dos pingüins da Patagônia.

2. Fique por aqui mesmo.
As viagens aéreas têm efeitos nefastos sobre as mudanças climáticas. Segundo o site inglês CO² Balance, um vôo de ida e volta entre Rio de Janeiro e Londres joga 2,04 toneladas de CO2 na atmosfera. Então pense em tirar férias no Brasil. Você não vai admirar as relíquias do British Museum, mas também não terá que ver a bunda branca das britânicas!

A crise produz consciência

Valores como simplicidade, autenticidade e sustentabilidade estão tomando o lugar da ostentação, das novidades descartáveis e das celebridades instantâneas.

Luiz Alberto Marinho
Revista Vida Simples 

Assustados com a brusca freada da economia e com o desemprego galopante, os consumidores americanos simplesmente pararam de comprar. Por isso, em 2008 o comércio de lá amargou o pior Natal dos últimos 40 anos. Curiosamente, pesquisas recentes detectaram uma mudança no comportamento desse povo – mesmo as pessoas menos afetadas pela recessão passaram a enxergar o consumo de outra forma. Produtos mais simples de usar estão ganhando mercado nos Estados Unidos não apenas porque são mais baratos, mas principalmente porque ajudam a descomplicar uma vida que já anda complicada demais.

Em resumo, hoje o anseio dos consumidores vai além de promoções e descontos.
Eles querem também se refugiar em locais seguros e proteger as pessoas que amam. Isso significa que coisas como entretenimento doméstico, refeições prontas e semiprontas para comer em casa e lojas de vizinhança passaram a ser mais valorizados. Cuidar do planeta, a nossa grande casa, também ganhou mais importância. O luxo exorbitante está fora de moda e a palavra de ordem é cheap & chic (barato e chique), o que favorece quem vende roupas com design moderno por preços em conta. Porém aquelas pequenas indulgências irresistíveis, bem como produtos para atender às necessidades impostas pelo estilo de vida frenético e conectado das grandes cidades, continuarão na lista de compra dos americanos. Afinal, como alguém consegue viver no século 21, por exemplo, sem um smartphone?

Como disse o consultor de marketing Matt Thornhill: “As pessoas não vão comprar mais coisas. Vão, sim, tirar mais das coisas que compraram”. Mas será que esse raciocínio se aplica também ao Brasil? Eu diria que sim, mas somente em parte. A nova classe média, que constitui a imensa maioria dos nossos consumidores, ainda está no meio do processo de trocar eletrodomésticos antigos por outros mais modernos, de adquirir o primeiro carro, comprar uma casa nova, reformar a existente, colocar um computador na sala e os filhos na faculdade.

O alto nível de consumo das famílias bra sileiras, observado nos últimos anos, tem pouca relação com desperdício e ostentação. Por outro lado, pesquisas realizadas no nosso país mostram o início da gestação de um novo pensamento, que valoriza educação, relacionamentos, equilíbrio, sustentabilidade e responsabilidade social. Assim como nos EUA, também no Brasil começa a florescer a ideia de olhar menos para o umbigo e mais para a família, os amigos, o prédio e o bairro. Acredito que as dificuldades econômicas que provavelmente enfrentaremos neste início de 2009 apenas reforçarão essa disposição.

*Luiz Alberto Marinho é um consumidor consciente, mas também não vive sem o seu smartphone.
produtointerno@abril.com.br

A eco-lógica do dia-a-dia

Dez perguntas e respostas que vão desvendar alguns mistérios do consumo verde.

Por Vinícius De La Rocha
Revista Bons Fluidos 

1. Os produtos orgânicos são realmente 100% orgânicos?
Sim, desde que a certificadora que lhe dê tal título seja confiável, como o Instituto Biodinâmico e a Ecocert, entre outras. Para certificar um produto agrícola como orgânico, o IBD, por exemplo, exige: desintoxicação do solo, não-utilização de adubos químicos e agrotóxicos, atendimento às normas ambientais do Código Florestal Brasileiro, recomposição de matas ciliares, preservação de espécies nativas e mananciais, respeito às normas sociais baseadas nos acordos internacionais do trabalho, bem-estar animal e envolvimento com projetos sociais e de preservação ambiental. O cumprimento de todas essas etapas é a garantia de que o produto é realmente 100% orgânico.

