Enfim, o Plano Nacional contra o crack.

Por Archimedes Marques

Há alguns anos atrás, quando o crack foi introduzido no Brasil, em especial em São Paulo, seu uso estava praticamente restrito a classe paupérrima da nossa sociedade devido ao seu baixo custo de venda, começando assim a sua trajetória inglória e mortal com os moradores de rua que eram viciados em álcool, maconha ou em cheirar cola e que assim viam naquela nova e poderosa droga mais barata e acessível, a pretensa solução para amenizar os seus problemas sociais.

Na época as autoridades constituídas viviam as ilusões de que esse subproduto da cocaína não sairia do consumo dos mendigos, dos pobres, dos desafortunados e dos desgraçados, por isso pouco se importavam com a problemática, contudo, o seu consumo rompeu esse quadrilátero, conquistou as demais classes sociais, expandindo-se rapidamente, virando uma epidemia nacional e aí, diante do clamor público, o Estado passou a correr atrás do prejuízo, embora de maneira tímida.

O crack saiu arrastando multidões em todos os lugares, fazendo vítimas e mais vitimas em todo canto do País, aumentando a geometricamente a violência aonde se instalou. Nos últimos cinco anos o número de usuários dessa droga em todo o país quase dobrou, passando de 380 mil para 610 mil, apesar das mortes constantes advindas do crack e pelo crack, pois se assim não fosse, por certo já teríamos ultrapassado a casa de um milhão de viciados, devido a sua rápida proliferação e difícil recuperação curativa.

As crackolandias passaram a ser realidade triste e deprimente em vários lugares do Brasil. Em diversas reportagens sentimos até com certo temor e angústia aquele comércio e uso do crack a céu aberto se proliferar sem solução.

A crackolandia paulistana, em especial, mostra para o mundo a sua superioridade negativa superando todas as outras do Brasil, nunca houve tantos usuários zumbis e pequenos traficantes por lá. Técnicos a serviço da prefeitura local estimam que algo como 3 mil a 5 mil pessoas do grupo perambulem dia e noite naquele polígono de 181 mil metros quadrados, bem no centro velho da capital.

Cenário de uma cidade bombardeada, a Crackolandia paulistana de hoje é um território com quarteirões e mais quarteirões, demolidos em 2008 para dar lugar a um projeto de revitalização urbana que nem começou a se materializar. Seus habitantes são meninos e meninas, por vezes grávidas, além dos adultos, dentre os quais deficientes físicos, que envelheceram, apodreceram e se transformaram em lixo humano principalmente pelo uso do crack.

Existe também uma crackolandia em Brasília, a menos de dois quilômetros do Congresso Nacional, assim como tantas outras no Rio de Janeiro e nos grandes centros do país. Uma vergonha nacional que Policia nenhuma dá jeito, pois quando chegam os policiais logo todos dispensam as drogas no meio do lixo existente por toda parte para recolhê-las posteriormente quando das suas saídas.

Correndo contra o tempo o Ministério da Saúde lançou um remédio paliativo, um Programa emergencial infrutífero em junho de 2009 colocando em prática investimentos na ordem de 118 milhões de reais até o fim de 2010, entretanto, agora, de forma mais abrangente o Governo Federal, lançou um Plano mais condizente na tentativa de conter o avanço do crack e as suas conseqüências nefastas.

Depois das muitas alertas colocadas pela imprensa nacional, com matérias e mais matérias nos jornais e revistas escritos ou virtuais e principalmente pelas centenas de reportagens televisivas dando conta do horror do crack em nossa sociedade… Depois das inúmeras campanhas das diversas ONGS ou entidades diversas, a exemplo do Jornal Mais Brasil que ganhou apoio de personalidades importantes como Ivete Sangalo, Claudinha Leite, Roberto Carlos, Zezé di Camargo & Luciano, Pelé, Chitãozinho e Xororó, Vitor & Leo, Xuxa Meneghel, Angélica, Bel Marques, KLB, dentre outros que vestem a camisa e lutam contra as drogas… Depois de muitos artigos escritos por especialistas no problema dando conta da necessidade e da urgência de projetos reais e verdadeiros contra essa droga aniquiladora, aparece enfim, mais do que na hora, o Plano Nacional de Combate ao Crack.

Na verdade o Governo ignorou o problema. Foi negligente. E resolveu se corrigir a sete meses do fim, na boca da urna, se redimindo do seu erro ocorrido durante dois mandatos eletivos seguidos, mas, como diz o velho ditado: “Antes tarde do que nunca”, então precisamos dar todo o crédito possível ao Plano, vez que, acima de tudo, o que está em jogo é a saúde e a felicidade de muitos e a segurança pública de tantos outros.

O Governo quer envolver toda a sociedade na luta contra o crack através de Projeto que investe em prevenção, capacitação de agentes de saúde e duplicação dos leitos do SUS para os dependentes da droga. Nesse sentido, como não há números oficiais divulgados de pessoas à espera por tratamento em seus devidos lugares, tomando por base uma matéria jornalística relativa ao Estado de Alagoas que é um dos menores do Brasil e que possui uma fila de mais de dois mil dependentes do crack à espera de tratamento, podemos muito bem observar que a quantidade de pessoas com o mesmo objetivo em todo o país é imensa, apesar de muitos já terem alcançado o tratamento em Clínicas e Hospitais particulares pagos pelo Governo através de ações e decisões judiciais, pois se entendem ser obrigação estatal tratar assim dos seus drogados.

Aqui no Estado de Sergipe, o menor da Nação, que tem se destacado nas ações repressivas contra o crack, tendo proporcionalmente ficado nas primeiras colocações em termos de apreensão dessa droga e da prisão de traficantes, possui 31 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para tratar da saúde mental do usuário, embora o número de leitos do SUS em Hospitais especializados ainda esteja indefinido quanto ao seu alcance, agora também promete investir fundo nas três áreas principais. Na área curativa mental com o aumento substancial do atendimento ao drogado e seus familiares, na área preventiva por via da conscientização social e educação, inclusive com proposta de se colocar em grade curricular matéria específica sobre as drogas, além da divulgação na mídia local, principalmente na imprensa televisiva, mostrando rápidos filmes exemplificativos e emocionantes sobre o usuário do crack, e para completar, continuará com mais rigor ainda com a repressão policial ao tráfico do produto.

O combate, a prevenção e o tratamento dos seus usuários são as três palavras chave que emergiram do Decreto Governamental que instituiu o Plano, assinado pelo chefe da Nação na tarde do último dia 20 de maio de 2010, e que prevê ações entre saúde, educação, assistência social e segurança pública, concomitantemente contra o avanço e conseqüências advindas do crack.

