A vaidosa busca pela beleza continua presente, mas agora ela está associada ao bem-estar.
Luiz Alberto Marinho
Revista Vida Simples – 07/2009
Em setembro a Disney pretende relançar em DVD o clássico Branca de Neve, desenho animado produzido em 1937 que conta as desventuras de uma menina que se torna alvo da ira da madrasta após a morte do pai. A história fala da rivalidade feminina em torno da beleza e do poder – a rainha má decide eliminar a rival somente depois que o espelho lhe diz que ela já não é a mais bela dentre todas e que esse posto havia sido ocupado pela jovem enteada. Detalhe: a primeira versão conhecida desse conto data de 1634. De lá para cá, a vaidosa busca pela beleza continua presente, mas adquiriu diferentes contornos, em função das características da vida moderna.
Pesquisa global realizada pela Nielsen em 2007 mostrou que nada menos que 72% dos entrevistados concordam que hoje a pressão por boa aparência é muito maior que na época dos seus pais. No Brasil, o percentual dos que pensam dessa maneira é ainda maior: 83%. Em outras palavras, a imensa maioria das pessoas, de ambos os sexos, tem consciência de que é avaliada muito mais pela aparência que pela essência. Isso vale não apenas para o círculo social mas também para o profissional, onde muita gente perde boas oportunidades por conta de uns quilinhos a mais ou por não se sujeitar aos caprichos da moda.
Curiosamente, além de ajudar a impressionar, conquistar e perpetuar o poder, os produtos de beleza e cuidados pessoais também estão atendendo a outra demanda importante dos habitantes deste nosso planeta estressado – a obtenção de bem-estar pessoal. A mesma pesquisa da Nielsen revelou que 62% dos terráqueos e 89% dos brasileiros investem em cuidados pessoais porque isso faz com que eles se sintam melhores em relação a si mesmos.
Isso significa que parte das mesmas pessoas que se sentem pressionadas a dar um trato no visual acabam também elevando a auto-estima e se sentindo bem. O resultado pode ser medido pelo bom desempenho da indústria de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, que praticamente não sentiu os efeitos da crise global. Nesse Mercado nós, brasileiros, ocupamos lugar de destaque – somos o terceiro maior país consumidor desse tipo de produto. Outra novidade é a crescente incorporação do público masculino ao contingente de consumidores de cosméticos, inclusive no nosso país ainda tão conservador.
Dentre as empresas que atuam no segmento, destacam-se aquelas que ainda se preocupam com fatores socioambientais. Sinal de que, diferentemente da madrasta de Branca de Neve, que podia ser linda por fora, mas era uma bruxa por dentro, os consumidores começam a dar preferência a marcas que valorizam também a beleza interior.