2. Chuveiro elétrico, a gás ou aquecedor solar?
A melhor opção é o aquecedor solar. O Sol é fonte de energia limpa e inesgotável. Mesmo que o equipamento de aquecimento de água por energia solar seja mais caro do que um chuveiro elétrico, o investimento será pago pela conta de luz mais barata. Entre o chuveiro elétrico e o a gás, o impacto é semelhante.

3. Tudo que é biodegradável é bom? Até o plástico biodegradável?
Os produtos biodegradáveis são preferíveis aos não biodegradáveis, mas isso não significa que não sejam poluentes. O esgoto, por exemplo, é composto de dejetos humanos, portanto, é biodegradável. Entretanto, quando é lançado em grande quantidade num rio, supera a capacidade que os microorganismos presentes naquele ambiente têm de decompor o esgoto e manter a água limpa. O plástico biodegradável tem a propriedade de se degradar em poucos meses, em vez de permanecer no meio ambiente por décadas, como o plástico comum.

4. Ao comprar uma bebida no supermercado, deve-se escolher as de garrafa PET, lata, garrafa de vidro retornável, garrafa de vidro descartável ou Tetra Pak?
Todas as embalagens têm impacto em seu processo de fabricação e no descarte. Entretanto, é preferível utilizar as garrafas de vidro e alumínio por serem recicláveis. Para o consumidor, o mais importante é fazer a separação do lixo em sua casa e encaminhar os materiais para a coleta seletiva.5. Embalagem Tetra Pak deve ser descartada em recipientes de metal, papel ou plástico? 

Nos recipientes de papel, pois seu destino será a fábrica de papel reciclado, onde será feita a separação entre os tipos de folha. Basta limpar superficialmente e deixar secar as embalagens que contenham líquidos.

6. Construir edifícios mais baixos e largos, sem elevador, para diminuir o consumo de energia, ou mais altos, com elevadores, que podem evitar o aumento da malha urbana, diminuindo a distância entre as pessoas e, consequentemente, aliviando o trânsito?
A tendência do planejamento urbano sustentável é, ao estilo das cidades européias, concentrar moradia, trabalho, educação e lazer. Isso evita que as pessoas tenham de se deslocar por grandes distâncias. Nesse sentido, os prédios mais altos com elevadores seriam uma boa solução. Quanto ao consumo de energia, tudo depende do projeto, que pode obedecer aos critérios das construções sustentáveis e, com isso, usar energia de forma mais eficiente. Os hábitos dos moradores, como o uso mais consciente de luz, água e ar-condicionado, por exemplo, também influenciam diretamente no consumo.

7. Enxugar as mãos em toalha de papel ou naquelas máquinas que fazem vento?
Tudo indica que as máquinas que fazem vento são mais econômicas, mesmo movidas a energia elétrica. Na produção das toalhas de papel, além do consumo de madeira, a fabricação requer enormes quantidades de água e também da própria energia elétrica.

8. Se eu construir uma casa, é melhor fazer o telhado com estrutura de ferro ou madeira certificada?
Do ponto de vista de impactos ambientais, o ferro não é um recurso renovável, pois é feito de minério de ferro. A mineração, se não for realizada da maneira adequada, pode trazer vários impactos negativos. A madeira, por outro lado, é um recurso renovável. Quando tem o selo de certificação FSC, significa que foi extraída de uma área onde se dá o manejo sustentável, da qual as árvores são extraídas de forma que se preserve a floresta.