Uma das frases da fala do Presidente Luis Inácio Lula da Silva ao assinar o Decreto, demonstra a sua incerteza quanto a fórmula química do crack que é ainda indefinida: “O crack é uma coisa nebulosa. Nós já sabemos os efeitos que ele causa, já sabemos a dureza para quem utiliza o crack. Mas, cientificamente tem poucos estudos sobre a questão do crack.”

Para muitos o crack é composto somente de cocaína e bicarbonato de sódio, enquanto que para tantos outros estudiosos no assunto, absurdamente são adicionados à borra da cocaína para compor uma fórmula maligna e cruel, a amônia que é usada na fabricação de produtos de limpeza, o ácido sulfúrico que é altamente corrosivo e usado em baterias automotivas, querosene, gasolina ou outro tipo de solvente que é para dar a combustão ao produto e, para render aumentando a sua lucratividade, a cal virgem, ou cal viva que também é tóxica e usada em construções ou plantações, que ao serem misturados e manipulados se transformam numa pasta meio endurecida de cor branca caramelizada onde se concentra mais ou menos 40% a 50% de cocaína que é para dar o efeito alucinógeno ao seu usuário.

Particularmente e principalmente pelo grande mal físico causado ao seu dependente, assim como, pelos diversos depoimentos colhidos em conversa com usuários do crack que foram unânimes em afirmar que há um cheiro de gasolina ou querosene na pedra, e quando da fumaça do produto, um forte cheiro de pneu queimado (a não ser que existam vários tipos de fabricação do produto), fico, portanto com a segunda opção que é a mais grave e contundente, conforme demonstra o caso ser. De todas as minhas pesquisas e estudos sobre o tema, em todos os meus artigos é dessa fórmula que falo e não me canso em afirmar os efeitos nefastos causados pelo crack ao organismo do seu usuário, quais sejam:

O crack causa destruição de neurônios e provoca ao seu usuário a degeneração dos músculos do seu corpo, conhecida na medicina como rabdomiólise, o que dá aquela aparência esquelética ao indivíduo, ou seja, ossos da face salientes, pernas e braços finos e costelas aparentes.

O usuário do crack pode ter convulsão e como conseqüência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca e enfim, a morte. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é assolador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta e traquéia, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico que faz parte da composição química do crack assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.

A estratégia governamental a ser posta em prática terá de imediato disponibilizados R$ 410 milhões em recursos, dentre os quais, R$ 13 milhões que serão destinados à área curativa com a duplicação dos leitos existentes e construção de novos CAPS. Para a questão da prevenção e repressão ao tráfico de drogas, a pasta do Ministério da Justiça receberá R$ 120 milhões, tendo como uma das metas, a construção de 11 postos de fronteira com policiais especializados em detectar crimes de contrabando e tráfico de drogas, embora tal estratégia se mostre ainda pequena para a quantidade de opções marginais existentes para a entrada de drogas no nosso país a para o abastecimento junto aos traficantes.

Em contrapartida o crime organizado continua investindo pesado do tráfico de drogas. Muita cumplicidade perversa promove e mantém o crack no seio da nossa sociedade. Tudo prolifera e floresce com muito arranjo sinistro. As Polícias Militar, Civil e Federal apesar de todos os esforços empreendidos, com prisões e apreensões diariamente de muitos traficantes e de grandes quantidades de crack, não tem conseguido efetivamente vencer essa guerra.

Aliados a tais medidas governamentais é preciso também da conscientização popular principalmente na área da educação. Dentre as formas de prevenir está a questão de se oferecer atividades escolares extracurriculares que despertem mais atenção dos estudantes, além de um convívio mais profundo e dialogado entre alunos com professores, psicólogos e especialistas, assim como, entre pais e filhos, para enfim, lutarmos com todas as forças possíveis contra essa epidemia.

Não podemos achar que a polícia e a medicina resolverão os problemas, que, muitas vezes, se iniciam nos lares, escolas, festas, shopings center e outros lugares de convivência social, principalmente dos jovens, mais expostos, por vários motivos, à atração do mundo das drogas.

(Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

Igreja não pode usar fé e espiritualidade para mascarar relação de emprego

É comum surgirem, na Justiça do Trabalho mineira, discussões acerca da natureza das relações jurídicas que envolvem trabalhadores e igrejas. Nesses casos, as entidades religiosas reclamadas sempre negam a existência da relação de emprego, argumentando que o reclamante teria servido à igreja movido por sua fé e vocação religiosa. Nesse sentido, as congregações religiosas sempre tentam convencer o Juízo de que o trabalho realizado pelo reclamante é de cunho religioso e se destina à assistência espiritual e divulgação da fé, não podendo ser considerado emprego, mas, sim, vocação divina, já que a submissão é em relação ao Evangelho e não à igreja. Na 31ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte surgiu um caso semelhante, envolvendo o pedido de reconhecimento de vínculo entre um trabalhador e uma igreja evangélica, bem como a declaração de rescisão indireta do contrato de trabalho. Após análise minuciosa do conjunto de provas, o juiz Paulo Maurício Ribeiro Pires descobriu quem estava com a razão e solucionou o conflito trabalhista.

O reclamante alegou que foi contratado como assistente jurídico da igreja evangélica, porém, sua carteira de trabalho não foi assinada. Por essa razão, além do reconhecimento do vínculo, reivindicou a rescisão indireta do contrato de trabalho (encerramento do contrato, por culpa do empregador, com todos os efeitos de uma dispensa imotivada). Em sua defesa, a reclamada sustentou que o trabalhador atuou como obreiro religioso, colaborando nos cultos evangélicos e auxiliando na administração do templo. Portanto, segundo a sua tese, ele teria se aproximado da igreja por interesse espiritual e, nessa circunstância, a fé exclui o vínculo de emprego. Entretanto, o juiz de 1º grau rejeitou esse argumento ao confrontá-lo com os demais elementos de prova. Em sua análise, ele entendeu que não se trata de uma pessoa que freqüentava a igreja em busca de ensinamentos religiosos. Isso porque os depoimentos das testemunhas revelaram que a atividade desempenhada pelo reclamante não era espiritual. Muito pelo contrário, a prova testemunhal confirmou que ele não pregava o Evangelho e que raramente participava dos cultos.

Além disso, a própria reclamada afirmou que possui um escritório à parte, onde o trabalhador prestava serviços, executando funções jurídicas e administrativas. Diante dessas afirmações, o magistrado considerou inviável o argumento da igreja de que o reclamante dedicava grande parte do seu tempo diário para orações. “Percebe-se claramente nos autos que o autor não se encontrava na igreja para uma missão, para o sacerdócio, para fazer pregações e, sim, prestava serviços de forma subordinada, mediante salário, de forma não eventual” – concluiu o juiz, declarando o vínculo entre as partes.

