10ª edição do Prêmio von Martius de Sustentabilidade

As inscrições para a 10ª edição do Prêmio von Martius de Sustentabilidade, um dos mais importantes da área, já estão abertas. Promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha desde 2000, o Prêmio contempla trabalhos de empresas, organizações não-governamentais, indivíduos, governos e instituições nacionais em três categorias: Humanidade, Natureza e Tecnologia. Podem concorrer projetos concluídos ou em realização que promovam o desenvolvimento econômico, social e cultural alinhado ao conceito de desenvolvimento sustentável. As inscrições vão até 25 de setembro e podem ser feitas pelo site http://www.premiovonmartius.com.br.

Desde a primeira edição do Prêmio von Martius até hoje, 1.464 projetos foram inscritos, analisados e auditados nas três categorias, dos quais 82 foram premiados e 12 receberam menções honrosas.

Até 2006, a cerimônia de entrega do Prêmio era realizada exclusivamente em São Paulo. Com o objetivo de difundi-lo ainda mais, incentivando a participação de projetos de diversas localidades do País, a instituição organizadora decidiu, em 2007, levá-lo a outras capitais brasileiras, começando pelo Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna (MAM). Em 2008, a cerimônia aconteceu no Clube Concórdia, em Curitiba (PR). Este ano, São Paulo volta a sediar o evento em comemoração aos 10 anos do Prêmio von Martius de Sustentabilidade, no dia 24 de novembro.

O Prêmio von Martius é o único do gênero no País a obter o selo carbon free por fazer a compensação de todo o gás carbônico emitido desde o início de suas atividades até a cerimônia de premiação. Desde 2008, o evento tem conquistado também o selo Sustentax de sustentabilidade, reduzindo ao máximo os efeitos nocivos ao meio ambiente e à sociedade durante a o evento de entrega do Prêmio.

O Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2009 conta com o patrocínio da Henkel, Tetra Pak e Gráfica Bandeirantes, além do apoio das instituições: Ministério do Meio Ambiente do Brasil, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), WWF-Brasil, Centro de Competência Mercosul para Responsabilidade Social Empresarial e Grupo Sustentax. É o único concurso de projetos socioambientais do Brasil a dispor de compensação de carbono certificada pela BRTÜV.

A crise produz consciência

Valores como simplicidade, autenticidade e sustentabilidade estão tomando o lugar da ostentação, das novidades descartáveis e das celebridades instantâneas.

Luiz Alberto Marinho
Revista Vida Simples 

Assustados com a brusca freada da economia e com o desemprego galopante, os consumidores americanos simplesmente pararam de comprar. Por isso, em 2008 o comércio de lá amargou o pior Natal dos últimos 40 anos. Curiosamente, pesquisas recentes detectaram uma mudança no comportamento desse povo – mesmo as pessoas menos afetadas pela recessão passaram a enxergar o consumo de outra forma. Produtos mais simples de usar estão ganhando mercado nos Estados Unidos não apenas porque são mais baratos, mas principalmente porque ajudam a descomplicar uma vida que já anda complicada demais.

Em resumo, hoje o anseio dos consumidores vai além de promoções e descontos.
Eles querem também se refugiar em locais seguros e proteger as pessoas que amam. Isso significa que coisas como entretenimento doméstico, refeições prontas e semiprontas para comer em casa e lojas de vizinhança passaram a ser mais valorizados. Cuidar do planeta, a nossa grande casa, também ganhou mais importância. O luxo exorbitante está fora de moda e a palavra de ordem é cheap & chic (barato e chique), o que favorece quem vende roupas com design moderno por preços em conta. Porém aquelas pequenas indulgências irresistíveis, bem como produtos para atender às necessidades impostas pelo estilo de vida frenético e conectado das grandes cidades, continuarão na lista de compra dos americanos. Afinal, como alguém consegue viver no século 21, por exemplo, sem um smartphone?

Como disse o consultor de marketing Matt Thornhill: “As pessoas não vão comprar mais coisas. Vão, sim, tirar mais das coisas que compraram”. Mas será que esse raciocínio se aplica também ao Brasil? Eu diria que sim, mas somente em parte. A nova classe média, que constitui a imensa maioria dos nossos consumidores, ainda está no meio do processo de trocar eletrodomésticos antigos por outros mais modernos, de adquirir o primeiro carro, comprar uma casa nova, reformar a existente, colocar um computador na sala e os filhos na faculdade.

O alto nível de consumo das famílias bra sileiras, observado nos últimos anos, tem pouca relação com desperdício e ostentação. Por outro lado, pesquisas realizadas no nosso país mostram o início da gestação de um novo pensamento, que valoriza educação, relacionamentos, equilíbrio, sustentabilidade e responsabilidade social. Assim como nos EUA, também no Brasil começa a florescer a ideia de olhar menos para o umbigo e mais para a família, os amigos, o prédio e o bairro. Acredito que as dificuldades econômicas que provavelmente enfrentaremos neste início de 2009 apenas reforçarão essa disposição.

*Luiz Alberto Marinho é um consumidor consciente, mas também não vive sem o seu smartphone.
produtointerno@abril.com.br

Coma mais peixe. Mas peixe ‘sustentável’

Por Andrea Vialli

Para ser mais saudável e sustentável, coma mais peixe. Essa é a recomendação do governo inglês, que quer estimular o consumo de pescado entre os britânicos – mas desde que, além de saudável, o peixe seja de espécies fora do risco de sobrepesca. A idéia é convencer os britânicos a adotar uma dieta mais ambientalmente correta, segundo reportagem do jornal The Guardian.

Atualmente cerca de 50% dos estoques pesqueiros no mundo todo estão esgotados e 25% explorados além da capacidade de recuperação. Além disso, 25% dos peixes capturados acabam na lata do lixo, por não terem o tamanho adequado ou valor comercial.

A Food Standards Agency (FSA) do Reino Unido, órgão que regula a indústria alimentícia, lançou um documento onde sugere o consumo de espécies como o salmão do Alasca e o arenque do Mar do Norte – além de peixes e frutos do mar certificados com o selo do Marine Stewarship Council (MSC), ou Conselho do Manejo Marítimo. O selo, semelhante àquele que é utilizado para madeira oriunda de florestas, atesta que o peixe em questão não veio de áreas de superexploração. O governo inglês está preocupado com o futuro de espécies como o bacalhau de algumas regiões do Atlântico e alguns tipos de salmão.