9. Você não pode ficar sem o secador de cabelos?
Então, reduzir o tempo de uso do secador já ajuda na economia do planeta. Segundo Christie Matheson, autora de Eco Chic, Salvando o Planeta (ed. Matrix), usar o secador por 12 minutos diários equivale a 200 kg de emissão de CO2 por ano. Se você deixar o cabelo secar naturalmente por 15 minutos antes de usar o aparelho poderá deixar os fios lisos em seis minutos.

10. Separo o plástico de produtos como pão de fôrma, verdura comprada no supermercado, sabonete e chocolate, entre outros, ou ele não é reciclável?
O plástico filme que embala frutas e verduras nos supermercados é reciclável, sim. Quanto às demais embalagens, as recicláveis têm impresso no rótulo do produto o símbolo que indica essa propriedade – o triângulo feito de setas.

Fontes: Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu e EcoChic, Salvando o Planeta com Estilo, de Christie Matheson (ed. Matrix).

Menos

A crise chega para enxugar excessos, mudar conceitos e inspirar frugalidade. A nova onda encolhe até o guarda-roupa, no melhor estilo menos é mais. Navegue sem medo nessa onda que,pode crer, traz a reboque um jeito mais suave de viver

Duda Ramos
Revista Bons Fluidos 

Que uma coisa fique bem clara: daqui pra frente, tudo vai ser diferente. A frase roubada da canção “Se Você Pensa”, do rei Roberto Carlos, ilustra bem a fase atual. Não é exagero dizer que o mundo está passando por um momento, batizado pelos programas de TV americanos, radical make over (leia-se um antes- e-depois definitivo). Um dos cenários emblemáticos dessa nova onda, que promete varrer os quatro cantos do planeta, foi a instigante vitória do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Tempos de Barak Obama, novos tempos em que a esperança se confunde com a crise e dá as mãos a mudanças nem sempre confortáveis… Em vez de temer os próximos 365 dias, encare-os como uma passagem, um portal que vai deletar valores desgastados e configurar um novo modo de olhar o mundo. Sintomas estão por toda a parte. Eventos catastróficos, do 11 de setembro ao tsunami, das enchentes e secas concomitantes ocorridas no Brasil a terremotos espetaculares na Ásia, resultaram numa urgência frenética de viver como se não houvesse amanhã. A vida fugaz e violenta incita ao consumo como uma forma de indulgência. Isso sem falar da revolução das comunicações, da tecnologia, da pressa…

“Mas a sensação de posse é um prazer efêmero porque queremos sempre mais, sonhamos com o que não temos. A obsolescência ocorre já no ato de compra”, afirma a psicóloga Beth Furtado, autora do livro Desejos Contemporâneos – Um Patchwork de Tendências, Ideias e Negócios em Tempos de Paradoxos (editora GS x MD). Esse círculo vicioso gera exaustão. E é justamente desse cansaço que começa a surgir uma nova safra de desejos – queremos sensibilidade, personalização, inclusão, momentos memoráveis, sensações em lugar de bens materiais. É um prenúncio do que vem por aí: “O desejo de uma vida mais simples em que se dedique menos tempo às compras”, diz Beth. Isso quer dizer que não vamos mais consumir? Sim, sim, o consumo continuará, é evidente, contudo tomará novos formatos e ganhará um sentido bem diverso nessa era da simplicidade, pautada na procura do essencial. É um tempo de gastar com o necessário e de descobrir fontes de satisfação fora das vitrines.