O pedido de rescisão indireta foi formulado com base no fato de que a reclamada deixou de anotar a CTPS do trabalhador e, em conseqüência, não providenciou os recolhimentos das contribuições previdenciárias e do FGTS. Além disso, as férias não foram indenizadas e era irregular o pagamento do salário, o qual a igreja chamava de “sustento pastoral”. Constatando que houve descumprimento das obrigações contratuais por parte da reclamada, o juiz sentenciante declarou a rescisão indireta do contrato de trabalho, condenando a igreja evangélica ao pagamento das verbas rescisórias típicas da dispensa imotivada. (RO nº 00777-2005-110-03-00-6 )

Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região

Passeata digital

A Lei Ficha Limpa, que barra a candidatura de politicos condenados por crimes graves, provavelmente não teria sido aprovada sem a pressão dos internautas. Por trás desse movimento está a socióloga Graziela Tanaka, de 30 anos, coordenadora no Brasil da Avaaz.org

Kátia Arima
Revista Info Exame – 07/2010

A ONG promoveu uma forte mobilização por e-mail e redes sociais em defesa do projeto, recolhendo milhões de assinaturas. Agora, o foco é o Código Florestal. Veja o que ela disse à INFO.

Como a Avaaz.org realiza as mobilizações?
Enviamos alertas por e-mail ao nosso cadastro de 600 000 brasileiros, para deixá-los a par das novidades de uma campanha ou para convocá-los para alguma ação. Na Ficha Limpa, por exemplo, quando alguns deputados estavam tentando enfraquecer o projeto ou adiar a votação, sugerimos às pessoas que enviassem e-mail aos políticos e ligassem para o Congresso. Abarrotamos a caixa de e-mail desses deputados com 40 000 mensagens.

Os internautas não têm capacidade de se autogerenciar sem a coordenação da Avaaz.org?
Nós somos a garantia de que uma ação na internet será levada a sério. Antes, as pessoas recebiam uma petição por e-mail e não sabiam se era verdade ou não, se ela chegaria até a pessoa certa no poder. Poucas ONGs sabem como lidar com o ciberativismo, e, por isso, apoiamos organizações de qualquer área.

Participar de mobilizações políticas na frente do computador não é uma militância preguiçosa?
O clique do mouse é só o primeiro passo na participação política. Telefonar para o Congresso Nacional já é um passo além. Quem assinou a petição da Ficha Limpa hoje recebe alertas sobre questões ambientais, pois agora estamos organizando uma petição para rejeitar as emendas propostas ao Código Florestal Brasileiro. Nem todo mundo é jovem e tem tempo para ser voluntário. Na Ficha Limpa, a maioria das pessoas estava na faixa entre 40 e 50 anos. A internet é o meio que elas têm para se engajar.

Como a ONG obtém recursos?
Dos mais de 5 milhões de cadastrados na lista de alertas, que fazem doações. Poucas ONGs conseguem fazer esse tipo de captação de recursos. Não recebemos nada do governo, nem de empresas privadas. A doação dos brasileiros fi ca em torno de 20 reais, em média.

Qual ferramenta na internet é melhor para o ciberativismo?
Usamos o Twitter e o Facebook para saber onde está ointeresse do público, quais são as questões mais urgentes no momento. O orkut não é utilizado, pois o foco dele é mais a amizade. Para divulgar campanhas, optamos mais pelo e-mail, que tem um efeito viral, e pelo Twitter (@avaazpo).

Cinema de formação

O Globo, Segundo Caderno, em 05/07/2010

Novos filmes brasileiros tentam retomar o interesse do público infantil, construído no passado por Xuxa e Trapalhões André Miranda

A palavra mais usada por aí quando se fala em cinema infantil brasileiro é mantra. Um mantra é um termo da cultura indiana que, repetido de acordo com certos preceitos, tem uma finalidade mágica. É uma espécie de oração, que provoca alguma vibração e alcança o objetivo esperado. O mantra, para os produtores de filmes como “Eu e meu guarda-chuva” e “Tainá – A origem”, tem sido o mesmo e é compartilhado por todos aqueles que acreditam no potencial de um imenso nicho de mercado no Brasil: é preciso investir em produções voltadas ao público mirim.

Há 30 anos, os filmes infantis brasileiros eram garantia de sucesso, principalmente pelos longas-metragens dos Trapalhões.

Dados da Agência Nacional de cinema (ANCINE) mostram que, das 20 obras mais assistidas no Brasil desde 1970, 12 foram de Renato Aragão e sua turma, sendo que “O Trapalhão nas minas do Rei Salomão” (1977) ocupa o quarto lugar da lista, com 5,8 milhões de espectadores.

Já em vigésimo aparece mais uma marca responsável pelas espetaculares bilheterias do gênero: Xuxa e seu “Lua de Cristal”, que atraiu 4,2 milhões de baixinhos – e altinhos – aos cinemas em 1990. Assim como ocorria com os Trapalhões, os filmes da apresentadora obtiveram ótimos resultados. Mesmo o recente “Xuxa em O Mistério de Feiurinha”, de 2009, teve 1,2 milhão de espectadores, uma boa marca para qualquer filme brasileiro, de qualquer gênero.

- Houve um tempo em que os filmes infantis, graças ao Renato Aragão e à Xuxa, faziam públicos de quatro a cinco milhões de pessoas num ano. Acabamos deixando isso para trás. Hoje, os filmes infantis fazem 1,5 milhão de espectadores, se tanto – afirma Carlos Eduardo Rodrigues, diretor da distribuidora Globo Filmes, que planeja apoiar quatro produções infantis nos próximos meses, entre elas, “Quem tem medo de fantasma?”. – Além disso, a oferta ainda é muito inferior à demanda. No ano passado, tivemos dois filmes, “Xuxa” e “O Grilo Feliz e os insetos gigantes”, de um total de 80. No cinema de Hollywood, de 5% a 10% das produções são infantis, e elas correspondem a um quarto do faturamento da indústria. Eu acho que é fundamental para o cinema brasileiro desenvolver uma base mínima de filmes infantis.

Mais do que uma boa oportunidade de negócio, o investimento no cinema infantil serve para fidelizar um público em formação. A equação é bem simples: o guri sai de casa para o cinema, ganha uma pipoca da mãe, divertese com atores falando sua língua e depois pede para voltar em outro filme. E pede também no próximo, e em mais um, e assim vai até crescer, passar a se interessar por produções nacionais adultas e incentivar seus próprios filhos a ir ao cinema.

- Tenho percebido que o mercado voltou a olhar com mais interesse para esse segmento – diz Toni Vanzolini, diretor do infantil “Eu e meu guarda-chuva”, cuja primeira exibição está marcada para o Festival de Paulínia, no dia 17. – Os produtores, distribuidores e investidores se deram conta da necessidade de apoiar os filmes para crianças.

Se fizermos bons filmes, vamos ganhar esse mercado novamente.

