A crise produz consciência

Valores como simplicidade, autenticidade e sustentabilidade estão tomando o lugar da ostentação, das novidades descartáveis e das celebridades instantâneas.

Luiz Alberto Marinho
Revista Vida Simples 

Assustados com a brusca freada da economia e com o desemprego galopante, os consumidores americanos simplesmente pararam de comprar. Por isso, em 2008 o comércio de lá amargou o pior Natal dos últimos 40 anos. Curiosamente, pesquisas recentes detectaram uma mudança no comportamento desse povo – mesmo as pessoas menos afetadas pela recessão passaram a enxergar o consumo de outra forma. Produtos mais simples de usar estão ganhando mercado nos Estados Unidos não apenas porque são mais baratos, mas principalmente porque ajudam a descomplicar uma vida que já anda complicada demais.

Em resumo, hoje o anseio dos consumidores vai além de promoções e descontos.
Eles querem também se refugiar em locais seguros e proteger as pessoas que amam. Isso significa que coisas como entretenimento doméstico, refeições prontas e semiprontas para comer em casa e lojas de vizinhança passaram a ser mais valorizados. Cuidar do planeta, a nossa grande casa, também ganhou mais importância. O luxo exorbitante está fora de moda e a palavra de ordem é cheap & chic (barato e chique), o que favorece quem vende roupas com design moderno por preços em conta. Porém aquelas pequenas indulgências irresistíveis, bem como produtos para atender às necessidades impostas pelo estilo de vida frenético e conectado das grandes cidades, continuarão na lista de compra dos americanos. Afinal, como alguém consegue viver no século 21, por exemplo, sem um smartphone?

Como disse o consultor de marketing Matt Thornhill: “As pessoas não vão comprar mais coisas. Vão, sim, tirar mais das coisas que compraram”. Mas será que esse raciocínio se aplica também ao Brasil? Eu diria que sim, mas somente em parte. A nova classe média, que constitui a imensa maioria dos nossos consumidores, ainda está no meio do processo de trocar eletrodomésticos antigos por outros mais modernos, de adquirir o primeiro carro, comprar uma casa nova, reformar a existente, colocar um computador na sala e os filhos na faculdade.

O alto nível de consumo das famílias bra sileiras, observado nos últimos anos, tem pouca relação com desperdício e ostentação. Por outro lado, pesquisas realizadas no nosso país mostram o início da gestação de um novo pensamento, que valoriza educação, relacionamentos, equilíbrio, sustentabilidade e responsabilidade social. Assim como nos EUA, também no Brasil começa a florescer a ideia de olhar menos para o umbigo e mais para a família, os amigos, o prédio e o bairro. Acredito que as dificuldades econômicas que provavelmente enfrentaremos neste início de 2009 apenas reforçarão essa disposição.

*Luiz Alberto Marinho é um consumidor consciente, mas também não vive sem o seu smartphone.
produtointerno@abril.com.br

A eco-lógica do dia-a-dia

Dez perguntas e respostas que vão desvendar alguns mistérios do consumo verde.

Por Vinícius De La Rocha
Revista Bons Fluidos 

1. Os produtos orgânicos são realmente 100% orgânicos?
Sim, desde que a certificadora que lhe dê tal título seja confiável, como o Instituto Biodinâmico e a Ecocert, entre outras. Para certificar um produto agrícola como orgânico, o IBD, por exemplo, exige: desintoxicação do solo, não-utilização de adubos químicos e agrotóxicos, atendimento às normas ambientais do Código Florestal Brasileiro, recomposição de matas ciliares, preservação de espécies nativas e mananciais, respeito às normas sociais baseadas nos acordos internacionais do trabalho, bem-estar animal e envolvimento com projetos sociais e de preservação ambiental. O cumprimento de todas essas etapas é a garantia de que o produto é realmente 100% orgânico.

2. Chuveiro elétrico, a gás ou aquecedor solar?
A melhor opção é o aquecedor solar. O Sol é fonte de energia limpa e inesgotável. Mesmo que o equipamento de aquecimento de água por energia solar seja mais caro do que um chuveiro elétrico, o investimento será pago pela conta de luz mais barata. Entre o chuveiro elétrico e o a gás, o impacto é semelhante.