CONSUMOTERAPIA
Atire a primeira pedra quem nunca afogou as mágoas ou celebrou uma vitória se dando um presente, em geral, algo desnecessário, quase inútil. Comprar é o esporte predileto do planeta. “Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo”, zombava o jornalista Millôr Fernandes a respeito do consumismo exacerbado. A revista Mad Magazine resumiu numa frase de um artigo recente a atitude dos americanos: “A única razão por que uma família de classe média não possui um elefante em seu quintal é porque esse ‘produto’ nunca foi ofertado nos supermercados numa promoção vantajosa”. Piadas à parte, o maior problema é quando se busca aí a solução para angústias. “Comprar não resolve questões da alma”, analisa Beth Furtado. Mas consumir acabou virando sinônimo de prazer, concorda Vera Rita de Mello Ferreira, professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), que estuda o comportamento dos indivíduos na sociedade do consumo. “Diante das frustrações, a gente se socorre num vestido novo, apostando que ele possa aliviar nossas dores. Ao não encontrar aí a felicidade, vem um desapontamento maior.”
Vestidinho, tela plana, viagens, comida – varia o objeto, mas fontes de satisfação provisória podem se tornar um vício. O remédio? Uma trabalhosa dose de autoconhecimento que dissolva essa ilusória busca de alívio.

“Conversar, ler, passear, ver a cidade, andar a pé frequentar parques – temos de descobrir novas possibilidades de lazer que não envolvam gastos.” Vera Rita Ferreira, psicanalista especializada em psicologia do consumo

Educação ambiental na sala de aula

Instituto 5 Elementos lança publicação sobre consumo sustentável para alunos e professores do ensino fundamental. Obra é baseada nos conceitos dos 5Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar.

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

Consumo, mudanças climáticas, gestão de resíduos sólidos e atitudes sustentáveis: como explicar todos esses conceitos para crianças a partir de 6 anos? Muitos gostam de dizer que elas têm na mão o futuro da humanidade, mas, muitas vezes, sobra apenas para os professores a tarefa de ensinar a elas o que fazer com todo esse potencial. 

O Instituto 5 Elementos, em parceria com a Imprensa Oficial e o Instituto HSBC, pretende dar uma ajudinha aos educadores com a publicação da Coleção Consumo Sustentável e Ação. A obra, com linguagem simples e objetiva e cheia de ilustrações e textos bem-humorados, é voltada para professores e estudantes do ensino fundamental e pretende estimular a sustentabilidade no público infanto-juvenil por meio da difusão dos conceitos dos 5Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. 

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A coleção é formada por cinco exemplares – Orgânico, Metal, Vidro, Papel e Plástico –, repletos de histórias diferenciadas e ideias originais para a realização de uma Feira de Ciências com o tema sustentabilidade, como por exemplo: construção de minhocário, degustação de alimentos saudáveis, oficina de papel reciclado, exposição de sucatas de metal e shows com instrumentos feitos a partir de materiais reciclados. 

Há ainda um volume chamado Consumo Sustentável que é destinado, exclusivamente, aos professores. Entre outras coisas, o exemplar conta com um Manual de Atividades com Propostas de Metodologias, que promove um diálogo entre todos os temas da Coleção, afim de auxiliar o professor no trabalho educativo com as crianças. 

“O leitor poderá perceber, por exemplo, a conexão que existe entre mudança do clima e o que podemos fazer no nosso dia-a-dia para combater o aquecimento global.”, diz a pedagoga e coordenadora da publicação, Patricia Otero, que explica, ainda, porque o Instituto 5 Elementos resolveu investir na obra. “Os problemas ambientais já estão revelados há um bom tempo. Agora, chegou a hora de agirmos e por isso o tema consumo sustentável está tão conectado à urgência, prioritariamente na educação formal”, conclui Patricia. 

Em breve, a obra poderá ser baixada gratuitamente, em PDF, no site do Instituto.  

O problema é o preço

A maioria dos consumidores se diz preocupada com questões ambientais, mas apenas um terço pagaria mais por um produto ecologicamente correto.

Por Aline Lima
Guia Exame de Sustentabilidade 2008

O gerente comercial Rodrigo Bassi Menegocci, de 24 anos de idade, se lembra bem de um anúncio que viu tempos atrás na televisão, em que um fabricante de sabão em pó prometia plantar uma árvore para cada caixa vendida do produto. Embora Menegocci tenha ficado entusiasmado com o apelo ecológico, nem sempre ele opta por levar para casa aquele sabão em pó — ou qualquer outro produto menos agressivo ao meio ambiente. “Quando vou fazer compras, levo em consideração o aspecto ambiental, mas é preciso que o produto tenha qualidade e o preço seja honesto”, diz. 