“Eu e meu guarda-chuva” é baseado num livro do titã Branco Mello e mostra a fantasia de um trio de amigos que visita um colégio mal-assombrado à noite. O filme, bem diferente de outros do gênero, deve estrear em 8 de outubro: apesar de próxima do Dia das Crianças, a data é fora das férias escolares.

- Por um lado, não teremos as possibilidades de público que as férias oferecem, mas, por outro, não vamos disputar com os blockbusters americanos. A expectativa dos filmes infantis brasileiros não indica o caminho de blockbusters. A realidade não é essa – afirma Vanzolini.

A realidade é que, mesmo os últimos filmes de Renato Aragão, “O cavaleiro Didi e a princesa Lili” (2006) e “O guerreiro Didi e a ninja Lili” (2008), tiveram um desempenho aquém da alta média do Trapalhão: 742 mil e 647 mil espectadores, respectivamente.

Bilionários pelo meio ambiente

“Bill, Melinda e Warren, o que lhes parece convencer seus amigos a investirem na produtividade verde?”, pergunta a economista Hazel Henderson neste artigo exclusivo.
Imagem Fabrício Vanden Broeck

Aplaudo Bill e Melinda Gates e o financista Warren Buffett por desafiarem outros multimilionários a doarem, durante suas vidas, a metade ou mais de suas enormes fortunas a obras de caridade. Em maio de 2009, eles propuseram a David Rockefeller ser o anfitrião de um primeiro jantar secreto com George Soros, Ted Turner, Oprah Winfrey, Michael Bloomberg, David Rockefeller Jr. e outros bilionários, no qual lançaram a campanha.

O casamento Gates e Buffet já está no caminho correto, pois dirigem suas doações para a África e países em desenvolvimento de outros continentes, bem como a educação. E eles podem convencer seus amigos ricos a irem além de financiar luxuosos pavilhões com seus nomes em universidades da elite. Esse tipo de filantropia está fora de moda.

Também está fora de moda a expansão subsidiada de empresas vinculadas a combustíveis fósseis, do carvão ao petróleo, passando pelas petroquímicas, o aço ou a indústria automotiva devoradora de gasolina, até a agricultura em escala industrial e as grandes companhias farmacêuticas. Bill Gates poderia se desligar do American Energy Innovation Council, que pressiona o Congresso dos Estados Unidos para obter US$ 16 milhões em subsídios à pesquisa com “carvão limpo”.

O melhor que os filantropos podem fazer é unir suas forças a grupos progressistas, para acelerar a transição para uma Era Solar que aplique modelos de desenvolvimento humano baseados na potencialidade e produtividade dos sistemas naturais que, há milhares de milhões de anos, a natureza nos oferece. A Iniciativa por uma Economia Verde, de várias agências da Organização das Nações Unidas, está sintonizada com os programas da Fundação Gates, bem como com a iniciativa Economia dos Ecossistemas e a Biodiversidade, o instituto Zeri, fundado pelo empresário Gunter Pauli, autor do livro “The Blue Economy”, e o Biomimicry Institute, de Janine Benyus.

Como conseguir os investimentos necessários para impulsionar esta grande transição para a Era Solar? Bill e Melinda Gates podem conduzir seus pares para as tecnologias inovadoras, que só esperam recursos para concretizar essa transição.

Eles podem unir-se à Rede para os Mercados Financeiros Sustentáveis e com líderes em finanças que estão preparando o terreno, com os Princípios para o Investimento Responsável da ONU (com US$ 20 bilhões em ativos), a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a Certificadora de Padrões Ambientais Ceres (com US$ 3 bilhões), e o Institutional Investors Group on Climate Change (com US$ 8 bilhões).

Desde janeiro de 2007, foram investidos ou comprometidos US$ 1,248 bilhão em negócios de eficiência energética, agricultura sustentável e energias limpas, bem como em outras tecnologias que estão deslocando as antigas empresas contaminadoras e os financistas do passado. Este fascinante progresso costuma ser ignorado pelos principais meios de comunicação, ainda mantidos pela publicidade dos setores fossilizados da sociedade.

A Ethical Markets Media (http://www.ethicalmarkets.com) dedica-se a promover a reforma dos mercados mundiais e o crescimento da economia verde. Publicamos informes diários sobre novas tecnologias, investimentos, empreendimentos e companhias que lideram o caminho para a transição verde (http://www.greentransitionscoreboard.com). Usamos o modelo Climate Solutions 2, da firma com sede na Austrália Climate Risk Pty, para mostrar que é possível garantir a transição verde investindo US$ 1 bilhão por ano em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, até 2020.

São US$ 10 bilhões em dez anos, menos da metade dos US$ 23 bilhões empregados para resgatar o setor financeiro e automobilístico dos Estados Unidos, em bancarrota, pagos pelos contribuintes. Esses US$ 10 bilhões representam menos de 10% dos valores manejados por investidores institucionais, fundos de pensão e fundações de caridade do mundo, estimados em US$ 120 bilhões.

Assim, Bill, Melinda e Warren, o que lhes parece convencer seus amigos a investirem na produtividade verde e os ajudar a modernizar seus velhos portfolios?

Assim poderão treinar seus administradores e consultores em novas formas de avaliar ativos, considerando os fatores ambientais, sociais e de governabilidade, que permitem monitorar com certeza a produtividade verde. A visão de Bill e Melinda Gates já fez a grande transição para o verdadeiro desenvolvimento humano. Eles e Buffett podem nos ajudar a chegar a um novo cenário mundial, que supere a obsoleta noção do produto interno bruto.

Hazel Henderson
Economista norte-americana, autora de Ethical Markets: Growing the Green Economy (2007) e coautora dos indicadores de qualidade de vida Calvert-Henderson (http://www.Calvert-Henderson.com). Direitos exclusivos IPS.
Envolverde, 05/07/10
© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Rótulos, selos e certificações verdes

Uma ferramenta para o consumo consciente

Uma das conclusões do Monitor de Responsabilidade Social Corporativa 2010, da Market Analisys – publicado com destaque no Dossiê sobre Consumo Consciente, da Revista Ideia Socioambiental (Março 2010) – indica que dois em cada dez consumidores brasileiros estão bem informados sobre o comportamento socioambiental de produtos e empresas.

Trata-se de um número tímido se comparado ao de outros países do Hemisfério Norte – estudos variados dão conta da existência de entre seis e oito consumidores muito sensíveis ao assunto  – nos quais a questão ambiental inclui-se na agenda do consumidor há pelo menos uma década. Mas expressivo se considerar o fato de que o consumo consciente encontra-se em fase preliminar no Brasil, sob os limites de uma cultura de consumo de massa ainda recente (reprimida desde os tempos de hiperinflação), das condições locais de educação básica e do consumo crítico de informação.

