Foi publicada nesta segunda-feira, 1º de junho, no Diário Oficial da União (páginas 34 a 39), a Portaria nº 4 contendo a relação de projetos deferidos e indeferidos do Edital de Concurso de Apoio ao Desenvolvimento de Roteiros Cinematográficos, Inéditos, de Longa Metragem, do Gênero Ficção 2009.
A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC) recebeu 891 projetos inscritos, sendo que 869 foram deferidos e 22 indeferidos. Os proponentes que tiveram os projetos indeferidos serão comunicados, e a partir do recebimento do comunicado terão cinco dias úteis para interpor recurso contestando o motivo do indeferimento.
Edital de Roteiros 2009
Lançado em 20 de janeiro de 2009 pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, o concurso oferecerá o prêmio de R$ 50 mil para cada um dos 10 escolhidos no final da segunda etapa de seleção. Desse total, pelo menos quatro roteiristas deverão ser estreantes, ou seja, que nunca tiveram a oportunidade de produzir e veicular um roteiro de longa metragem de ficção na televisão e/ou cinema.
Com o objetivo de estimular novos talentos em todo o país, o edital teve 891 inscritos, dos quais 56 eram não estreantes. Os estreantes somaram 835 inscritos, ou seja, 93,7% do total.
O concurso da Secretaria do Audiovisual também apostou na descentralização, limitando, no máximo, quatro projetos para cada uma das cinco regiões do país, premiando dois roteiros por cada unidade da federação. A maioria dos projetos selecionados veio da região Sudeste, seguido pelas regiões Nordeste, Sul, Centro Oeste e Norte.
Os 869 projetos deferidos serão examinados por uma Comissão designada pela SAv/MinC e composta por especialistas renomados da área. A Portaria nº 4 (de 29 de maio de 2009) foi divulgada em Destaque do Diário Oficial, na página principal do site da Imprensa Nacional: www.in.gov.br.
Academia Brasileira de Cinema premiou as produções nacionais. ‘Meu Nome Não é Johnny’ também se destacou com seis troféus
Os vencedores da maior premiação do cinema brasileiro em 2008 foram anunciados na noite desta terça-feira (14) no Rio de Janeiro, em uma disputa entre mais de cem filmes.
Tapete vermelho para receber os artistas que se destacaram nas telas de todo o país, na maior premiação do cinema nacional. “Vou encontrar os meus amigos, me diverti muito, levar alguns prêmios. É uma festa bonita, é nossa”, afirma o ator, Tony Ramos.
A atriz Marília Pêra e o diretor Daniel Filho foram os mestres de cerimônia do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, que escolheu vencedores em 25 categorias.
Os ganhadores levaram o troféu Grande Otelo e prêmios especiais, oferecidos pela Academia Brasileira de Cinema. “É inacreditável como tem gente boa fazendo cinema nesse país”, disse o presidente da Academia Brasileira de Cinema, Roberto Farias.
O homenageado desta edição do prêmio foi o cineasta Nelson Pereira dos Santos, um dos precursores do Cinema Novo, e reconhecido internacionalmente pelo clássico “Vidas Secas”, de 1963.
Cineastas, atores, técnicos. Ao todo, mais de mil profissionais foram indicados ao prêmio. Participaram da seleção todos os filmes lançados em 2008 mais de cem produções, entre longas-metragens nacionais de ficção, documentários e filmes estrangeiros.
Entre os finalistas, alguns tiveram até 14 indicações. Caso dos filmes “Estômago” e “Meu Nome Não é Johnny”. “Eu estou aproveitando bem as oportunidades e faço parte de uma geração que tem o cinema como uma fonte de expressão do artista”, disse o ator, Selton Mello. Logo no começo da premiação, “Meu Nome Não é Johnny” levou quatro troféus, melhor montagem, som, trilha sonora original e atriz coadjuvante, para Julia Lemmertz.
“Ensaio Sobre a Cegueira”, do diretor Fernando Meirelles, concorria a 13 troféus. E venceu principalmente em categorias técnicas como melhor direção de arte, fotografia, efeitos visuais e maquiagem. “É um filme falado em inglês, apesar de ser um filme brasileiro. Fotógrafo, diretor de arte, maquiador, música. Tudo brasileiro”, afirma o diretor.
Melhor filme
“Estômago”, dirigido por Marcos Jorge, levou o prêmio de melhor ator coadjuvante, para Babu Santana, e foi eleito o melhor filme pelo voto popular.