A indústria global de frutos do mar gera sustento para mais de 200 milhões de pessoas e movimenta US$ 100 bilhões/ano. Só que sem medidas para promover a sustentabilidade, essa indústria pode estar inviabilizada até 2050, segundo a ONU.

Na América do Sul, apenas a vieira da Patagônia, pescada nas águas frias do sul da Argentina e exportada para mercados como a Europa, Estados Unidos e Canadá, possui o selo ‘verde’ do MSC.

Por aqui, o quadro não é diferente. Estudiosos vêm alertando o governo brasileiro de que 80% das espécies economicamente exploradas no País estão ameaçadas pela sobrepesca – ao mesmo tempo, o governo quer dobrar a atual produção de pescado até 2015 e licitar 5,5 milhões de hectares para projetos de aqüicultura em terra e no mar. Estimular a indústria é nobre, já que, segundo a USP, 25% da população brasileira depende do mar para viver. Falta agora criar critérios sustentáveis para alcançar essa meta e evitar o mal que se abateu sobre a sardinha – cuja pesca vem despencando ano a ano.

Yoga e sustentabilidade

Por Giuliana Capello

Gosto de pensar que a noção de sustentabilidade começa dentro de cada um de nós. Afinal, é preciso “estudar a casa” para praticar ecologia e agir de maneira mais sustentável. E qual é a nossa primeira morada senão o corpo, a mente e o espírito? Talvez isso explique por que as pessoas que despertam para o pedido de socorro do planeta costumam, aos poucos, mudar hábitos alimentares, trocar a correria por uma agenda menos tumultuada e até se arriscar em empreitadas profissionais mais coerentes com seus verdes anseios.Gandhi costumava dizer que precisamos SER a mudança que queremos VER no mundo. E esse SER, é bom dizer, é bem diferente das seduções trazidas pelo TER. Ser sustentável ou mais ecológico não é sinônimo de comprar produtos com selo verde. O mérito, na verdade, está em reduzir o consumo, ter e querer menos, exercitar a simplicidade e a solidariedade; e não em abarrotar o armário com mimos ambientalmente corretos que parecem redimir nossa consciência consumista.

Ser o que queremos ver começa por encarar um processo mais profundo de autoconhecimento. Estou falando de valores e princípios que, mesmo quando não são claros ou explícitos para nós mesmos, regem nossos atos dia após dia.

Como praticante de yoga, sou fã dos chamados yamas e niyamas, que são, numa livre tradução, os componentes do código de ética do yoga, escritos por Patãnjali cerca de cinco mil anos atrás, num documento que ficou conhecido como Yoga Sutra.

Os cinco yamas do Yoga Sutra falam de contenções: ahimsa (não-violência), satya (verdade), asteya (não-roubar), brahmacharya (uso correto da energia vital) e aparigraha (não-possessividade ou desapego). Os niyamas, por sua vez, remetem às observâncias que um yogin deve cultivar em sua prática cotidiana (que vai muito além das posturas e contorcionismos que vemos por aí sob o nome de yoga). São eles: saucha (pureza), santosha (contentamento), tapas (autossuperação), svadyaya (autoestudo) e ishwara pranidhana (autoentrega).

Fora o fato de serem palavras estranhas até em português (por conta da reforma ortográfica), esses valores não são desconhecidos, mas requerem prática consciente e constante. É aí que mora a grande dificuldade. Yoga sem prática é discurso vazio. (E estou aprendendo isso, aos poucos, com paciência e humildade.)

Falar em ahimsa (não-violência), por exemplo, é falar em respeito pelo próprio corpo, pelos outros e, por consequência, respeito pelo planeta. É por isso que faço essa ligação entre Yoga e sustentabilidade. Tal como a sustentabilidade, cheia de conceitos e até de entendimentos equivocados, o Yoga só faz sentido quando praticado. Não bastam palavras bonitas nem filosofias milenares. É preciso SER. Simples assim…

Quando incorporamos esses valores em nossas vidas, adquirimos condições de expandi-los para além de nossas fronteiras. Mudamos nossa casa, nossos relacionamentos familiares, nossas relações no trabalho, no bairro, nossa conduta dentro do ônibus ou de outro espaço público. Mudamos, por fim, nossa visão de mundo. E você? Já parou para pensar se seus valores e atitudes combinam com o mundo em que você quer viver e com o planeta que você quer deixar para seus filhos?

A eco-lógica do dia-a-dia

Dez perguntas e respostas que vão desvendar alguns mistérios do consumo verde.

Por Vinícius De La Rocha
Revista Bons Fluidos 

1. Os produtos orgânicos são realmente 100% orgânicos?
Sim, desde que a certificadora que lhe dê tal título seja confiável, como o Instituto Biodinâmico e a Ecocert, entre outras. Para certificar um produto agrícola como orgânico, o IBD, por exemplo, exige: desintoxicação do solo, não-utilização de adubos químicos e agrotóxicos, atendimento às normas ambientais do Código Florestal Brasileiro, recomposição de matas ciliares, preservação de espécies nativas e mananciais, respeito às normas sociais baseadas nos acordos internacionais do trabalho, bem-estar animal e envolvimento com projetos sociais e de preservação ambiental. O cumprimento de todas essas etapas é a garantia de que o produto é realmente 100% orgânico.

2. Chuveiro elétrico, a gás ou aquecedor solar?
A melhor opção é o aquecedor solar. O Sol é fonte de energia limpa e inesgotável. Mesmo que o equipamento de aquecimento de água por energia solar seja mais caro do que um chuveiro elétrico, o investimento será pago pela conta de luz mais barata. Entre o chuveiro elétrico e o a gás, o impacto é semelhante.

3. Tudo que é biodegradável é bom? Até o plástico biodegradável?
Os produtos biodegradáveis são preferíveis aos não biodegradáveis, mas isso não significa que não sejam poluentes. O esgoto, por exemplo, é composto de dejetos humanos, portanto, é biodegradável. Entretanto, quando é lançado em grande quantidade num rio, supera a capacidade que os microorganismos presentes naquele ambiente têm de decompor o esgoto e manter a água limpa. O plástico biodegradável tem a propriedade de se degradar em poucos meses, em vez de permanecer no meio ambiente por décadas, como o plástico comum.