Muito provavelmente, o alto índice de desinformação se deva a uma combinação de dois fatores distintos mas correlatos, já abordados nesta coluna (1) baixo valor de importância atribuído pelo consumidor ao tema socioambiental como critério de compra, um desafio, portanto, de natureza cultural e valorativa; (2) escassez de informação socioambiental nos produtos ou mesmo dificuldade de identificar e decodificar as poucas informações existentes, pela falta de indicadores específicos, rótulos explicativos e campanhas de comunicação de empresas baseadas nos atributos sociais e ambientais de seus produtos.

Nos mais diferentes fóruns de discussão do tema, os chamados “selos verdes” são quase sempre apontados como uma solução para este quadro. Em grande medida porque ofereceriam “pistas” mais confiáveis para o consumidor tomar uma decisão de consumo responsável sem ter que se tornar um expert em ecologia.

Conferida por uma organização certificadora idônea, após análise rigorosa dos aspectos socioambientais, a imagem de um selo, com destaque na embalagem de um produto, contribuiria para romper o que o psicólogo Daniel Goleman, autor de Inteligência Ecológica, chama de “inércia cognitiva”, isto é, a tendência da mente humana de buscar o mínimo esforço na hora de juntar informações para uma tomada de decisão. Funcionaria, portanto, como uma chancela de aprovação.

Comunicado de forma rápida e compreensível a uma primeira olhada, o selo verde seria uma espécie de “marca verde”, dispensando o consumidor do trabalho de organizar informações complexas e, às vezes, impenetráveis. Ele se transformaria em uma pista rápida e segura.

A possível relevância dos selos e o seu impacto junto aos consumidores é confirmada pelo Monitor de Responsabilidade Social Corporativa 2010.

Segundo o estudo, 36% dos consumidores brasileiros crêem que uma “etiqueta” na embalagem do produto represente a melhor forma de uma empresa comunicar as suas práticas socioambientais. Na versão do mesmo estudo de 2007, eram 28%. Este fator, com o maior número de menções, foi seguido pelo de “ação junto a ONGs e instituições de caridade” (25%), “certificação do governo sobre a responsabilidade social de uma empresa” (20%) e a “publicação de um relatório anual de sustentabilidade” (7%).

Embora tais pistas não sejam as únicas e a sua eficácia varie conforme os diferentes segmentos da economia – como ressalta o texto de conclusões do MRSC 2010 – a pesquisa ratifica a importância das “etiquetas” socioambientais como uma fator crítico no reconhecimento, por parte do consumidor, de quem é responsável, como e por quê.

O impacto tende a ser principalmente mais elevado – aponta o estudo – entre os consumidores menos informados: 42% deles valorizam o selo verde como uma referência de sustentabilidade contra 36% da população geral. A dica é clara: selos criteriosos e bem comunicados são sim importantes ferramentas para induzir comportamento de consumo consciente. Empresas líderes interessadas em educar o consumidor e governos atentos podem jogar um papel decisivo nesse processo. Basta vontade de fazer.

Ricardo Voltolini
Publisher da revista Idéia Socioambiental e diretor da consultoria Idéia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade
http://www.topblog.com.br/sustentabilidade; @ricvoltolini; ricardo@ideiasustentavel.com.br
Ideia Socioambiental, 07/07/10

O novo livro

A tecnologia mudará o jeito como encaramos a leitura. Ninguém mais vai julgar um livro pelo número de páginas, e sim por quanto tempo ele vem sendo escrito (um processo que poderá durar infinitamente). E o livro vai se transformar em um fórum, um espaço em que leitores trocarão ideias entre si e com os autores. É o que diz Bob Stein, presidente do Instituto para o Futuro do Livro, dos EUA

Eduardo Szklarz
Revista Superinteressante – 07/2010

O que o livro digital vai criar?
Um novo tipo de relação social. O livro existe para difundir ideias, para que possamos falar delas. Mas hoje lemos um livro e conversamos depois, quando nos encontramos com outras pessoas. Com o livro digital, as duas etapas vão acontecer ao mesmo tempo. A conversa vai passar para as próprias páginas do livro.

Como assim?
E-readers, computadores e outras plataformas de leitura digital estarão conectados entre si, via internet. Eu estarei conectado a outros leitores que escolheram o mesmo título – ou seja, o livro estará em rede. As anotações que eu fizer em uma página ficarão visíveis para todos. Será uma nova forma de conversa. Comprarei um livro para minha neta e deixarei notas para ela, que escreverá de volta para mim, por exemplo.

O que mudará para autores?
O autor de um livro em rede será o líder de um grupo. Ele lançará um tópico e comandará os leitores num empenho para ampliar o conhecimento, já que cada um fará anotações e iniciará suas próprias discussões. Alguns autores vão querer fazer um texto completo e colocá-lo em debate. Outros colocarão rascunhos que serão trabalhados pelos leitores.

Se um livro continuará sendo escrito depois de lançado, os leitores vão pagar por uma obra incompleta, então?
Acredito que um modelo que vai surgir é o de assinatura. As pessoas vão assinar um livro, e não comprar. Serão assinantes da obra pelo tempo que quiserem – quando perderem o interesse na discussão, param de pagar. O mesmo vale para o autor. Ele seguirá editando o material por semanas ou anos. Vai se envolver com os leitores, e não com o assunto em si. No dia em que o assunto deixar de lhe interessar, ele deixará de receber. Ou talvez o livro se torne público. E as editoras de sucesso terão a capacidade de construir comunidades vibrantes em torno dos livros.

Ler e escrever vão deixar de ser momentos solitários?

Ler e escrever sempre foram atividades sociais. O costume de ler livros em voz alta durou até meados do século 19. Antes de Gutenberg permitir que tivéssemos cópias de um livro, o conceito de autor nem existia. Portanto, a noção de que uma ideia é criada por alguém e recebida por outro é recente. Com a tecnologia, vamos ter uma nova era de colaboração. O grupo valerá mais do que o indivíduo.

O que falta para essa era?

Reinventar tudo o que faz o livro funcionar: editoras, livrarias, prateleiras. O esquema de venda hoje é dedicado ao impresso: vender um objeto para um só indivíduo. Claro, nem todos os leitores vão querer entrar na discussão em rede, e o estilo atual de leitura ainda vai existir. Mas ninguém criou um modelo para a leitura social. Exemplo: posso lançar uma pergunta a amigos como “Quero ler esse livro – quem quer ler comigo no fim de semana?” Isso vai acontecer. E ainda não sabemos como atenderemos a essa demanda.

Quero Doar. Mas para quem?