Os membros da Academia Brasileira de Cinema parece que seguiram o voto popular. Um dos campeões de indicações nesta noite, “Estômago”, levou os prêmios mais importantes: melhor longa-metragem de ficção e melhor diretor para Marcos Jorge.
“Meu Nome Não é Johnny ” foi o que levou mais prêmios. Seis ao todo, incluindo de melhor ator, para Selton Mello. Melhor atriz foi para Leandra Leal pelo filme “Nome Próprio” e melhor longa-metragem de documentário foi “O Mistério do Samba” , filme de Carolina Jabor e Lula Buarque de Holanda, produzido por Marisa Monte. O filme conta a história da velha guarda da Portela.
“Entre os dedos” é o 25º filme realizado dentro do acordo de coprodução entre Brasil e Portugal
A língua, a proximidade histórica e, no caso da nova parceria luso-brasileiro, a temática do desemprego. Com estreia marcada para esta sexta-feira, “Entre os dedos” traz elementos que podem explicar o sucesso do acordo assinado em fevereiro de 1981 entre Brasil e Portugal, um termo que incentiva a produção de filmes em coprodução pelos dois países. Desta vez, a produtora brasileira envolvida é a paulista Plateau, numa participação minoritária no longa-metragem dirigido pelos portugueses Tiago Guedes e Frederico Serra.
Portugal é o país campeão de coproduções com o Brasil no período da Retomada: desde 1995, foram 25 filmes. Para incentivar a parceria, os governos dos dois países criaram um protocolo em que cada um oferece anualmente, através de um edital, US$300 mil para que uma produtora nacional possa participar da realização do longa-metragem estrangeiro. Quatro filmes são contemplados por ano, dois com recursos majoritários de Portugal (como no recente “Dot.com”, de Luís Galvão Teles), dois com investimentos maiores de produções brasileiras (como em “O judeu”, de Jom Tob Azulay).
- Existe uma questão cultural que aproxima os dois países. Mas também há a viabilidade de financiamento. É uma fonte importante para a realização dos filmes. E há uma troca de técnicas e experiências – explica Beto Tiribiçá, diretor da Plateau. – Esta é minha quarta coprodução com Portugal. Participei, entre outros, de “Palavra e utopia”, de Manoel de Oliveira.
O novo edital de coprodução luso-brasileira foi lançado na última semana, pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), e recebe inscrições até o dia 13 abril. No ano passado, cinco filmes concorreram ao prêmio no Brasil, enquanto outros 12 foram inscritos no Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA), órgão português que regulamenta o cinema do país ibérico. Desses 17 longas-metragens, os vencedores foram “Duas mulheres” e “O último voo do flamingo”, de coprodução minoritária brasileira, e “As duas estrelas” e “Capitães de areia”, de coprodução majoritária brasileira. Cada um recebeu US$150 mil.
- A gente tem feito um esforço de estimular uma política de coprodução. Além de Portugal, também temos um prêmio em dinheiro para filmes feitos em parceria com a região espanhola da Galícia, estamos em negociações avançadas para um acordo com a própria Espanha, e também há conversas nessa direção com a Argentina – diz Alberto Flaksman, assessor internacional da Ancine. – São a existência do protocolo com o prêmio e a língua em comum que fazem com que o número de coproduções com Portugal seja alto.
Preto-e-branco dá um tom realista
Além da língua e da óbvia proximidade cultural entre os dois países, “Entre os dedos” também tem em seu conteúdo um fator que pode atrair o espectador brasileiro. O filme é um drama que trata sobre o que o desemprego de um homem adulto pode acarretar para si e para sua família, num ambiente contemporâneo de difícil comunicabilidade. E, se a crise faz com que o desemprego seja grande em Portugal, deste lado do Atlântico definitivamente não é diferente.
- A ideia sempre foi fazer um filme sobre a falta de comunicação e a dificuldade que hoje em dia as pessoas sentem em transmitir afetos e emoções. Estamos num mundo cada vez mais isolado. Apesar de todas as tecnologias, que deveriam servir para nos aproximar e libertar, o resultado é contraditório. Estamos definitivamente cada vez mais sós – avalia Tiago Guedes. – O filme foi muito bem recebido em Portugal, teve boas críticas. Eu acho que a crise financeira mundial pode, também, ter potencializado a identificação das pessoas.
O orçamento de “Entre os dedos” foi de cerca de R$3 milhões. A produção é toda em preto-e-branco, um efeito que dá um tom realista à história. Juntos, os diretores Guedes e Frederico Serra já haviam realizado o filme para TV “Alta fidelidade” (2000) e o longa-metragem de terror “Coisa ruim” (2006). Com “Entre os dedos”, os cineastas fizeram sua primeira coprodução com o Brasil.