4. Ao comprar uma bebida no supermercado, deve-se escolher as de garrafa PET, lata, garrafa de vidro retornável, garrafa de vidro descartável ou Tetra Pak?
Todas as embalagens têm impacto em seu processo de fabricação e no descarte. Entretanto, é preferível utilizar as garrafas de vidro e alumínio por serem recicláveis. Para o consumidor, o mais importante é fazer a separação do lixo em sua casa e encaminhar os materiais para a coleta seletiva.5. Embalagem Tetra Pak deve ser descartada em recipientes de metal, papel ou plástico? 

Nos recipientes de papel, pois seu destino será a fábrica de papel reciclado, onde será feita a separação entre os tipos de folha. Basta limpar superficialmente e deixar secar as embalagens que contenham líquidos.

6. Construir edifícios mais baixos e largos, sem elevador, para diminuir o consumo de energia, ou mais altos, com elevadores, que podem evitar o aumento da malha urbana, diminuindo a distância entre as pessoas e, consequentemente, aliviando o trânsito?
A tendência do planejamento urbano sustentável é, ao estilo das cidades européias, concentrar moradia, trabalho, educação e lazer. Isso evita que as pessoas tenham de se deslocar por grandes distâncias. Nesse sentido, os prédios mais altos com elevadores seriam uma boa solução. Quanto ao consumo de energia, tudo depende do projeto, que pode obedecer aos critérios das construções sustentáveis e, com isso, usar energia de forma mais eficiente. Os hábitos dos moradores, como o uso mais consciente de luz, água e ar-condicionado, por exemplo, também influenciam diretamente no consumo.

7. Enxugar as mãos em toalha de papel ou naquelas máquinas que fazem vento?
Tudo indica que as máquinas que fazem vento são mais econômicas, mesmo movidas a energia elétrica. Na produção das toalhas de papel, além do consumo de madeira, a fabricação requer enormes quantidades de água e também da própria energia elétrica.

8. Se eu construir uma casa, é melhor fazer o telhado com estrutura de ferro ou madeira certificada?
Do ponto de vista de impactos ambientais, o ferro não é um recurso renovável, pois é feito de minério de ferro. A mineração, se não for realizada da maneira adequada, pode trazer vários impactos negativos. A madeira, por outro lado, é um recurso renovável. Quando tem o selo de certificação FSC, significa que foi extraída de uma área onde se dá o manejo sustentável, da qual as árvores são extraídas de forma que se preserve a floresta.

9. Você não pode ficar sem o secador de cabelos?
Então, reduzir o tempo de uso do secador já ajuda na economia do planeta. Segundo Christie Matheson, autora de Eco Chic, Salvando o Planeta (ed. Matrix), usar o secador por 12 minutos diários equivale a 200 kg de emissão de CO2 por ano. Se você deixar o cabelo secar naturalmente por 15 minutos antes de usar o aparelho poderá deixar os fios lisos em seis minutos.

10. Separo o plástico de produtos como pão de fôrma, verdura comprada no supermercado, sabonete e chocolate, entre outros, ou ele não é reciclável?
O plástico filme que embala frutas e verduras nos supermercados é reciclável, sim. Quanto às demais embalagens, as recicláveis têm impresso no rótulo do produto o símbolo que indica essa propriedade – o triângulo feito de setas.

Fontes: Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu e EcoChic, Salvando o Planeta com Estilo, de Christie Matheson (ed. Matrix).

Sustentabilidade: precisa levar tão a sério?

O futuro da Terra é assunto sério e os alardes sobre os riscos para a sobrevivência da espécie humana chegam a ser catastróficos. Mas será
este o caminho certo para conscientizar as pessoas quanto à importância de cuidar do planeta? Cartunistas, um ator, um jornalista, um filósofo e um neurologista mostram que, quando se fala de sustentabilidade, é possível (e desejável) tratar o tema com leveza.

Thays Prado – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável 

As preocupações com o futuro do planeta não são nenhuma novidade e, nos últimos anos, deixaram de ser coisa de “ecochato”: da Eco-92 à Rio+10; do lançamento do documentário Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore, à divulgação dos relatórios do IPCC; dos diálogos iniciais em Bali à Conferência de Copenhague, marcada para o final deste ano e que vai definir a Agenda 21 do mundo no combate às mudanças climáticas, o assunto ocupa cada vez mais espaço.

Naturalmente, a mídia acompanha esse movimento e, na maioria das vezes, trata do tema com seriedade, atribuindo-lhe um tom bastante sisudo. A maioria de quem acompanha notícias relacionadas ao meio ambiente e ao contexto social e econômico do mundo, geralmente fica triste e preocupado, com uma sensação de peso nas costas ou ainda desiludido diante de um quadro para o qual parece não haver saída. Mas será que temas sérios não poderiam ser encarados com um pouco de bom humor?

UMA BRINCADEIRA CONVENIENTE
Em artigo publicado na revista eletrônica Intelligent Life, o jornalista e escritor teatral inglês Robert Butler, que também escreve sobre meio ambiente, observa que, no maior livro de piadas do mundo, “Man walks into a bar”, com 550 páginas e mais de 400 verbetes, não há nenhuma referência a aquecimento global, mudanças climáticas ou planeta Terra, por exemplo.

E Butler questiona a razão disso. Para ele, o argumento de que esses assuntos são muito sérios não é válido, uma vez que há inúmeras piadas que falam sobre lepra, morte e suicídio. Também não dá para dizer que se trata de temas chatos, pois “há piadas sobre contabilidade”, lembra o jornalista. Ele diz que o argumento de que esses tópicos soam como uma “lição de moral” talvez seja o mais pertinente.

Na opinião de Butler, para os cartunistas, é mais fácil brincar com os desastres que podem, de fato, nos acontecer, mas acredita que isso pode ser estendido a todo tipo de humorista. Evidentemente, ele termina o artigo com uma piada (“Quantos céticos em relação às mudanças climáticas são necessários para trocar uma lâmpada? Resposta: Nenhum. É muito cedo para dizer que a lâmpada precisa ser trocada.) e abre um parêntese: “Alguém tem que fazer essa coisa começar!”. 