3. Tudo que é biodegradável é bom? Até o plástico biodegradável?
Os produtos biodegradáveis são preferíveis aos não biodegradáveis, mas isso não significa que não sejam poluentes. O esgoto, por exemplo, é composto de dejetos humanos, portanto, é biodegradável. Entretanto, quando é lançado em grande quantidade num rio, supera a capacidade que os microorganismos presentes naquele ambiente têm de decompor o esgoto e manter a água limpa. O plástico biodegradável tem a propriedade de se degradar em poucos meses, em vez de permanecer no meio ambiente por décadas, como o plástico comum.

4. Ao comprar uma bebida no supermercado, deve-se escolher as de garrafa PET, lata, garrafa de vidro retornável, garrafa de vidro descartável ou Tetra Pak?
Todas as embalagens têm impacto em seu processo de fabricação e no descarte. Entretanto, é preferível utilizar as garrafas de vidro e alumínio por serem recicláveis. Para o consumidor, o mais importante é fazer a separação do lixo em sua casa e encaminhar os materiais para a coleta seletiva.5. Embalagem Tetra Pak deve ser descartada em recipientes de metal, papel ou plástico? 

Nos recipientes de papel, pois seu destino será a fábrica de papel reciclado, onde será feita a separação entre os tipos de folha. Basta limpar superficialmente e deixar secar as embalagens que contenham líquidos.

6. Construir edifícios mais baixos e largos, sem elevador, para diminuir o consumo de energia, ou mais altos, com elevadores, que podem evitar o aumento da malha urbana, diminuindo a distância entre as pessoas e, consequentemente, aliviando o trânsito?
A tendência do planejamento urbano sustentável é, ao estilo das cidades européias, concentrar moradia, trabalho, educação e lazer. Isso evita que as pessoas tenham de se deslocar por grandes distâncias. Nesse sentido, os prédios mais altos com elevadores seriam uma boa solução. Quanto ao consumo de energia, tudo depende do projeto, que pode obedecer aos critérios das construções sustentáveis e, com isso, usar energia de forma mais eficiente. Os hábitos dos moradores, como o uso mais consciente de luz, água e ar-condicionado, por exemplo, também influenciam diretamente no consumo.

7. Enxugar as mãos em toalha de papel ou naquelas máquinas que fazem vento?
Tudo indica que as máquinas que fazem vento são mais econômicas, mesmo movidas a energia elétrica. Na produção das toalhas de papel, além do consumo de madeira, a fabricação requer enormes quantidades de água e também da própria energia elétrica.

8. Se eu construir uma casa, é melhor fazer o telhado com estrutura de ferro ou madeira certificada?
Do ponto de vista de impactos ambientais, o ferro não é um recurso renovável, pois é feito de minério de ferro. A mineração, se não for realizada da maneira adequada, pode trazer vários impactos negativos. A madeira, por outro lado, é um recurso renovável. Quando tem o selo de certificação FSC, significa que foi extraída de uma área onde se dá o manejo sustentável, da qual as árvores são extraídas de forma que se preserve a floresta.

9. Você não pode ficar sem o secador de cabelos?
Então, reduzir o tempo de uso do secador já ajuda na economia do planeta. Segundo Christie Matheson, autora de Eco Chic, Salvando o Planeta (ed. Matrix), usar o secador por 12 minutos diários equivale a 200 kg de emissão de CO2 por ano. Se você deixar o cabelo secar naturalmente por 15 minutos antes de usar o aparelho poderá deixar os fios lisos em seis minutos.

10. Separo o plástico de produtos como pão de fôrma, verdura comprada no supermercado, sabonete e chocolate, entre outros, ou ele não é reciclável?
O plástico filme que embala frutas e verduras nos supermercados é reciclável, sim. Quanto às demais embalagens, as recicláveis têm impresso no rótulo do produto o símbolo que indica essa propriedade – o triângulo feito de setas.

Fontes: Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu e EcoChic, Salvando o Planeta com Estilo, de Christie Matheson (ed. Matrix).