Executivo do mercado financeiro cria instituto que faz a conexão entre pessoas dispostas a investir e ONGs com bons projetos sociais

Marcos Flávio Azzi, à frente, com Tereza Melo, Luciana Piazzon, Rodrigo Pontes e Priscila Rodrigues, sua equipe no Instituto Azzi: iniciativa inédita que une investidores dispostos a doar acima de R$ 50 mil por ano a instituições com projetos assistenciais sérios
Foto Breno Rotatori

O economista Manoel Felix Cintra Neto, 62 anos, presidente do banco Indusval Multistock, sempre estimulou as empresas e entidades que dirigiu, como a BMF, a ter um olhar para o terceiro setor, por meio de programas sociais estruturados. Mas quando começou a separar parte de seu patrimônio pessoal para filantropia, Cintra Neto enfrentou um dilema. Como identificar projetos assistenciais sérios e, depois, acompanhar o retorno do investimento? Para ajudar pessoas com esse mesmo problema, o mineiro oriundo do mercado financeiro Marcos Flávio Azzi criou, em 2008, um instituto cuja proposta é fazer a conexão entre pessoas físicas de alto poder aquisitivo e ONGs ou instituições que tenham projetos sociais de excelência.
Sócio da corretora Credit Suisse Hedging-Griffo, Azzi, 37 anos, criou uma estrutura que busca pessoas interessadas em doar no mínimo R$ 50 mil por ano e ONGs que, para ser escolhidas, precisam passar por avaliação que mede sua qualidade de gestão, o nível de transparência, a solidez e o potencial de impacto. “Na maioria das vezes, a escolha por esta ou aquela ONG é subjetiva e não leva em conta seus resultados”, diz Azzi. “Isso torna a filantropia fragmentada, oportunista e sem foco.”
O trabalho do Instituto Azzi começa com a definição do valor a ser doado. Depois vem a identificação da causa que mais atrai cada doador. “Conversamos muito com o investidor e sua família para encontrar uma causa que faça sentido para ele”, diz Azzi. Sua causa pessoal, para a qual reserva 3% do patrimônio todos os anos, é a reforma de casas populares. Azzi já recuperou 60 residências em Perus, 200 na Vila Brasilândia e 50 em Campo Limpo, bairros da periferia de São Paulo, ao custo médio de R$ 2 mil cada. “Ter uma boa casa para morar muda a relação familiar, as crianças adoecem menos e tudo melhora”, afirma Azzi, pai de um casal, de 7 e 3 anos. Azzi deixou o dia a dia da corretora para se dedicar exclusivamente ao instituto, que não cobra pelo trabalho e tem quatro funcionários com salários pagos por ele.

Hoje há 20 investidores cadastrados, que bancam cerca de 40 projetos. Eles são monitorados e os doadores informados sobre os resultados, como acontece com Manoel Felix Cintra Neto, que apoia, em parceria com o instituto, sete causas em várias frentes, de instituições que cuidam de pessoas idosas e crianças com câncer até uma ONG que ajuda animais abandonados. “O instituto faz um bom acompanhamento, para ver se a entidade está aplicando com competência o dinheiro”, diz Cintra Neto. A meta de Marcos Azzi é fechar o ano com 35 investidores e estender a atuação do instituto, hoje restrita a São Paulo, para o Rio de Janeiro. “Qualquer lugar com gente de boa vontade precisa do instituto para se conectar às instituições que necessitam de investimento”, diz Azzi. E assim a filantropia começa a se profissionalizar.

Katia Militello
Época Negócios, 05/07/10
Via Raquel Moreira

Helio Mattar, do Instituto Akatu no TED Global

Diretor-presidente do Akatu, Helio Mattar* fala sobre os impactos individuais no TED University, realizado dentro da programação do encontro mundial, em Oxford, na Inglaterra

Instituto Akatu
Instituto Akatu – 15/07/2010

*Helio Mattar é conselheiro do Planeta Sustentável

“Hoje, a humanidade consome todos os dias recursos naturais em volume equivalente ao de 112 Empire State Buildings. Além de excessivo, o consumo é desigual. Apenas 16% da população mundial são responsáveis por 78% desse consumo, ou seja, cada integrante dessa elite cria um enorme buraco de 32 m3 no planeta a cada ano.”

Esses foram alguns dos dados apresentados pelo diretor-presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, na terça-feira (13/7), em usa apresentação “Matemática dos Impactos Individuais” no TED University, evento no âmbito do TED Global.

Neste ano, o TED Global reúne, entre 12 e 16 de julho, em Oxford, na Inglaterra, profissionais de diversas áreas, pensadores, ativistas e líderes sociais com o objetivo de divulgar, partilhar e debater iniciativas positivas e inspirar novas idéias e práticas pelo planeta.

Veja os destaques apresentados pelo Akatu:

RECURSOS NATURAIS
• A humanidade consome todos os dias recursos naturais em volume equivalente ao de 112 Empire State Buildings.
• Apenas 16% da população mundial são responsáveis por 78% desse consumo.
• Ou seja, cada ser humano dessa elite que consome cria um enorme buraco de 32 m3 no planeta a cada ano.
• Se esse volume de recursos naturais fossem colocados em latas cilíndricas do tamanho de um homem adulto, com 1,80 m de altura e 1 m de base, e essas latas cilíndricas fossem empilhadas umas sobre as outras, no período de 10 anos, oito meses e 14 dias, esses cilindros alcançariam a altura do Empire State Building.
• Em 75 anos, seriam sete pilhas iguais a essa.

POUPANÇA
• A Humanidade consome em bens e serviços US$ 30,5 trilhões por ano.
• Apenas 16% da população mundial é responsável por 78% desse consumo.
• Portanto, um participante desse seleto grupo dos “16%” gasta US$ 23 mil por ano em bens e serviços.
• Se essa pessoa reduzisse apenas 15% o seu consumo anual e aplicasse o valor equivalente em um fundo de investimento que rendesse 3% ao ano, acumularia US$ 1 milhão em 75 anos.
• Se todos os 7 milhões de moradores de Londres fizerem o mesmo, acumularão US$ 7 trilhões em 75 anos, valor equivalente ao segundo PNB anual do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos e superior a tudo que se produz e se consome em gigantes como Japão, China, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Brasil, Espanha, Canadá, Índia ou Rússia.

LIXO
• Um americano ou britânico produz em média 1,3kg de lixo por dia.
• Ao longo de 75 anos, resulta em 36 toneladas de lixo.
• O lixo produzido por apenas 5 famílias com 3 crianças, ao longo de 75 anos, abarrotaria a torre do Big Ben.
• Os 7 milhões de habitantes de Londres, no mesmo período de 75 anos, demandariam 271 mil torres do Big Ben para guardar seu lixo.

CARNE
• Um americano consome em média 350 gramas de carne por dia.
• A água virtual gasta na produção desse montante de carne é de 5.300 litros.
• Se o consumo de carne de dois americanos fosse reduzido pela metade, seriam economizados 2 milhões de litros de água por ano.
• Ao longo de 75 anos, esses dois americanos economizariam 150 milhões de litros de água, volume equivalente ao de 60 piscinas olímpicas.