Já o filósofo Mário Sérgio Cortella explica que seriedade não é necessariamente sinônimo de tristeza ou falta de humor. “O contrário de seriedade não é alegria, mas, sim, falta de compromisso”. Para ele, não há dúvida de que o tema sustentabilidade pode ser tratado com bom humor. “Por ser um tema sério, precisa de atração, sedução e conexão, e isso o humor pode oferecer. O humor serve para encantar e não apenas para distrair ou fazer desaparecer o foco. Como uma expressão inteligente da capacidade humana, espanta, interroga, surpreende, ensina e faz pensar”. 

Cortella, mesmo, já falou sobre Sustentabilidade com bom humor: foi no lançamento do 4º. Dossiê Universo Jovem, da MTV, em setembro do ano passado. E encantou a platéia com suas tiradas rápidas e inteligentes, levando-a a rir, várias vezes, apesar do papo tão sério: cresce a quantidade de jovens engajados e conscientes, mas a grande maioria não se incomoda, não pretende agir e não acredita nas notícias. O filósofo agradou.

É ENGRAÇADO, MAS É SÉRIO
Márcio Leite, responsável pelo site BrazilCartoon e organizador do 1º Salão Internacional de Humor pela Floresta Amazônica, acredita que o cartunista é um crítico da vida, que tem como arma a caneta, a ideia e a máxima de que uma imagem vale por mil palavras. Seu papel é mostrar a realidade por um ângulo diferente e de forma bem humorada. “Mais do que provocar o riso, o cartum convida à reflexão. Primeiro vem o sorriso e depois se começa a pensar mais sobre aquele assunto”.

Pelos trabalhos que concorreram no salão, Leite tem a impressão de que a visões dos cartunistas sobre as questões que envolvem o meio ambiente são bem próximas, independentemente de suas nacionalidades. Segundo ele, pelo fato de se tratar de um tema global, é muito comum ver obras semelhantes feitas por ilustradores de diferentes partes do mundo.

Aliás, Leite nota uma tendência, entre esses profissionais, para abordar temas mais abrangentes, como ecologia e os desafios dos seres humanos, e menos acontecimentos específicos. Mesmo em salões em que o tema é livre, assuntos como água, seca, derretimento do gelo, desmatamento, aquecimento global e preservação de riquezas naturais são frequentemente contemplados. 

Biratan Porto é um dos artistas que percebeu logo que o humor poderia ser um grande aliado ao chamar a atenção do público para temas relevantes. Nascido em Belém do Pará, ele conta que desde jovem, na década de 70, via na estrada muitos caminhões carregados de “madeira de lei” e ficava indignado. Quando entrou para o jornal “A Província do Pará” para fazer charges diárias, não perdeu a oportunidade de fazer suas primeiras críticas contra aquilo.

Ele reconhece que há alguns assuntos dentro do tema ecologia que são mais difíceis de serem abordados. “Raramente o leitor vai dar gargalhadas de um cartum ecológico como se fosse uma piada de náufrago na ilha. O buraco de ozônio é mais em baixo. A maioria dos cartuns que versam sobre o tema causa um riso discreto, mas a mensagem embutida é o que fica”, diz Biratan.

O ilustrador Ali Mouhsine e a jornalista Daniela Bertocchi (em breve, eles lançarão um cartoon-blog, aqui no Planeta Sustentável) concordam que certos assuntos são realmente mais densos e exigem que o público domine alguns conteúdos, “mas isso não quer dizer que seja necessário tratá-los de forma prolixa e chata”. Pelo contrário, “quanto mais duro o assunto, mais margem ao humor ele permite. Isso acontece com a política, com a economia, com a religião”.

Para eles, o humor tem a nobre função de traduzir e simplificar questões complexas. “É uma forma de chamar a atenção para os pontos mais sensíveis e relevantes do contexto, com doses de leveza, alegria e ironia, o que torna a situação mais atrativa”.

Daniela vai mais longe na reflexão e acrescenta que abordar sustentabilidade com humor é uma maneira de reanimar um assunto que já está muito desgastado e, com isso, conseguir sensibilizar mais as pessoas. “As imagens imediatamente são aprendidas por nossa mente e nos mostram, de maneira ágil e fluida, os pontos mais críticos sobre a questão. Não é o mesmo que ler uma notícia, é uma outra forma de apreender e aprender”.

Em outras palavras, Marco Luque, ator e apresentador do programa de televisão CQC – Custe o Que Custar, diz que “o humor age como ‘vaselina’ para a mensagem entrar na mente das pessoas”. Sua teoria é a de que, com a correria e o estresse em que vivemos, o bom humor “funciona como um gatilho para mudar esse estado de espírito e deixar as pessoas mais leves e receptivas a qualquer assunto”. 

E para quem já está imaginando como teria sido bom tratar o tema da sustentabilidade com humor desde o começo, Luque faz uma ressalva: “Se falássemos sobre conscientização ambiental há 10 anos através do humor, o público não prestaria atenção porque ninguém estava preocupado com isso e com certeza não teríamos o retorno que temos hoje”. 

O CÉREBRO AGRADECE
Como se ficar informado e mais crítico sobre assuntos de extrema importância para a humanidade já não fosse bom o bastante, o humor também faz bem à cabeça. De acordo com o neurologista Cícero Galli, o cérebro adulto é capaz de produzir novos neurônios, que são direcionados, principalmente, para a região responsável pela memória, que é por onde entram as informações mais recentes que recebemos, ou seja, a área responsável pelo aprendizado.

O fator que mais influencia a velocidade de formação dessas células nervosas é nosso estado emocional. “Se a pessoa estiver deprimida, nervosa, angustiada ou preocupada, ela bloqueia a produção de neurônios novos e é capaz de destruir parte dos já existentes. Isso quer dizer que tentar aprender pelo sofrimento é péssimo”. 