Menos

A crise chega para enxugar excessos, mudar conceitos e inspirar frugalidade. A nova onda encolhe até o guarda-roupa, no melhor estilo menos é mais. Navegue sem medo nessa onda que,pode crer, traz a reboque um jeito mais suave de viver

Duda Ramos
Revista Bons Fluidos 

Que uma coisa fique bem clara: daqui pra frente, tudo vai ser diferente. A frase roubada da canção “Se Você Pensa”, do rei Roberto Carlos, ilustra bem a fase atual. Não é exagero dizer que o mundo está passando por um momento, batizado pelos programas de TV americanos, radical make over (leia-se um antes- e-depois definitivo). Um dos cenários emblemáticos dessa nova onda, que promete varrer os quatro cantos do planeta, foi a instigante vitória do primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Tempos de Barak Obama, novos tempos em que a esperança se confunde com a crise e dá as mãos a mudanças nem sempre confortáveis… Em vez de temer os próximos 365 dias, encare-os como uma passagem, um portal que vai deletar valores desgastados e configurar um novo modo de olhar o mundo. Sintomas estão por toda a parte. Eventos catastróficos, do 11 de setembro ao tsunami, das enchentes e secas concomitantes ocorridas no Brasil a terremotos espetaculares na Ásia, resultaram numa urgência frenética de viver como se não houvesse amanhã. A vida fugaz e violenta incita ao consumo como uma forma de indulgência. Isso sem falar da revolução das comunicações, da tecnologia, da pressa…

“Mas a sensação de posse é um prazer efêmero porque queremos sempre mais, sonhamos com o que não temos. A obsolescência ocorre já no ato de compra”, afirma a psicóloga Beth Furtado, autora do livro Desejos Contemporâneos – Um Patchwork de Tendências, Ideias e Negócios em Tempos de Paradoxos (editora GS x MD). Esse círculo vicioso gera exaustão. E é justamente desse cansaço que começa a surgir uma nova safra de desejos – queremos sensibilidade, personalização, inclusão, momentos memoráveis, sensações em lugar de bens materiais. É um prenúncio do que vem por aí: “O desejo de uma vida mais simples em que se dedique menos tempo às compras”, diz Beth. Isso quer dizer que não vamos mais consumir? Sim, sim, o consumo continuará, é evidente, contudo tomará novos formatos e ganhará um sentido bem diverso nessa era da simplicidade, pautada na procura do essencial. É um tempo de gastar com o necessário e de descobrir fontes de satisfação fora das vitrines.

CONSUMOTERAPIA
Atire a primeira pedra quem nunca afogou as mágoas ou celebrou uma vitória se dando um presente, em geral, algo desnecessário, quase inútil. Comprar é o esporte predileto do planeta. “Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo”, zombava o jornalista Millôr Fernandes a respeito do consumismo exacerbado. A revista Mad Magazine resumiu numa frase de um artigo recente a atitude dos americanos: “A única razão por que uma família de classe média não possui um elefante em seu quintal é porque esse ‘produto’ nunca foi ofertado nos supermercados numa promoção vantajosa”. Piadas à parte, o maior problema é quando se busca aí a solução para angústias. “Comprar não resolve questões da alma”, analisa Beth Furtado. Mas consumir acabou virando sinônimo de prazer, concorda Vera Rita de Mello Ferreira, professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), que estuda o comportamento dos indivíduos na sociedade do consumo. “Diante das frustrações, a gente se socorre num vestido novo, apostando que ele possa aliviar nossas dores. Ao não encontrar aí a felicidade, vem um desapontamento maior.”
Vestidinho, tela plana, viagens, comida – varia o objeto, mas fontes de satisfação provisória podem se tornar um vício. O remédio? Uma trabalhosa dose de autoconhecimento que dissolva essa ilusória busca de alívio.

“Conversar, ler, passear, ver a cidade, andar a pé frequentar parques – temos de descobrir novas possibilidades de lazer que não envolvam gastos.” Vera Rita Ferreira, psicanalista especializada em psicologia do consumo

Educação ambiental na sala de aula

Instituto 5 Elementos lança publicação sobre consumo sustentável para alunos e professores do ensino fundamental. Obra é baseada nos conceitos dos 5Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar.

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

Consumo, mudanças climáticas, gestão de resíduos sólidos e atitudes sustentáveis: como explicar todos esses conceitos para crianças a partir de 6 anos? Muitos gostam de dizer que elas têm na mão o futuro da humanidade, mas, muitas vezes, sobra apenas para os professores a tarefa de ensinar a elas o que fazer com todo esse potencial. 