- Para nós, faz muito sentido que Portugal e Brasil partilhem este tipo de experiências. Nós falamos a mesma língua, mas temos abordagens culturais distintas e fortes, que precisamos partilhar. Deveria até ser obrigatória essa partilha de forma a fomentar uma indústria que ajude a fortalecer a nossa língua pelo mundo inteiro. Acredito que podemos ter todos muito a ganhar com uma ponte estreita entre os nossos países. Que venham mais experiências positivas – diz Guedes.
A terceira edição da mostra Bollywood e Cinema Indiano será promovida entre os dias 17 e 29 de março, em São Paulo. O evento, que é uma parceria da Cinemateca Brasileira com a Academia Internacional de Cinema (AIC), traz obras audiovisuais clássicas e recentes. Serão 13 longas de ficção que tratam de questões relacionadas ao terrorismo na Índia da atualidade e uma seleção da nova produção de filmes policiais rodados naquele país.
Haverá a exibição do documentário Bollyworld, dirigido pelo produtor, cineasta e editor indiano Ram Prasad Devineni, também responsável pela curadoria da mostra. Dentre os tradicionais romances musicais, típicos de Bollywood, há o clássico Bobby, de Raj Kapoor – um campeão de bilheteria dos Anos 70, que inspirou inúmeras imitações. Outro sucesso a ser exibido é o filme Gauri: the unborn, de Aku Akbar, terror psicológico que tem como tema central o aborto.
Ainda neste mês de março, a Cinemateca Brasileira, instituição vinculada à Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC), apresenta outras atrações para os amantes da arte cinematográfica:
Cinemateca Brasileira - Responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira, a instituição possui o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. São cerca de 200 mil rolos de filmes – longas, curtas e cinejornais -, além de um amplo acervo de documentos, livros, revistas, roteiros originais, fotografias e cartazes. A Cinemateca Brasileira fica no Largo Senador Raul Cardoso, nº 207, na Vila Clementino. Informações: www.cinemateca.com.br, contato@cinemateca.org.br e (11) 3512-6111.
OVERMUNDO
Inês Nin · Rio de Janeiro (RJ) · 14/6/2007 17:43
(ou como se fazer o que se gosta – e viver disso?)
O cinema nacional vive de leis de incentivo, essencialmente. Correto? Mais ou menos. O cinema nacional em 35mm, remunerado e com capital razoável para a produção, sobrevive, de fato, graças às leis de incentivo. Mas e o outro cinema? Este cinema que sobrevive não se sabe exatamente como, conta com uma crescente quantidade (e qualidade) de curta-metragens sendo produzidos pelo Brasil. Os festivais – cada vez mais numerosos – funcionam como meio de escoar e exibir toda essa produção. Ou ao menos é o meio mais (re)conhecido e difundido…
Tenho observado que há muita divulgação de curtas nacionais – que ganham em número e em facilidade de produção – pelos meios onde ando; leia-se ambientes universitários, centros culturais, circuitos de festivais e a própria cidade do Rio de Janeiro. Já existem websites funcionando há algum tempo para a divulgação destes trabalhos, como o Porta Curtas, e alguns têm obtido reconhecimento fora do país, como o curta ‘Um Ramo’, de Marco Dutra e Juliana Rojas, premiado recentemente na Semana da Crítica em Cannes.
Ainda que algumas destas produções tenham sido contempladas por editais da Petrobras ou do MinC, há um considerável número de filmes, em sua maioria curta-metragens, sendo produzidos de maneira independente. E às vezes ganhando festivais, ou destaque no YouTube, de fato o meio não importa muito. É sobre este cinema independente nacional contemporâneo, qualificado, multifacetado e cheio de “projetos suicidas” que eu estava pensando quando entrevistei o meu amigo e diretor Tiago Teixeira.
Tiago é também designer, mas, uma vez tendo resolvido se aventurar pelo cinema, chegou a ser vencedor da etapa regional do Festival do Minuto no Rio de Janeiro em 2006, como seu ‘Mania de Perseguição por Boeing’. Ele é sócio da produtora mufumo junto com Ana Quitéria e Seblen Mantovani, que completam o time com Direção de Arte e Fotografia. Eis a entrevista:
Quem é você e de onde você veio?
Meu nome é Tiago Teixeira e eu vim da Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro.
Como você chegou ao cinema?