Cícero explica que as doenças neurodegenerativas e as autoimunitárias – como esclerose múltipla, lúpus e artrite reumatóide –, apesar de terem um fator genético, normalmente são desencadeadas por sofrimento. “Pessoas com personalidade angustiada, que sofrem por antecipação, por tudo e por nada podem ter Mal de Parkinson”. O neurologista diz que, em muitos casos, a própria doença deixa o paciente ainda mais angustiado, o que gera um ciclo vicioso e agrava o quadro. Por outro lado, “a doença pode se manter bastante estável se o paciente resolver aprender a lição que ainda não aprendeu na vida, que é a da alegria e da tranquilidade”.

É bom ficar atento, pessoas serenas e bem humoradas têm muito mais chances de se manter lúcidas e ativas em idade avançada do que as nervosas, temerosas, agressivas e impacientes. Segundo Galli, três traços de personalidade favorecem um ganho de lucidez ao longo da vida:
- altruísmo;
- capacidade de não guardar ressentimentos e
- capacidade de guardar gratidão.

Aos profissionais da mídia fica o alerta sobre a responsabilidade do que divulgam e da maneira como tratam de certos temas. Abordagens exageradas e pessimistas podem ser uma questão de saúde pública. “Muitos pacientes com Parkinson chegam apavorados ao consultório por causa da crise internacional, da falta de comida no mundo, da menina que foi jogada pela janela”, conta o neurologista. Ele lembra que um reforço positivo sempre funciona melhor do que um negativo. “Nas relações entre chefe e subalterno, sempre se consegue mais de um funcionário valorizando o que ele faz de correto do que o punindo pelo que ele não fez. O segredo é manter o alto astral é estimulá-lo a se desenvolver mais”. Está aí uma boa dica para tratarmos de sustentabilidade.

Não é preciso ser nenhum especialista para intuir que o bom humor é, no mínimo, uma bela tentativa de abordarmos um assunto que está e sempre estará presente em todas as áreas de nossa vida. Daniela Bertocchi lembra que “sorrir é uma capacidade humana universal e somos capazes de rir, inclusive, das desgraças que nos ocorrem”. E Ali Mouhsine complementa essa idéia: “a felicidade é um sentimento estreitamente ligado ao humor. E a sustentabilidade é o caminho para a felicidade. Assim, desperdiçamos menos, economizamos energia, utilizamos fontes renováveis, temos um crescimento econômico apropriado, a educação e a informação são disseminadas de forma mais igualitária e justa, e a nossa relação com a natureza se torna harmoniosa e natural”.  

Sustentabilidade deve pautar mercado pós crise

Rodrigo Zavala

“Bem analisada, a crise que estamos sofrendo é precisamente uma crise de irresponsabilidade”. As palavras do professor consultor da Universidade de Stanford University (EUA), Antonio Vives, são parte de um consenso em voga, que entende a crise financeira internacional como uma lição de prudência e da necessidade de inclusão dos conceitos de sustentabilidade no núcleo dos negócios.

Essa lógica tem como fundamento a crença de que as empresas socialmente responsáveis estarão na linha de frente a partir de agora. “Cresce a exigência dos consumidores, dos investidores, dos trabalhadores e dos cidadãos com o setor privado. Essa cobrança social múltipla é um fenômeno objetivo e inevitavelmente crescente a partir da maturidade da sociedade e suas instituições”, afirma Vives.

No entanto, um dos questionamentos colocados pelo professor é justamente até que ponto esse otimismo é uma realidade ou um Valhalla teórico? Segundo Vives, muito se fala sobre responsabilidade social de empresas na América Latina, onde diz existir uma surpreendente proliferação de publicações, especialistas e fóruns sobre o tema.

“É um bom sintoma de maturidade. Porém, temo que seja uma conversa entre convencidos. Estamos com um excesso de oferta recomendações ante uma escassez de demanda. São as empresas e os consumidores aqueles que deveriam atuar, e, nesse ponto, falta muita consciência, com muito para fazer”, critica.

As questões levantadas pelo professor não são isoladas; de um acadêmico que, de fora, acena dando conselhos. Um bom exemplo de como o debate tem se dado vem do encontro “Perspectivas da Crise Econômica no Brasil”, realizado no último dia 22, em São Paulo. Enquanto o presidente do Instituto, Ricardo Young, afirmava que a crise é uma oportunidade para revelar quais são os empresários realmente comprometidos socialmente, a platéia patinava nas reflexões dos convidados.

Mediado pela jornalista Miriam Leitão, o encontro reuniu o professor titular do departamento de economia da FEA-USP, José Eli da Veiga, o economista-global do Banco Itaú, John Welch , o diretor de planejamento e especialista em crise do BNDES, João Carlos Ferraz e o professor da PUC-RJ Sérgio Besserman Vianna. Todos eles discutiram o evidente: ninguém tem, ainda, uma visão clara e sistêmica do desarranjo econômico que varre o planeta, apesar de pensá-lo como uma oportunidade.

Segundo José Eli da Veiga será preciso promover transformações profundas nas economias para se iniciar a recuperação. “Os mecanismos tradicionais para superar crises não vão dar resultados”, disse. Já o economista Sérgio Besserman, que atua na PUC-RJ e também pertence aos quadros do BNDES, acredita que vivemos um momento de inflexão da história. “Nada será como antes”, diz ele.

No site do Ethos, um texto sobre o evento diz “entre os palestrantes pareceu haver um consenso que antes só freqüentava mesas de ONGs e de militantes da esquerda: é uma insensatez acreditar que o mercado é capaz de se autoregular”. Assim, valores como ética e sustentabilidade, que são externos ao mercado, precisam ser impostos a ele.

Segundo Ricardo Young, presidente da organização, a idéia deste encontro com economistas foi fomentar o debate e plantar sementes de conhecimento que podem ajudar a inovar. Ele lembrou que é um bom momento para colocar a sustentabilidade, os novos paradigmas de produção e consumo, menos impactantes ambientalmente, socialmente mais responsáveis e economicamente menos predatórios como alternativa viável para a retomada do desenvolvimento.

Nesse contexto, Antonio Vives afirma que é preciso ser realista e não viver de ilusões. “Os promotores da responsabilidade social de empresas devem entrar mais em contato com a realidade empresarial para se interar de verdadeiros obstáculos e poder desenhar intervenções efetivas e sustentáveis”, crê.