Menegocci é o típico consumidor verde “pragmático”, perfil detectado em uma pesquisa realizada pelo instituto Quorum Brasil com exclusividade para o Guia EXAME de Sustentabilidade. O levantamento, realizado em setembro, ouviu 200 moradores da cidade de São Paulo — homens e mulheres com idade entre 20 e 50 anos e renda familiar mensal entre 5 000 e 10 000 reais. De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados consideram-se consumidores preocupados com questões ambientais e 59% afirmam que produtos com apelo ecológico influenciam sua decisão de compra. Apesar das boas intenções, na prática o comportamento desse grupo é outro. A pesquisa revela, por exemplo, que 70% dos entrevistados desistem de comprar produtos com selo ambiental caso eles custem mais do que similares sem a certificação verde. Além disso, 47% dos consumidores afirmam que não deixam de comprar um produto mesmo sabendo que ele é prejudicial à natureza. 

Os números indicam que a consciência ambiental é fortemente influenciada pelo fator preço. No entanto, na análise do consultor William Horstmann, sócio do Quorum Brasil e responsável pelo levantamento, só esse elemento não explica a contradição entre o discurso e a prática do consumidor. “O preço é um fator inibidor, claro, mas não o suficiente para uma pessoa decidir se leva ou não para casa determinada marca”, diz. “Se o consumidor não age de acordo com o que diz, é porque falta informação sobre o assunto.” Um dado revelador dessa falta de divulgação é o baixo número de marcas citadas espontaneamente pelos entrevistados quando o assunto é o meio ambiente — apenas nove marcas foram lembradas e a mais citada foi a fabricante de cosméticos Natura, mencionada por 18% dos entrevistados. 

O levantamento do Quorum Brasil confirma os resultados de uma pesquisa similar realizada no ano passado pela consultoria McKinsey em oito países (Alemanha, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia e Reino Unido). Nessa sondagem, 87% dos entrevistados se declararam preocupados com os impactos ambientais e sociais dos produtos que compram. No entanto, apenas 33% dos consumidores disseram que compraram ou pretendem comprar produtos socioambientalmente corretos. Um dos produtos que conseguiram furar essa barreira foi o Prius, lançado pela japonesa Toyota em 1997. Primeiro carro híbrido do mundo (combina o uso de energia elétrica com o de gasolina), o Prius custa 50% mais do que um Corolla, modelo básico da mesma fabricante. Mesmo assim, mais de 1 milhão de unidades já foram vendidas em todo o mundo. 

BARREIRA ECONÔMICA 
Segundo especialistas, no Brasil a disseminação do consumo consciente depende, sobretudo, do aumento do poder aquisitivo da classe C. “Essa camada da população está encantada com o poder de consumo recém-adquirido”, diz Thiago Lopes, gerente de planejamento da agência de publicidade Talent, que acaba de concluir um estudo no qual detectou nesse público certa indiferença em relação ao consumo orientado por valores responsáveis. “Não surte efeito algum falar em sustentabilidade quando o que essas pessoas querem, no momento, é realizar o sonho de ter um carro na garagem”, diz Lopes. 

Apesar da barreira econômica, seria arriscado para qualquer empresa ignorar a parcela de consumidores que seguem a cartilha do consumo responsável — um terço da população entrevistada pela pesquisa do Quorum Brasil. Entre os principais motivos citados por esses consumidores para a compra de produtos com apelo ecológico estão a preservação da natureza e a preocupação com o futuro da próxima geração. “A tendência é que o número de pessoas dispostas a assumir tais valores aumente”, diz Heloísa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu, organização não-governamental que promove o consumo consciente. Em pesquisa realizada há dois anos, a entidade verificou que 33% dos consumidores brasileiros são conscientes — têm um bom grau de percepção dos impactos coletivos ou de longo prazo em suas decisões de consumo e não se atêm aos aspectos econômicos ou aos benefícios pessoais imediatos. 