ÁLCOOL X GASOLINA
• Se um cidadão americano ou britânico trocar seu carro a gasolina por um carro a álcool, considerando-se que dirija 20.000 km por ano durante em média 57 anos (dos 18 aos 75 anos), vai deixar de emitir 93 toneladas de carbono ao longo desse período.
• Essa é a mesma quantidade de carbono emitida pelo lixo produzido pelo mesmo cidadão ao longo de 98 anos.
• Ou seja, ao trocar o combustível de seu carro, um único indivíduo neutraliza o carbono emitido pelo seu lixo durante um período mais longo do que o de sua própria vida.

ÁGUA
• Se um americano médio reduzir seu consume de água em 50%, ainda irá consumir 150% acima do montante recomendado pelas Nações Unidas.
• Mesmo assim, o montante de água economizada durante os 76 anos de sua vida seria equivalente a aproximadamente o volume de 3 piscinas olímpicas.
• Se 22 americanos fizerem o mesmo, o montante de água economizado durante os 76 anos de suas vidas seria equivalente ao volume de água que cai pelas Cataratas do Iguaçu durante um período de um minuto durante a alta estação.

Carl Hoffman e o transporte precário no mundo

O jornalista Carl Hoffman reúne, no livro “The Lunatic Express”, a experiência de 159 dias viajando por 16 países, incluindo o Brasil, em transportes precários. Vagões superlotados, ônibus em má conservação e balsas sem condições de segurança são alguns exemplos citados na obra diário de bordo

Marcia Bindo
Revista Vida Simples – 07/2010

Acostumado a conhecer os veículos mais tecnológicos e sustentáveis do mundo e escrever sobre eles para as principais revistas americanas, o jornalista Carl Hoffman resolveu voltar seus olhos para uma realidade que nada tem a ver com designs futuristas, combustíveis alternativos ou motores elétricos. Em uma viagem por Bangladesh, ele se deu conta de que muita gente ainda precisa usar transportes precários para se deslocar.

Para mostrar o outro lado dessa questão, ele passou 159 dias viajando por 16 países (Brasil, inclusive): em vagões superlotados pela Índia, em ônibus caindo aos pedaços pelos Andes e balsas sem as mínimas condições de segurança pela Indonésia. Sempre trocando as viagens confortáveis e cômodas pelos deslocamentos perigosos e reais. “Cheguei a passar 50 horas em um trem sem banheiro para atravessar o Mali”, conta ele, que transformou sua odisseia no livro The Lunatic Express (“O expresso lunático”, sem tradução no Brasil), recém-lançado no Canadá e nos EUA.

O título é uma referência à aventura radical que Hoffman diz ter empreendido nesses cinco meses. “Só um lunático poderia se dispor a viajar nessas condições, não é? O problema é que é uma realidade de milhões, que convive com a indústria dos veículos modernos e confortáveis”.

Link da matéria:
The Lunatic Express

Kombi Alice: projeto promove a inserção cultural

A bordo da kombi apelidada de “Alice”, o casal Franco e Inês viajam, desde maio, pelo interior do país para incentivar a inserção cultural de comunidades do interior do Brasil, em três linguagens: literatura, cinema e fotografia. A aventura pode ser acompanhada pelo site do projeto

Marcia Bindo
Revista Vida Simples – 07/2010

Inês é pedagoga, Franco é analista de sistemas e Alice, bem, ela é a simpática Kombi da foto. Em comum, os três têm o gosto pela aventura. Inês Calixto, referência quando se fala de formação de professores, trabalhava numa grande editora de livros educativos. Mas nem o seu coração havia o desejo de entrar em contato mais próximo com a cultura popular, trocar experiências com comunidades, ensinar a quem está ávido de conhecimentos. Franco Hoff, por sua vez, é um gaúcho que tem paixão por fotografia e esportes radicais. Acharam Alice na internet, uma Kombi que já veio com adesivos coloridos e uma vocação para a estrada. Imaginaram criar uma oficina de fotografia, apresentar um espetáculo de marionetes e exibir filmes pelas cidades onde passassem.

Assim, agradeceriam os relatos dos seus habitantes, que contariam para eles suas histórias e experiências de vida. Com esse material, os dois poderiam fazer um rico diário de bordo, na verdade um retrato da gente do Brasil de hoje. Inês teve o total apoio da editora, Franco foi despedido. Mas começaram a chegar os (ainda) pequenos apoiadores do projeto e eles acreditam que, no futuro, vai entrar um dinheirinho com a publicação das suas experiências. Inês está com seus 48 anos, Franco com pouco menos. Sinal de que não há idade para abandonar o conhecido e ir atrás do que se quer.

Para acompanhar as peripécias dos dois, que saíram no dia 25 de maio pelo interior de São Paulo para uma aventura inicial, visite o site histórias de Alice.

Link da matéria:
Histórias de Alice

Festival Internacional I Love Jazz 2010

Acontece entre os dias 30 de julho e 8 de agosto em quatro capitais

Na década de 1910, surgia nos Estados Unidos um novo tipo de música, como consequência do encontro de influências entre os valores do negro americano e a cultura europeia. Nascia ali o jazz. Desde então, o ritmo passou por diversas modificações e incorporou uma série de influências, tornando-se ora mais reflexivo, ora mais dançante. E é exatamente essa última, a vertente celebrada na segunda edição do Festival Internacional I Love Jazz, evento que ocorre entre os dias 30 de julho e 8 de agosto em quatro capitais brasileiras: Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.
O I Love Jazz tem como objetivo difundir o jazz tradicional, promover uma maior participação popular e desmitificar o estilo, popularizando uma música por muitos considerada sofisticada e hermética. Por isso, o festival inclui em seu formato apresentações gratuitas em lugares de grande circulação. O evento também tem o intuito de estimular um maior intercâmbio entre artistas brasileiros e estrangeiros, com a realização de Jam Sessions, que são reuniões de músicos de bandas diferentes para improvisar temas de jazz. Outro objetivo é gerar uma maior participação de jovens, estudantes e interessados em arte em geral, com palestras, master classes, cursos, oficinas, pocket shows e outras intervenções.
A primeira edição do I Love Jazz aconteceu em 2009 e contou com a participação de artistas nacionais e internacionais de renome na cena musical. Para esse ano, o evento vai focar o jazz dos anos 1920 a 1940. Segundo o diretor geral e curador do evento, Marcelo Costa, é um ritmo conhecido por ser mais popular, irreverente, divertido e dançante. “É um estilo que eu particularmente adoro e foi o estilo predominante à época no mundo todo. Agrada a qualquer tipo de pessoa”, diz.
Outro motivo para a escolha é o fato de os eventos musicais de jazz não focarem essa época. “Normalmente, os festivais que a gente conhece são de jazz moderno ou abrangem todas as fases do jazz, com ênfase no moderno”, explica Marcelo. Com isso, o curador pretende desmistificar a imagem do ritmo como elitista e como música para pessoas mais conservadoras.
Para isso, além da ênfase nas décadas de 1920 a 1940, os organizadores do evento se apoiaram em importantes nomes da cena musical atual. Judy Carmichael é um deles. A pianista norte-americana mistura diferentes estilos de jazz e já foi indicada ao Grammy pelo seu disco “Two Handed Stride”. Outro nome importante – e inédito no Brasil – é Claude Tissendier. O francês é regente, compositor e arranjador, mas se destaca mesmo no saxofone alto. O artista já gravou 15 álbuns e ganhou diversos prêmios. Entre os artistas brasileiros, destaca-se Elza Soares, segundo o curador Marcelo Santos, “a mais jazzista das cantoras brasileiras”.

www.ilovejazz.com.br

Pirataria de ingressos

Ao menos dois sites não autorizados vendem ingressos para shows internacionais que serão realizados em São Paulo. Tudo parece mais um golpe para lesar consumidores.