Publicado em www.gife.org.br

Livro analisa os reflexos do mundo de hoje no amanhã

Na obra Microtendências, o especialista em pesquisa de opinião política Mark J. Penn identifica as transformações que estamos enfrentando na vida moderna e que serão determinantes para as inovações do futuro

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

Você sabia que cresce cada vez mais no mundo o número de crianças que optam por uma alimentação vegetariana? Ou ainda que as mulheres ganham dos homens quando o assunto é tecnologia? Dados como esses mostram microtendências que, aparentemente, são inofensivas à dinâmica da vida moderna, mas que, quando analisadas de perto, revelam-se poderosas agentes de mudanças socioeconômicas. 

Para entender melhor esse fenômeno, Mark J. Penn – considerado o maior especialista em pesquisas de opinião política dos Estados Unidos – realizou um estudo sobre 75 pequenas mudanças de comportamento que apresentamos hoje e que, sem dúvida, influenciarão o mundo dos negócios, a política e o dia-a-dia das pessoas no futuro. O resultado da pesquisa foi o livro “Microtendências – As pequenas focas por trás das grandes mudanças de amanhã”, lançado no Brasil no final do ano passado pela editora BestSeller, depois de fazer muito sucesso nos Estados Unidos. 

Nas 588 páginas do livro, o autor explica como identificar as microtendências atuais e como cada uma delas pode influenciar positivamente na dinâmica de uma empresa, no resultado de uma eleição ou ainda no surgimento de grandes inovações sociais sustentáveis. Para Penn, as mudanças nos estilos de vida, o avanço dos meios de comunicação – como, por exemplo, o surgimento da internet – e os caminhos da economia mundial mudaram o sentido da palavra individualismo e dividiram a nossa sociedade em milhares de pequenos grupos que, atualmente, estão provando ter maior impacto na construção de um futuro diferente. 

A obra, que chegou a receber elogios de Bill Gates e ser recomendada em importantes publicações – como o jornal The New York Times  –, promete dar ao leitor uma nova perspectiva sobre a vida moderna. “Penn tem uma mente aberta e um incrível senso do que move o mundo. Percebemos isso em cada página”, disse Bill Gates após a leitura do livro. 

Microtendências – As pequenas focas por trás das grandes mudanças de amanhã
Autor: Mark J. Penn com E. Kinney Zalesne
Tradução: Adriana Rieche
Editora BestSeller
588 páginas
Preço: R$ 42,90
Mais informações no site do livro (em inglês)

Em Nova York, até os cones de trânsito serão ‘verdes’

por Andrea Vialli

Em breve, até os cones e placas de sinalização de trânsito de Nova York terão de ser ecológicos. E não só eles: também aparelhos de ar-condicionado, lavadoras de louça e de roupas, impressoras e outros bens de consumo. Até a grama dos parques e praças deverá ser escolhida por critérios ambientais.

É o que sinaliza um conjunto de 18 novas diretrizes verdes, lançado pelo Estado de Nova York, para orientar as compras públicas. Ou seja, cada compra realizada pelo poder público local terá que ter critérios verdes, como eficiência energética, uso de matéria-prima reciclada, redução no uso de componentes tóxicos e reciclagem. As impressoras, por exemplo, deverão ter o selo Energy Star e estar programadas para imprimir dos dois lados do papel. As placas de trânsito deverão ser alimentadas por energia solar, e os cones devem ser feitos de pelo menos 50% de matéria-prima reciclada.

O conjunto de normas ainda vai passar por apreciação pública. As medidas podem parecer exageradas, mas são um meio de o poder público avançar em sustentabilidade, e influenciar a indústria no desenvolvimento de tecnologias mais verdes e com menor consumo de energia.

Por aqui, existe uma ótima iniciativa, do Greenpeace: o programa Cidade Amiga da Amazônia, que estimula que as prefeituras só comprem madeira de origem certificada, de modo a não estimular o desmatamento ilegal. Fazem parte mais de 30 cidades, entre elas grandes capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Porto Alegre.

A lengalenga do fim da sustentabilidade

Por Ana Luiza Herzog | 18/02/2009 – 15:50

A lengalenga de que a crise financeira deve jogar por terra as estratégias de sustentabilidade das empresas aparece, vai embora, aparece, vai embora… sorte é que, com bastante freqüência, aparecem também bons artigos explicando porque a sustentabilidade, a despeito da crise, e ainda mais depois da crise, tornou-se uma questão crucial para as empresas. Um deles saiu recentemente no Financial Times e é de autoria de Daniel Vermeer e Robert Clemen, dois professores da Duke University, nos Estados Unidos. Vou reproduzir aqui o que achei mais legal do que eles disseram sobre os princípios que devem sobreviver à crise - e de que maneira:

- A desaceleração na economia vai forçar as empresas a tornar seus esforços em prol da sustentabilidade mais robustos, estratégicos. Em contrapartida, ações de cunho mais filantrópico, ligados à responsabilidade corporativa mais tradicional irão mesmo perder fôlego

- A crise explicita ainda mais a necessidade das empresas fortalecerem suas estruturas de governança corporativa, uma vez que a imagem de muitas delas está queimada. E não se trata de simplesmente cumprir a lei. Segundo os autores, as empresas terão de incorporar procedimentos mais transparentes de tomada de decisão e de relato das mesmas - caso contrário, passarão a ter problemas com seus stakeholders
 
E quanto à ecoeficiência?

As empresas há muito perceberam que azeitar processos fabris para produzir mais, usando menos recursos e matérias-primas é sinônimo de economia e, consequentemente, de um balanço financeiro mais saudável. A questão é que, muitas vezes, essas melhorias nos processos produtivos demandam, sim, investimentos vultosos. E definitivamente … eles não serão feitos agora. Ou seja, empresas que não descobriram ainda as benesses da ecoeficiência têm tudo para entrar na onda agora e conseguir bons resultados sem grandes desembolsos, fazendo coisas simples … reaproveitando a água usada num processo nobre aqui num outro menos importante ali, vendendo um sub-produto que antes ia para o aterro sanitário para uma outra empresa, queimando um outro sub-produto para gerar energia … Já as empresas que abraçaram a causa há mais tempo e já fizeram o que descrevi acima e muito mais, não se mexerão agora para comprar aquela nova máquina que consome metade da energia que a atual. Esse salto terá de esperar. Além do quê, lembram os autores, sejamos realistas: com os preços de commodites como petróleo, carvão e gás natural em baixa, o sex appeal da ecoeficiência diminuiu bastante … infelizmente.