De olho nesse tipo de consumidor, muitas empresas têm se esforçado para colocar nas prateleiras produtos ecologicamente corretos. É o caso da rede varejista Wal-Mart, que pretende transformar sua linha de marcas próprias em modelo de sustentabilidade. Já é possível, por exemplo, encontrar nas gôndolas do varejista cereais matinais com embalagens que levam o selo FSC, certificado ambiental do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, e cobertores produzidos com fio de poliéster feito 100% de fibra de PET. Além disso, a rede negocia com seus fornecedores o desenvolvimento de embalagens que reduzam a quantidade de material utilizado. “Até 2009, nossa meta é ter 100% das embalagens dos produtos de marca própria sustentáveis”, diz Daniela de Fiori, vice-presidente de assuntos corporativos e sustentabilidade do Wal-Mart. 

Para Mariana Cogswell, diretora de planejamento da agência Talent, o consumidor verde é, necessariamente, mais crítico e seu comportamento tende a influenciar cada vez mais o modo de produção das empresas. “Contribuir para o desenvolvimento sustentável não é mais uma questão de escolha da companhia, e sim obrigação”, diz ela. A HP, uma das maiores fabricantes de equipamentos eletrônicos do mundo, percebeu isso há muito tempo. Na década de 90, o trabalho de recolhimento e reciclagem de cartuchos da empresa virou referência no setor. Agora, a HP se prepara para dar um passo adiante: em vez de doar os cartuchos coletados a uma empresa de reciclagem, em novembro a própria companhia deve começar a reciclar o material. Após passar por um processo de limpeza e moagem, o material plástico produzido será usado na fabricação de novos cartuchos. “Queremos criar uma cadeia produtiva auto-renovável”, diz Kami Saidi, diretor de operações da HP para o Mercosul. “À medida que aumenta a conscientização, o consumidor leva em conta essas iniciativas na sua decisão de compra.” 

Campanha – Desperdício de Alimentos

Desperdício de alimentos

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O Instituto Akatu está promovendo campanha de conscientização sobre o desperdício de alimentos. A organização destaca que um terço do que se compra em alimentos no Brasil vai direto para o lixo.

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O Instituto Akatu pelo Consumo Consciente acaba de lançar sua mais nova campanha de conscientização, cujo tema é o desperdício de alimentos. A abordagem das peças tem linguagem semelhante à da publicidade do varejo e alerta o consumidor para o fato de que uma grande parcela do que se compra em alimentos vai direto para o lixo. As peças foram criadas pela agência Leo Burnett e encaminhadas a diversos veículos de comunicação, em kits com os arquivos já nos formatos apropriados para veiculação.

A iniciativa surgiu da constatação de que, no Brasil, aproximadamente um terço de todos os alimentos comprados em uma casa é desperdiçado. Junto com eles, todas as suas embalagens, toda a água e energia usadas na sua produção, todo o CO2 emitido em sua produção e transporte, etc são também jogados fora, gerando inúmeros impactos negativos para a sociedade, a economia e o meio ambiente. O número é ainda mais alarmante quando pensamos que estamos em um país onde 14 milhões de pessoas vivem em domicílios com insegurança alimentar grave (fonte: IBGE, 2004). O objetivo da campanha é alertar os brasileiros sobre este fato e mostrar que é possível mudar este quadro por meio de pequenos gestos diários, que serão divulgados pela mídia com base em sugestões do Akatu.