Outro dia percebi que sempre me interessei por formas narrativas visuais. É um pouco pedante dizer isso, mas não sei colocar de outra forma. Quando era pequeno queria desenhar histórias em quadrinhos, virei designer tentando aliar a vontade de trabalhar com imagens com a necessidade de pagar o aluguel. Quando saí da faculdade achei que podia usar o design para trabalhar com animação, mas depois descobri que a vontade era outra, o interesse por animação caiu vertiginosamente muito rápido. Acabei me formando em cinema pela Estácio para aprender como fazer na prática. Mesmo antes disso tudo eu já gostava bastante de cinema, sempre fui um dependente quase químico de filmes Noir e policiais em geral. Mas quando começou mesmo, o estalo da vontade de fazer cinema, eu realmente não lembro.
O que diria dos seus filmes até agora?
Dirigi uns seis curtas eu acho, até agora, um co-dirigido com a Ana Quitéria, que é a diretora de arte do último projeto. Os primeiros são curtas de faculdade, alguns eu até tenho simpatia, mas outros eu preferia não lembrar. O ‘Ação/Reação’ e o ‘Mania de Perseguição por Boeing’ são os dois pelos quais eu tenho mais carinho. Tem um outro que ainda não está finalizado, mas que estou gostando, acho que o resultado vai ficar legal. Espero.
Um outro é o Lição (de Dança)?
Um outro é o Lição!
E quais são seus próximos projetos?
O proximo é o ‘Sobre os Mesmos Passos’, que vamos rodar em fim de junho, em Friburgo e em Cachoeiras de Macacu. Vai ser um curta de 15 (minutos), rodado em 16mm e finalizado em 35mm. A Yes Filmes está co-produzindo e a ajuda deles foi essencial para o projeto sair como estávamos planejando.
Como está a pré-produção?
Está chegando ao fim, por enquanto tudo correndo bem. Já fizemos alguns ensaios com os dois protagonistas, Thales Coutinho e Raquel Karro, da companhia Armazém de Teatro. Os ensaios estão contrubuindo muito pro filme, eu acho que é o primeiro lugar onde você começa a ver o que vai ser seu produto final.
Além do apoio da Yes, quais estão sendo as estratégias para captação de recursos?
Estamos buscando patrocinadores na cidade de Nova Friburgo e usando os truques do cinema de guerrilha brasileiro: rifas, uma festa, venda de camisetas… Começamos o projeto com um pouco de pressa, não tivemos tempo para o inscrever em nenhuma lei de incentivo e decidimos correr atrás nós mesmos de formas alternativas de captar recursos.
A internet está sendo usada como forma de divulgação para o filme antes mesmo de ele existir. Isso me parece ser algo novo, como surgiu a idéia?
Estamos usando a internet como meio de apresentar o filme para dois grupos distintos: o primeiro são os possíveis patrocinadores, que já têm uma idéia boa do projeto com facilidade. O segundo é composto de interessados em acompanhar o projeto de feitura do filme. Estamos mantendo um blog detalhando o processo de trabalho em algumas áreas e tentando deixar essa parte do trabalho transparente para os visitantes que acompanham o desenvolvimento, com os responsáveis por respectivas áreas da produção do filme (direção, arte, fotografia, som) falando sobre problemas e soluções encontradas.
Você acha que a internet ou o vídeo digital ou alguma coisa pode ser a solução para o cinema brasileiro?
Bom, o digital é com certeza um meio novo de produzir e distribuir filmes, e acho que já existem iniciativas de distruibuição via internet de curtas bastante interessantes no Brasil. Mas no geral acho que o digital ainda é usado de maneira um pouco tímida.
Como é o cinema sem leis de incentivo?
É um cinema onde se precisa de muito despreendimento, paciência e um pouco de masoquismo. Mas a gente se diverte!
Cinema ou vídeo, faz diferença?
Faz diferença em termos de custo de produção, principalmente. Mas no fim é uma narrativa visual, o filme é pensado da mesma maneira. Algumas pessoas são levadas pela facilidade do vídeo e acabam não planejando tão cuidadosamente o filme, já que no cinema os custos de negativo fazem com que cada segundo a ser filmado tenha que ser muito bem pensado…
O que você acha da produção recente nacional?
Eu acho o que mais me empolga na safra atual do cinema brasileiro é a quantidade absurda de filmes produzidos, mesmo que com problemas sérios de distribuição. O que seria o caso de se pensar em uma maneira nova de distribuir, usando os meios digitais, salas móveis de cinema, espaços alternativos…
Por que fazer cinema?
Por que não?
Por que você faz cinema?
Ainda estou tentando descobrir!