 

E os produtos verdes?

Os consumidores continuarão a se empolgar com eles. Menos, porém, com itens muito caros, como um carro híbrido, e mais com produtos mais baratos e que ofereçam benefícios mais imediatos, tais como uma lâmpada fluorescente ou um alimento orgânico. Isso significa que os grandes varejistas, tais como Wal-Mart e Tesco, não devem amenizar as pressões para que seus fornecedores fiquem verdes. Afinal, mesmo com a crise, não vamos parar de procurar por esses produtos nas prateleiras. 

Stakeholder engagement – parece palavrão, mas num é não

Por Ana Luiza Herzog | 27/02/2009 – 18:41

A despeito dos palavrões que cercam o tema, como inclusividade, materialidade … e por aí vai, me diverti bastante fazendo uma reportagem sobre engajamento de stakeholders para a última edição da EXAME, que ainda está nas bancas. A propósito: meio que já nos acostumamos a ouvir o termo, mas “engajamento de stakeholders” também é feio de doer, né? Esqueçam então o xingamento e adotemos o “diálogo com partes interessadas”, expressão que felizmente caiu nas graças do povo. Bem, o fato é que algumas das experiências interessantes de empresas que colhi para a reportagem tiveram de ficar de fora ( é sempre assim, histórias de mais, para páginas de menos), mas vou contá-las aqui. E vou começar com o Itaú:

Assim como o Bradesco, que foi retratado na reportagem, o Itaú também vem realizando painéis de stakeholders anualmente para avaliar seu relatório de sustentabilidade e, por tabela, a sua estratégia. Lembrando: a empresa realiza um “painel” quando convida seus principais stakeholders - funcionários, clientes, fornecedores, ONGs, órgãos reguladores e especialistas, entre outros - para que, presencialmente, exponham suas opiniões e anseios em relação a alguma política da companhia.

Em meados de outubro do ano passado, o Itaú convidou 50 stakeholders para opinar sobre o seu relatório. Apenas 32 compareceram ao painel (é gente, fazer as partes interessadas se interessarem não é nada fácil, mas eu vou falar sobre isso num outro post). O banco foi ousado e chamou até executivos dos concorrentes para participar da discussão. E o que o pessoal do Itaú escutou? Apenas um exemplo: “A gente acha o Itaú Cultural legal e tal … mas usem o site pra descrever em detalhe o que ele anda fazendo e use o relatório para as ações mais estratégicas, que estão realmente relacionadas ao negócio do banco”. ( O painel que o Itaú realiza para avaliar seu relatório é anual, mas no futuro, a idéia de Sônia Favaretto, superintende de sustentabilidade do Itaú, é promovê-los três vezes ao ano)

Em 2007, o Itaú também promoveu um painel para legitimar a sua política de risco socioambiental de crédito para empresas antes de lançá-la ao mercado. E como esperado, ela foi alvo de uma série de críticas. Conclusão: após o painel, o banco mexeu no texto da política para torná-lo mais claro - reformulando a apresentação dos compromissos, dos objetivos e de sua forma de aplicação -; trabalhou no aprimoramento da lista de atividades classificadas como proibidas de serem financiadas e uma lista de atividades classificadas como restritas; e criou uma ouvidoria específica para assuntos socioambientais, entre outras medidas.

Educação ambiental na sala de aula

Instituto 5 Elementos lança publicação sobre consumo sustentável para alunos e professores do ensino fundamental. Obra é baseada nos conceitos dos 5Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar.

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

Consumo, mudanças climáticas, gestão de resíduos sólidos e atitudes sustentáveis: como explicar todos esses conceitos para crianças a partir de 6 anos? Muitos gostam de dizer que elas têm na mão o futuro da humanidade, mas, muitas vezes, sobra apenas para os professores a tarefa de ensinar a elas o que fazer com todo esse potencial. 

O Instituto 5 Elementos, em parceria com a Imprensa Oficial e o Instituto HSBC, pretende dar uma ajudinha aos educadores com a publicação da Coleção Consumo Sustentável e Ação. A obra, com linguagem simples e objetiva e cheia de ilustrações e textos bem-humorados, é voltada para professores e estudantes do ensino fundamental e pretende estimular a sustentabilidade no público infanto-juvenil por meio da difusão dos conceitos dos 5Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. 

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A coleção é formada por cinco exemplares – Orgânico, Metal, Vidro, Papel e Plástico –, repletos de histórias diferenciadas e ideias originais para a realização de uma Feira de Ciências com o tema sustentabilidade, como por exemplo: construção de minhocário, degustação de alimentos saudáveis, oficina de papel reciclado, exposição de sucatas de metal e shows com instrumentos feitos a partir de materiais reciclados. 

Há ainda um volume chamado Consumo Sustentável que é destinado, exclusivamente, aos professores. Entre outras coisas, o exemplar conta com um Manual de Atividades com Propostas de Metodologias, que promove um diálogo entre todos os temas da Coleção, afim de auxiliar o professor no trabalho educativo com as crianças. 

“O leitor poderá perceber, por exemplo, a conexão que existe entre mudança do clima e o que podemos fazer no nosso dia-a-dia para combater o aquecimento global.”, diz a pedagoga e coordenadora da publicação, Patricia Otero, que explica, ainda, porque o Instituto 5 Elementos resolveu investir na obra. “Os problemas ambientais já estão revelados há um bom tempo. Agora, chegou a hora de agirmos e por isso o tema consumo sustentável está tão conectado à urgência, prioritariamente na educação formal”, conclui Patricia. 

Em breve, a obra poderá ser baixada gratuitamente, em PDF, no site do Instituto.  

Vamos lá: tinta branca nos telhados!

Por Ana Luiza Herzog | 05/03/2009 – 17:34

Vi ontem de noite, no canal de TV GNT, a propaganda da campanha “One degree less” (Um grau a menos), do Green Building Council Brasil. Os comerciais começaram a ser veiculados há cerca de duas semanas e seu propósito é fazer com que as pessoas se convençam da importância de pintar os telhados de suas casas e prédios de branco. E antes que você me pergunte “a troco de quê”, eu vou explicar.