Peças

As peças já desenvolvidas incluem um comercial de TV e cinema com duração de 30 segundos, um spot de rádio de 45 segundos, anúncios para revista e jornal, banners online em diversos formatos e um hotsite (www.akatu.org.br/sites/desperdicio). A agência e o Akatu estudam, ainda, a produção de sacolas de algodão cru com as mensagens da campanha e de adesivos para os caminhões de lixo na cidade de São Paulo. Outros projetos prevêem merchandising em programas de TV e parcerias com veículos de comunicação para a produção de programetes de rádios e editoriais em sites, com o objetivo de informar sobre o problema e dar dicas de como evitar o desperdício de alimentos.

A linguagem das peças assemelha-se à dos anúncios de ofertas especiais do mercado varejista, ressaltando, no entanto, o desperdício dos produtos que vão para o lixo. Com a chamada ‘Olha que loucura!’, são exibidas imagens de frutas, hortaliças, carnes e laticínios estragados, ao lado do preço de cada produto. O objetivo é impactar o consumidor, traduzindo monetariamente o quanto é desperdiçado em alimentos. No comercial de TV, um garoto propaganda diz ao consumidor: ‘Quer comprar mais? Muito, muito, muito mais? Então dá só uma olhada nessas ofertas!’.

As peças vêm acompanhadas de dicas para evitar o desperdício (ex.: conferir a data de validade do produto; preferir os que trazem menos embalagem e, portanto, geram menos lixo) e do endereço do site do Instituto Akatu (www.akatu.org.br) para mais informações.

Aceitação do público

A campanha foi avaliada junto a um público interessado em responsabilidade social, composto por grupos de homens e mulheres entre 18 e 35 anos. Em todos os públicos testados, foi comprovado que a campanha impacta e causa reações emocionais, pois as pessoas conseguem se perceber vivenciando experiências semelhantes na rotina de suas casas. Os consumidores se identificam com as cenas de desperdício, admitem que agem dessa maneira, consideram que a sociedade é responsável por mudar esse cenário e sentem-se impelidos a deixar de desperdiçar. A pesquisa concluiu que a campanha atinge o objetivo de provocar a reflexão sobre o consumo consciente.

Parcerias

Para sensibilizar os veículos de comunicação a abrir espaço para a veiculação das peças, o Instituto Akatu e Leo Burnett realizaram, em agosto de 2008, um evento que reuniu cerca de 50 profissionais de mídia de emissoras de TV aberta e por assinatura, internet, cinema, rádio, mídia impressa e mídia exterior, aos quais foi apresentada a idéia inicial da campanha.

Instituto Akatu pelo Consumo Consciente

Criado em 15 de março de 2001 (Dia Mundial do Consumidor) no âmbito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, é uma organização não governamental sem fins lucrativos que mobiliza a sociedade para o consumo consciente. A palavra “Akatu” vem do tupi e significa, ao mesmo tempo, “semente boa” e “mundo melhor”, traduzindo a idéia de que o mundo melhor está contido nas ações de cada indivíduo. Para o Instituto Akatu, o ato de consumo deve ser um ato de cidadania, por meio do qual qualquer consumidor pode contribuir para um mundo melhor. O consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal, a preservação do meio ambiente e o bem-estar da sociedade, refletindo sobre o que consome e prestigiando empresas comprometidas com a responsabilidade social.

FICHA TÉCNICA – FILMES
TÍTULO: Desperdício
CLIENTE: Akatu
PRODUTO: Institucional
DURAÇÃO: 1 x 30”

Diretor de Criação: Ruy Lindenberg
Criação: André Kirkelis / Carlos Schleder
Produtor RTV: Iracema Nogueira / Celso Groba / Fernanda Moura
Atendimento: Isabel Coletta / Rafael Oliveira
Aprovação cliente: Helio Mattar / Heloísa Mello
Produtora: Dínamo
Direção de cena: José Furlan
Atendimento: Maya Montenegro
Diretor de Fotografia: Lucio Cunha
Montagem: Equipe Dínamo
Produção: Equipe Dínamo
Pós Produção: Dínamo Digital
Produtora de Som: Hilton Raw

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