O Instituto 5 Elementos, em parceria com a Imprensa Oficial e o Instituto HSBC, pretende dar uma ajudinha aos educadores com a publicação da Coleção Consumo Sustentável e Ação. A obra, com linguagem simples e objetiva e cheia de ilustrações e textos bem-humorados, é voltada para professores e estudantes do ensino fundamental e pretende estimular a sustentabilidade no público infanto-juvenil por meio da difusão dos conceitos dos 5Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. 

{txtalt}

A coleção é formada por cinco exemplares – Orgânico, Metal, Vidro, Papel e Plástico –, repletos de histórias diferenciadas e ideias originais para a realização de uma Feira de Ciências com o tema sustentabilidade, como por exemplo: construção de minhocário, degustação de alimentos saudáveis, oficina de papel reciclado, exposição de sucatas de metal e shows com instrumentos feitos a partir de materiais reciclados. 

Há ainda um volume chamado Consumo Sustentável que é destinado, exclusivamente, aos professores. Entre outras coisas, o exemplar conta com um Manual de Atividades com Propostas de Metodologias, que promove um diálogo entre todos os temas da Coleção, afim de auxiliar o professor no trabalho educativo com as crianças. 

“O leitor poderá perceber, por exemplo, a conexão que existe entre mudança do clima e o que podemos fazer no nosso dia-a-dia para combater o aquecimento global.”, diz a pedagoga e coordenadora da publicação, Patricia Otero, que explica, ainda, porque o Instituto 5 Elementos resolveu investir na obra. “Os problemas ambientais já estão revelados há um bom tempo. Agora, chegou a hora de agirmos e por isso o tema consumo sustentável está tão conectado à urgência, prioritariamente na educação formal”, conclui Patricia. 

Em breve, a obra poderá ser baixada gratuitamente, em PDF, no site do Instituto.  

O problema é o preço

A maioria dos consumidores se diz preocupada com questões ambientais, mas apenas um terço pagaria mais por um produto ecologicamente correto.

Por Aline Lima
Guia Exame de Sustentabilidade 2008

O gerente comercial Rodrigo Bassi Menegocci, de 24 anos de idade, se lembra bem de um anúncio que viu tempos atrás na televisão, em que um fabricante de sabão em pó prometia plantar uma árvore para cada caixa vendida do produto. Embora Menegocci tenha ficado entusiasmado com o apelo ecológico, nem sempre ele opta por levar para casa aquele sabão em pó — ou qualquer outro produto menos agressivo ao meio ambiente. “Quando vou fazer compras, levo em consideração o aspecto ambiental, mas é preciso que o produto tenha qualidade e o preço seja honesto”, diz. 

Menegocci é o típico consumidor verde “pragmático”, perfil detectado em uma pesquisa realizada pelo instituto Quorum Brasil com exclusividade para o Guia EXAME de Sustentabilidade. O levantamento, realizado em setembro, ouviu 200 moradores da cidade de São Paulo — homens e mulheres com idade entre 20 e 50 anos e renda familiar mensal entre 5 000 e 10 000 reais. De acordo com o levantamento, 74% dos entrevistados consideram-se consumidores preocupados com questões ambientais e 59% afirmam que produtos com apelo ecológico influenciam sua decisão de compra. Apesar das boas intenções, na prática o comportamento desse grupo é outro. A pesquisa revela, por exemplo, que 70% dos entrevistados desistem de comprar produtos com selo ambiental caso eles custem mais do que similares sem a certificação verde. Além disso, 47% dos consumidores afirmam que não deixam de comprar um produto mesmo sabendo que ele é prejudicial à natureza. 

Os números indicam que a consciência ambiental é fortemente influenciada pelo fator preço. No entanto, na análise do consultor William Horstmann, sócio do Quorum Brasil e responsável pelo levantamento, só esse elemento não explica a contradição entre o discurso e a prática do consumidor. “O preço é um fator inibidor, claro, mas não o suficiente para uma pessoa decidir se leva ou não para casa determinada marca”, diz. “Se o consumidor não age de acordo com o que diz, é porque falta informação sobre o assunto.” Um dado revelador dessa falta de divulgação é o baixo número de marcas citadas espontaneamente pelos entrevistados quando o assunto é o meio ambiente — apenas nove marcas foram lembradas e a mais citada foi a fabricante de cosméticos Natura, mencionada por 18% dos entrevistados. 