Em sites como o Nova Perfect e Ingressos 24 horas, o cliente precisa fazer um pré-cadastro e enviar um formulário descrevendo o ingresso que deseja e, então, pagar por depósito bancário ou cheque. O registro de ambos sites está em nome da mesma empresa.

Os preços cobrados por estes sites são completamente diferentes dos que são praticados pelos postos de venda autorizados. Enquanto nos canais oficiais o cliente pagaria R$ 250 (pista premium) e R$ 180 (pista) por entradas inteiras, nos sites não autorizados os mesmos ingressos saem a R$ 350 e R$ 280.

Mesmo com a taxa de conveniência (15% do valor dos ingressos) e frete cobrado pelas empresas oficiais, os valores não seriam tão elevados.

“Isso prejudica o nosso cliente, porque ele poderia comprar ingresso nosso com o que ele gasta no site não autorizado. Ele não tem nenhum tipo de segurança nesses endereços, pois os bilhetes podem ser falsos ou ele pode ter seu cartão do banco clonado”, diz a gerente de operações da IngressoRápido, Katia Lattufe.

A empresa diz que já notificou a polícia a respeito dos sites, mas que não se responsabiliza por compras realizadas em canais que não integram a sua rede.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

*Fonte: Folha de S. Paulo

Empresa brasileira distribui vídeos online

A distribuição de conteúdos digitais começa a dar os primeiros passos no Brasil e deve ganhar uma nova proposta de modelo, a partir do ano que vem. Uma iniciativa da Log On (umas das maiores distribuidoras de homevideos brasileiras) e da ATV, de Nestor Amazonas, pretende levar a computadores e dispositivos conectados uma plataforma nova de distribuição e interação com conteúdos online.

A plataforma, chamada DX, será anunciada ao público durante a ABTA 2010 e consiste, em essência, em um browser de vídeo associado a uma sofisticada interface de usuário e plataforma de distribuição. A proposta da DX é fazer a distribuição de conteúdos sob demanda, mas sem o formato de “álbum de figurinhas”, nas palavras de Eduardo Mace, diretor geral da Log On. Ele se refere aos formatos mais conhecidos de distribuição de vídeo online, como NetFlix e AppleTV, em que são apresentadas ao usuário imagens dos filmes e programas e ele escolhe dentro desse menu, faz o download e assiste. “O que queremos é misturar a experiência de consumo de vídeo online com a experiência da televisão”, diz Mace.

Na prática, o que o DX faz é dar ao usuário a possibilidade de escolher, de forma não-linear e sob demanda o conteúdo que quiser dentro de um catálogo, mas se não souber ou quiser escolher, existe um fluxo contínuo de programas que são exibidos, como se fosse um canal personalizado de TV. A definição dos conteúdos que são incluídos nesse fluxo contínuo de conteúdos e que são sugeridos ao usuário passa por um algoritmo de gerenciamento de preferências desenvolvido pela própria DX e que leva em conta características de cada usuário individualmente.

Esse é o segundo aspecto importante da DX: ela não pretende ser um player isolado do mercado de conteúdos online, mas sim uma provedora da plataforma para operadores de TV a cabo e portais de Internet. A ideia é que se cobre, pelos conteúdos, uma assinatura mensal com direito a consumo ilimitado. Já há parcerias de conteúdos com a Warner, BBC, NBC Universal, National Geographic, AETN, CBS, Fremantle Media, Lionsgate entre outras. Todo o conteúdo é distribuído por IP, protegido por DRM e só é possível acessá-lo pelo browser DX. As janelas de conteúdo a que a DX terá direito são as do video-on-demand e do home video na maior parte dos casos.

Outra grande aposta da DX são os dispositivos conectados, como televisores, set-tops de TV paga e aparelhos de DVD e Blu-Ray. Segundo Eduardo Mace, da LoOn, já há contratos com a Samsung e LG e a partir do começo do ano que vem o browser DX deve começar a ser embarcado nos dispositivos com conectividade à Internet dessas duas marcas. Nesse caso, a DX espera ter parcerias com provedores de conteúdos e parceiros locais que possam dar suporte para os clientes em cada cidade, e também conteúdos locais. Caso contrário, será a única situação em que a DX administrará diretamente os assinantes.

Outro modelo de distribuição que está sendo planejado é incluir a plataforma DX em HDs externos que contenham acervos específicos, como a coletânea de filmes de determinado diretor ou todos os episódios de uma série. O modelo que está sendo desenvolvido prevê que esses HDs, depois de ligados ao computador, possam ser operados por controle remoto. Vale destacar que a plataforma DX não servirá para rodar conteúdos de mídia que o usuário já tenha, ou seja, não é um player de vídeo convencional.

No entanto, a DX também promete converter conteúdos de Internet para a mesma interface de navegação de vídeo, além de se integrar com redes sociais. Segundo os idealizadores da plataforma, a ideia é começar com o usuário das classes A e B, mas rapidamente avançar para camadas de baixa renda, o que será possível com a massificação da banda larga.

*Fonte: Tela Viva (Samuel Possebon)

Apoio para criar e exibir

O programa Nacional ANIMATV foi lançado no final de 2008 pelo Ministério da Cultura, em parceria com empresas e associações de comunicação. Ele possibilita a produção de duas séries animadas para a tevê, promove ações de capacitação, articulação de um circuito nacional para exibição de animações e facilita a entrada no mercado internacional. – O ANIMATV foi importante, pois possibilitou inserção no mercado nacional, através de oficinas, adequações aos padrões internacionais – comenta o produtor executivo de Carrapatos e Catapultas, Rubens Belli. O outro PROJETO selecionado foi Tromba Trem, de José Luiz Brandão Albuquerque (RJ), produzido por Copa Estúdios. O desenho conta a história de um elefante sem memória, uma tamanduá vegetariana e uma colônia de cupins que partem em uma viagem pela América Latina.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.