 

De acordo com muitos estudos, dentre eles um da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, cerca de 25% da superfície das grandes cidades é composta de telhados - que em sua imensa maioria são escuros e refletem apenas 20% da luz solar. E como refletem muito pouco daquilo que incide sobre elas, essas superfícies ficam quentes, muito quentes. Junte isso à quantidade absurda de concreto usado na pavimentação de ruas e avenidas - que também absorvem muito calor -, mais a escassez de grandes áreas verdes e tchan tchan tchan … temperaturas muito mais altas nos centros urbanos do que fora deles - um fenômeno que foi batizado de “ilhas de calor” (Urban Heat Island). 

 

Então, para evitar que vivamos numa ilha de calor cada vez mais quente (acabei de chegar da rua e lá fora os termômetros marcam 33 graus) e os prédios possam consumir menos energia para manter ar-condicionados a todo vapor, tinta branca nos telhados é o que há! O estudo de Berkeley monitorou cerca de 10 edifícios nos estados da Califórnia e da Flórida e constatou que o uso de tetos brancos - que também são chamados de frios - pode gerar para os proprietários dos imóveis entre 20% e 70% de economia de energia de resfriamento. Não é pouco não. E quanto ao carbono que deixa de ser emitido com a redução desse uso de energia? Cada 100 metros quadrados de teto pintados de branco compensam 10 toneladas de C02. O site da campanha dá mais detalhes sobre o estudo e explica direitinho como essa prática simples de pintar telhados e tetos pode dar uma resfriada no planeta. Vale a pena.

 

(A iniciativa “Um grau a menos” é brasileira, e foi idealizada por Thassanee Wanick, uma ambientalista que também é cônsul geral da Tailândia no Brasil e coordena as atividades do GBC aqui. A propósito: o GBC é uma ONG que tem a missão de disseminar conceitos de sustentabilidade para a indústria da construção civil. Ela nasceu nos Estados Unidos e é quem concede o LEED, o único selo verde para construções aceito internacionalmente). 

Feira de Marketing Sustentável no Brasil

Pela primeira vez, o país sediará o evento, que vai discutir o papel dos profissionais de marketing e comunicação nas atuais questões socioambientais que preocupam o mundo. Além da Feira, que acontece de 2 a 4 de junho, haverá ainda um seminário internacional sobre o assunto

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

“Os problemas relevantes com que nos debatemos não poderão ser resolvidos no mesmo nível conceitual em que nos encontrávamos quando os criamos”. A frase é de Albert Einstein, mas o evento que pretende discutir o assunto é promovido pela Unomarketing. Nos dia 2, 3 e 4 de junho, a empresa vai realizar o inédito Comunicação Consciente: Feira e Seminário Internacional de Marketing Sustentável, para discutir a função dos profissionais de marketing e comunicação nos novos padrões sustentáveis da nossa sociedade. 

Voltado para profissionais de marketing, publicidade e comunicação em geral, além de profissionais da área de responsabilidade social e ambiental, o evento pretende definir novas linhas de atuação no setor, que sejam baseadas em princípios éticos e morais e levem em conta a necessidade de solução dos grandes problemas atuais da nossa sociedade – como, por exemplo, o aquecimento global. 

“O desafio atual da comunicação e do marketing é conduzir ações de forma sustentável, despertando a consciência socioambiental entre fornecedores, clientes e público consumidor”, diz Paula Faria, diretora da Sator Eventos, organizadora da feira. 

Empresas que atuam no ramo do marketing e da comunicação e que já agem de forma consciente e sustentável, por meio de seus produtos, serviços e projetos inovadores, serão apresentadas durante os três dias de feira. Paralelo a isso, acontecerá um seminário com cases e propostas desafiadoras que serão analisadas por profissionais de destaque, como os publicitários Percival Caropreso e Valdir Cimino. Para conhecer a programação completa, clique aqui

Durante o evento, será lançada, ainda, a Networking Digital. Se trata de uma rede social que permite que fornecedores e clientes interessados nas questões socioambientais possam se reconhecer online para trocar experiências e potencializar futuros negócios. 

Comunicação Consciente: Feira e Seminário Internacional de Marketing Sustentável
Data: de 2 a 4 de junho
Local: Fecomercio – Rua Dr Plínio Barreto, 285 – Bela Vista, São Paulo
Inscrições online
Mais informações no site do evento

SP discute educação ambiental e sustentabilidade

A Fundação Parque Zoológico realizará na capital paulista, entre os dias 27 e 29 de março, o Encontro Internacional para Educação Aplicada à Conservação e Sustentabilidade. Além de diversas palestras com especialistas, os três dias de evento terão mesas-redondas abertas ao público

Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável 

A atual dinâmica da sociedade moderna torna, cada vez mais,  necessária a realização de atividades que proponham discussões sobre educação ambiental e sustentabilidade. Uma ótima oportunidade para isso é o Encontro Internacional para Educação Aplicada à Conservação e Sustentabilidade, que acontece em São Paulo entre os dias 27 e 29 de março, pela Fundação Parque Zoológico de São Paulo, com o apoio do Governo do Estado e da Secretaria do Meio Ambiente

Vários especialistas no assunto, do Brasil e do mundo, participarão do evento dando palestras sobre temas relacionados, entre eles “A importância da Comunicação na Educação Ambiental” e “Escola da Amazônia: educação para a conservação e sustentabilidade”. Já na palestra de abertura, um colombiano que representa a Fundação Zoológico de Cali, Igino Mercuri, falará sobre a sua experiência no assunto. 

Além disso, nos dias 28 e 29, o evento promoverá mesas-redondas abertas ao público para discussão de temas como “Aplicabilidade dos projetos de educação ambiental” e “Diferentes abordagens para educação ambiental”. 

As inscrições para participar do encontro devem ser feitas por fax ou através do site da Fundação Parque Zoológico de São Paulo até o dia 20 de março. O cronograma completo dos três dias do evento pode ser visto aqui

Encontro Internacional para Educação Aplicada à Conservação e Sustentabilidade
Data: 27, 28 e 29 de março
Local: Espaço Dom Pedro – Avenida Miguel Stéfano, 4241 – Água Funda
Mais informações no site do evento

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