O levantamento do Quorum Brasil confirma os resultados de uma pesquisa similar realizada no ano passado pela consultoria McKinsey em oito países (Alemanha, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia e Reino Unido). Nessa sondagem, 87% dos entrevistados se declararam preocupados com os impactos ambientais e sociais dos produtos que compram. No entanto, apenas 33% dos consumidores disseram que compraram ou pretendem comprar produtos socioambientalmente corretos. Um dos produtos que conseguiram furar essa barreira foi o Prius, lançado pela japonesa Toyota em 1997. Primeiro carro híbrido do mundo (combina o uso de energia elétrica com o de gasolina), o Prius custa 50% mais do que um Corolla, modelo básico da mesma fabricante. Mesmo assim, mais de 1 milhão de unidades já foram vendidas em todo o mundo. 

BARREIRA ECONÔMICA 
Segundo especialistas, no Brasil a disseminação do consumo consciente depende, sobretudo, do aumento do poder aquisitivo da classe C. “Essa camada da população está encantada com o poder de consumo recém-adquirido”, diz Thiago Lopes, gerente de planejamento da agência de publicidade Talent, que acaba de concluir um estudo no qual detectou nesse público certa indiferença em relação ao consumo orientado por valores responsáveis. “Não surte efeito algum falar em sustentabilidade quando o que essas pessoas querem, no momento, é realizar o sonho de ter um carro na garagem”, diz Lopes. 

Apesar da barreira econômica, seria arriscado para qualquer empresa ignorar a parcela de consumidores que seguem a cartilha do consumo responsável — um terço da população entrevistada pela pesquisa do Quorum Brasil. Entre os principais motivos citados por esses consumidores para a compra de produtos com apelo ecológico estão a preservação da natureza e a preocupação com o futuro da próxima geração. “A tendência é que o número de pessoas dispostas a assumir tais valores aumente”, diz Heloísa Mello, gerente de operações do Instituto Akatu, organização não-governamental que promove o consumo consciente. Em pesquisa realizada há dois anos, a entidade verificou que 33% dos consumidores brasileiros são conscientes — têm um bom grau de percepção dos impactos coletivos ou de longo prazo em suas decisões de consumo e não se atêm aos aspectos econômicos ou aos benefícios pessoais imediatos. 

De olho nesse tipo de consumidor, muitas empresas têm se esforçado para colocar nas prateleiras produtos ecologicamente corretos. É o caso da rede varejista Wal-Mart, que pretende transformar sua linha de marcas próprias em modelo de sustentabilidade. Já é possível, por exemplo, encontrar nas gôndolas do varejista cereais matinais com embalagens que levam o selo FSC, certificado ambiental do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, e cobertores produzidos com fio de poliéster feito 100% de fibra de PET. Além disso, a rede negocia com seus fornecedores o desenvolvimento de embalagens que reduzam a quantidade de material utilizado. “Até 2009, nossa meta é ter 100% das embalagens dos produtos de marca própria sustentáveis”, diz Daniela de Fiori, vice-presidente de assuntos corporativos e sustentabilidade do Wal-Mart. 

Para Mariana Cogswell, diretora de planejamento da agência Talent, o consumidor verde é, necessariamente, mais crítico e seu comportamento tende a influenciar cada vez mais o modo de produção das empresas. “Contribuir para o desenvolvimento sustentável não é mais uma questão de escolha da companhia, e sim obrigação”, diz ela. A HP, uma das maiores fabricantes de equipamentos eletrônicos do mundo, percebeu isso há muito tempo. Na década de 90, o trabalho de recolhimento e reciclagem de cartuchos da empresa virou referência no setor. Agora, a HP se prepara para dar um passo adiante: em vez de doar os cartuchos coletados a uma empresa de reciclagem, em novembro a própria companhia deve começar a reciclar o material. Após passar por um processo de limpeza e moagem, o material plástico produzido será usado na fabricação de novos cartuchos. “Queremos criar uma cadeia produtiva auto-renovável”, diz Kami Saidi, diretor de operações da HP para o Mercosul. “À medida que aumenta a conscientização, o consumidor leva em conta essas iniciativas na sua decisão de compra.” 

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.